Na última quarta-feira, realizou-se o segundo encontro do seminário sobre normatização para obras sustentáveis na Copa do Mundo de 2014, por iniciativa da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA).
Os debatedores discutiram sobre a geração de energia a partir do biodiesel; a utilização de LEDs na iluminação dos eventos; a utilização de energia solar; e a certificação de edificações com base em sua eficiência energética.
Paulo Augusto Leonelli, presidente do Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética, vinculado ao Ministério de Minas e Energia, falou sobre como é concedida a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (Ence), feita após avaliações da estrutura, da iluminação e do serviço de condicionamento de ar.
A análise é feita a pedido do construtor, de forma voluntária. Além dos aspectos citados, são concedidas bonificações, como a economia de água, o controle de resíduos e os controles inteligentes da edificação. A etiqueta pode ser concedida já para o projeto, com validade de três anos, ou para o edifício (valida por cinco anos). A classificação oscila entre o nível A (mais eficiente) e o E (menos eficiente).
Leonelli avaliou que a etiqueta será muito importante nos estádios que receberão jogos da Copa, uma vez que são construções grandes e bastante singulares.
Marcelo Mesquita, da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava),comentou sobre a importância da utilização da energia solar em estádios, hotéis, restaurantes e aeroportos - estabelecimentos que serão bastante utilizados na Copa do Mundo.
Ele colocou em números a relevância e o pootencial brasileiro para a utilização da energia proveniente do sol. Segundo Mesquita, há no Brasil cerca de 200 empresas que trabalham com energia solar, entre fabricantes, revendedores, projetistas e consultores. Elas movimentam R$ 180 bilhões a cada ano, gerando 16 mil empregos diretos. O mercado é muito promissor no Brasil, país em que as áreas com menos incidência de luz solar superam em 30% a média de incidência na Alemanha, país pioneiro no setor. O Brasil tem apenas 2% da área coletora de energia solar. A China tem quase a metade de todo o mundo (48%) e os Estados Unidos, 19%.
Marcus Vinícius de Souza Alvim, diretor da Tecnowatt Iluminação - representante, no Brasil, da multinacional espanhola Simon - explicou a nova tecnologia de iluminação, baseada nos diodos emissores de luz (LED, na sigla em inglês). Enfatizou as vantagens da nova tecnologia, como a durabilidade - uma lâmpada de LED dura até 80 mil horas, contra mil horas de uma lâmpada incandescente comum - e a quantidade de luz, que chega a 80 lumens por watt, contra dez das lâmpadas incandescentes e 20 das halógenas.
No entanto, o desafio da indústria na disseminação dessa nova tecnologia é o custo inicial. O expositor não citou números, mas afirmou que a indústria aposta no aumento da escala para diminuir esses custos.
O último a falar foi Sílvio Oliveira, dono da indústria de geradores Gerasol, que discorreu sobre a produção da energia a partir do biodiesel. Segundo ele, toda a energia utilizada nos estádios, nos jogos da Copa, terá de ser feita a partir de geradores, para evitar interrupções do fornecimento de energia.
Esses geradores seriam alimentados com biodiesel. De acordo com o expositor, o custo de produção do biodiesel é hoje mais alto do que o óleo diesel e disse que a única forma de diminuir esse custo é por meio de incentivos fiscais.
Entre outras melhorias, segundo Oliveira, a utilização do biodiesel no lugar do óleo diesel, em grandes fábricas, geraria uma diminuição de 8 milhões de toneladas na emissão de gás carbônico (CO2), por ano, na atmosfera, o que possibilitaria ao Brasil arrecadar aproximadamente US$ 80 milhões em créditos de carbono no mercado mundial.
Sinopse
"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
CALOUROS DO AR FC
quarta-feira, março 24, 2010
Um estudo desenvolvido pela professora Carmen Rial, do Departamento de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), entre 2003 e 2009, com cerca de 40 jogadores brasileiros de futebol que viviam ou haviam morado e atuado no exterior, traçou o perfil desses atletas.
A maioria dos jogadores de futebol brasileiros que vão trabalhar fora do país são caçulas. Raros são os primogênitos. Muitos tiveram irmãos mais velhos que também desejavam jogar futebol, mas precisaram abandonar esse projeto para contribuir com a economia da família. Menos frequente do que o “caçulismo”, mas também recorrente, é a origem em famílias com a ausência dos pais, vivendo com os avós maternos. Além disso, a pesquisa concluiu que são jovens com origem nas chamadas camadas sociais subalternas e a maioria “cruza fronteiras geográficas sem ingressar em países, pois suas fronteiras são os clubes”.
“Concentrei o levantamento na cidade de Sevilha, na Espanha, onde morei quatro meses, com intervalo de um ano, e em Eindhoven, na Holanda, onde estive em três oportunidades, com intervalo de dois anos. Também conversei com muitos familiares, amigos, empresários, técnicos e secretários, realizei entrevistas, assisti a treinos e jogos, visitei seus restaurantes preferidos e algumas de suas casas no Canadá (Toronto), Holanda (Almelo, Groningen, Alkmaar, Roterdã, Amsterdã), Japão (Tóquio), na Grécia (Atenas), na India (New Dehli), na Tailandia (Bangkok), no Marrocos (Marraqueche) e também no Brasil (Fortaleza, Salvador, Belém)”, explicou Carmen.
Também foram realizadas longas conversas telefônicas com jogadores e seus familiares na França (Lyon, Le Mans, Nancy, Lille), Mônaco e Bélgica (Charleroi). O objetivo do estudo foi “traçar um perfil desses emigrantes especiais, por meio do escrutínio de dimensões que marcam seus estilos de vida”, contou a pesquisadora.
Segundo o estudo, a concentração de caçulas entre os jogadores entrevistados mostra que, na repartição familiar das atividades, estes foram beneficiados com a possibilidade de realizar o projeto mais desejado entre os jovens de camadas subalternas no Brasil: o de se tornarem jogadores de futebol profissional. Para a pesquisadora, o “caçulismo” corrobora a ideia de que a carreira de jogador de futebol é um projeto familiar, no qual é necessário algum excedente econômico para propiciar a liberação de um integrante do trabalho remunerado.
