Ex-árbitro faz uma análise sobre o desenvolvimento da função e o processo de profissionalizaçãoArtur Capuani e Bruno Camarão
O Brasil participa ativamente das discussões sobre os meandros da arbitragem internacional. Anualmente, nas reuniões da International Board, órgão que regulamenta as regras do futebol e aprova as leis do esporte, um ex-árbitro brasileiro, que esteve em diversos jogos importantes nas principais competições, está presente e dá o olhar sul-americano sobre o tema. Trata-se de Emídio Marques de Mesquita.
Árbitro de futebol de 1968 até 1993, desde a Liga Municipal de Futebol de Jacareí, passando pela Liga Joseense de Futebol de São José dos Campos, federações paulista e goiana de futebol, até chegar à CBF, Conmebol e Fifa, ele traçou sua carreira nos campos de maneira coordenada.
Mesquita é engenheiro civil e professor, capacidades que o permitiam executar sua grande vocação. Não como uma espécie de hobby ou pensando no ambiente para promoção econômica e política. Fosse dessa maneira, jamais seria alçado ao posto de instrutor de arbitragem da Fifa, entidade que rege a modalidade no mundo.
"Divido a carreira do árbitro em três momentos: ele apita onde deixam, apita onde ele quer, e apita onde ele gostaria. Quando chegar à plenitude, é necessário ter consciência e retornar para casa, não sendo apenas mais um", afirmou nesta entrevista concedida à Universidade do Futebol.
Antes, ele carregou o apito em quadras de basquetebol, de 1957 até 1968, atuando no departamento de Educação Física e Esportes de São Paulo, FIBA, CBB, FPB, Confederação Brasileira de Desportes Universitarios e Circuito de Baloncesto Superior de Puerto Rico. E não tem dúvidas em garantir que o esporte coletivo mais popular também é o mais fácil de ser arbitrado.
Por que, então, os árbitros erram tanto? O experiente árbitro aponta que muitos de seus companheiros simplesmente estão deixando de lado a singularidade das ações, tornando-se mais mediadores e relações públicas do que qualquer outra coisa. Vide a Copa do Mundo de 2010...
"O maior problema que observamos durante o Mundial na África do Sul em termos de arbitragem foi na parte psicológica, na área do sentimento. Qualquer atividade humana pode ser programada sem o envolvimento do sentimento. O futebol, não", apontou Mesquita, citando alguns acontecimentos pontuais.
Para ele, no Brasil, o esporte dito profissional é dirigido amadoristicamente por elementos passionais e inconsequentes. Essa relação entre árbitros e administradores, o papel da mulher no futebol, as particularidades do treinamento e a razão pela qual não se profissionaliza a função também são abordados com mais profundidade a seguir.
Universidade do Futebol - Primeiramente, fale um pouco sobre sua formação acadêmica e a experiência como árbitro e coordenador de arbitragem ao longo de sua carreira.
Emídio Marques de Mesquita - Quando eu tinha 11 anos de idade realizei um teste biométrico em que foi detectada uma lesão em meu coração. Ficou avaliado que eu teria apenas seis meses de vida. Com isso, não pude participar da prática esportiva nas aulas de Educação Física em meu colégio. Sem poder jogar basquete, eles me deram um apito e esse apito mudou a minha vida. Graças a esse erro médico comecei a apitar muito cedo em confrontos entre os colégios locais.
Em 1957 fui assistir aos jogos regionais do Vale do Paraíba em Mogi das Cruzes e, por acaso, acabei apitando uma partida. Depois eles me pediram para voltar e eu aceitei. Em seguida, o departamento de Educação Física local abriu um curso de arbitragem em que eu e mais 20 árbitros fomos selecionados para apitar os jogos abertos do interior em Santo André.Logo depois, fui convidado para apitar pela Federação Paulista. Já com 16 anos, o Brasil me propôs para ser árbitro internacional de basquete. Como não existia uma idade limite e não me aceitavam como árbitro internacional, acabei apitando todos os jogos possíveis até chegar às Olimpíadas de Tóquio, onde atuei na final do basquete entre Estados Unidos e Rússia.
Minha transição para o futebol aconteceu quando fundei a primeira escola de arbitragem para futebol, em Jacareí, na Liga Municipal de Futebol. Até lá eu só apitava na várzea, pois era um autodidata. Mas foi durante uma crise da arbitragem paulista na Era Pelé, quando o Corinthians perdeu o título estadual para o Santos e exigiu uma reformulação no quadro de árbitros para que participasse da edição seguinte, que eu realizei o curso da Federação Paulista de Futebol. Em janeiro de 1968, um grupo de escoteiros com árbitros selecionados dos demais esportes, liderados por Arnaldo César Coelho, comandaram o Campeonato Paulista.
Mais tarde, quando a CBD (entidade que comandava cerca de 20 modalidades esportivas), atendendo a uma resolução da Fifa, criou a primeira relação nacional de árbitros, a primeira comissão nacional de árbitros e o Campeonato Brasileiro, eu passei a exercer minha função em âmbito nacional.
Com a criação da categoria de árbitros aspirantes à internacional, para forçar a classe a manter um bom nível, acabei evoluindo para esta categoria, atuando na Libertadores, em amistosos e nas Eliminatórias da Copa do Mundo.
Durante entrega de prêmios para destaques de edição do Campeonato Paulista, Emídio Marques de Mesquita (no alto, à esquerda) é eleito o melhor árbitro da competição
Universidade do Futebol - Como se dá a relação entre a Fifa e a International Board, desde a sua criação?
Emídio Marques de Mesquita - A International Board foi criada antes da Fifa, há 124 anos, em uma taverna com representantes de Escócia, Inglaterra, Suécia e Países de Gales. Nesta reunião foi adotada a regra de Cambridge como um padrão internacional. Mais tarde, em 1913, nove anos após sua criação, a Fifa acabou entrando como quinto elemento deste sistema, que realizava apenas uma reunião anual, diferente das duas realizadas atualmente.Na verdade, a International Board não está registrada em nenhum cartório no mundo. Ela é apenas um estatuto.
Nas reuniões ministradas em março, chamadas de Assembléias Gerais, são convocados quatro delegados de cada membro. Ou seja, 16 britânicos e mais quatro da Fifa. Em outubro, tendo a Fifa como sede fixa, é realizada a Reunião de Trabalho com apenas um representante de cada membro. Nestas discussões, cada membro apresenta suas propostas para a alteração da regra com a devida justificativa, que entra em votação.
A partir da gestão de João Havelange, a Fifa passou a arcar com todas as despesas das reuniões.
Mesquita compôs quadro internacional da Fifa e hoje atua como instrutor de arbitragem da entidade: contato com Havelange e Blatter
Universidade do Futebol - Os equívocos da arbitragem na Copa do Mundo da África do Sul fizeram retornar a pressão pela introdução de inovações tecnológicas que venham a minimizar os erros de arbitragem. Qual a sua opinião sobre o tema? Quais os benefícios e desvantagens que esta medida pode trazer à modalidade?
Emídio Marques de Mesquita - Porque não se chegou uma conclusão até hoje, por exemplo, na introdução de um sistema que detecte a entrada da bola no gol? Por uma razão simples. No tênis a bola atinge uma superfície plana; no futebol, é vertical. Tentaram com o chip na bola, mas não foi suficiente. No Campeonato Mundial Sub-17, no Peru, houve uma tentativa frustrante deste sistema.
Quando começou o futebol, não havia rede e existia um assistente para avaliar se a bola tinha realmente entrado no gol. Com a chegada das redes, eles viraram bandeirinhas. Agora, Platini está promovendo a volta destes, o que aumenta muito o custo.
