Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Vandrigo Lugarezi, educador e membro da ONG Ação Educativa

"Por meio do futebol, é possível formar cidadãos capazes de serem protagonistas de suas próprias vidas", diz

Guilherme Yoshida / Universidade do Futebol

Muitas das pessoas que acompanham o futebol de alto rendimento atual, com frequência, se esquecem ou não têm o conhecimento que este esporte pode ser utilizado também na formação e na educação de novos cidadãos sem retirar o sonho de meninos e meninas que pretendem ser jogadores no Brasil.

Além da possibilidade de ser um meio importante para se ensinar disciplinas como matemática, história, geografia, entre outras, o futebol pode ser utilizado como meio educativo e socializador, proporcionando benefícios como senso coletivo, solidariedade, responsabilidade, superação, valores que fazem as crianças desenvolverem a cidadania desde cedo.

Pensando nisso, foi criado o projeto Fútbol Callejero, ou Futebol de Rua, uma prática esportiva e sociopedagógica idealizada por Fabian Ferraro, ex-jogador de futebol argentino, que busca usar o futebol como uma estratégia para gerar processos de aprendizagem e impulsionar o desenvolvimento de lideranças nos praticantes.

Atualmente, esta rede latino-americana já tem participação em 12 países e mais de 200 organizações em todo o mundo que praticam o Futebol de Rua, mobilizando cerca de 100 mil crianças, adolescentes e jovens.

Com isso, surgiu a ideia do Mundial de Futebol de Rua, evento que teve a sua terceira edição em São Paulo no ano passado, entre os dias 1 e 12 de julho, concomitantemente ao período que ocorreu a Copa do Mundo no Brasil. Neste evento, dois times mistos entram em campo, mas não há um juiz, e sim um mediador. Além disso, há três tempos técnicos: no primeiro, os times e o mediador definem as regras básicas do jogo. No segundo, a bola rola levando em conta as regras que foram definidas anteriormente, enquanto a terceira etapa é dedicada à reflexão, em que os participantes conversam sobre a partida. Também é neste momento em que ocorre um diálogo sobre os valores e a atribuição de pontos.

“O Futebol de Rua oportuniza a formação de cidadãos sem retirar o sonho de meninos e meninas que pretendem ser jogadores. Procuramos sempre contextualizar os acontecimentos da sociedade e do futebol, mostrar para eles histórias de sucesso, mas também o outro lado da moeda, como os casos do Adriano, Garrincha, Heleno, Paul Gascoigne, entre outros”, relata Vandrigo Lugarezi, educador e membro da ONG Ação Educativa, um dos polos que desenvolve o Futebol de Rua no país.

Nesta entrevista à Universidade do Futebol, ele ainda fala sobre como enxerga o papel dos clubes sobre a responsabilidade social do futebol e como o projeto poderia ajudar na formação dos jogadores. Confira:

 

Universidade do Futebol - Como e por que você decidiu trabalhar com o futebol na sua carreira?

Vandrigo Lugarezi - O futebol sempre foi meu esporte e minha brincadeira favorita desde criança. Ainda em minha adolescência, eu tentei ser jogador e cheguei jogar federado no futsal, mas não deu certo. Hoje, vejo que tudo tem seu tempo, pois consegui conciliar a minha carreira profissional na área da Educação com uma das atividades que mais me dá prazer.

Comecei a trabalhar como educador universitário no Programa Escola da Família, em 2005, quando iniciei com turmas femininas e masculinas. Neste período, participava de capacitações oferecidas pelo Programa, inclusive do Premier Skill (projeto em parceria com a Barclays Premier League). Depois, quando terminei a minha primeira licenciatura, já assumi a coordenação de uma escola para realizar projetos pelo Programa Escola da Família e mantive esse contato forte com o futebol, mas sempre focando muito mais na formação pessoal dos participantes do que a formação de atletas.

A partir destes projetos, foram aparecendo outras oportunidades para trabalhar no terceiro setor, até conhecer a metodologia do Fútbol Callejero, que complementou os meus ideais, um casamento de poucos anos, porém de muitas conquistas.

As partidas não têm juiz, os participantes constroem as regras no primeiro tempo em uma roda de conversa organizada por dois mediadores. Estes precisam estabelecer o diálogo das equipes em caso de idiomas diferentes e possuem uma planilha na qual são anotadas as regras propostas para a realização do jogo


Universidade do Futebol - Por favor, nos descreva como é desenvolvido o seu trabalho no Mundial de Futebol de Rua? E na ONG Ação Educativa?

Vandrigo Lugarezi - Meu primeiro contato com a Ação Educativa foi em uma reunião das parceiras que foram convidadas a formar polos do Futebol de Rua em suas respectivas comunidades. Nesta reunião, eu conheci o Rodrigo e o Eleílson quando estava representando o CEDECA Sapopemba. Demonstramos interesse em participar do projeto, mas para mim seria apenas como oficineiro de um polo. No entanto, após as visitas nas oficinas, o Rodrigo me convidou para fazer parte da equipe responsável, tanto pela formação da delegação brasileira quanto dos preparativos para o Mundial de Futebol de Rua. Assim iniciei minha trajetória na ONG, na qual realizo as visitas nos polos para realizar o acompanhamento das turmas, a formação dos adolescentes mediadores e a organização dos encontros dos polos.

Durante o Mundial, eu fiquei junto com as duas delegações de São Paulo que representaram o Brasil, meu papel foi muito além de um técnico para o grupo, pois formamos as duas equipes com jovens de seis polos em um período de quinze dias. Até então, eles praticavam o Fútbol Callejero em suas comunidades, não tinham jogado juntos, as rodas de conversas eram constantes para podermos controlar esse lado competitivo e individual de cada um. Acredito que formamos uma família, na qual há brigas, sorrisos e muitas emoções.

Com certeza, a maior dificuldade é encontrar parceiros que acreditem na ideia, hoje eu garanto que muitos que deixaram de apostar nesse projeto se arrependeram, pois a visibilidade do Mundial foi o máximo. Durante quinze dias, estávamos na cobertura de todos os telejornais, recorda Vandrigo Lugarezi


Universidade do Futebol - Por favor, explique um pouco mais sobre o Mundial de Futebol de Rua, suas regras, sua história, e como acontece a disputa.