De acordo com Carmen, jogar futebol no Brasil não é ocupação da parcela social considerada miserável, pois o esporte demanda um mínimo necessário para um jovem se profissionalizar (chuteiras, contatos com os clubes, passagens de ônibus, dispensa do trabalho). Também não é ocupação das camadas sociais dominantes, cujos projetos de continuação da reprodução social do capital prevêem que os herdeiros, preferencialmente os filhos homens, assumam a liderança dos negócios.
Sendo assim, o futebol é um projeto possível para uma larga faixa da população brasileira, a das camadas subalternas, que vai dos pobres até as camadas médias baixas (aproximadamente de 90% dos entrevistados). “Foi nesta faixa que encontrei a maioria dos meus interlocutores, com uma origem social de pais operários do ABC: trabalhadores rurais, serralheiros, carpinteiros, funileiros, vendedores ambulantes, empregadas domésticas, sacoleiras, marinheiros. As histórias que ouvi têm muitos pontos em comum, são histórias de vida de famílias que, como reconhecem, não passavam fome, mas passavam necessidade.”, disse a pesquisadora.
Outras informações do estudo:
- A maioria dos jogadores entrevistados tinha apenas o primário, cerca de 10% conseguiram terminar o secundário, um havia sido aprovado no exame vestibular (tendo abandonado a faculdade quando se mudou para o exterior) e apenas um formou-se em curso superior;
- Três entre suas esposas concluíram o terceiro grau, mas há uma tendência de que apresentem uma escolaridade maior do que a dos jogadores;
- Todos demonstraram estar conscientes de que a ascensão econômica em suas vidas só foi possível graças ao futebol – atribuem a uma prerrogativa divina o fato de terem ascendido, como se tivessem sido escolhidos: "Tudo o que sou, devo a Deus", "Deus quis assim", "Graças ao Senhor" são frases que pontuam suas falas;
- Praticamente todos os entrevistados empregaram o primeiro dinheiro que receberam para adquirir uma casa para a mãe, ou para fazer uma reforma, quando ela não deseja deixar a vizinhança onde morava, realizando um sonho e devolvendo um pouco do que dizem ter recebido;
- Os altos salários recebidos pelos jogadores na Europa e no Japão não se refletem em consumos “ostentatórios” de sua parte. De fato, seus hábitos de consumo aproximam-se mais aos de uma camada média alta do que de milionários que são;
- Os que estão em clubes-globais moram em casas espaçosas localizadas em bairros nobres, geralmente os que concentram grande número de jogadores de futebol, porém não há na decoração das casas nenhuma grande extravagância. Continuam a vestir-se como os jovens de sua idade (com tênis, jeans e camisetas, ainda que essas sejam de marcas caras), a comer em casa ou em restaurantes que sirvam uma comida próxima da brasileira, a terem como diversão as salas de bate-papo da Internet (onde se relacionam com familiares, amigos e outros jogadores de futebol), os CDs e DVDs de músicas brasileiras, a TV Globo Internacional, e os jogos eletrônicos.
O estudo ainda concluiu que, apesar de alguns jogadores brasileiros conseguirem a nacionalidade no país onde atuam, eles, geralmente, continuam sentindo-se e sendo percebido como estrangeiro. “Adquirir a nacionalidade do país de acolhida nem de longe significa adquirir sentimentos nacionalistas em relação a esse país ou uma identidade outra que a brasileira. A brasilidade permanece como única identidade de pertencimento étnico”, avaliou antropóloga.
A pesquisadora também concluiu que, mesmo a quilômetros de distância do Brasil, os atletas permanecem ligados ao país, seja pelos locais que frequentam, ou pelas músicas e filmes que gostam, ou pelos canais de TV que assistem. O estudo comprova que o círculo das mercadorias que consomem reafirma permanentemente a identidade nacional. “O local (Sevilha, Lille, Eindhoven, Le Mans, Marselha, Bruxelas, Alkmar, Tóquio, Toronto, Almelo...) parece contar pouco para esses sujeitos, pois ainda que possam adquirir imóveis, ter filhos, vivem permanentemente com a possibilidade de mudar-se para outro clube, em outra cidade, em outro país”, disse Carmen.
Na avaliação da pesquisadora, os jogadores entrevistados fornecem um exemplo empírico extremo do viver entre fronteiras. Apesar de sua presença física em outro país, continuam vivendo no Brasil, tanto no plano da imaginação quanto no econômico, pois no Brasil mantêm casas, sítios, carros, contas bancárias, investimentos múltiplos e sustentam familiares. “Nesse sentido, são transmigrantes”, classifica a antropóloga.
A Espanha, a França, a Holanda, a Coréia, o Japão ou qualquer outro lugar em que a sua mobilidade no sistema futebolístico os leve a "rodar", é apenas uma passagem, algo que se faz como um trabalho, com sacrifício, para receber a recompensa de prestigio profissional e financeira.
Erich Beting
A “não-celebração” do gol marcado por Neymar na vitória do Santos contra o Remo, no meio de semana em Belém, foi a melhor resposta que os jogadores santistas poderiam dar à absurda e batida discussão sobre as comemorações de gols no futebol.
Tão antiga quanto o primeiro gol marcado num jogo, a celeuma que o festejo causa na mídia é, mais do que qualquer outra coisa, uma excelente prova de que falta assunto ao jornalista na grande maioria das vezes.
O clássico entre Santos e Palmeiras, talvez o mais interessante jogo de futebol deste ano, mereceu muito mais discussão pelas comemorações dos jogadores do que pelo jogo em si.
Não se discutiu tática, estratégia, sistema de jogo, variação de jogadas, estratégias motivacionais. Nada disso valeu. O que passou para a mídia foi o debate vazio sobre os jogadores celebrarem um gol após a marcação.
Foram quase 15 jogos de invencibilidade do time santista, marca que foi pulverizada por uma grande atuação de um Palmeiras desacreditado por todos, especialmente por seu torcedor. E o debate cercou-se nas comemorações de santistas e palmeirenses após o jogo...
A prova de que o debate era tão vazio foi dada pelos próprios garotos do Santos, na quinta-feira, ao fazerem o primeiro gol sobre o Remo. Os jogadores pararam e fingiram não celebrar o gol que haviam acabado de marcar.
Para variar, o interesse na polêmica vazia tira o brilho de qualquer discussão mais “profunda” da mídia esportiva. E Neymar, Ganso e Cia. souberam mostrar isso de forma irreverente, calando os críticos e mostrando que, no futebol, pode-se ganhar e perder.