Sobre a utilização de replays pela arbitragem, a International Board não aceita, pois não se pode utilizar este mecanismo em todos os jogos do mundo. Portanto, é uma proposta natimorta.O que não está previsto na regra tem que estar administrativamente contido no regulamento das competições. Assim, ele complementa as regras no aspecto administrativo. E o que não está previsto nos dois, deve aparecer nos códigos judiciais esportivos.
Por exemplo, a regra do jogo não diz que o campo tem que ter grama, ou que o árbitro deve usar um apito. Esses pontos devem estar estabelecidos no regulamento da competição.
Quanto à parte disciplinar, a Fifa tem o seu código internacional, mas cada entidade tem a sua. Na Copa do Mundo, com dois cartões amarelos um jogador é suspenso. Já no Campeonato Brasileiro, que segue as normas da CBF, são necessários três.
Universidade do Futebol - De que maneira o senhor avalia a participação dos árbitros durante a Copa do Mundo de 2010?
Emídio Marques de Mesquita - Tudo o que aconteceu serve como parâmetro de avaliação. Mas cabe uma pergunta mais genérica, a todos: por que os árbitros erram?
Dividimos a arbitragem em quatro pedestais: a parte técnica, a parte física, a parte administrativa e a parte psicológica. A primeira se refere às regras, aos regulamentos e aos códigos. É a própria razão.
O maior problema que observamos durante o Mundial na África do Sul em termos de arbitragem foi na parte psicológica, na área do sentimento.
A parte administrativa já está na internet, como informação. A parte física é mantida por conta do planejamento realizado pela Fifa e seus critérios pré-estabelecidos.
O torcedor não aceita que o árbitro erre, pois ele só vê o lado do time dele no jogo. A imprensa é tendenciosa. Aceitamos que o erro sempre irá existir, dentro de alguns limites. O que nós não aceitamos é o dolo. E estudamos mecanismos para tentar fazê-lo errar menos.
Fato novo é aquilo que aconteceu pela primeira vez e você não sabe como resolver. O grande problema dessa Copa: a bola entrou [jogo entre Inglaterra e Alemanha]. Todos estavam treinados para aquele momento, mas os dois responsáveis pelo lance não viram. O mesmo vale para o jogo entre Argentina e México.
Houve uma falha de razão na mecânica de arbitragem e uma falha de sentimento. Toda ação determina uma reação, e a situação determina a ação. Se existe uma manifestação coletiva, e não apenas uma reclamação particular, a percepção fica clara.
Na minha vida, tive três fases simultâneas. Uma fase como engenheiro, outra como professor, e outra como árbitro. Essas três se interligavam de uma mesma forma: que se dane o mais próximo. E este era eu.
Se um funcionário da obra dormisse durante o expediente e depois pudesse cobrar as horas de serviço, ele o faria; se o aluno colasse durante a prova e depois pudesse reivindicar uma boa nota, ele o faria; assim como o jogador, se pudesse fazer um gol de mão, ele faria.
Sempre tive que sobreviver a esses três pontos de pressão com naturalidade. As pressões existentes são internas e externas: do jogador para o árbitro, do banco de reservas para o árbitro, da imprensa e da torcida para o árbitro.
Esse universo mexe com o sentimento. Qualquer atividade humana pode ser programada sem o envolvimento do sentimento. O futebol, não. No Brasil, costumo dizer, esse esporte é dito profissional, dirigido amadoristicamente por elementos passionais e inconsequentes. Se fosse minha empresa, teria de fechar ontem, pois só daria prejuízo. E é uma realidade que já perdura 50 anos.
Rossetti e assistente são pressionados por jogadores no duelo entre México e Argentina e Neuer observa bola ultrapassando a linha em chute de Lampard; erros no Mundial são explicados
Universidade do Futebol - O senhor acredita que a formação de árbitros ligados às ciências humanas possa minimizar o número de problemas e, consequentemente, a resolução destes durante uma partida de futebol?
Emídio Marques de Mesquita - A Universidade Federal do Paraná foi a primeira a tratar sobre esse tema da formação acadêmica. Criou-se um curso elitista de arbitragem. Eles achavam que se todos os árbitros tivessem um título universitário, seria criada uma nata privilegiada, e os problemas estariam resolvidos.
Não, o árbitro de sucesso não é aquele que está na universidade, mas o que está no povo. É aquele que sabe resolver um problema. A figura do árbitro nasceu justamente diante desta necessidade, baseado na confiança e na independência.
Esse cidadão é aquele que tem uma média nos quatro aspectos principais. Não posso ter um grande fundista, e um péssimo psicólogo. Ele tem de ter um denominador comum. E o grande árbitro é aquele que tem uma regularidade de atuações, nas quais ele consegue suplantar os atos novos e resolver os principais problemas.
Só há um problema quando você pode resolvê-lo. Toda vez que isso não é possível, o problema não pertence à sua esfera. O problema não existe quando não há respostas. O homem que sabe resolver suas adversidades familiares e cotidianas é o homem ideal à arbitragem.
Quando ele tem sua personalidade formada e sua atividade profissional não interfere na arbitragem, ele está pronto para ser um árbitro de sucesso. Por conta disso consideramos que a idade ideal para todo árbitro internacional é entre os 35 anos e os 45 anos. Ele está na plenitude de sua realização profissional e maduro o suficiente para exercer a nova função.
Hoje o futebol possui uma velocidade diferenciada. E nosso questionamento não se baseia mais na avaliação física, mas na faixa etária justamente por conta disso. Aquele de 46 anos muitas vezes se acomoda e acredita que possui direitos adquiridos, sem nada mais a crescer.
Arbitragem não é hobby e nem emprego: é vocação. Ela está condicionada àqueles dois postulados, que são a confiança e a independência.
Divido a carreira do árbitro em três momentos: ele apita onde deixam, apita onde ele quer, e apita onde ele gostaria. Quando chegar à plenitude, é necessário ter consciência e retornar para casa, não sendo apenas mais um.
Universidade do Futebol - Qual a diferença entre o árbitro e o "apitador"?
Emídio Marques de Mesquita - O apitador é aquele que saiu da escola e apita de uma forma inconsequente. O árbitro é aquele que toma uma decisão que pode desagradar ao mundo todo, menos à sua consciência.
Entre ambos, existe o relações públicas, o mediador. É aquele que aplica cartão para o jogador de um time e para o outro, ele é o bonzinho, sempre querendo estar em evidência nas escalas para ser prestigiado.
Os erros no último Mundial estiveram muito ligados à postura "mediadora" da maioria dos árbitros. Desagradaram a sua consciência, apitaram roboticamente, e geraram uma grande frustração. Este tem que ir pra casa.
Universidade do Futebol - Existe um modelo de treinamento específico realizado para os árbitros de futebol?
Emídio Marques de Mesquita - Quando eu atuava, cada país tinha no máximo sete árbitros internacionais. Estes funcionavam como árbitros e juízes de linha, que era a terminologia da época. A partir de 1990 após o Mundial na Itália, alterou para 10 árbitros e mais 10 árbitros assistentes, cada qual em sua função específica. A cabeça foi disciplinada.
Naquela época, a idade máxima era 50 anos - agora, 45 anos. Além disso, o referencial era o teste de Cooper, dos 12 minutos. Hoje é o teste no campo, andando, trotando e correndo. Muito mais difícil e exigindo bem mais fisicamente.
O trio também era misto em termos de nacionalidade. Agora, o idioma é o mesmo, sendo que todos têm de saber falar o inglês. Houve, consequentemente, uma diminuição dos erros, apesar de não ser o ideal. Por quê?
O problema não está quando a bola está parada, mas quando ela está em movimento. A velocidade do árbitro é uma, e a da bola é outra. O árbitro anda no mínimo a 2 metros por segundo de velocidade. Quando trota, vai a quatro metros por segundo. Num sprint, a sete metros por segundo. O tempo da bola é imprevisível.