Vandrigo Lugarezi - O Mundial foi um desafio que a Ação Educativa, junto com a FUDE e suas parceiras, realizou em São Paulo simultaneamente a Copa do Mundo. Vejo como uma conquista de todos que lutaram para que esse sonho se tornasse realidade, foi o primeiro Mundial independente, sem a participação da Fifa. As organizações conseguiram participar sem depender das promessas, que nem sempre eram cumpridas da instituição máxima do futebol. Mostramos que, com um bom planejamento, é possível realizar um evento em âmbito internacional.

Foi posto em prática a metodologia que propicia a interação dos participantes dos quatro cantos do mundo e a equipe vencedora provou que, para ser campeã, é preciso equilibrar a vontade de vencer com os valores que são pautados no terceiro tempo. As partidas não têm juiz, os participantes constroem as regras no primeiro tempo em uma roda de conversa organizada por dois mediadores. Estes precisam estabelecer o diálogo das equipes em caso de idiomas diferentes e possuem uma planilha na qual são anotadas as regras propostas para a realização do jogo.

No segundo tempo, a bola rola durante vinte minutos e, após o fim do jogo, a partida tem continuidade no terceiro tempo, quando são discutidos os valores que pontuam mais três pontos para cada equipe. Respeito: se a equipe cumpriu as regras propostas e respeitou os participantes. Cooperatividade: se houve o trabalho em grupo e se todos participaram do jogo ativamente. Solidariedade: este item não nos dá regras específicas para avaliar, pois a solidariedade deve ser uma atitude espontânea do ser humano e esse momento depende muito mais do que cada um sentiu durante a partida individualmente ou como um grupo.

A responsabilidade social deve começar dentro da sua própria casa, temos bons exemplos na Europa como o Barcelona e o Porto, eles não promovem apenas ações sociais externas, o trabalho inicia dentro do clube, dando aos atletas das categorias de base toda estrutura para sua formação pessoal. Isso é ter um compromisso com a sociedade, independente se o garoto ou a garota será jogador ou não. O papel dos clubes é fundamental para o futuro desses jovens, aponta o educador


Universidade do Futebol - Quais as principais dificuldades para se organizar um evento deste porte? Quais as contribuições e incentivos que tiveram?

Vandrigo Lugarezi - Com certeza, [a maior dificuldade] é encontrar parceiros que acreditem na ideia, hoje eu garanto que muitos que deixaram de apostar nesse projeto se arrependeram, pois a visibilidade do Mundial foi o máximo. Durante quinze dias, estávamos na cobertura de todos os telejornais.

Aqueles que procuraram formar uma parceria apenas para promover suas marcas não tiveram as portas abertas, não era essa a nossa intenção. A equipe da Ação Educativa criou diversas estratégias para capitalizar recursos para que o Mundial acontecesse e ainda viabilizar as viagens de algumas delegações que não tinham condições de vir para o Brasil. O Sindicato dos Trabalhadores da Volkswagen e a Petrobras foram algumas parceiras que ajudaram, além de todo apoio que recebemos da vice-prefeita de São Paulo e algumas secretarias.

Se um atleta tem o suporte necessário fora dos gramados, a tendência é a sua carreira deslanchar. Eu insisto muito em dizer que é preciso preparar esses jovens para a sociedade e não para o clube, pois a vivência no clube é passageira, já a sociedade é permanente em suas vidas, afirma Vandrigo Lugarezi


Universidade do Futebol - Em sua opinião, quais as características que um esporte como o futebol possui que são mais benéficas para um projeto social?

Vandrigo Lugarezi - O futebol, em nosso país, é cultural, há toda uma atmosfera que envolve essa modalidade esportiva. Mas não basta construir quadras e campos espalhados pelas cidades, o espaço por si só não promove a atividade, é preciso se apropriar desses espaços para fazer algo diferente que deixa uma semente plantada na comunidade.

E é por isso que eu acredito no Fútbol Callejero, o projeto não tem uma visão assistencialista e sim busca a transformação, o futebol torna o pretexto para reunirmos um grupo e, a partir disso, discutirmos valores e direitos.

É preciso focar na transformação, não podemos dar o peixe pra pessoa comer, temos de ensinar a pescar. Esse ditado é tão velho quanto à falta de estratégia de alguns órgãos e instituições que se autorrotulam defensores de direitos, porém não conseguem contribuir de maneira positiva para o protagonismo dos jovens brasileiros, avalia


Universidade do Futebol - Já o Futebol de Rua tem valores fortes em relação à cidadania e ao respeito. Infelizmente no futebol profissional não vemos muito esses valores. Você acha que o Futebol de Rua poderia ajudar na formação dos nossos jogadores, trabalhando esses valores que são fundamentais na vida de um profissional?

Vandrigo Lugarezi - Isso é fato, se um atleta tem o suporte necessário fora dos gramados, a tendência é a sua carreira deslanchar. Eu insisto muito em dizer que é preciso preparar esses jovens para a sociedade e não para o clube, pois a vivência no clube é passageira, já a sociedade é permanente em suas vidas.

Quantos jovens ficam no anonimato das categorias de base e veem seus sonhos não se realizarem? E aí vem a questão do quer adiante. O Brasil ainda está atrasado em relação à infraestrutura oferecida aos jovens que buscam essa carreira, e não podemos acusar os empresários porque muitas vezes são eles que assumem o papel do clube em dar um suporte aos atletas fora de campo.

O Futebol de Rua oportuniza a formação de cidadãos sem retirar o sonho de meninos e meninas que pretendem ser jogadores. Procuramos sempre contextualizar os acontecimentos da sociedade e do futebol, mostrar para eles histórias de sucesso, mas também o outro lado da moeda, como os casos do Adriano, Garrincha, Heleno, Paul Gascoigne, entre outros.

No terceiro tempo, são conversados sobre três valores. Respeito: se a equipe cumpriu as regras propostas e respeitou os participantes. Cooperatividade: se houve o trabalho em grupo e se todos participaram do jogo ativamente. Solidariedade: este item não nos dá regras específicas para avaliar, pois a solidariedade deve ser uma atitude espontânea do ser humano e esse momento depende muito mais do que cada um sentiu durante a partida individualmente ou como um grupo


Universidade do Futebol - A Lei de Incentivo ao Esporte é favorável ou não para a utilização do futebol como promoção de desenvolvimento social no Brasil? Por que?