Jogar futebol com felicidade é algo cada vez mais raro nesses tempos em que a pressão pela vitória, o massacre da mídia pelo resultado e a intolerância ao erro parecem consumir o bom humor e a irreverência do jogador de futebol.
Não, jogador de futebol não é burro. Muito pelo contrário. Muitas vezes é a pergunta feita que dá essa impressão, ou então a necessidade de o atleta não se expor exatamente pela patrulha que a imprensa faz no dia-a-dia da sua cobertura.
No final das contas, bem que a estátua poderia ser seguida por muitos que estão por aí e vêem, na patrulha alheia, o melhor jeito de se fazer jornalismo...
Alcides Scaglia
Ao parodiar o título de uma das obras do premiado escritor irlandês James Joyce (autor de "Ulisses"), procurarei mostrar principalmente aos ainda alunos do curso de Educação Física, que é possível pensar e desenvolver um projeto que seja audacioso e traga boas novas, novos ares a um processo tão viciado, obsoleto, gerido muitas vezes por leigos, apaixonados pelo futebol.
Em crônica anterior abordei os princípios e os pressupostos de um projeto de futebol que desenvolvia em 1995 (no meu último ano de faculdade). Este era desenvolvido pelo laboratório de Motricidade Humana da Unicamp e também em um clube de associados na cidade de Rio Claro, sendo originalmente publicado no livro Pedagogia do esporte, organizado pela professora Vilma Nista Picollo, e editado pela Papirus.
Hoje, neste texto abordarei o universo da aula, ou seja, como construir uma estrutura de aula, a qual permita o desenvolvimento e a assunção de outros diferenciados objetivos.
“Logo, para o desenvolvimento das aulas os professores devem ter à disposição, bolas de diferentes pesos e tamanhos, bolas de borracha, arcos, cones, cordas, e também alguns materiais que podem ser confeccionados pelos próprios alunos, como: bolas de meia de vários tamanhos, alvos de latas, cones com garrafas plásticas de refrigerantes descartáveis, entre outros que podem surgir da criatividade dos professores e alunos.
Adentrando-se no seu universo nota-se que este se dividi em cinco partes:
I. Conversa inicial;
II. Exploração do tema, por meio de pequenos jogos;
III. Exploração do tema utilizando um jogo-adaptado;
IV. Síntese do tema, com um grande jogo formal;
V. Conversa final.
A aula sempre começa e termina com uma conversa, onde, no começo, estimula-se o aluno a recordar o tema e as atividades da aula anterior, para depois explicar o tema da aula atual, possibilitando que o aluno perceba, buscando uma conscientização da seqüência de seu aprendizado. A conversa final gira em torno de acontecimentos da aula, desenvolvimento das brincadeiras e possíveis problemas que possam ter surgido no transcorrer da mesma, como, por exemplo, uma briga, uma falta, etc... Mas nada impede que no meio da aula, frente a um problema ou dúvida, o professor reúna os alunos para maiores explicações.
A exploração do tema por meio de pequenos jogos é o momento em que o aluno tem a oportunidade de descoberta, de criação, em cima da temática da aula, ou seja, através de uma brincadeira adaptada, a criança usa de seu repertório de possibilidades para aprender, desenvolver, criar, descobrir um novo possível que será utilizado na prática do futebol. Por exemplo, a brincadeira de “mãe da rua”, realizada com a bola nos pés, estará permitindo que o aluno desenvolva, dentre outras habilidades, uma específica e com ênfase, a condução de bola.
Já a exploração do tema através do jogo adaptado, nada mais é do que se criar condições dentro de um médio ou grande jogo, que possibilite a execução das habilidades do futebol, em especial a do tema da aula, de forma mais próxima à exigida numa situação real de jogo.
Para ilustrar, por exemplo, mantendo como tema de aula a condução. Para desenvolvê-lo trabalhamos com um jogo de marcação individual, onde é determinado que um aluno só poderá desarmar, tirar a bola de um único outro aluno; com isso, estamos criando possibilidades dentro do jogo para o aluno conduzir mais a bola numa situação real. Muitas vezes o marcador pode estar desatento, ou encontrar-se distante, o que permite que o aluno conduza a bola para mais perto do objetivo concreto do jogo, o gol.
Por meio desta ilustração, temos uma situação criada para estimular a utilização de um fundamento específico, sem descaracterizar o jogo e o próprio fundamento em jogo no jogo, ou seja, o tema da aula está sendo trabalhado numa visão de todo, e não fragmentando suas partes para o aprimoramento técnico, descontextualizado até da motivação dos praticantes.
Já o jogo formal é o momento onde o aluno se utiliza de tudo o que foi aprendido na aula, somado ao seu conhecimento já assimilado e o aplica numa situação formal de prática do jogo de futebol. Portanto, constitui-se numa situação de síntese do tema e por conseqüência avaliação da aula. É em mais esta situação de jogo que a criança extravasa as suas vontades, liberta suas fantasias, seus inocentes desejos..., e demonstra, por meio da solução dos problemas impostos pelo jogo, a assimilação do que foi proposto.
Como se pode notar, todo o desenvolvimento da aula gira em torno de temas, que são determinados segundo uma sistematização prévia dos conteúdos do futebol, adequada para os diferentes grupos etários”.
Na próxima semana quero apresentar mais detalhes desta experiência.
Os treinos analíticos têm maioridade e presença quase que certa nas atividades de treinamento de equipes de futebol (profissionais e de categorias de formação).
Ao longo da última década e meia, a contestação a esse tipo de treino (seja ele para trabalhar um “fundamento técnico” qualquer ou uma capacidade biomotora específica), tem crescido em boa parte do mundo, especialmente onde os estudos científicos tentam avançar barreiras alicerçadas em paradigmas “tradicionais”.
Algumas pesquisas têm buscado desmistificar a idéia de que o treinamento analítico – treino descontextualizado do jogar – se correlaciona com o aperfeiçoamento das habilidades técnicas que se expressam em ambiente de jogo.
Pois bem. Hoje trago alguns dados e informações interessantes – já apresentadas em outro fórum, com o devido rigor e estrutura técnica requisitada por ele – que podem ilustrar a resposta para uma questão interessante:
Será que um grupo de jogadores com melhores aproveitamentos em testes de precisão, e de força aplicada ao passe (testes analíticos), tem também melhor aproveitamento nesse fundamento quando submetido a situação de jogo?
