Além de ilegal, é um péssimo negócio no longo prazo a quem o faz; exemplos, também de rivais, são váriosGeraldo Campestrini / Universidade do Futebol
(Alan Costa Pinto/ Tribuna do Paraná)
O tema desta semana guarda relação com a reportagem da Gazeta do Povo (talvez o principal jornal do Estado do Paraná), publicada no dia 20 de março com o título “Dívida atrela Paraná à Base por 10 anos”.
Explicando sinteticamente: o Paraná Clube terceirizou suas categorias de base há pouco mais de 4 anos para uma empresa chamada “Base”, que construiu um Centro de Treinamento e operava o seu departamento, trabalhando desde a captação de atletas, à formação e comercialização dos mesmos.
O modelo, que já foi testado inúmeras vezes em outros clubes no passado e nunca funcionou, parece, quase que invariavelmente, aos olhos dos dirigentes, algo espetacular: “ora, deixo de ‘gastar’ com os garotos e ainda ganho um troquinho lá na frente se um deles vingar. Transfiro o risco do negócio para terceiros e posso investir toda a minha ‘fortuna’ no time principal", pensam os “sabidões”.
Acontece que, depois de um tempo, começam a surgir conflitos de interesse. O investidor a querer se desfazer rapidamente dos primeiros talentos, para obter retorno financeiro rápido, passando a negociar atletas inclusive com clubes rivais.
O clube a reclamar que os jovens atletas não são aproveitados na equipe profissional passando a pensar que poderia ganhar muito mais se tivesse preparado bem o processo de transição da base para o time de cima.
O resultado acaba sendo o mesmo em todos os casos que acompanhei: um grande passivo para o clube e um eterno recomeço para as categorias de base – lembrando que um trabalho decente e sério de formação de atletas tende a dar seus primeiros frutos a partir do seu 10º aniversário (fazendo um cálculo rápido para ilustrar: se identificarmos um potencial talento aos 10/12 anos, o mesmo será trabalhado ao longo do tempo até os seus 20/22 anos, quando tende a despontar na equipe profissional, completando o ciclo de 10 anos mencionado...).
Por fim, os dirigentes têm dificuldade em entender a importância das categorias de base além da venda de direitos federativos dos jogadores no futuro – negócio este que passa hoje por um período “conturbado” em razão da crise do mercado mundial e do início de um controle mais rígido da Uefa ante os clubes europeus, com a instituição do “Fair Play Financeiro”.
Investir em atletas tem um valor intangível fundamental, que vem desde a formação não só de jogadores, como também de novos torcedores no caso de o trabalho ser bem implementado com crianças e adolescentes.
Da mesma maneira, o atleta formado no clube tende a guardar uma relação emocional de maior valor com o mesmo, facilitando sua identificação com a torcida.
Enfim, terceirizar atividade fim, além de ilegal, é um péssimo negócio no longo prazo para quem o faz. Valendo lembrar que tenho acompanhado alguns noticiários de outros clubes de pequeno e médio porte a seguir a insana atitude de terceirizar um de seus maiores patrimônios: as categorias de base.
Ironicamente falando: talvez estes tenham dificuldade em acessar o “Google” para checar o que aconteceu consigo mesmo no passado ou com outros clubes coirmãos que acabaram por sucatear a formação de atletas para entes alheios a sua agremiação.
Sinopse
"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
CALOUROS DO AR FC
quarta-feira, março 28, 2012
Terceirização de atividade fim
Após morte de palmeirense em confronto, FPF veta Mancha e Gaviões nos estádios paulistas
André Alves Lezo, de 21 anos, pertencente ao grupo alviverde, morreu por conta de um tiro na cabeçaEquipe Universidade do Futebol / Universidade do Futebol
Briga na torcida do Corinthians nas arquibancadas do Pacaembu durante o jogo contra Palmeiras (Ricardo Nogueira/Folhapress)
Os acontecimentos violentos envolvendo corintianos e palmeirenses na capital paulista renderam em punição. Nesta segunda-feira, um dia após o clássico entre os rivais válido pelo Estadual, a Federação Paulista de Futebol (FPF) divulgou um comunicado indicando o banimento das torcidas organizadas Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde dos estádios.