O referencial é: árbitro e bola têm de correr na mesma direção, sendo que o ser humano precisa manter uma distância razoável do objeto, para não atrapalhar o desenvolvimento das ações.
Quanto menos interrupção houver, melhor o jogo. Temos de estudar, então, esse sincronismo entre todos os árbitros do mundo, algo muito difícil. NBA e FIBA, por exemplo, já conseguiram essa homogeneidade. O futebol, não.
No basquete, Mesquita deu seus primeiros passos como árbitro principal; dificuldades são maiores do que no futebol, acredita ele
Universidade do Futebol - Como é feita a análise do desempenho dos árbitros e a interação com ele, após a atuação em uma partida oficial?
Emídio Marques de Mesquita - Todo trabalho pressupõe que se tenha um controle. E o árbitro tem de saber que está sendo avaliado, para ter um retorno. Eu analiso o trabalho dele de acordo com alguns critérios específicos.
Nota 10 é excelente. Nove é ótimo; oito é muito bom; sete é bom; seis é mais que regular; cinco é regular; quatro é mais que sofrível; três é sofrível; dois é mais que insuficiente; um é insuficiente; e zero é nulo
São seis aspectos. Primeiro, a personalidade (peso 1). Tenho de responder se o árbitro foi imparcial ou não. Aquele ponto como ele se livrou das reclamações de jogadores, banco e público, por exemplo. Necessito escrever a razão de determinada atribuição, ponto a ponto.
Segundo ponto é a parte física (peso 2). Analiso a sincronia do árbitro com o jogo, o modo como ele se situa nas jogadas. Sempre justificando.
Terceiro ponto, de peso maior (peso 3), é a aplicação das regras do jogo. Ele tem de ter uniformidade de critérios para que os envolvidos tenham uma noção de como se desenvolverá o duelo. A aplicação da lei da vantagem também se insere nesse quesito. O árbitro é o guardião da regra, ele tem o poder disciplinar, e não é o juiz da questão.
Quarto ponto é a mecânica de arbitragem. A forma como o quinteto se realiza. No meu tempo, o árbitro assistente discordava bastante de você. Hoje, parece que é proibido se pensar diferente. Erra-se igual em detrimento do conserto do erro. O peso é dois.
O resultado final resulta em uma média - é o espelho da atuação do árbitro. Mas os jogos são diferentes. Tenho de ver o grau de dificuldade da partida, em si, com pontos extras conferidos ao árbitro. Cada um dos itens é justificado. Não é possível se manipular a informação.
No relatório, ainda cito três pontos positivos e três pontos negativos da atuação do árbitro. Mando o documento para a Fifa, que tira uma cópia e envia diretamente para a residência do envolvido na partida.
"Nunca me preocupei em agradar ninguém. E esse tipo de atitude me fez chegar aonde eu cheguei, sem hipocrisia, com o coração"
Universidade do Futebol - A medida mais interessante para reeducar o árbitro quando ele comete uma sequência de erros é o afastamento dele?
Emídio Marques de Mesquita - Sim, mas a punição do árbitro tem de ser intramuros. Ele não pode ser meramente exposto e tem de passar por uma reciclagem específica. Seja em termos técnicos, físicos ou psicológicos.
Universidade do Futebol - Como o senhor vê o papel da mulher dentro do mundo da arbitragem? Quais são as diferenças em relação à situação masculina?
Emídio Marques de Mesquita - O problema da mulher está totalmente desvirtuado no Brasil. No mundo existe futebol feminino, e aqui o desenvolvimento da modalidade é muito pequeno. Por conta disso, elas foram colocadas para trabalhar em meio aos homens.
A natureza biológica da mulher é diferente da do homem. O teste físico da mulher é diferente do homem. A cabeça da mulher é diferente da do homem. São estranhos no ninho.
Nós estamos andando na contramão do mundo. Jogos masculinos somente são dirigidos por homens, assim como são as mulheres quem arbitram os jogos femininos.
A mulher tem uma visão periférica melhor do que o homem. Por causa da procriação, da cria. Assim, ela é melhor assistente do que o homem e tem a visão de conjunto. Geralmente, comete menos erros quando atua nessa função.
Universidade do Futebol - O senhor teve um início de carreira ligada ao basquete. É possível traçar um paralelo entre modalidades diferentes e as peculiaridades em cada tipo de arbitragem? Qual esporte é mais difícil de ser apitado?
Emídio Marques de Mesquita - O esporte mais difícil de apitar chama-se pólo aquático. Fora da piscina, você tem de ter noção da "sacanagem" que está ocorrendo embaixo da água. O requisito para ter um grande árbitro dessa modalidade é que ele tenha sido jogador de pólo aquático. O mesmo não vale para o basquete e para o futebol.
Um ex-jogador de basquete ou futebol vai com o apito na boca e a cabeça de atleta. O jogo conduzido por esses árbitros acaba tendo um grau de intensidade tão grande, fazendo-os perder o controle. São permitidas determinadas ações faltosas, por exemplo, que eles consideravam normais.
Dos esportes coletivos, de quadra, o mais difícil de apitar é o voleibol. O árbitro fica estático e tem de analisar situações à distância em que é necessário criar uma uniformidade de critérios para não desarmonizar o jogo. Ele exige uma concentração e uma disciplina muito grandes.
Como não existe a vantagem no basquete e no voleibol, estes árbitros permanecem com o apito na boca. Diferentemente do futebol. Ele entre para deixar de apitar e permitir a fluidez do jogo.
A primeira coisa que ele tem de fazer é ver. A segunda, interpretar. A terceira, sentir. A quarta, analisar. E a quinta, emitir um sinal. Se um desses tópicos não acontecer em uma fração de segundo, o raciocínio dele está errado.
Tive uma experiência na final da Copa Intercontinental de Clubes de 1971, entre Panathinaikos, da Grécia, e Nacional, do Uruguai. Ouço um barulho, mas não vi o lance. Senti que o jogador havia quebrado a perna. Me virei, e apliquei o cartão vermelho ao adversário que estava próximo, em pé.
No jantar, à noite, o húngaro Puskas, que era treinador do Panathinaikos, dirigiu-se até mim e me disse que pensava que eu estava louco por ter expulsado o jogador. "Como você o expulsou?". E eu respondi: "pelo barulho". Isso é sentir. Analisar é o princípio da ação e reação. A situação determina a ação, e não o inverso.
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width=560 height=340>Universidade do Futebol - Mesmo com toda a importância que tem o futebol na atualidade, a arbitragem ainda não pode ser considerada como profissão, já que são necessárias atividades paralelas para garantir o sustento de um árbitro. Quais as dificuldades criadas com esta situação? O que pode ser feito para alterar este contexto?
Emídio Marques de Mesquita - Na última Copa do Mundo, ao pé da letra, tínhamos apenas um árbitro profissional, ligado à federação inglesa, que é o Howard Webb. Em 1995, o Blatter enviou uma circular para todos os países do mundo, à época eu estava na CBF, para que pensássemos sobre a profissionalização da arbitragem. Em 15 anos não se encontrou uma solução, por vários aspectos.
A legislação trabalhista na Argentina é diferente da encontrada no Brasil, que também é diferente da inglesa. E surge uma pergunta: quem é o patrão do árbitro?
A Fifa diz que apenas usa os árbitros das entidades associadas a ela. A CBF, por exemplo, diz que tem a relação anual dos árbitros, e usa os representantes das federações estaduais. Estas dizem que formam os árbitros, sendo intermediárias de um campeonato que ela organiza, com o administrador de um condomínio, que são os clubes.