Tentando responder em parte, a essa pergunta, apresento um “experimento prático” interessante, realizado com jogadores de futebol sub-17. Nesse experimento, 24 jogadores foram divididos aleatoriamente (ou para os que preferem; randomicamente), através de sorteio, em três grupos de oito jogadores cada (grupos “A”, “B”, “C”). Esses grupos foram submetidos a cinco sessões de treino de futebol (que faziam parte do planejamento de treinos da equipe, ao longo do ano competitivo), com jogos em espaço reduzido e com regras adaptadas.
As atividades de treino foram programadas para que houvesse jogos entre jogadores do mesmo grupo (3 x 3 e 4 x 4), e também entre grupos (6 x 6 e 8 x 8).
Para cada um dos jogos, foi realizado um “scout” detalhado de passes certos e errados, jogador por jogador, equipe por equipe, grupo por grupo.
Nas cinco sessões de treino, foram realizados 12 jogos adaptados com objetivo de desenvolver um modelo de jogo específico.
Nessas 12 atividades, o volume total de passes variou significantemente nos jogos, mas o percentual de passes errados por grupo, não (em média 25,2% para o grupo “A”, 25,0% para o grupo “B” e 24,3% para o grupo “C”)!
Os grupos “A”, “B” e “C”, eram componentes de uma equipe que no jogo formal apresentava em média, 15% de passes errados por partida (contando aí, passes, lançamentos e cruzamentos). Nos jogos adaptados, como vimos, não mostraram diferenças significantes entre eles.
Mas é agora que vem a melhor parte da história. Os jogadores desses grupos foram submetidos a três testes analíticos (teste 1, teste 2 e teste 3) para avaliar a precisão e “força” do passe de seus jogadores.
O teste 1 dava ao jogador a possibilidade de realizar 10 passes, a partir de uma marca a 15 metros de distância de um gol com as medidas oficiais (dividido em zonas de importância), com o objetivo de acertar pelo menos uma vez cada uma delas.
O teste 2 dava ao jogador a possibilidade de realizar 10 passes, a partir de uma marca de 20 metros, com objetivo de derrubar cones, com massas diferentes, fixados no chão.
O teste 3 dava ao jogador a possibilidade de realizar 10 passes, a partir de marcas com distâncias variadas (10, 15, 20, 25 e 30 metros), com objetivo de acertar um único alvo demarcado com uma estaca fixada no campo de jogo.
Todos os testes foram realizados no campo de jogo, com jogadores devidamente trajados, respeitando as regras que norteiam o futebol.
| GRUPO A | GRUPO B | GRUPO C | |
| TESTE 1 | 21,2% | 32,5% | 21,2% |
| TESTE 2 | 26,2% | 40% | 50% |
| TESTE 3 | 31,2% | 43,7% | 20% |
Conforme podemos observar na tabela de resultados (referentes a porcentagem de passes errados nos testes analíticos), e sem que necessitemos nos aprofundar nos procedimentos “estatístico-metodológicos” do “experimento” (assunto para outro fórum), o número de passes errados nas atividades analíticas não se correlacionou diretamente com o resultado observado de passes errados obtidos em contexto de jogo (para nenhum dos testes!).
Notemos que em situações de jogo, os três grupos quase não se diferenciaram ou se destacaram pela porcentagem de passes errados. Poderíamos esperar, caso houvesse correlação boa e direta entre os passes realizados com caráter analítico e os de jogo, que a diferença entre os grupos respeitasse sistematicamente a mesma variação tanto no exercício analítico, quanto no jogo.
Podemos observar que não foi isso que aconteceu, ou seja, os melhores resultados nos testes analíticos não foram necessariamente os melhores resultados em situação real de jogo, e vice-versa.
Outros resultados e procedimentos poderiam ser explorados nesse espaço também, para, apimentando mais ainda a discussão que estas informações podem gerar, mostrar que o treinamento através de exercícios analíticos melhora, tão e somente, o desempenho e resultados de avaliações, igualmente analíticas.
A melhora da “performance” de jogo deve ocorrer através de jogos. E não se trata do jogo pelo jogo. É necessário que em sua aplicação e execução, esses jogos gerem sobrecarga suficiente para provocar “respostas adaptativas” físicas, técnicas, táticas, psicológicas, de maneira integral, integrada e totalmente complexa – e isso requer profundo conhecimento a respeito do processo que orienta a aplicação seqüencial desses jogos.
Os exercícios analíticos, contudo não devem ser “aposentados”. Além das muitas décadas de “serviços prestados” (e especialmente por causa disto), têm um simbolismo com os jogadores, que não pode ser desconsiderado ou deixado de lado.
Olhar um fenômeno com os óculos da complexidade requer, acima de tudo, que os olhos estejam abertos, e as lentes, transparentes...

A presença da mulher no futebol é hoje uma realidade, em nível nacional e internacional, com toda a justiça.
Recentemente, tenho me debruçado sobre livros e artigos que tratam especificamente de história, não só do futebol, mas do esporte em geral. O estudo da história, em sentido lato, possui uma relevância única para a compreensão do atual cenário de qualquer matéria, inclusive da indústria do futebol.
Estudando o passado, podemos identificar de onde surgiram diversos dos dispositivos legais que hoje estão em vigor, e, principalmente, qual era o contexto histórico em que eles se inseriam. É também saudável rever os movimentos e tendências que ocorreram no passado, já que muitos deles são exemplos ou inspirações para a busca das soluções de problemas que enfrentamos nos dias de hoje. Vale lembrar que a história é muitas vezes cíclica.
Voltando ao tema da coluna, gostaria de trazer à discussão um dispositivo presente no Decreto-Lei nº 3.199, de 14 de abril de 1941, vigente, portanto, há quase 70 anos, em meio ao Estado Novo de Getúlio Vargas. Tratava-se de uma época em que o profissionalismo no futebol estava engatinhando no Brasil e que o conceito de amadorismo britânico (muitas vezes marcado pela presença do preconceito e da discriminação) ainda prevalecia.
O artigo 54 deste Decreto-Lei dizia (sem ficar vermelho), que “às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza...”.
O esporte, como ferramenta política, muitas vezes militar, e sempre social, era, naquela época, normatizado de forma a rotular as mulheres, impondo a elas certas condições que as tornava impedidas de praticarem certos esportes, tidos como exclusivamente masculinos.