A solicitação partiu da Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), informou a entidade que organiza o futebol paulista.
Na manhã do último domingo, cerca de 500 pessoas, muitas das quais ligadas àquelas duas associações, participaram de um confronto na zona Norte de São Paulo.
O palmeirense André Alves Lezo, 21, foi morto depois de levar um tiro na cabeça. A polícia afirma desconhecer o autor do disparo e investiga se a confusão foi motivada por vingança.
O veto de Gaviões e Mancha das praças esportivas em dia de jogos ocorrerá até que sejam apurados os fatos e os responsáveis punidos nos termos da legislação em vigor – Estatuto do Torcedor.
Confira a notícia publicada no site da FPF:
“A Federação Paulista de Futebol, por meio de seu presidente, Marco Polo Del Nero, resolveu, na tarde desta segunda-feira, proibir a entrada nos estádios das torcidas organizadas Mancha Alvi Verde e Gaviões da Fiel ligadas, respectivamente, a Palmeiras e Corinthians.
A decisão se dá por conta do confronto envolvendo as duas torcidas no último domingo, na Avenida Inajar de Souza, resultando na morte do torcedor palmeirense André Alves Lezo, de 21 anos.”
terça-feira, março 27, 2012
Periodização Tática e a extinção do preparador físico. Será?
Não é possível um futebolista atuar mais de 50 jogos sem um treino de força que proporcione um equilíbrio muscular e um lastro de rendimento que suporte a temporada competitivaSandro Sargentim* / Universidade do FutebolAo passar dos anos novos métodos de aplicação de treinos surgem e com eles novos conceitos e crenças voltadas para a manipulação de exercícios e linhas de pensamentos relacionadas a visão do desporto ou até mesmo do mundo fitness.
Essas inovações percorrem uma linha tênue entre inovação ou atualização dos conceitos e métodos de aplicação de treino, ou até mesmo exercícios, aparelhos ou acessórios de treinamento.
No futebol, as atualizações e inovações estão sempre atrás do mercado de treinamento desportivo – na maior parte das vezes, quando algo novo é lançado e inserido no mercado, demanda muito tempo para os profissionais que norteiam o futebol aprenderem e buscarem coragem para aplicar esses métodos dentro do desporto.
Ao longo dos anos, diversos métodos de aplicação de treinamento iniciaram uma mudança nos métodos de preparação física dentro do futebol, especialmente dentro da aplicação dos treinos de força e do treinamento funcional.
Contudo, nas últimas décadas, praticamente não havia mudanças dentro dos treinamentos técnicos e táticos, e quando ocorriam as pequenas mudanças pouco se modificava dentro do panorama geral de treino.
Sob esse panorama, apareceu um novo método de aplicação de treinamento dentro do futebol conhecido como Periodização Tática. Formulada pelos portugueses, tendo como grande mentor Vítor Frade e como grande “garoto propaganda” o técnico José Mourinho.
Esse método é complexo e de grande valia e parte do princípio que tudo no jogo se resolve e dentro do sistema de jogo, através do treinamento e da postura tática dos atletas.
São formas fantásticas de organização dos sistemas ofensivos e defensivos com suas devidas transições que, na minha opinião, vieram revolucionar a forma ortodoxa como que o futebol era tratado dentro dos aspectos técnico e tático mundialmente.
Segundo os autores e seus seguidores, todos os componentes que regem o alto rendimento do futebolista moderno são treinados e solucionados com treinamentos complexos e voltados para o sistema de jogo. As características técnicas, cognitivas, de preparação física, entre outras são treinadas exclusivamente dentro do Modelo de j\Jogo.