Pela legislação brasileira, a relação entre empregado e empregador é a carteira de trabalho, com diversas especificidades. Não existe na legislação brasileira, entretanto, a profissão "árbitro de futebol". O Ministério do trabalho apenas dá ao sindicato as cartas sindiciais, mas não há uma lei singular.
Onde está o árbitro? O lado do qual ele veio não o aceita. Onde ele está, também não é aceito. Até agora não se encontrou uma resposta.
Dos 208 países filiados à Fifa, quantos têm condições de profissionalizar essa função? Peguemos os principais europeus, sul-americanos e asiáticos. Não passamos de 11 com essa possibilidade. Portanto, é exceção. O problema é insolúvel. E se mexer nisso, mexe com a independência.
No momento em que o árbitro necessita receber pelo seu serviço, ele passa a ser um mediador e se importar apenas com a próxima escala.
Para ter independência, eu tinha de ter o meu ganha-pão, proveniente da engenharia e do corpo docente. Do contrário, seria um mero fabricador de resultados. Nunca me preocupei em agradar ninguém. E esse tipo de atitude me fez chegar aonde eu cheguei, sem hipocrisia, com o coração.
Sinopse
"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
CALOUROS DO AR FC
quinta-feira, maio 23, 2013
Emídio Marques, instrutor da Fifa
quarta-feira, maio 22, 2013
Negócios] Será que essa moda pega?
Estádios de futebol viram filão para as construtoras e para as empresas que os batizam com suas marcas
Por Luciele VELLUTO
O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, esteve no Brasil na semana passada para conferir in loco as obras dos estádios para a Copa das Confederações, que começa em 15 de junho. Ao que tudo indica, o xerife da entidade que comanda o futebol mundial gostou do que viu. Sobre o Estádio de Brasília, que será o palco de abertura do evento, Valcke o classificou como um dos mais bonitos do mundo. “Estou certo de que os torcedores brasileiros que estiverem na abertura da Copa das Confederações ficarão surpresos”, disse ele. Sobre o Maracanã, foi taxativo. “Se não estiver 100% pronto, não tem problema. O importante é a Copa do Mundo.” O Estádio de Brasília e o Maracanã fazem parte da nova safra de estádios que serão palcos da Copa das Confederações e da Copa do Mundo.
Contratos fechados: Palmeiras (acima), apresentado pelo ex-goleiro Marcos, e Fonte Nova (foto abaixo) iniciam a nova fase de naming rights no BrasilAs novas arenas são muito mais amplas e modernas. Junto com elas, chega também outra novidade: os naming rights. De forma simplificada, uma empresa paga muito caro para dar nome ao estádio. Dois grandes contratos já foram fechados: a cerveja Itaipava, que dará seu nome para a Fonte Nova, em Salvador, e a seguradora Allianz, que batizará o novo estádio do Palmeiras, em São Paulo. É um novo filão de negócios para as construtoras, como Odebrechet, OAS e WTorre, que estão investindo pesado nesse mercado esportivo. A dúvida é se essa moda vai pegar no Brasil. “Em outras áreas, como teatros e casas de show, deu certo”, afirma Eduardo Generoso, diretor da consultoria em marketing esportivo ESM.“Mas não será em um ou dois anos que a marca irá se fixar. Por isso são contratos longos.” De fato. O contrato assinado pela Itaipava, do grupo Petrópolis, tem duração de dez anos. Para estampar seu nome na arena baiana, a cervejaria pagará R$ 100 milhões no período. “Sempre negociamos a associação do nome ao estádio”, afirma Lino Cardoso, diretor comercial e de marketing da Fonte Nova Negócios e Participações, concessionária responsável pela gestão, formada pelas construtoras Odebrecht e OAS. “Seria mais difícil ter a aceitação do público com uma mudança total.” A Itaipava também ganhou exclusividade para vender seus produtos no estádio.“Nossa ideia é estreitar o relacionamento com o público”, afirma Douglas Costa, diretor do grupo Petrópolis. O investimento é uma forma de ampliar a presença das marcas do grupo, que investe em uma nova fábrica no Nordeste. A Allianz, que dá nome a quatro outros estádios no mundo, fechou um contrato ainda mais longo com a arena do Palmeiras, que está sendo construída pela WTorre. Pagará R$ 300 milhões por 20 anos. “Todas as seguradoras investem de forma tradicional no mercado”, diz Felipe Gomes, diretor da Allianz Seguros. “Queremos nos diferenciar.” É na publicidade tradicional, no entanto, que reside uma das barreiras para essa moda pegar.
Fiscal da copa: secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke (de óculos, ao centro) visita as obras do Estádio de Brasília e elogia novas arenasNo Brasil, alguns canais não mencionam em suas transmissões o nome comercial dos estádios. Ao que tudo indica, isso deve mudar. A Globo, dona dos direitos de transmissão dos principais campeonatos no Brasil, já estuda como deverá trabalhar os naming rights e poderá adotar planos comerciais específicos para esses patrocinadores. A Allianz também afirma já estar em negociação com a emissora. Para o diretor de novos negócios da WTorre, Rogério Dezembro, a decisão de fechar o contrato com a Allianz já levava em consideração esse obstáculo. “Por ser pioneira, é isso que acontece”, afirma Dezembro. “Mas temos um parceiro experiente, o que é uma vantagem.”Os acordos para direito de uso de marca nas arenas estão só começando, segundo os especialistas em marketing esportivo. Há ainda mais 12 arenas com contratos de naming rights em aberto. O CEO Beto Lima, da Blue Box, empresa parceira da multinacional de eventos AEG, explica que a multiplicidade de uso dos novos estádios também atrai os investidores, pois o espaço receberá diversos eventos, sendo futebol apenas uma parte do negócio. Contudo, não é possível prever se os torcedores irão aceitar os novos nomes. “O torcedor vai chamar como quiser”, diz Fernando Trevisan, pesquisador em gestão do esporte da Trevisan Escola de Negócios. Para Gomes, da Allianz, essa é uma barreira que será quebrada. “Temos 20 anos para isso”, diz.
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domingo, maio 19, 2013
Uma visão holística do futebol
Mudar estruturas arcaicas como a do futebol brasileiro leva tempo, mas requer apenas gestão, planejamento estratégico e vontade políticaFrancisco Adolfo Ferreira*
Futebol... Um joguinho besta onde vinte e dois mandriões correm atrás de uma bola e, dando coices e cabeçadas, tentam fazê-la entrar numa "casinha"...
Quando assim acontece, uma multidão pula de alegria, vai ao êxtase! Outra multidão estremece de raiva ou, se abate de tristeza, se rebela, xinga, exaspera... Tem gente que chega a ficar doente... Tem gente que briga até com cônjuge, filhos, pais ou irmãos...
Alguns chegam ao extremo de, por ele, futebol, matar ou morrer e, ainda assim, na mais completa e absoluta irracionalidade, continuamos loucos por ele!!!
Fenômeno sócio cultural, meio de catarse coletiva que canaliza paixões e tensões para além das explicações cartesianas. Imagino até, que, sem ele, muito possivelmente, existiriam muito mais conflitos bélicos, até mesmo internacionais.
Paixão que gera grupos e facções com forte identidade e, naturalmente, o sentimento de pertencimento. Os soldados dispostos em campos de batalhas, como gladiadores modernos, usam todas as suas capacidades físicas e habilidades técnicas.
Os comandantes urdem suas estratégias e o espetáculo alterna aspectos marciais e lúdico-artísticos; força e técnica; inteligência e malandragem; lances lícitos e ilícitos representando de modo emblemático o grupo/facção/exército ao qual pertenço.
Complexidade
Entendendo o corpo humano como um sistema complexo em que o todo está interconectado, percebemos a importância de se analisar os detalhes, por mínimos que sejam, que possam vir a interferir no desempenho do atleta de futebol de alto rendimento.