Ao longo dos anos, felizmente, o nosso direito constitucional vem se aperfeiçoando de modo a afastar da legalidade qualquer ato de discriminação perante qualquer ser humano. Não é por acaso que a Constituição Federal de 1988, Artigo 5º, logo em seu inciso primeiro, contém expresso que homens e mulheres são iguais em diretos e obrigações...”.
Ou seja, aquele artigo 54 seria, nos dias de hoje, claramente inconstitucional por conter clara discriminação contra as mulheres.
Mas não apenas isso. A beleza dos movimentos legislativos é que eles retratam de fato (e sempre deveriam retratar) a evolução do conceito de justiça e outros preceitos fundamentais assimilados pela sociedade. Isso quer dizer que, nos dias de hoje, a própria sociedade repugnaria um artigo que contivesse tamanha discriminação contra as mulheres.
Interessante notar como essa evolução (especificamente com relação à discriminação contra as mulheres) ocorreu de forma rápida na nossa sociedade, já que o artigo hoje impensável, encontrava-se válido para apenas uma geração antes da nossa.
Portanto, vamos olhar para frente, e acreditar que essa evolução ainda vai muito além do que temos atualmente, não só com relação às mulheres, como também contra todas as formas de preconceito.
Uma questão fica no ar. Será que o nosso presidente Getúlio Vargas está lá em cima assistindo, assim como todos nós, a Marta e companhia jogarem futebol?
segunda-feira, março 22, 2010

Fortaleza recebe palestras sobre a
Copa do Mundo de 2014
Os debates irão fomentar ações para a Copa do Mundo em Fortaleza
A Prefeitura de Fortaleza, através da Secretaria de Esporte e Lazer (Secel), e em parceria com o Ministério do Esporte, promove entre os dias 24 e 25 de março, sempre de 9h às 13h, no hotel Oásis Atlântico, o Seminário Rodada Nordestina – Rumo a Copa de 2014.
O evento consiste na promoção de debates sobre a Copa a ser realizada no Brasil, e tem o objetivo de esclarecer e captar opiniões em relação às oportunidades que serão geradas com a realização da Copa.
No primeiro dia do seminário, 24, serão discutidos aspectos como a capacitação e o planejamento necessários para receber a Copa e leis de incentivo ao esporte, com a participação de Felipe D’ávila, Master in Business Administration pela Universidade de Navarra, que irá tratar sobre as experiências de países que sediaram outras edições da Copa do Mundo, e Ricardo Capelli, presidente da Comissão Técnica da Lei de Incentivo ao Esporte.
Já o segundo dia, 25, será voltado para a troca de idéias com a imprensa, um importante momento para captar diferentes opiniões e sentimentos a respeito da realização da Copa na cidade, bem como levantar questionamentos a respeito de problemas e soluções.
Os interessados em participar do evento devem confirmar presença através do endereço eletrônico rodadanordestina@camarote.net ou pelo telefone (071) 3111.4000.
Serviço:
Rodada Nordestina – Rumo a Copa do Mundo de 2014
Data: 24 e 25 de março (quarta e quinta-feira)
Local: Hotel Oásis Atlântico (Avenida Beira Mar, 2500 – Meireles)
Horário: De 9h às 13h
Mais informações com o assessor de comunicação da Secretaria de Esporte e Lazer de Fortaleza (Secel), Rodolfo Oliveira, no telefone 3105.1345.
sábado, março 20, 2010
Utilidade Pública
Chega de desculpa: fazer apenas alguns minutos de exercício tem eficiência similar às atividades de longa duração

Fazer poucos minutos de exercício de alta intensidade traz bons resultados
Melhor arrumar outra desculpa além da tradicional falta de tempo para não fazer exercícios físicos. De acordo com uma nova pesquisa feita por cientistas canadenses, pode-se ter ganhos importantes mesmo com poucos minutos de atividade física por dia.
O estudo foi conduzido por um grupo da Universidade McMaster e publicado no The Journal of Physiology. O trabalho reforça os benefícios do treinamento curto e intervalado de alta intensidade, considerada uma alternativa eficiente para os tipos tradicionais de exercícios de longa duração. Ou seja, é possível obter mais com menos.
O treino intervalado de alta intensidade em curto período envolve executar rápidos momentos de exercícios intensos com um pequeno intervalo entre eles. Segundo os autores do estudo, o resultado para indivíduos jovens e saudáveis se mostrou equivalente ao treinamento de resistência de longa duração.
O novo estudo também indicou que as séries curtas não precisam ser feitas no limite da resistência da pessoa. Apesar de estar em um ritmo acima da zona de conforto, os tiros dos voluntários foram feitos abaixo do máximo que conseguiriam.
“Verificamos que o treino intervalado não precisa ser do tipo ‘tudo ou nada’ para que se mostre efetivo. Dez séries de apenas 1 minuto de tiro em uma bicicleta ergométrica, com 1 minuto de descanso entre elas, três vezes por semana, funcionam tão bem na melhoria da musculatura como muitas horas de exercícios convencionais de longa duração, mas com menos intensidade”, disse o professor Martin Gibala, um dos autores do estudo.
Segundo os cientistas, o treino curto e intervalado de alta intensidade – mas não extremo – pode funcionar também para indivíduos com sobrepeso, mais velhos e com condicionamento abaixo da média, uma vez que não envolve chegar no limite.
Os benefícios dos exercícios físicos para a saúde são conhecidos, mas a abordagem tradicional exige um considerável número de horas por semana de treinos. Segundo Gibala, 10 tiros de 1 minuto trazem resultados equivalentes a 10 horas de bicicleta ergométrica em ritmo moderado durante um período de duas semanas.
Os pesquisadores não sabem por que o treino curto, intervalado e intenso é tão eficiente, mas observaram que ele estimula muitos dos mesmos caminhos celulares responsáveis pelos efeitos benéficos associados com o treinamento de resistência tradicional.
“Apesar de ainda ser uma forma exigente de treinamento, o protocolo que usamos é possível de ser feito pelo público em geral e envolve pouco tempo e o uso apenas de uma bicicleta ergométrica”, disse Gibala.