Vandrigo Lugarezi - Acredito que [é favorável] sim, porém as instituições precisam cumprir o que está no papel. É preciso ter um acompanhamento do governo para ver se realmente o investimento trará bons frutos. Os projetos devem ser analisados com coerência para atender a demanda conforme a realidade. Se for tratada com seriedade, a Lei de Incentivo contribui para o desenvolvimento social.


Universidade do Futebol - No esporte, de que modo pode-se trabalhar a questão social sem decair no mero assistencialismo?

Vandrigo Lugarezi - Como disse anteriormente, é preciso focar na transformação, não podemos dar o peixe pra pessoa comer, temos de ensinar a pescar. Esse ditado é tão velho quanto à falta de estratégia de alguns órgãos e instituições que se autorrotulam defensores de direitos, porém não conseguem contribuir de maneira positiva para o protagonismo dos jovens brasileiros.

O esporte possibilita essa aproximação dos profissionais com os jovens, porque alguns não têm uma referência, mas para isso acontecer, esses profissionais devem estar aptos a abordar temas que ultrapassam o ambiente esportivo e que ajudam na formação social.

Por onde passamos, identificamos que essa metodologia contagia. Somos cientes que temos muito trabalho pela frente e precisamos adequar e inovar para não deixar o Fútbol Callejero cair no marasmo. A intenção agora é formar uma Rede de Futebol de Rua para que os jovens mediadores possam se apropriar ainda mais do projeto e multiplicar essa semente, prevê o membro da ONG Ação Educativa e organizador do Mundial de Futebol de Rua 


Universidade do Futebol - Como você enxerga o papel dos clubes sobre a responsabilidade social do futebol?

Vandrigo Lugarezi - Leio muito sobre as ações sociais que os clubes brasileiros promovem, entretanto, vejo isso mais como uma autopromoção. A responsabilidade social deve começar dentro da sua própria casa, temos bons exemplos na Europa como o Barcelona e o Porto, eles não promovem apenas ações sociais externas, o trabalho inicia dentro do clube, dando aos atletas das categorias de base toda estrutura para sua formação pessoal. Isso é ter um compromisso com a sociedade, independente se o garoto ou a garota será jogador ou não. O papel dos clubes é fundamental para o futuro desses jovens.

O futebol, em nosso país, é cultural, há toda uma atmosfera que envolve essa modalidade esportiva. Mas não basta construir quadras e campos espalhados pelas cidades, o espaço por si só não promove a atividade, é preciso se apropriar desses espaços para fazer algo diferente que deixa uma semente plantada na comunidade, analisa Vandrigo Lugarezi


Universidade do Futebol – Em sua opinião, qual o perfil profissional adequado para pessoas que desejam trabalhar com projetos sociais como o de vocês?

Vandrigo Lugarezi – Precisam ser pessoas que acreditam que, por meio do futebol, é possível formar cidadãos capazes de serem protagonistas de suas próprias vidas dentro da sociedade, profissionais que buscam desafios que vão além do futebol por rendimento, que estejam dispostos a encontrar o equilíbrio do espírito competitivo com a empatia pelo próximo.

Por onde passamos para relatar um pouco desse projeto, identificamos que essa metodologia contagia. Somos cientes que temos muito trabalho pela frente e precisamos adequar e inovar para não deixar o Fútbol Callejero cair no marasmo. A intenção agora é formar uma Rede de Futebol de Rua para que os jovens mediadores possam se apropriar ainda mais do projeto e multiplicar essa semente. 

“Não há mágica para resolver a violência entre torcedores”, diz especialista

ALEX SABINO / Folha de S. Paulo

Uma das metáforas mais usadas a respeito do futebol é compará-lo a uma guerra. Marco Aurelio Klein, 64, não vê o assunto desta forma. Primeiro porque é especialista em violência no esporte. Mas também por ser um estudioso da 2ª Guerra Mundial.

Autor de documento inspirado no Relatório Taylor, que praticamente erradicou o fenômeno dos hooligans nos estádios ingleses a partir da década de 1990, ele trabalha atualmente na atualização do texto a pedido do ministro George Hilton (Esporte).

"O meu relatório é de 2006. O ministro ficou impressionado. Estou animado que seja posto em prática", disse.

Em entrevista à Folha, ele chegou a uma conclusão de que a violência no futebol nacional não será resolvida de um dia para o outro. "Não tem mágica", constata.

PÓS-COPA DO MUNDO
O Mundial no Brasil trouxe legado importante: os estádios sem alambrados. Mesmo no clássico entre Corinthians e Palmeiras em que aconteceu aquela confusão toda [tumulto entre palmeirenses e a PM] e com a derrota do time da casa, ninguém invadiu o campo. Alambrado não segura ninguém que quer invadir. Eu já vi torcedor pular alambrado que tinha arame farpado. Outra herança importante é o sistema de monitoramento dos estádios. E este deve ser ostensivo. A sala do monitoramento deve ser visível a todos. As pessoas precisam saber que o Big Brother está ali, presente.

SOLUÇÕES E ERROS
Parece que no Brasil, nessa questão da violência no futebol, há muita tentativa e erro. Cada hora existe uma ideia mágica que vai resolver o problema... Isso não existe. Todas as ideias são com boas intenções, mas não vão resolver. Não existe uma solução da noite para o dia. A solução é longa, difícil e custosa.

ESPÍRITO DE GUERRA
Antes do último clássico entre Corinthians e Palmeiras, eu li que a polícia estava preparando uma operação de guerra. Quando vi aquilo, pensei: "acabou". Como operação de guerra? Uma família não vai para um estádio que tem operação de guerra. O vândalo adora. Quando a polícia diz que é operação de guerra, esses vândalos ganham condição de combatentes do Estado Islâmico.

LIÇÕES DO RELATÓRIO TAYLOR
O que inspirou o Relatório Taylor foi [a tragédia de] Hillsborough, em que morreram 96 pessoas na cidade de Sheffield [em 1989]. Não houve briga. Nem tinha torcida organizada. Houve desorganização, despreparo, superlotação. Não existiam protocolos de emergência.
Não esqueço quando tive reunião com os ingleses. Eles disseram que levaram anos para aprender que a questão não era repressão. Era organização. É o grande clássico na final? Depende do histórico. Ponte Preta e Paulista de Jundiaí, por exemplo, é jogo para 4 mil pessoas, mas são torcedores dos mais perigosos da América porque há um histórico de conflito.