Assim como o corpo individualmente é um sistema complexo, podemos fazer analogia também a uma equipe de futebol como sendo um corpo onde os onze atletas são os membros/órgãos que compõem este sistema complexo chamado time. Ampliando para uma visão macro, tem-se que o time de futebol é o coração do clube, este, por sua vez: expressão e representação da paixão dos seus torcedores que, por sua vez, são a expressão de sua comunidade/bairro, de sua cidade, de seu estado, de seu país...
A quase saturação da era dos especialistas já está demandando cada vez mais por profissionais que possuam uma visão global e que entendam, ao mesmo tempo, os pequenos detalhes que, em sua somatória, facilitariam, em tese, a formação de atletas e equipes mais aptas ao êxito competitivo. Áreas e conceitos como Psicologia Esportiva, Treinamento Mental, Inteligência Emocional, Coaching, Midia Training, PNL, Desenvolvimento Pessoal e Liderança, Autoconhecimento, Wellness... Enfim, a formação/preparação global utilizando de estratégias mais afeitas ao ambiente empresarial/corporativo visando ao bem estar do atleta consigo mesmo e dentro de um grupo como forma de facilitar/maximizar a exploração de todo o seu potencial em benefício da equipe.
É o saber transdisciplinar, ou seja, aquele que busca o conhecimento abrangente da realidade levando em consideração todos os fenômenos complexos que envolvem o ser humano (cultura, etnia, ciência, religião, valores, intuição...), afinal, jogador de futebol também sofre, chora, sente medo, ira, desânimo, fica deprimido, se apaixona, tem problemas pessoais, familiares...
Ao contrário do que dizem alguns "entendidos", que de modo raso e simplório só enxergam problemas se houver falta de dinheiro (aquela conversa batida de algumas mesas redondas dos programas esportivos que mais parecem mesa de boteco: "O Fulano ganha milhões para jogar futebol... Não tem problema nenhum na vida a não ser jogar bola!”...).
Como preparador físico e gestor esportivo, acredito cada vez mais que a conquista da mente e do coração do atleta é o caminho para uma maior conscientização, doação e senso de profissionalismo.
Como estamos vivendo a era do conhecimento, da informação e do
relacionamento, percebo que tratar o atleta como um fornecedor (de serviços) de valor, precioso, torna a contrapartida do engajamento sólido do atleta aos projetos do clube uma possibilidade real.Assim, o clube de futebol que conseguir demonstrar uma preocupação genuína com o desenvolvimento pessoal de seus atletas, oferecendo-lhes uma assessoria honesta que lhes proporcione oportunidades de crescimento pessoal extensiva aos seus familiares, certamente que terá mais do que uma profissional que se dedica em troca de seu salário. Terá um aliado, um fã, um homem com coração grato e feliz por fazer parte de seus projetos e consciente de cidadania, de pertencimento, de doação!
Em relação ao aspecto físico/atlético, o esporte de alto rendimento, como se sabe, não é sinônimo de saúde, pelo contrário, o corpo do atleta é submetido ao longo dos anos de sua carreira esportiva a uma intensa sobrecarga que, invariavelmente, poderá causar uma gama diversa de possíveis vícios posturais e de locomoção que acabam se fixando como padrões motores ou neurais prejudiciais à sua saúde.
Compensações anatômicas, desequilíbrios musculares e "overuses", se sobrepõem com o passar dos anos, tendendo a limitar sua capacidade funcional, gerando quadros crônicos de dores e, consequentemente, as lesões. O avanço das novas tecnologias aplicadas na área médica está tornando tanto possível quanto acessível algumas avaliações detalhadas e precisas que auxiliam na realização de trabalhos de prevenção e reabilitação mais eficientes e que, acredito, possam ser úteis para otimização do desempenho esportivo e até mesmo no prolongamento da vida útil dos atletas de futebol de alto rendimento.
Arrisco-me a sugerir que podemos estar vivendo um dilema nesta seara, senão vejamos: com os avanços das ciências e tecnologias aplicadas ao esporte, os atletas estão cada vez mais bem preparados fisicamente, em consequência, houve um aumento assombroso na intensidade dos esforços demandados nos jogos.
Pergunto: estaríamos então, dada esta alta intensidade, testemunhando uma era de abreviação na vida útil dos atletas, ou estes, cada dia mais aptos, poderiam prolongar suas carreiras no ambiente de alta performance?
Gestão Estratégica
Com os adventos da Copa das Confederações, Copa do Mundo-2014 e Jogos Olímpicos Rio-2016, a chamada "Década do Esporte" no Brasil, os investimentos na modernização dos clubes tem ganhado um grande impulso.
Reportagens e artigos diversos abordando as gestões deficientes e
ultrapassadas de grande parte dos clubes e das federações do futebol brasileiro têm sido publicados à exaustão assim como também é real a proliferação dos cursos de gestão esportiva.Penso que é um momento propício para os clubes investirem na reestruturação de seus departamentos de futebol em busca de um nível de excelência em suas estruturas física, tecnológica, humana, científico - metodológica, de formação e de gestão.
Lesões
Um dos grandes desafios enfrentados pelos clubes de futebol são as lesões inerentes ao esporte, que podem afastar por longos períodos atletas importantes e que recebem altos salários, causando prejuízo técnico e financeiro ao clube. Daí a grande importância de se investir na prevenção de lesões.
Algumas técnicas alternativas relativamente novas tem se mostrado eficientes na abordagem pelo conceito das cadeias de músculos e fáscias musculares. Esta interconexão afirma o caráter global/sistêmico ao se tratar, por exemplo, algum ponto de um membro superior, mas, que repercute em uma dor no pé. Dentre essas novas tecnologias e metodologias que poderiam ser
adotadas, cito: a Mio Modulação Analítica (MMA) e a Posturografia Dinâmica Computadorizada.Abstinência sexual antes dos jogos (Case Italiano)
Alguns clubes italianos estão instruindo seus atletas a evitarem atividade sexual 48 horas antes dos jogos como forma de prevenir lesões. Esta norma tem como objetivo muito mais a prevenção das distensões musculares, contrações ou inflamações do que a cura.
Devido ou não a esta medida, o plantel do Napoli foi pouco afetado por lesões na última temporada: Apenas 50 casos, contra 260 do Milan, 188 da Inter, ou 184 da Roma. Horários rígidos para tomar refeições, ingerir alimentos orgânicos, não beber álcool e dormir sempre que se queira são outras das regras sugeridas pela equipe médica.
O Napoli foi o segundo clube na última temporada a ter menos jogadores afastados por lesão, ficando atrás apenas da Juventus. O curioso é que os dois clubes foram campeões na Itália. O primeiro faturou a Copa Nacional e o segundo faturou a Séria A.
Além da notável filosofia de prevenção compartilhada por toda a comissão técnica, há de se considerar o elevado senso de profissionalismo dos atletas para seguirem à risca as recomendações médicas mesmo quando estão de folga.
A atividade sexual causa, no homem, o inchaço da próstata, o que pode interferir na circulação sanguínea desta região do corpo chamada Core (núcleo), onde se localiza o centro de conexões musculares responsáveis por estabilizar coluna, pélvis e dorso. É, por assim dizer, o centro de força, o centro de gravidade e o centro de sustentação, tendo influencia em todo o resto do corpo.
Assim, o fato de os dois clubes que foram campeões, Juventus e Nápoles, terem sido também os que menos lesões tiveram deve dizer alguma coisa sobre a importância destas medidas profiláticas.
Revoluções necessárias no futebol
Observa-se que o futebol está mudando e o Brasil, até então considerado o país do futebol, ficou para trás. O momento é de se correr atrás do tempo perdido em termos de metodologias de treinamento principalmente no aspecto do treinamento tático abordado de forma global.