Na sequência da pesquisa, os autores pretendem examinar se o treino curto e intervalado de alta intensidade também traz benefícios a indivíduos obesos ou com problemas metabólicos como diabetes.
segunda-feira, março 15, 2010
”Não me preocupa ter que agradar às pessoas, senão pelo desvendamento da verdade, o que representa, verdadeiramente, a prática do mais elevado padrão ético.” (Benê Lima)
Opinião - 1
UMA VISÃO PRAGMÁTICA PARA O FUTEBOL
O futebol, como coisa de humanos, precisa que sobre ele se lance um olhar mais racional, menos ideológico e mais cooperativo
Anos e anos decorrem sem que possamos assistir à chegada definitiva do profissionalismo no futebol cearense, em termos de sua gestão. E a razão é simples e de fácil identificação. Na verdade, nossos dirigentes ainda não conseguiram desassociar sua condição de torcedores da de dirigentes. E isso acaba fazendo com que eles tenham pelo menos quatro discursos: um para si; outro para a platéia-torcedora; mais um para os órgãos de comunicação; e outro para ambientes fechados.
O que temos observado é que os meios de comunicação se servem dos três últimos, por terem maior acessibilidade. E, esta observação já nos permite enxergarmos as contradições e incoerências dos discursos, identificando assim a falta de maturidade e de convicção de nossa classe dirigente.
O pior de tudo é que esse tipo de atitude produz um subproduto, que pode ser expresso pela incapacidade da categoria em gerenciar suas massas torcedoras. Desse modo, desvencilham-se do ‘cajado’ com o qual deveriam conduzir o ‘rebanho’, e acabam posicionando-se num meio-termo contraproducente, como numa tentativa de servirem a dois ‘senhores’ de atitudes antagônicas, por isso, inconciliáveis.
Entendemos, portanto, que a condição de dirigente é muito mais desafiadora do que se supõe. Pois, os desafios não se restringem somente à gestão do clube – o que se assim fosse já seria muito. Conduzir a massa torcedora e fazer-se modelo a ser seguido, eis uma tarefa que, embora acessória, é provida de uma importância didática de grande dimensão.
- Dirigentes: abandonem o casuísmo e deixem de demagogice!
Opinião - 2
AH! RIBAMAR, POR QUE NÃO TE RENOVAS?
A mais nova entrevista do Ribamar é a reafirmação do culto à personalidade, o penúltimo estágio antes da egolatria
Tenho grande respeito pelo cidadão Ribamar Bezerra, por sua luta e por suas conquistas, e por ele não ser um cínico assumido. Todavia, faço algumas restrições ao dirigente, por seu discurso quase sempre recorrente, além de eivado por certa dose de rancor contra os maus cronistas esportivos, e de nenhum respeito pelos bons.
Além disto, Ribamar parece achar que pelo fato de ter um diploma de jornalista está capacitado a deitar falação sobre como fazer jornalismo e radialismo.
Ademais, esquece que ter dinheiro é também uma questão de oportunidade, e não só de talento e competência.
Felizmente, o capital intelectual não é monopólio da classe média alta, bem como de nenhuma outra que vá de A a Z.
Aliás, certa vez, demonstrando considerável dose de transparência - o que é louvável - Ribamar admitiu sua vaidade em tom ligeiramente autocrítico, mas na verdade ainda não conseguiu alcançar a maturidade para fugir dos excessos verborrágicos.
Digo isto, com a mesma isenção com que fiz duas colunas para um site de São Paulo em 2006, elogiando o trabalho de Ribamar Bezerra.
E vale dizer que já sofri ameaças de um torcedor do Fortaleza, pelo fato de haver feito umas poucas críticas à administração de Ribamar.
O grande equívoco que vejo no tocante às críticas, é que tanto o torcedor sectário quanto o próprio Ribamar, imaginam que só quem pode criticar o dirigente é quem tem maior patrimônio, maior saldo bancário e mais diplomas que eles.
Pena a visão preconceituosa de vincular capital intelectual a capital financeiro. Pena!
BREVES E SEMIBREVES
Ferroviário
prova que há muita bravata em seu noticiário, por parte de alguns repórteres. Não suportou um Ceará em fase de transição, ainda em busca do padrão da temporada passada. Vitória incontestável do Alvinegro de Porangabussu, sobre um time que sequer começa por um bom goleiro.
Ceará
finalmente reconduz à sua equipe um meia de armação, também com característica de meia-atacante: Geraldo é seu nome. De quebra, ainda traz Erick Flores, que tanto pode ser opção como parelha. Agora o campeonato deve começar para o Vozão.
Fortaleza
começa a perceber que não conseguir tomar gols vale um ponto.Turato já não complica diante de atacantes meia-boca e de ataques ruins como o do Maranguape, o que representa um avanço. Betinho jogando mal ainda é, disparado, o melhor dos atacantes tricolores. Tatu é menos pior que Rinaldo. Já Bismarck não agüenta jogar noventa minutos porque tem para carregar uma máscara maior que ele. Não falo de Eusébio porque hoje foi seu aniversário de cem jogos, dos quais noventa de fraco futebol.
Cleston Santino:
é pose demais e critério de menos. Coragem indômita na aplicação do primeiro amarelo, mas amarela na aplicação do segundo ao mesmo atleta. Nem ele nem Carolina Romanholi viram o pisão que Ronaldo deu – embora tenha parecido sem o querer - no atleta do Maranguape.
Benê Lima
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domingo, março 14, 2010
O Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) acaba de passar por sua segunda reforma, conforme Resolução nº 29, de 10 de dezembro de 2009, do Conselho Nacional do Esporte (publicada no Diário Oficial da União nº 250, de 31 de dezembro de 2009). Com isso, todas as competições desportivas, de todas as modalidades praticadas de modo formal (sob organização de Confederações, Federações e Ligas Desportivas filiadas), realizadas a partir de 1º de janeiro de 2010, devem utilizar o CBJD atualizado para fins de processamento e julgamento das infrações disciplinares e relativas ao desenvolvimento das competições esportivas.
Editado originalmente em 24 de dezembro de 2003, em substituição ao Código Brasileiro Disciplinar de Futebol (CBDF) e Código Brasileiro de Justiça e Disciplina Desportivas (CBJDD), unificando-os, teve sua primeira alteração motivada por aspectos relativos à constitucionalidade, legalidade, juridicidade e boa técnica legislativa, conforme se verifica nas considerações do Ministro de Estado do Esporte, ao baixar a Resolução nº 11, de 29 de março de 2006.