Dentro dessa linha de jogo, nenhum treino nem exercício deve ser realizado fora do sistema de jogo, nem de forma complementar. Com isso todos os exercícios são executados dentro da postura tática determinada e traçada previamente pelo técnico e seus assistentes.
A inovação foi solidificada e com isso inúmeros seguidores começaram a aplicar esse método de treino e perceberam que conseguiam êxito dentro dos jogos e competições; por razões claras e óbvias, abriram mão dos treinos técnicos/ táticos gerais e inespecíficos e iniciaram uma aplicação totalitária de forma específica e com isso os resultados apareceram como um “passe de mágica”.
A intensidade do treinamento é algo determinante dentro desse complexo e bem elaborado método de treinamento. Todos os treinos são realizados de forma específica e intensa, com baixa duração do treino.
Através desse método, uma teoria básica do treinamento desportivo foi seguida: “aumenta a intensidade e diminui o volume”.
Isso apesar de simples nos desportes em geral, no futebol era algo de difícil acesso, pois em via de regra quem sempre aplicou os treinos técnicos eram os treinadores, que copiavam os modelos de treino que fizeram na época que atuavam como atletas: volume alto e uma intensidade baixa.
Com isso se tornava um ciclo vicioso, onde todos sempre executavam os mesmo treinos sem inovação e mudanças, pois todos sempre faziam a mesma coisa, sem parar para analisar.
Com essa alta intensidade do treino com bola e a observação dos treinos equivocados e inespecíficos aplicados pelos preparadores desatualizados (corridas longas, intervaladas, entre outras....), os autores desse métodos e obviamente seus seguidores criaram uma nova linha de análise para o treinamento do futebolista moderno.
Segundo os adeptos dessa linha de treino, não existe mais o preparador físico, e sim os assistentes do técnico, que executarão os treinos apenas voltados para os sistemas de jogo, sem nenhuma carga inespecífica de treinamento.
Seria com isso a extinção do preparador físico?
Claro que não! Temos que analisar com calma e com discernimento, sem radicalismo, essa questão.
Poucos defendem a especificidade dentro da preparação física dentro do futebol como eu; penso que todos os treinos, independente da característica da carga (geral ou específica), deve seguir o princípio da especificidade. Treinos inespecíficos devem sim ser abolidos, e não a figura do preparador físico.
Outro detalhe relevante seria a análise da aplicação do sistema de jogo para o aprimoramento completo do condicionamento do futebolista que é defendido pelos seguidores do método.
A aplicação dos treinamentos com bola, com mini campos, jogos amistosos e jogos oficiais já são o suficientes para o ganho e manutenção da resistência específica do atleta de futebol (Sargentim e cols, 2008), já não é novidade há muito tempo.
Mas o ganho e a manutenção da força e impensável dentro desse método. Os autores afirmam (sem nenhuma base científica) que com a aplicação do sistema de jogo o atleta de futebol ganha força específica através das diversas mudanças de direção em virtude do ciclo alongamento encurtamento.
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Com todo o respeito que tenho pelo método, e o admiro muito, essa afirmação é um equívoco – aliás, é uma grande besteira. É impossível sem uma sobrecarga atingir o alto rendimento em qualquer linha de treinamento, em especial no que concerne a força.
O treino específico com bola é, sim, um grande ganho, porém caracterizado como transferência ao treinamento de força prévio realizado antes de entrar no campo de jogo.
Obviamente estamos falando de treino de força específica, com pesos livres, acessórios ou até mesmo o peso corporal; não estamos em nenhum momento citando, nem tampouco, propondo treinos em aparelhos de musculação, que além de não ajudarem, atrapalham o desenvolvimento da reatividade do futebolista.
Os treinos de força citados são atividades realizadas em cadeia cinética fechada, com ou sem saltos, contudo, sempre de forma específica ao desporto.
Um dos princípios básicos do treinamento desportivo é o princípio da sobrecarga, que em conjunto com o princípio da especificidade regem o treinamento moderno independente da modalidade.