Felizmente, novos profissionais estão surgindo com uma visão e formação mais científica do futebol em sua metodologia. Porém, alguns clubes continuam a efetivar como treinadores, desde a base, prioritariamente os ex - atletas, assim como, nas equipes profissionais são quase sempre os mesmos técnicos "medalhões" que atuam há décadas nos grandes clubes, fazendo com que fiquemos parados no tempo e na mesmice enquanto outros centros continuam avançando e até mesmo nos ultrapassando como é o caso, por exemplo, da Espanha.
Abro um parênteses para dizer que, em 2006, escrevi aqui mesmo na Universidade do Futebol o artigo "Qual é o Segredo do Futebol Brasileiro?".
À época, confesso, eu estava empolgado com o desempenho do Brasil antes da Copa da Alemanha e ainda com a performance que havíamos conseguido no Cruzeiro em 2003, onde tive a honra de trabalhar com Antônio Mello e Vanderlei Luxemburgo. Algumas das minhas colocações naquele artigo referentes aos profissionais que militam no futebol brasileiro não fazem mais sentido hoje em dia. É hora de mudar!
Nada tenho contra os ex - atletas, muito pelo contrário, sou amigo de muitos e alguns (poucos) deles se revelaram muito bons profissionais fora das quatro linhas. O problema está na grande maioria que não se prepara, não procura estudar, não se atualiza...
Alguns grandes clubes como o São Paulo estão investindo em profissionais capacitados com formação de mestres e doutores nas áreas da ciência do esporte para seus departamentos de futebol e de formação (base).
Outros, igualmente grandes e com um ótimo histórico de formação nas últimas décadas quando investiam em profissionais com formação adequada, estão retrocedendo e, talvez, por contingências econômicas ou, por influências de ídolos do seu passado que conseguiram cargos de comando nas categorias de base, estão dispensando os bons profissionais especialistas, mestres e doutores para dar lugar a ex-jogadores do clube.
São notórias no futebol algumas situações em que ídolos do passado de um clube são contratados simplesmente como uma forma de caridade por estarem, no presente, enfrentado dificuldades financeiras.
Entendo que há espaço para os ex - atletas nas comissões técnicas onde seriam muito úteis por sua experiência, liderança e vivência dentro de campo, mas para atuarem, por exemplo, como assistentes técnicos ou observadores técnicos.
Nas demais funções dentro da comissão técnica (treinador, preparador físico, preparador de goleiros...), a formação acadêmica é imprescindível. Seria mesmo ideal o ex - atleta que buscou também se preparar através dos estudos na área que quer abraçar extra-campo, mesmo assim não há garantias, pois o que conta é uma soma de competências como: conhecimento prático e teórico atualizado, experiência útil, liderança, honestidade, carisma, psicologia, capacidade de gestão/planejamento, visão global, inteligência emocional, raciocínio rápido, etc.
O futebol precisa também de uma revolução na questão gerencial. Vários dos clubes da Série-A já possuem gestores em seus staffs que entendem das questões de planejamento estratégico, estudando viabilidades econômico-financeiras sem se esquecer do investimento na modernização e nas questões ligadas às ciências do esporte. Outros nem tanto.
Grande parte das federações estaduais também não mudou muito ainda. Continuam sendo cuidadas como verdadeiros feudos por dirigentes eternizados no poder, sempre blindados e protegidos pelos emaranhados estatutários, bem como pelos conchavos políticos arcaicos em suas relações promíscuas e subservientes. Exceção talvez seja a Federação Carioca, de triste lembrança pelos desmandos do falecido sr. Eduardo Viana, mas que hoje em dia já conta com a figura de um competente gestor em seus quadros.
Para essa revolução acontecer é preciso coragem. Coragem para romper com a velha estrutura política de se ter que agradar aos conselhos deliberativos e/ou entidades esportivas afiliadas.
Coragem para abrir espaço para os novos gestores, para os novos treinadores, para a comunidade acadêmica e para os cientistas. Visão para investir em recursos materiais e em tecnologia de ponta. Determinação para bancar, dar suporte e autonomia a estes novos profissionais mesmo contra as forças oposicionistas e imediatistas de imprensa, de torcedores, de conselheiros, de ex - atletas, por exemplo, que quase sempre, de modo passional e incoerente, cobram resultados imediatos dos dirigentes dos clubes.
Mudar estruturas arcaicas como a do futebol brasileiro leva tempo, mas requer apenas gestão, planejamento estratégico e vontade política, nada mais!
* Preparador Físico de Futebol Profissional / Gestor Esportivo / Professor Universitário Diretor-Proprietário da CEPERF (Centro de Excelência em Performance de Futebol)
.Tags: holística , visão , Filosofia , interdisciplinaridade , futebol brasileiro , planejamento ,revolução ,
sábado, maio 18, 2013
Executivos remunerados mudam a cara do futebol brasileiro
Gerentes ganham espaço e, com metodologia empresarial, profissionalizam a administração dos clubes
DANIEL BATISTA , RAPHAEL RAMOS - O Estado de S.PauloSÃO PAULO - Entre as diversas mudanças que o esporte brasileiro sofreu nos últimos anos e o levaram ao posto de sexto maior mercado de futebol do mundo com movimentações que chegam a quase R$ 2 bilhões por ano, destaca-se a nova forma de administração dos clubes. A figura daquele velho cartola intimamente comprometido com a vida política das agremiações, sem qualquer qualificação profissional ligada ao esporte e que não raramente toma decisões movido mais pela paixão do que pela razão, vem cada vez mais perdendo espaço. Em seu lugar estão os chamados executivos do futebol.
JF Diorio/EstadãoEdu Gaspar usa conceitos europeus no CorinthiansSaem de cena o linguajar prosaico, os ternos desalinhados e o charuto na boca. Entram em campo o discurso polido, a camisa social bem cortada e o celular de última geração na mão.
A ideia é tratar o futebol como um negócio, que precisa ser visto e gerenciado como uma grande empresa. Assim, os dirigentes remunerados estão em praticamente todos os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro e em boa parte dos participantes da Segunda Divisão nacional.
Para esses profissionais, não existem olheiros e contratações fracassadas, mas sim fornecedores e margem de erro na atividade. Típicos termos do mundo empresarial que passaram a fazer parte do dia a dia dos clubes.
Em 2011, eles resolveram fundar a Associação Brasileira dos Executivos de Futebol. O presidente é Ocimar Bolicenho. Atualmente na Ponte Preta, ele acumula passagens por Santos, Atlético-PR, Paraná, Marília e Joinville (leia entrevista abaixo).
O perfil dos associados é variado e há muitos ex-jogadores. É o caso do gerente de futebol do Corinthians, Edu Gaspar. Ele levou para o Alvinegro conceitos que aprendeu durante os oito anos em que jogou na Europa (de 2001 a 2009, defendeu o Arsenal, da Inglaterra, e o Valencia, da Espanha). Assim, é considerado nas alamedas do Parque São Jorge peça fundamental nos títulos do Brasileiro, da Libertadores e do Mundial que o Corinthians arrebatou em 2011 e 2012.
Faz parte da sua metodologia de trabalho usar números, vídeos e relatórios. Assim, busca minimizar ao máximo as possibilidades de uma contratação, seja ela cara ou barata, dar errado.
Aluno do curso de especialização em futebol da Fundação Getúlio Vargas, ele fala inglês e espanhol fluentemente e foi o representante do clube nas reuniões com a Fifa antes e durante o Mundial de Clubes no Japão.
"Gosto muito desse lado extracampo. Está provado que para as coisas funcionarem bem dentro do campo, o clube também precisa ser organizado fora", diz.