Por sua vez, os motivos determinantes desta segunda reforma, segundo nota divulgada pelo Ministério do Esporte, partiu da Ordem dos Advogados do Brasil, em 2007, quando a entidade recomendou modificações durante o Seminário Internacional de Direito Desportivo, realizado em São Paulo. Além disso, como o Brasil é signatário da Convenção Internacional contra o Doping no Esporte da UNESCO, verificou-se a necessidade de que as orientações da Agência Mundial Antidoping (WADA-AMA) fossem incorporadas à legislação brasileira. Não obstante, a proposta inicial elaborada pela Comissão de Estudos Jurídicos Desportivos do Ministério do Esporte foi submetida a um amplo processo de consulta pública, com apoio do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo (IBDD), resultando em cerca de 60 emendas.
Amplitude das alterações do CBJD
Observamos que a reforma do CBJD foi profunda, sendo que, de seus 287 artigos, apenas 112 foram mantidos em sua redação original. No total, mais de 500 alterações foram promovidas (entre artigos, parágrafos, incisos e alíneas), seja por meio de revogações, acréscimos, modificações ou nova redação de textos. Portanto, todos aqueles que atuam neste segmento (desporto de rendimento), seja no âmbito da prática profissional ou não-profissional, devem conhecer os dispositivos do CBJD em vigor, inteirando-se dos novos procedimentos relativos à organização, funcionamento e atribuições da Justiça Desportiva, bem como a previsão atual das infrações disciplinares desportivas e suas respectivas sanções.
Dentre as modificações, destacamos:
A integração plena ao Código Mundial Antidoping (CMAD), superando conflitos e incompatibilidade de penas existente no CBJD/2006;
Previsão de defesa técnica, por meio de advogado ou estagiário por ele instruído, desde que regularmente inscritos perante a Ordem dos Advogados do Brasil. De todo o modo fica garantido o direito de pessoa maior e capaz postular em causa própria, se assim desejar.
Reconhecimento expresso do direito ao efeito suspensivo no recurso voluntário, quando a penalidade imposta exceder de duas partidas consecutivas ou quinze dias (desde que requerido pelo punido), sendo que o efeito suspende a eficácia da penalidade naquilo que exceder o número de partidas ou o prazo.
Obrigatoriedade da elaboração de Regimentos Internos, de cada modalidade, no prazo máximo de 01 ano, contados de 01/01/2010, regulamentando aspectos relativos, por exemplo: (i) organização de Comissões Disciplinares Regionais, para apreciação de matérias relativas a competições regionais e municipais; (ii) estabelecer critérios relativos a sindicâncias e aplicação de sanções aos funcionários do Tribunal; (iii) regulamentar as funções de Corregedoria, a ser exercida pelo Vice-Presidente do respectivo órgão judicante; (iv) disciplinar o registro e distribuição dos processo desportivos.
Obrigatoriedade da normatização, no âmbito de sua competência, de critérios para conversão de pena, quando assim admitido pelo CBJD, em medida de interesse social, que, entre outros meios legítimos, poderá se dar mediante a prestação de serviço comunitário nos campos da assistência social, do desporto, da cultura, da educação, da saúde, do voluntariado, além da defesa, preservação e conservação do meio ambiente.
Possibilidade, das entidades nacionais de administração do desporto, em propor a adoção de tábua de infrações e penalidades peculiares à respectiva modalidade desportiva, em complementação àquelas constantes no CBJD, condicionada à prévia aprovação do Conselho Nacional do Esporte, sendo seu campo de incidência restrito à respectiva modalidade.
A possibilidade da interposição de embargos de declaração , quando houver, na decisão, obscuridade ou contradição; ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o órgão judicante.
Fixação de margem mínima para penas de multa, na ordem de R$ 100,00 (cem reais), permitindo ao julgador fixar penas conforme a realidade social do réu, além da admitir-se, a requerimento do punido, a concessão de parcelamento e a conversão de até metade da pena pecuniária em medida de interesse social, como a prestação de serviços comunitários. Não obstante, as entidades de prática desportiva passam a ser solidariamente responsáveis pelas penas pecuniárias impostas às pessoas naturais que lhe sejam direta ou indiretamente vinculadas.
A inovação da transação disciplinar desportiva, para casos específicos e de pequena gravidade, visando agilizar o julgamento dos processos desportivos.
A abertura para edição de súmulas vinculantes pelo Tribunal Pleno do STJD, de cada modalidade desportiva, em face de reiteradas decisões sobre determinada matéria, tendo por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia que acarrete insegurança jurídica e multiplicação de processos sobre questão idêntica.
O reconhecimento expresso da possibilidade de instauração do processo desportivo em caso de nfrações graves que tenham escapado à atenção da equipe de arbitragem, ou em caso de notório equívoco na aplicação das decisões disciplinares (exemplo: infrações verificadas posteriormente através de meios audiovisuais). Por outro lado, também consta expresso a partir de agora, que as decisões disciplinares tomadas pela equipe de arbitragem (ainda que equivocadas – erro de fato) são definitivas, não sendo passíveis de modificação pelos órgãos judicantes.
Extinção da possibilidade de queixa,, restando ao interessado apresentar por escrito notícia de infração disciplinar desportiva à Procuradoria (a quem cabe privativamente, mediante denúncia, iniciar o procedimento sumário destinado à aplicação de medidas disciplinares), desde que haja legítimo interesse, acompanhada da prova de legitimidade.
O direito (pela parte ou pela Procuradoria) de requerer a lavratura de acórdão, que deverá conter, resumidamente, relatório, fundamentação, parte dispositiva e, quando houver, a divergência. O auditor incumbido de redigir o acórdão terá o prazo de dois dias para fazê-lo, devolvendo os autos à Secretaria. Constando da ata de julgamento a necessidade de elaboração posterior do acórdão, o prazo para interposição do recurso voluntário (03 dias contados da proclamação do julgamento) terá sua contagem iniciada no dia posterior ao da intimação da parte recorrente para ciência da juntada do acórdão nos autos. Tal circunstância garante melhor condição ao defensor na elaboração eventual de recurso, com mais segurança e coerência ao que foi decidido pelo órgão judicante.