Esse dois princípios que são respeitados pelos autores da Periodização Tática em que, através do sistema de jogo, aumenta-se o sobrecarga de treino, o deixando mais intenso e denso, proporcionando ao futebolista uma especificidade total na aplicação do treino com bola.
Contudo, o princípio da sobrecarga não é respeitado na aplicação do treino de força dentro desse método. Apenas adaptar o sistema neuromuscular do futebolista aos sistemas de jogo, por mais intenso que seja, não gera nenhuma sobrecarga para o ganho, nem tampouco manutenção de força; pelo contrário: se não for bem trabalhada, causa perdas significativas de força ao futebolista.
Para se gerar uma sobrecarga dentro do treino de força, deve-se colocar obstáculos para que o futebolista possa desafiá-los e vencê-los, que passam por levantar pesos, saltar, ou até mesmo tracionar obstáculos como o trenó; depois desses exercícios, a transferência para o Modelo de Jogo seria, sim, o complemento para possibilitar ao atleta um ganho de força e posteriormente uma adaptação específica dentro do campo de jogo.
Com esse método bem sincronizado, o ganho de velocidade seria consequência natural, pois a junção de um treino de força bem equilibrado e uma transferência plena para o treino específico possibilitariam ao futebolista um ganho objetivo e imediato de velocidade específica de deslocamento em campo (mudança de direção).
Com isso, posso afirmar que como estão dizendo os autores e seguidores do método que o cargo de preparador físico esta em extinção, é um grande equívoco, pois esse cargo está em adaptação a uma nova forma de se treinar e atuar.
A função do preparador físico moderno cada dia mais será de treinar e possibilitar ao atleta de futebol um ganho equilibrado de força específica para, em campo, com o sistema de jogo através dos métodos específicos, seguir os conceitos da Periodização Tática e conseguir render em alto nível não apenas durante os 90 minutos, e sim ao longo de toda temporada competitiva.
Vale uma reflexão aos seguidores assíduos do método que por muitas vezes não analisam e apenas repercutem aquilo que leem e principalmente observam dentro dos treinamentos as falas das pessoas que defendem a Periodização Tática.
Não é possível um futebolista atuar mais de 50 jogos sem um treino de força que proporcione um equilíbrio muscular e um lastro de rendimento que suporte a temporada competitiva, por isso que clubes que seguem os princípios da Periodização Tática, como Barcelona, Real Madrid e Chelsea (para não citarmos mais) aplicam, sim, protocolos rígidos de treinamento de força para possibilitar o alto rendimento dos seus atletas.
Por mais que as pessoas que ditam a regra sobre o método digam que não, é uma inverdade: os treinos são executados, sim, e de forma completa ao longo da temporada competitiva.
O que certamente está se extinguindo é o preparador físico tradicional que apenas manda correr sem se preocupar com as decorrências específicas do treinamento do desporto. Cada dia mais o preparador físico no futebol é aquele que proporciona um equilíbrio muscular ao atleta de futebol através do ganho de força específica.
É necessária a atualização constante dentro do treinamento desportivo e em especial no futebol. A Periodização Tática veio ao encontro dessa necessidade, contudo afirmar que está acabando o cargo de preparador físico é um erro tão grande quanto a petulância dos criadores do método.
*Sandro Sargentim é preparador físico de futebol e autor do livro "Treinamento de força no futebol". Além disso, é docente no curso de pós graduação em Treinamento Desportivo - UNiFmu/Gama Filho e Treinamento Funcional - Ceafi e coordenador da pós graduação em Ciências no Futebol - UniFmu.
Tags: Periodização tática, preparação física, Setor Técnico, profissionalização,integração, treinamento funcional, treino integrado, força, potência, velocidade.
sábado, março 24, 2012
Fifa providenciará seguro contra lesões de jogadores em serviço a seleções nacionais
Fifa atendeu a um pedido antigo dos clubes europeus / Foto: Getty Images
Além disso, Blatter promete definir calendário unificado de amistosos em maio; discussão sobre tecnologia é postergadaEquipe Universidade do FutebolNesta quinta-feira, durante o Congresso da Uefa, realizado em Istambul, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, anunciou que a entidade máxima do futebol irá providenciar um seguro contra lesões para todos os jogadores que participarem de competições ou amistosos com suas respectivas seleções.