Mas nem sempre contratar um executivo é sinônimo de sucesso. O Palmeiras, por exemplo, foi rebaixado para a Série B. O gerente César Sampaio não conseguiu repetir fora de campo o desempenho que teve como jogador e impedir que o conturbado ambiente político do Palestra Itália atrapalhasse o time. "Tentamos cuidar de tudo do futebol para deixar o presidente mais tranquilo para lidar com o restante do clube", afirma.
O fato de já ter vestido a camisa do clube ajuda César Sampaio, mas não basta. "A vantagem que podemos ter é saber lidar melhor com os jogadores e saber o que realmente é uma vontade do atleta e o que é apenas algo para atrapalhar uma negociação."
Antes de chegar ao Palmeiras, em 2011, ele formou-se em Administração e Gestão Esportiva e estudou marketing esportivo. Fez questão também de passar por clubes menores. Começou no Guaratinguetá e acumulou passagens por Figueirense, Rio Claro e Mogi Mirim. "Não dá para trabalhar numa função tão importante apenas com o nome."
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quinta-feira, maio 16, 2013
A Cultura do Pessimismo
Todos nós devemos ser descendentes de um ancestral que foi o primeiro ser humano a desenvolver o “gene do pessimismo”.
O gene do pessimismo foi uma importante evolução genética, porque gerou um indivíduo sempre assustado, sempre atento ao pior que pode acontecer na vida, e sempre disposto a correr ao primeiro sinal de perigo.
Os seus colegas mais otimistas é que foram comidos pelos leões. Só que hoje este gene é disfuncional, não temos mais leões rodando pelas ruas.
O gene do pessimismo ainda não foi identificado, é somente uma invenção minha, mas acho que um dia será descoberto. Ele irá explicar muita coisa que acontece no mundo e no Brasil.
Por exemplo, ele explica porque notícias pessimistas vendem muito mais jornal do que notícias otimistas. É que nós, leitores, somos presas fáceis de nossos genes pessimistas.
Compramos manchetes que nos assustam. Jornalistas são frequentemente acusados de só publicar más notícias, mas na realidade somos nós que queremos ler o pior.
Todo jornalista americano aprende na faculdade que “Good News is NO News”, que aparece 38.000 vezes na Google contra 3.000 “Good News Is News”, a frase contrária.
A primeira vez que fui capa de Revista foi quando previ, em 1984, o que hoje chamamos de “a década perdida”. Assim, devo lembrar, que não sou um otimista inveterado, desses que veem o mundo cor-de-rosa, como alguns poderão alegar sobre este blog.
Assim, sinto livre para pedir a sua ajuda para criarmos uma rede de boas notícias, e criarmos um movimento que nos obrigue a lê-las de vez em quando, para não entrarmos em depressão – econômica e psicológica.
Quando algum guru afirma que o Brasil jamais dará certo, muita gente aplaude.
Aplaudimos porque, assim, poderemos justificar o nosso fracasso pessoal e nossa mediocridade individual como sendo inevitáveis – são o nosso destino.
“Não preciso melhorar, a culpa não é minha: a culpa é do Brasil, é dos portugueses.”
Quando alguém mostra que temos tudo para dar certo, isso incomoda muita gente, porque obriga as pessoas a se mexerem e a se auto avaliarem. Se você não der certo num país que dá certo, a culpa é só sua.
Por isso, conto com sua colaboração para divulgar as notícias do Brasil que dá certo, sem exageros, sem otimismo exagerado, mas de forma correta e balanceada.
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quarta-feira, maio 15, 2013
São Luís é palco do II Encontro Brasileiro de Mediação em Esportes Educativos
Evento é realizado pelo Instituto Formação, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Streetfootballworld; a Universidade do Futebol estará representada
Equipe Universidade do Futebol
Entre os dias 15 e 17 de maio, São Luís, capital do Maranhão, será sede do II Encontro Brasileiro de Mediação em Esportes Educativos. A iniciativa de organizações brasileiras e internacionais que desenvolvem experiências de esporte educativo e inclusivo tem como alvo discutir o esporte como direito e ferramenta para o desenvolvimento humano e social.
A realização do Instituto Formação, do Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF) e da Streetfootballworld tem apoio da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), da GIZ, da Samsung e do Ministério do Esporte. E a Universidade do Futebol é uma das parceiras.
Além da construção de modernas arenas esportivas e dos investimentos na infraestrutura para mobilidade urbana nas cidades-sede, a proposta é discutir o legado social que será deixado para o Brasil, estimulando reflexões sobre o papel dos megaeventos para a proteção da infância e da adolescência e a garantia universal do direito ao esporte.
Durante o evento, serão apresentadas e vivenciadas metodologias desenvolvidas em diferentes cidades do Brasil e de outros países em busca da prática do esporte seguro e inclusivo como direito de todas as crianças e adolescentes.
Entre elas, será compartilhada a metodologia dos jogos em três tempos - tema da publicação “Esportes Educativos – para a cidadania e o desenvolvimento social” a ser lançada durante o evento pelo Instituto Formação, com apoio do UNICEF e Samsung.
A abertura do encontro ocorreu na última terça-feira, com a mesa “O direito ao esporte seguro e inclusivo e o legado social dos megaeventos esportivos no Brasil”. A programação vespertina contou com uma palestra de Rodrigo Mendes, presidente do Instituto que leva o seu nome, e de Ana Paula Soares, Diretora da Special Olympics Brasil – o tema: “Uma Escola para todos: a inclusão de crianças e adolescentes com deficiências nas escolas através do esporte”.
Ainda à tarde, ocorreu uma divisão de grupos temáticos para debater a “Emancipação, cidadania e proteção de crianças, adolescentes e jovens pelos esportes”. Um desses grupos reuniu organizações não governamentais brasileiras que vem discutindo a criação de uma Rede de Futebol de Rua no país.
Esta quarta, segundo dia, será dedicada à prática de festivais de futebol e handebol de rua, baseada na metodologia dos três tempos. Os participantes serão convidados a fazer parte dos jogos e vivenciar a metodologia, que é desenvolvida por um conjunto de organizações no mundo inteiro. Também acontecerá uma Caravana de Futebol de Rua com crianças atendidas pela UFMA (Departamento de Educação Física), em projetos sociais na área de esportes.
Às 11h, durante o painel “Esportes Educativos para o desenvolvimento humano e social: reverberando nossas ações”, Eduardo Tega, diretor da Universidade do Futebol, participa da discussão temática ao lado de Sergio Augusto Rosa de Souza, do Departamento de Educação Física da Universidade Federal do Maranhão, de Hans-Jurgen Fiege, do Projeto Futebol para o Desenvolvimento (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit – GIZ”, de Julia Wöhrle, representante da organização Kickfair (Alemanha), e de Regina Cabral, diretora de Avaliação e Planejamento Estratégico do Instituto Formação.
À noite, como parte da programação cultural do encontro, será lançado o livro "Futebol Arte - do Oiapoque ao Chuí" do fotógrafo Caio Vilela, que apresenta uma série de fotos registradas de norte a sul do país com a temática do futebol.
O último dia de programação abordará a inclusão de crianças e adolescentes a partir da experiência do Projeto Escola de Mediação, parceria entre o Instituto Formação e o UNICEF, abrindo para a troca de experiências entre organizações de outros países que também desenvolvem projetos de esporte educativo.
Para mais informações, acesse o site do II Encontro Brasileiro de Mediação em Esportes Educativos: http://escolademediacao.wordpress.com.
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Ideias] Não adianta perfumar o cocô
Não, você não leu errado. Mas não se assuste, caro leitor. Este é um texto para quem gosta de pensar
ShutterstockMuitos enxergam a vida sob a ótica do fatalismo. Ou seja, segundo esta corrente, seríamos todos nós meras vítimas do meio em que vivemos, do sistema político, econômico, de decisões unilaterais tomadas por Deus ou de qualquer outro fator externo alheio a nossa vontade.