PROPOSTAS
É preciso criar protocolos de segurança. Eu sugiro classificar as partidas em três níveis, sendo "A" a de maior risco, "B" a de risco médico e "C" as de pequeno risco. Os ingleses se organizaram criando unidades de polícia para o futebol. A Scotland Yard, que nem arma usa, tem uma unidade de futebol. Não vejo trabalhando na partida o policial que passou a noite anterior atendendo ocorrências, perseguindo ladrões e depois vai para o enfrentamento com um moleque que está disposto a provocá-lo...

CAMPANHA DE PAZ
Não tem o menor fundamento. Não resolve. Só ajuda se vier como parte de um conjunto de ações. No primeiro momento, a resolução dos ingleses foi: nós não precisamos prender o vândalo. Nós precisamos tirá-lo do estádio.
Ele destrói o espetáculo. E eles nunca tiveram torcida organizada, apenas pequenos grupos que envolviam criminalidade, pequenos furtos ou a destruição pelo prazer da destruição. Conseguiram criar uma coisa na legislação que era preciso tirar o cara do estádio. O articulador nem sempre é o sujeito que dá a porrada, que quebra a cadeira. Pode não ser o pensador.

DIÁLOGO
Minha recomendação, como estudioso, é ouvir as pessoas, mesmo que isso implique algum investimento do governo. Não dá é para transformar isso em competição de quem bate mais, se a torcida ou a polícia. O cidadão é que está no meio É preciso combater a pequena violência. O xingamento é origem do conflito. Uma briga sempre começa pela agressão verbal. Os ingleses perceberam que era preciso mudar o comportamento do torcedor. O torcedor comum entra na balada do xingamento. Quando um cara xinga o outro, depois tem quatro, oito, dez fazendo o mesmo. O perdedor do jogo tem uma frustração imensa para descontar em alguém.

Eduardo Knapp/Folhapress

Marco Aurelio Klein, presidente da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem, durante palestra
Marco Aurelio Klein, autor de relatório federal sobre violência de torcidas, durante palestra

PERCEPÇÃO
A luta maior não é física, de repressão. É de percepção. As pessoas precisam voltar a ir ao futebol como um momento de lazer. Um momento de muita emoção, mas de lazer. Se o seu time ganhar, seu momento de lazer foi premiado com muita alegria, mas pode ser que não. Quando você vai ao cinema ver uma comédia, sai muito alegre. Vê uma tragédia, sai impressionado. No Brasil, o futebol é o único evento de lazer em que a pessoa sai de casa com sua pior roupa.
Ninguém se arruma para o futebol, vai o mais desleixado possível porque a percepção que temos é que se trata de uma coisa desleixada. Não tem o menor sentido porque é o espetáculo mais glorioso que temos. Olhe os números da Liga dos Campeões da Europa, da Copa do Mundo, do Campeonato Inglês...

REPRESSÃO
É preciso tomar mais cuidado na organização do caminho do metrô para o estádio. Aquela cena da torcida do Corinthians agredindo dois torcedores do São Paulo porque estavam com a camisa do clube é absurda. Não pode acontecer. Aí é punição.
Os ingleses tomaram cuidado, entenderam qual era o trânsito, proibiram bebida dentro do metrô. O cara não podia chegar, quebrar o trem e achar que ia para casa sem problema algum. Vamos pegar o Pacaembu de exemplo. É um estádio bacana. As ruas laterais são escuras. Aquela imagem de escuridão passa a imagem de abandono e da terra de ninguém. É preciso pensar no processo todo.

CUSTO DA POLÍCIA
A Inglaterra vai no caminho inverso ao do Brasil. Eles têm cada vez menos polícia. Sabe por quê? Porque a polícia custa caro lá. Aqui no Brasil é de graça em vários estádios. Ou é muito barato e o organizador do jogo, se acha que tem problema, quer muito mais polícia e cria muito mais polícia. Isso não é jeito de fazer um evento.

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RAIO-X
MARCO AURÉLIO KLEIN

IDADE
64

CARGO
Autor do relatório final da Comissão Paz no Esporte e secretário nacional da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem

CARREIRA
Professor da FGV (2001 a 2009), responsável por futebol no Ministério do Esporte (2004 a 2007), diretor da Federação Paulista de Futebol (1993 a 1994 e 2008 a 2009), diretor de Alto Rendimento do Ministério do Esporte (2009 a 2012) e autor de três livros sobre o futebol brasileiro

*

RELATÓRIO TAYLOR TRANSFORMOU FUTEBOL INGLÊS

Apontado por Marco Aurelio Klein como modelo de inspiração no combate à violência nos estádios, o Relatório Taylor revolucionou o futebol da Inglaterra e abriu espaço para que sua liga nacional se tornasse a número um do planeta.

O estudo foi realizado e adotado no país a partir do começo dos anos 1990, como resposta à tragédia de Hillsborough, ocorrida em 1989, quando 96 torcedores morreram pisoteados e esmagados contra grades de proteção devido ao excesso de público na partida entre Liverpool e Nottingham Forest, pela semifinal da Copa da Inglaterra.

Entre as medidas adotadas. que ajudaram conter os hooligans, protagonistas de algumas das maiores confusões no futebol europeu durante a década de 1980, estavam o treinamento de uma polícia especializada, a obrigatoriedade de assentos para todos os pagantes (o que pôs fim à tradição de se torcer em pé) e o fim das grades de proteção para os gramados de futebol.

O relatório também sugeriu a criação de leis específicas para crimes e contravenções praticadas por grupos de torcedores.

Para se adequar a esse novo cenário, os 27 principais estádios da Inglaterra precisaram ser reconstruídos ou passaram por reformas. 