Estas são apenas algumas das modificações promovidas no Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que demonstram o grande desafio que os operadores do direito desportivo terão pela frente, na construção de uma nova realidade no âmbito da Justiça Desportiva Brasileira.
Dispõe a Constituição Federal, em seu art. 5º, inciso XXXV, que: “A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Entretanto, “o Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da Justiça Desportiva, regulada em lei” (CF/88, art. 217, § 1º). Dessa combinação de normas constitucionais revela-se o prestígio adquirido pela Justiça Desportiva no Brasil, enquanto foro competente, essencial e predominante para dirimir conflitos oriundos da prática desportiva, limitados ao processo e julgamento das infrações disciplinares e às competições desportivas.
Neste aspecto, o Código Brasileiro de Justiça Desportiva – CBJD se apresenta como o principal instrumento jurídico de regulamentação da sua organização, funcionamento e atribuições, assim como do respectivo processo desportivo e da previsão das infrações disciplinares e suas sanções decorrentes, no âmbito do desporto de prática formal. Tudo conforme determina a Lei nº 9.615/98, que institui normas gerais sobre desporto e dá outras providências. Portanto, é fundamental que todos aqueles que se encontram sob jurisdição da Justiça Desportiva brasileira, bem como seu corpo de secretários, auditores, procuradores e defensores, tenham pleno conhecimento e domínio do CBJD, visando sempre à defesa da disciplina, da moralidade do desporto e do espírito desportivo (fair play).
Fonte: IBDD
*José Ricardo Rezende é advogado especialista em Direito Desportivo, profissional de Educação Física, pós-graduado em Administração de Marketing e autor de diversas obras na área do Direito e Desporto, dentre elas, o novo Código Brasileiro de Justiça Desportiva Anotado e Legislação Antidoping - 2010 (1ª Ed., All Print, SP).
É também membro do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo – IBDD e do Panathlon Club International.
Principal patrocinador dos times de futebol do Rio Grande do Sul, o banco Banrisul ampliará sua atuação na região. A instituição financeira vai patrocinar a segunda divisão do Estadual, com acordo válido para a temporada 2010.
O acerto com o Banrisul foi confirmado por Francisco Novelletto Neto, presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF). "Esse apoio é fundamental para que os clubes consigam um fôlego nesta temporada", analisou o dirigente.
A marca do Banrisul será exposta em placas de publicidade de todos os jogos da segunda divisão gaúcha. Além disso, o banco patrocinará medalhas, troféu e a cerimônia de premiação do torneio e custeará a entrada gratuita de mulheres em todas as partidas da competição.
No ano passado, o Banrisul acertou a renovação de seu patrocínio a Grêmio e Internacional e passou a desembolsar R$ 7 milhões por temporada pela cota máster de cada equipe. Pouco depois, a instituição ampliou o benefício a outros participantes da elite estadual.
Fonte: Máquina do Esporte
Existem inúmeras menções, quer por parte dos meios de comunicação, quer por parte dos torcedores, quanto à Liga Sagres ser uma das melhores ligas europeias. No entanto, essas referências têm apenas como fundamento as performances dos três grandes clubes portugueses nas competições continentais ao longo dos anos.
Na verdade, a Liga Sagres, embora sendo de onde saem alguns dos melhores jogadores do mundo e a liga que mais receitas gera através da transferência de jogadores, tem dificuldade em entrar no top 10.
Analisando os dados relativos ao relatório da Uefa sobre as finanças e o estado dos clubes europeus (dados relativos a 2008/09):
- A Liga Sagres é a 10ª liga, num universo de 53, em termos de média de espectadores nos estádios. Segundo a Uefa, a Liga Portuguesa registou uma média em 08/09 de 10.390 torcedores, sendo ultrapassada por ligas como a belga, a russa, a escocesa, a holandesa e a turca.
- Em termos de média de receitas produzidas pelos clubes de cada liga, a Uefa separa as 53 ligas europeias em 5 grupos; as ligas de topo, as grandes, as médias, as pequenas e as micro. A Liga Sagres está colocada no segundo escalão, a par das ligas da Aústria, Bélgica, Dinamarca, Grécia, Holanda, Noruega, Polônia, Romênia, Rússia, Escócia, Suíça, Suécia, Turquia e Ucrânia.
- Em termos de média de receitas geradas pelos clubes de cada uma das 53 ligas de futebol europeias, a Liga Sagres consegue a 11ª posição, mais uma vez atrás de países como a Escócia e a Dinamarca.
- Os clubes portugueses em média dedicam 57% das suas receitas para o pagamento de salários, o que para uma média europeia de 62%, não é um indicador negativo. Tendo em conta que o gasto salarial das cinco maiores ligas europeias varia entre 71% e 52% da receita gerada, a Liga Portuguesa não é das que mais gasta em salários.
- A média de endividamento dos clubes da Liga Sagres coloca Portugal na 5ª posição de todas as ligas europeias. Este indicador é sem dúvida negativo, sendo que os clubes de duas ligas do top 5 europeu (Alemanha e França) têm uma média de endividamento inferior à portuguesa.
- O valor total dos jogadores de todos os clubes da Liga Sagres é, segundo a estimativa da Uefa, de 555 milhões de euros, o que coloca Portugal no 9º lugar em relação aos valor total dos jogadores das restantes ligas. Naturalmente existem ligas com um número superior de jogadores devido ao maior número de equipes, o que, a se equivalerem, colocavam Portugal na 6ª posição, sublinhando a qualidade geral do jogadores no país.
- Existe um parâmetro que coloca Portugal na 1ª posição de todas as ligas europeias: referimos-nos à percentagem de receitas provenientes da venda de jogadores, onde os clubes portugueses lideram com 86%. Este indicador revela a fragilidade financeira dos clubes portugueses, tendo necessidade de realizar todos os anos grandes receitas na venda dos seus melhores jogadores para equilibrar as suas contas.
Em suma, são conhecidas as dificuldades financeiras dos clubes nacionais, em que o endividamento é desajustado à dimensão dos clubes. Mas talvez o problema mais grave diz respeito à organização e administração da Liga, bem como a contínua centralização da exploração comercial em torno dos três grandes clubes por parte de várias entidades da indústria.
Este aspecto potencializa a falta de competitividade e o desequilíbrio desportivo, impedindo o crescimento consolidado de uma liga colocada a meio da tabela da 2ª divisão europeia.
Fonte: Futebol Finance