A verdade é que ou acreditamos que somos autores de nosso próprio destino ou somos apenas uma latinha de Coca-Cola jogada de um lado para o outro, navegando à deriva ao sabor do vendo e das ondas do fatalismo determinista.
Não costumo falar de religião por aqui, mas como o próprio conceito desta corrente exige, peço licença para falar sobre Deus. Respeito os que se posicionam como ateus e, mesmo não sendo esta a minha posição pessoal pelas evidências, crenças e experiências vividas, não vou abrir esta discussão neste post, mas sim me dirigir aos que como eu também acreditam em Deus como arquiteto do Universo.
Estudado pela filosofia, psicologia, física quântica, dentre outras fontes de conhecimento científico e religioso, o livre arbítrio é a matéria prima que combate de forma veemente os argumentos fatalistas. Segundo o livre arbítrio, somos autores de nossas decisões e estas desencadeiam suas respectivas consequências. Causa e efeito, ação e reação, planta e colhe... Ou seja, segundo esta corrente, acreditar em Deus e ao mesmo tempo pressupor um controle totalitário e fatalista seria no mínimo associar a Ele a responsabilidade por todas as nossas falhas e fracassos. Um enorme paradoxo.
No meio religioso, é muito comum associar o fatalismo com a chamada vontade de Deus, dando ênfase a afirmação de que "nenhuma folha cai sem que haja a permissão de Deus", porém deixando de lado o fato de que, segundo os próprios religiosos, a condição para se tornar um adepto de sua religião seja necessariamente tomar uma decisão pessoal e intransferível de crer e seguir a sua doutrina. Logo, se esta decisão é personalíssima e considerada fundamental, do que seríamos vítimas a não ser de nossas próprias escolhas? Sendo assim, a existência de uma vontade divina em nenhuma hipótese anularia a capacidade e autonomia que os seres humanos têm de cometerem acertos e erros.
Fazemos escolhas e colhemos as consequências de cada uma delas, somos autores e não vítimas. Temos a liberdade de escolher e a responsabilidade de arcarmos com as suas respectivas consequências. Escolhemos no presente e colhemos no futuro. Assim, você pode prever o seu futuro, olhando para o que você está plantando agora. Você pode mudar o seu futuro, mudando as suas escolhas neste exato segundo.
Pra não ficarmos apenas na filosofia, vamos para algo um pouco mais concreto:
Qual tem sido a sua escolha, MELHORAR de vida ou MUDAR de vida?
MELHORAR é manter-se conectado a um conceito antigo, apenas criando melhores condições para continuar vivendo no mesmo status quo.
MUDAR é romper com o velho em busca do novo. É colocar o insatisfatório a perder em troca da satisfação futura, porém sem garantias.
MUDAR é a essência do empreendedorismo. Já que não somos vítimas, temos escolha e o livre arbítrio para conquistarmos o que desejamos, quem quer algo novo, precisa ter a coragem de colocar em jogo o velho. Eu disse CORAGEM!
Neste quesito, não dá pra ficar em cima do muro. Agarrar-se ao velho seria sinônimo de abrir mão do novo. E a consequência dessa escolha acarretaria passar toda a vida na mesma condição, lamentando-se porque não ousou, não correu riscos e não rompeu com o velho, porque fez concessões quando ainda era jovem e acabou dando no máximo uma melhoradinha, uma perfumada no cocô. Diga-se de passagem, quanto mais se perfuma o cocô, mais ele fica fedorento...
Mas o que é ainda mais nojento do que o próprio cocô fedorento é o péssimo hábito de fazer-se de vítima, depois de todas as escolhas equivocadas feitas durante toda uma vida, dizer que viveu de forma medíocre porque essa foi a vontade de Deus...
Isso eu chamo de fatalismo místico, conveniente e hipócrita.
Pense com carinho..
terça-feira, maio 14, 2013
Estado, municípios, o esporte e novos ares
Benê Lima,
Membro do Conselho do Desporto
Do Estado do Ceará – CDEC
Divulgação: Reunião do Conselho (CDEC)
Numa sociedade, o direito decorre com maior fluidez na exata medida da capacidade de seus membros conhecerem-no. No caso do esporte, há algumas instâncias de sua organização em nosso país que precisam de melhor e maior compreensão, a fim de que a participação social seja um verdadeiro processo de interação e de realização da vontade popular.
Ao falarmos de um Sistema Nacional do Desporto é importante não só ressaltarmos sua finalidade de promoção e aprimoramento das práticas desportivas, como também esclarecermos que tal entidade se caracteriza, sobretudo por absorver todo o arcabouço composto por pessoas físicas e jurídicas que integram tal rede, com o objetivo de coordenar, administrar, normatizar e dar apoio às práticas desportivas, além de viabilizar a justiça desportiva. De tal sistema é parte integrante: o Comitê Olímpico Brasileiro; o Comitê Paraolímpico Brasileiro; as entidades nacionais e regionais de administração do desporto; as ligas regionais e nacionais e as entidades de prática desportiva.
Com relação a estados e municípios, no que pese suas autonomias para a criação de seus conselhos do desporto, percebe-se um alinhamento da legislação criadora desses órgãos de representação da sociedade. Nossa experiência nos mostra que isso se dá em razão da troca de experiências entre os conselhos já instalados e os que têm pretensão a instalar-se, bem como pela influência dos conselhos consolidados sobre os que estão por consolidar-se.
Neste ponto, vale dar destaque ao papel de pioneirismo do Conselho do Desporto do Estado do Ceará (CDEC), que tem avocado para si posição de liderança no norte e nordeste do Brasil, colocando-se à disposição de outros estados dessas regiões, além de estar empenhado em estimular a criação do maior número possível de conselhos no âmbito dos municípios. Com essa finalidade, o CDEC realizou na terça, (14), o Encontro Estadual com os secretários municipais de esporte, em que será disponibilizado todo um aparato contendo informações, conceitos e propostas para facilitar a criação desses conselhos em seus municípios.
Entre as novas propostas que serão levadas ao conhecimento dos presentes, está a divulgação do Fundo de Desenvolvimento do Esporte e Juventude, cujos recursos poderão dar suporte ao funcionamento dos conselhos, além de poderem prover com recursos adicionais as entidades de administração do esporte, com maior eficácia e celeridade. Ademais, trabalhar com representantes dos governos municipais o caráter democrático e de inovação da constituição dos novos conselhos será mais uma das nossas tarefas nesse grandioso encontro. Afinal, vislumbramos um ambiente propício para isso, posto que também é uma meta do CDEC sugerir mecanismos de incentivo de maior interação entre estados e municípios, a partir da interface do esporte.
Dentro desse ambiente de oxigenação das práticas sócio-desportivas, o Conselho do Desporto (CDEC) encaminhou proposta à Brasília, junto ao Conselho Nacional do Esporte (CNE), para sediar na capital cearense o Encontro Nacional dos Conselhos Nacional e Estaduais do Esporte, com o objetivo de fortalecer as entidades já criadas e de estimular a criação desses conselhos nos estados, com repercussão positiva também nos municípios. Esse encontro se pretende propositivo, com amplo debate, dele se extraindo ideias com status de deliberações, que serão divulgadas nacionalmente.
O que pretendemos não é somente oportunizar os resultados de eventos como Copa do Mundo e Olimpíada, e sim criarmos as precondições para incremento das práticas desportivas educacionais, de participação e de rendimento, desse modo contemplando toda a cadeia sócio-desportiva.
Link da matéria publicada no Jornal O POVO
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