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segunda-feira, fevereiro 16, 2015

Futebol de gêneros: uma ferramenta do novo tempo

Trabalhar as questões de gênero implicaria otimizar a emancipação da mulher 
 
Por: Benê Lima  
Fico a me perguntar quando e que ‘autoridade’ nos legou como premissa que a sociedade foi feita para competir.  
Não sei se foi somente o tempo vivido ou a forma como encarei a experiência de vida que me fez alterar por conta e risco esse paradigma, não o desprezando totalmente, mas também não o elegendo como a prioridade das prioridades.  
Seja qual for a área de atividade, percebo que não mais condiz com um já não tão novo papel da mulher na sociedade a tentativa de mantê-la afastada de certas atividades, mesmo que seja daquelas que tradicionalmente sejam desempenhadas pelo gênero oposto – o homem.   
Programas e projetos que arejam  
Por estarmos afeitos a uma série de projetos, como os da rede streetfootballworld, encontramos maior facilidade em conjugar uma visão democrática e inovadora de gênero, bem como em lidar com os aspectos igualmente inovadores e direi, até transcendentes, do football3, como uma de suas plataformas.  

Dentro dessa ótica, assistimos a uma iniciativa de uma igreja do bairro do Itambé, em Caucaia, que me inspirou a enxergar que podemos fazer um pouco mais por nossa juventude, ao criarmos oportunidades de integração sadia dos gêneros. Meninos e meninas precisam de uma convivência mais harmônica, lúdica e cooperativa entre si, e o esporte possui todas as precondições e ferramentas para o incremento dessa adaptação e interatividade.




Ao vermos uma experiência de futebol de gêneros,  de imediato vislumbramos uma possibilidade que, além de integrativa, pode render dividendos para o crescimento da prática do futebol feminino. 
Em um breve diálogo com o monitor da experiência, fizemos ver ao mesmo as possibilidades que poderiam ser criadas a partir daquele experimento, e percebemos o quanto nosso depoimento o impressionou. Na verdade, ele não se dava conta da importância do que estava sendo feito, até que o fizemos despertar para a natureza social, cultural e educacional da atividade, além do seu caráter desportivo. 

Portanto, ficam o depoimento e a ideia, a fim de que possamos multiplicar ações como a que vimos, que muitas vezes se iniciam despretensiosamente, mas pela importância de que se revestem acabam consolidando-se como iniciativas e ações relevantes.




COMENTÁRIO. A discussão, a conversa, o entendimento, o pacto fazem parte do processo e da proposta do futebol de gêneros.
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sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Formação: O “céu” é o limite

O futebol como instrumento de cidadania e pacificação social

 

POR BENÊ LIMA

 

Visão geral do CT da Tijuca Alimentos

 

 

Numa sociedade em que os diversos tipos de violência se fazem cada vez mais presentes, é preciso que descubramos um antídoto para tantos conflitos nas inter-relações, aos quais os vemos somar-se aos conflitos existenciais já tão presentes nas vidas humanas.

 

Dentro desse contexto de dificuldades inter-relacionais, também assistimos tentativas de construção de uma cultura que transmita valores como cidadania, respeito e boa convivência. E tudo isso através do esporte, utilizando-se o mais popular dentre eles, o futebol, como uma verdadeira plataforma de transformação social.

 

Cada vez que identificamos um desses ‘oásis’ sociais, nosso coração bate mais forte e nosso espírito se enche da mais benfazeja satisfação, pois isso nos leva a vislumbrarmos a imagem de uma sociedade um pouco melhor. Antes, era impensável que o esporte pudesse conter esse poder transformador e que também pudesse criar perspectivas tão alentadoras para as comunidades envolvidas. Outro resultado prático alcançado é de fato certo aspecto de pacificação e acomodação dos conflitos sociais tão presentes nas sociedades modernas dos países em desenvolvimento como o nosso, mas ainda cheio de carências e de gritantes diferenças sociais.

 

Inicialmente com as Organizações Não Governamentais (ONGs), depois com admissão de um Terceiro Setor mais robusto, gradativamente as sociedades foram contrapondo ao encolhimento das funções de um Estado remodelado e mínimo, as entidades que foram surgindo como um poder auxiliar sem poder, mas de onde emerge uma inolvidável vontade política de realização.

 

A presença de mães e de uma representante da empresa Tijuca Alimentos ajudam

nas tarefas administrativas do Projeto. Os produtos arrecadados se prestam para

animarem rifas e bazares para a arrecadação de fundos.

 

 

Meninas da Paz

 

Dentre os projetos sócio-desportivos que vem sendo realizados no âmbito da Tijuca Alimentos, desponta um que resultou da junção de outros dois: Meninas Olímpicas e Guerreiras da Paz. Destes, criou-se o Meninas da Paz, que representa uma série de ações de natureza social, desportiva, assistencial e de cidadania.

 

E para não dizermos que em casa de ferreiro o espeto é de pau, uma das mascotes desse projeto é uma garota de apenas 11 anos, de nome Marina, filha do principal mentor-mecenas do mesmo. Marina já está no Projeto tem mais de um ano, sendo aluna da fase de iniciação, estágio inicial em que se dão os primeiros passos da preparação curricular.

 

Detalhe. Filha e mãe ‘bebem’ do projeto. Refiro-me à senhora Marcela e a sua filha Marina. Esta na condição de atleta, aquela numa condição próxima a manager. “Chamo o projeto de céu, mas isso não é uma sigla”, esclarece Marcela, fazendo alusão a uma condição de ideal a ser alcançado.

 

Marcela ainda ressalta, com indisfarçável orgulho, que as diferenças e rivalidades ficam todas fora do portão de entrada do empreendimento, fazendo alusão ao que havia nos dito Chagas Ferreira, a alguns minutos atrás: “Isso aqui é uma espécie de ‘Faixa de Gaza’, mas os conflitos ficam do lado de fora”, diz o professor Chagas.

 

O Projeto localizado no Parque Santa Fé, numa das sedes da empresa Tijuca Alimentos, absorve uma média de trinta meninas em um único núcleo, que funciona as terças, quintas e sábados. Nas terças e quintas o período trabalhado é o vespertino (a tarde), enquanto aos sábados o período utilizado é o matutino (da manhã).

 

Os profissionais uniformizados, da esquerda para a direita, são os professores

Chagas Ferreira e José Maria Paiva.

 

 

Estrutura, características e benefícios

 

A estrutura oferecida é comparável à de muitos clubes brasileiros de médio porte, contando com três campos, dois deles com dimensões oficiais, todos gramados. Além disso, há um campo de beach soccer, outro de futevôlei, refeitório, entre outras instalações adaptadas de acordo com as necessidades operacionais.

 

 

José Maria Paiva em preleção no intervalo do treino,

assistido por Chagas Ferreira

 

 

As meninas participantes são observadas sob vários prismas, e não só pelo desempenho desportivo. A empresa que lhes dá abrigo entende ser importante criar as precondições para que as meninas de melhor perfil profissional e comportamental possam desfrutar de uma oportunidade no mercado de trabalho. Além disso, é ideia da empresa custear parcialmente os estudos de algumas delas, desse modo preparando-as para o futuro.

 

Mas as meninas também contam com benefícios imediatos, tais como o fornecimento do material de treinamento, lanche e o suprimento das passagens de ônibus para seus deslocamentos.

 

A base técnico-científica do trabalho é aplicada por dois profissionais com formação em educação física. Um deles é o professor José Maria de Paiva, com graduação em educação física pela Universidade do Estado de Goiás, enquanto o outro é Francisco Chagas Ferreira de Sousa, que acumula a coordenação geral dos trabalhos. Vale ainda ressaltar que ambos possuem uma vasta experiência no meio esportivo, e entre outras iniciativas, foram os precursores do projeto Guerreiras da Paz, que ao lado do ideário do projeto Meninas Olímpicas formaram o embrião do Meninas da Paz.

 

 

Treinamento utilizando o campo soçaite do centro de treinamento

 

 

Se tomarmos por base nossa experiência como observador de projetos do gênero sócio-desportivo, sejam nacionais ou internacionais, na área da modalidade futebol, bem como a experiência ímpar que vivemos como Comentarista Especialista de Projetos de Transformação de Vidas Através do Futebol, podemos afirmar que nada do que eu tenha visto no âmbito do estado do Ceará se compara com o que pudemos ver e apreender dessa notável experiência que é o Projeto Meninas da Paz. Tanto que nossa ideia é que o Projeto passe a representar, contando com a generosidade de seus autores e executores, uma espécie de ‘case’, com reconhecida expertise para quem o conhece em profundidade, a fim de formarmos também multiplicadores da ideia e da metodologia, torcendo para que novos núcleos – verdadeiros ‘oásis’ - sejam criados.

 

Vídeo PROJETO MENINAS DA PAZ 109

 

Vídeo Clique aqui PROJETO MENINAS DA PAZ 012

 

TRADUÇÃO

Training: "Heaven" is the limit
Football as a citizenship tool and social peace
 
BY Bene LIMA
 

Photo 1: Overview CT da Tijuca Food
 
 
In a society where the various types of violence are increasingly present, we need to discover an antidote to so many conflicts in the inter-relations, to which we added up to the existential conflicts already so present in human lives.
 
Within this context of inter-relational difficulties, we also saw attempts to build a culture that conveys values such as citizenship, respect and coexistence. And all this through sports, using the most popular among them, football, as a true platform for social transformation.
 
Each time we identify one of these 'oasis' social, our heart beats faster and our spirit fills the most beneficent satisfaction, as this leads to vislumbrarmos the image of a society a little better. Before, it was unthinkable that the sport could contain this transforming power and that could also create prospects as encouraging for the communities involved. Another practical result achieved is indeed certain aspect of peace and accommodation of social conflicts so prevalent in modern societies in developing countries like ours, but still full of gaps and glaring social differences.
 
Initially with non-governmental organizations (NGOs), then admission of a more robust Third Sector, gradually societies were in contrast to the shrinkage of the functions of a State and refurbished least the entities that emerged as a power assist without power, but which emerges an unforgettable political will to.
 

The presence of mothers and a representative of the Tijuca Food company help
the administrative tasks of the Project. The product was collected to provide
animate raffles and bazaars to raise funds.
 
 
Photo 2: Girls of Peace
 
Among the socio-sports projects that have been undertaken in the framework of the Tijuca Food, emerges one that resulted from the junction of two:. Olympic Girls and Warriors of Peace Of these, created the Girls of Peace, which is a series of actions social, sports, health care and citizenship.
 
And not to say that in blacksmith shop is the skewer stick, one of the mascots of this project is a girl of only 11 years old, named Marina, daughter of the chief mentor-sponsor of the same. Marina is already in the project is more than a year, being a student of the inception phase, the initial stage in which they give the first steps of the course preparation.
 
Detail. Daughter and mother 'drink' of the project. I refer to Mrs. Marcela and her daughter Marina. This athlete on condition that a next condition the manager. "I call heaven project, but this is not an acronym," says Marcela, alluding to an ideal condition to be achieved.
 
Marcela also emphasized, with undisguised pride, differences and rivalries are all outside the enterprise gateway, referring to what was said in Chagas Ferreira, a few minutes ago: "This is a kind of 'Gaza Strip' but the conflicts are outside, "says Professor Chagas.
 
The Project located in Santa Fe Park, one of the seats da Tijuca Food company, absorbs an average of thirty girls on a single core, which runs on Tuesdays, Thursdays and Saturdays. On Tuesdays and Thursdays the working period is the evening (afternoon), while on Saturdays the period used is the morning (am).
 

Photo 3: The uniformed professionals, from left to right, are the teachers
Chagas Ferreira and José Maria Paiva
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Structure, features and benefits
 
The structure offered is comparable to that of many Brazilian clubs midsize, with three fields, two with official dimensions, all lawns. In addition, there is a beach soccer field, another footvolley, cafeteria, among other facilities adapted according to operational requirements.
 

Photo 4: José Maria Paiva lecture on the training range,
assisted by Chagas Ferreira
 
 
Participating girls are observed from several perspectives, not only for sports performance. The company that gives them shelter considers it important to create the preconditions for girls best professional and behavioral profile can enjoy an opportunity in the labor market. In addition, the company's idea is to partially fund the studies of some of them, thereby preparing them for the future.
 
But the girls also have immediate benefits, such as providing training materials, snack and supply of bus tickets to their movements.
 
The technical-scientific basis of the work is applied by two professionals with training in physical education. One is Professor José Maria de Paiva, with a degree in physical education from the State University of Goiás, while the other is Francisco Chagas Ferreira de Sousa, who accumulates the overall coordination of the work. It is also worth noting that both have extensive experience in sports, and among other initiatives, were the Warriors project precursors of Peace, that next to the ideals of the Olympic project formed the embryo Girls Girls of Peace.
 

Photo 5: Training using the soçaite field training center
 
If we assume our experience as an observer of the social-sports genre projects, both national and international, in the area of football mode, as well as the unique experience which we live as commentator Specialist Lives Transformation Projects Through Football, we can say that nothing I've seen in the state of Ceará compares to what we could see and seize this remarkable experience that is the Peace Girls Project. So much so that our idea is that the project pass to represent, with the generosity of its authors and performers, a kind of 'case', with recognized expertise to those who know him in depth in order of expressing also multipliers of the idea and methodology, hoping that new centers - true 'oasis' - are created.

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quarta-feira, fevereiro 11, 2015

‘Paz nos estádios vem com melhora na organização’, diz especialista

Entrevista// Marco Aurelio Klein: Paz nos estádios vem com melhora na organização

Encarregado pelo ministro do Esporte, George Hilton, de atualizar o estudo feito em 2006 sobre violência de torcidas de futebol, o atual presidente da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), Marco Aurelio Klein, afirma que a solução do problema engloba uma série de mudanças legais e na organização do esporte. Pelo menos foi assim que países como a Inglaterra conseguiram acabar definitivamente com atos de selvageria nas torcidas, o que resultou na liga mais competitiva e lucrativa do mundo.

(Foto: Divulgação)A atualização do relatório Preservar o Espetáculo Garantindo a Segurança e o Direito à Cidadania será o primeiro passo de um plano de ação encomendado pelo ministro para extinguir a violência entre as torcidas brasileiras.
 
A seguir, trechos da entrevista concedida por Klein ao Portal do Ministério do Esporte:

O senhor foi convocado pelo ministro para apresentar o relatório final da comissão Paz no Esporte. Qual o resultado da reunião?

Fiquei encarregado de atualizar o relatório mostrando os pontos que precisam de uma continuidade, apesar dos oito anos de finalizado. A preocupação do ministro George Hilton é que o relatório volte à pauta e que tenhamos ações efetivas para melhorar a experiência e tratar o futebol como um espetáculo, com a torcida participando de um momento de alegria e de paixão.
 
Qual o ponto de partida dessa discussão?


A violência já esteve dentro do estádio. Hoje não mais. A resolução do problema nas arenas precisa ser estendida também para fora delas. As melhorias dentro dos estádios, com acessos mais organizados, instalações mais limpas, cadeiras com lugares marcados e sem alambrados são grandes legados da Copa do Mundo. A operação do Mundial mostrou que o Brasil trabalha bem com grandes eventos, com estádios cheios, pois não tivemos problemas.
 
Como foi o trabalho da comissão Paz no Esporte?

A comissão realizou o estudo para encontrar os caminhos para combater à violência, o hooliganismo e o vandalismo no futebol. Foi um trabalho técnico, com dois anos de análises, de visitas por todo o Brasil e conversas com autoridades, clubes e federações. O estudo buscou também acolher as melhores práticas de diversos países, com documentos e legislação, sobretudo, na Inglaterra.

O relatório final aponta caminhos?

É um documento com medidas práticas de ações que podem ser tomadas nos diversos níveis da organização dos espetáculos. Em termos de legislação, responsabilidades e inteligência. É um relatório muito operacional. O documento foi inspirado no relatório que trouxe as sugestões que colocaram a Inglaterra no caminho de enfrentar e vencer o hooliganismo. Ele foi inspirado na forma e no conteúdo do famoso Relatório Taylor.

Em se tratando de futebol, a violência entre torcidas é igual aqui e no resto do mundo?

A Inglaterra ficou famosa por conta do hooliganismo. Foi a melhor e a mais profunda experiência que enfrentou a questão da violência, conhecida como a doença do futebol. Então, eles resolveram o problema, criaram um campeonato que hoje é um modelo para todos os torneios no mundo, mais rico e mais transmitido pela televisão. O problema foi superado com um trabalho técnico que envolveu a participação do governo, dos clubes, de entidades esportivas e da mídia. Foi um compromisso geral e, acima de tudo, quando começou a dar resultado, de inteligência. Sempre acreditei que é possível fazer isso no Brasil.

Como será o trabalho daqui para frente?

O ministro George Hilton pediu para conhecer profundamente o trabalho. Apresentei o resultado para que ele conheça a origem, os detalhes e como chegamos às sugestões. George Hilton pôde, com a sua equipe, ter o primeiro contato e gostou muito do que foi apresentado. O ministro achou o trabalho bom para todos que gostam do futebol como espetáculo. Vou atualizar o relatório e entregar ao gabinete para que produza resultado em política pública.

Como fazer isso?

As principais ações são os pontos objetivos. É preciso tratar essa questão com a seriedade que merece, com a importância que ela tem e com a inteligência que ela precisa. Ou seja, mergulhar no problema, colocar as medidas específicas, colocar a inteligência e se aprofundar na organização do espetáculo. A organização é a principal mensagem que há no relatório. O combate à violência no futebol não é sobre repressão. É sobre organização da forma de fazer o espetáculo, a qualificação dos recursos humanos envolvidos, trabalho do entendimento dos riscos que existem. Nem todo jogo é igual, com os mesmos riscos. Tem que entender como é o risco, como tratá-lo. Existem instrumentos de inteligência de banco de dados que são muito importantes.

Então os embates entre torcidas e polícias são evitáveis?

Futebol não é sobre repressão. O tratamento à violência no futebol é, sim, sobre organização.

Então o combate à violência precisa envolver várias áreas do governo, em todos os níveis de governo?

É fundamental uma coordenação. Não adianta ter boas intenções de forma isolada. Parte do sucesso no combate à violência na Inglaterra se deu em um trabalho coordenado entre todos os entes envolvidos no futebol. Outra particularidade, que é preciso aplicar no Brasil, é a especialização do que é o espetáculo do futebol.

 

Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR) para a Copa do Mundo em Curitiba (Foto: Secretaria de Segurança Pública do Paraná/Divulgação)


Qual seria uma boa estratégia?

É impossível trabalhar quando falamos que o determinado jogo vai ter um sistema de segurança rígido, que foi criada uma operação de guerra. A mensagem que estamos dando não é a desejável para o torcedor comum, que pretende ir ao estádio com a família. Temos que ter a percepção do espetáculo e não de uma praça de guerra. As pessoas querem ir naquilo que o futebol é: uma festa, uma alegria. A violência não faz parte do futebol e é preciso trabalhar para que o torcedor possa ter no esporte um momento de alegria e de paixão.

E as torcidas organizadas?

A torcida organizada não é a causa do problema. Ela é muito mais efeito de um espetáculo que não está organizado adequadamente. Assim, ela fica associada ao comportamento violento, às brigas e ao vandalismo.

Breno Barros
Ascom – Ministério do Esporte
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Alvíssaras! Prefeito Washington Gois quer devolver equipamentos esportivos no aniversário de Caucaia

Os dois principais equipamentos esportivos do município, o estádio Raimundo de Oliveira e o ginásio Cazuzão, devem ser entregues à população quando a cidade completar, no próximo dia 15 de outubro, 256 de sua emancipação política

 

Entrada ao fundo do Estádio Raimundo de Oliveira

 

A retomada das obras do Estádio Municipal Coronel Raimundo de Oliveira (foto), no município de Caucaia, já tem uma previsão e o processo licitatório já está encaminhado. Podemos considerar que a fase licitatória está em curso e que o prazo para o início das obras será imediato.

 

A novidade é que o projeto inicial foi refeito e o próprio aparelho municipal assumiu a autoria das emendas ao projeto inicial, necessidade que foi detectada após uma vistoria realizada por engenheiro credenciado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e por profissionais da Federação Cearense de Futebol (FCF).

 

Portanto, já contando com a expertise de profissionais da área, embora que de modo informal, já que não houve contrato fechado para tal nem o dispêndio de remuneração, a cooperação se prestou a que a SEINFRA (Secretaria Municipal de Infraestrutura) e a SETCEJ (Secretaria Municipal de Turismo, Cultura, Esporte e Juventude) assumissem de vez a iniciativa e responsabilidade pela viabilização das modificações necessárias ao projeto original, muito menos por critérios meramente formais, e muito mais em função do caráter funcional e operacional da obra. Assim, a SEINFRA já dispõe do material necessário ao desenvolvimento do processo licitatório aludido, bem como à execução dos aspectos técnicos do projeto, assim como a SETCEJ já se integrou ao gerenciamento do mesmo.

 

O projeto prevê que as obras do estádio serão desenvolvidas em 3 (três) etapas, mas todas as suas fases integram um único processo licitatório, desse modo não havendo instâncias burocráticas que implique em retardamento da execução das obras.

 

Previsão

 

É pretensão do Chefe do Poder Executivo de Caucaia, o Prefeito Washington Luiz de Oliveira Gois, proceder a entrega do estádio municipal antes do aniversário de emancipação do município, mas o fazendo oficialmente exatamente neste dia, que se dá em 15 de outubro, uma quinta-feira.

 

Ainda não há uma solenidade pensada para a data, mas o evento deverá ser eminentemente esportivo, e aberto para a população caucaiense, que tem com aquela praça esportiva uma estreita relação.

 

Cazuzão

 

Outra boa notícia é que o Ginásio Cazuzão (foto), localizado no Tabapuá, passará por sua segunda reforma no atual governo (considerados os dois mandatos), ele que foi entregue à população em 2 de março de 2012, numa solenidade que contou com as presenças do então Prefeito Washington Gois e do ex-governador Ciro Gomes, entre outras autoridades.

 

Uma das áreas de acesso ao Ginásio Cazuzão

 

Novamente o Cazuzão reclama por melhorias, e dessa vez o projeto prevê a reforma e recuperação das instalações do equipamento, mas indo bem mais além, ao contemplar a urbanização de toda a área do seu entorno, propiciando à comunidade local nova área de lazer e práticas esportivas, especialmente as caminhadas.

 

(Crédito de texto e fotos: Benê Lima)

 

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segunda-feira, fevereiro 09, 2015

Sport planeja repetir estratégia de colocar mães como seguranças

ANGELA LACERDA, ESPECIAL PARA O ESTADO - O ESTADO DE S. PAULO

09 Fevereiro 2015 | 14h 26

Mulheres trabalham em jogo na Arena Pernambuco diante do Náutico em iniciativa organizada para tentar diminuir a violência

Vestindo os coletes laranja que identificam os seguranças, 30 mães de torcedores ajudaram a garantir a paz no estádio Arena Pernambuco, no município metropolitano de São Lourenço da Mata, neste domingo, durante clássico do campeonato estadual entre Sport e Náutico.

A iniciativa inédita, do Sport, em parceria com uma agência de publicidade, surtiu efeito e deverá ser repetida em outros jogos em que o rubro-negro tenha mando de campo. "Ainda há muita violência nos estádios, com brigas entre organizadas e vandalismo e esta ação visa a provocar uma reflexão", afirmou o executivo de marketing do Sport, Cid Vasconcelos, ao frisar que os seguranças não foram substituídos pelas mães. A função delas é a de reprimir atos violentos dos filhos diante da sua presença, impondo respeito.

"Se as mães estiverem sempre presentes, não vai ter violência", afirmou Johnatans Santos, 22 anos, integrante de organizada, que ficou surpreso e feliz ao se deparar com a mãe Cristyane. "Tem coisa que torcedor não faz na frente da mãe; brigas em estádios é uma delas", concordou Vasconcelos, confiante que a atitude realmente irá ajudar a levar paz aos estádios.

Divulgação

Iniciativa pioneira chamou a atenção no clássico

 

O time do Sport adentrou o campo com a faixa "Hoje quem faz a segurança são as mães dos torcedores. Respeite", enquanto no telão era apresentado um clipe com elas pedindo paz.

A ideia foi desenvolvida e realizada em parceria com a agência Ogilvy Brasil, que também localizou e recrutou as mães. Elas chegaram mais cedo ao estádio, em vans, e assistiram à palestra feita pelo gestor de segurança da Arena Pernambuco, antes do início do jogo, com vitória do Sport.

Satisfeito com a repercussão da medida, Cid Vasconcelos espera que a partir desta primeira experiência, outras mães irão procurar o clube para contribuir com a campanha pela paz no futebol. "Sozinha esta ação não vai resolver o problema da violência, mas é inovadora, inusitada e tem potencial para gerar reflexão e mudança".