Além disso, Blatter informou que o próximo Congresso da Fifa – marcado para 24 e 25 de maio em Budapeste, na Hungria – anunciará as definições sobre o novo calendário internacional unificado de amistosos.
A Fifa está analisando os pedidos da Associação de Clubes Europeus (ECA) e da própria Uefa para diminuir o número de partidas amistosas na temporada e também para tirar os jogos do mês de agosto – período de férias de verão no continente europeu.
Outra questão levantada novamente foi em relação ao uso de medidas tecnológicas para diminuir os erros de arbitragem nas partidas oficiais. Tal debate, entretanto, deverá continuar em uma reunião que acontecerá no dia 2 de julho, em Kiev (Ucrânia), um dia após a final da Euro-2012.
Tags: uefa, Fifa, blatter, negócios, Tecnologia, planejamento estratégico, gestão de futebol, atleta,Legislação Esportiva
Não somos vira-latas
Ser soberano não é rechaçar o que vem de fora, mas emitir um juízo de valor e avaliar se é bom concordar
Gustavo Lopes / www.universidadedofutebol.com.br
Após a expectativa gerada com a visita de Joseph Blatter, presidente da Fifa à Presidenta Dilma Roussef, a Lei Geral da Copa ainda não foi votada pelo plenário da Câmara dos Deputados. São muitas as discussões originadas da Lei Geral da Copa. Fala-se em imposições da Fifa e até em perda de soberania.
O fato é há de um lado a entidade máxima do futebol, dona de um megaevento esportivo, e do outro o Brasil querendo organizá-lo. A Fifa organiza a Copa do Mundo sem o Brasil, mas o Brasil não organiza o Mundial sem a Fifa.
Em 2007, o país assumiu compromissos com o órgão para ter o direito de organizar o Mundial - trata-se do “host agremeent” (acordo do anfitrião). Neste documento, o país se compromete, entre outros pontos, a garantir eventuais patrocinadores do evento.
Agora, ser soberano não é rechaçar o que vem de fora, mas emitir um juízo de valor e avaliar se é bom concordar. Se não for interessante ao Brasil aceitar os termos do “host agreement” para organizar o Mundial, basta não aceitar e não organizar a Copa do Mundo.
Esta é a análise que deve ser feita. E, sinceramente, não passa pela cabeça de algum brasileiro não organizar o Mundial em razão da venda de bebidas nos estádios, por exemplo.
Todos os países que organizaram grandes eventos esportivos fizeram alguma concessão pelos benefícios de organizá-lo. Assim foi nos EUA, na França, no Japão, na Coréia, na Alemanha e na África do Sul. As exigências não são exclusivas do Brasil. Não somos um vira-latas entre as nações.
No cômputo geral, muitos são os benefícios que um grande evento pode proporcionar ao país. Seja pela propaganda do mesmo no mundo, pelo turismo ou pela arrecadação de impostos. A Alemanha, por exemplo, atingiu índices de simpatia nunca vistos desde a II Guerra. Barcelona, na Espanha, de cidade abandonada, tornou-se um dos cinco destinos mais visitados do mundo após os Jogos Olímpicos de 1992.
Além disso, a soberania brasileira foi ratificada com o pedido de desculpas da Fifa pelas declarações de Jérôme Valcke e Joseph Blatter esteve no país.
Portanto, as exigência da Fifa não devem ser vistas como uma afronta ao povo brasileiro, mas como um rol de pontos necessários para que o país possa ser anfitrião do evento e ter acesso a todos os benefícios de sua organização.
Ou alguém prefere não organizar a Copa do Mundo?
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terça-feira, março 20, 2012
Futebol feminino precisa ser gostado
Laço da Chuteira na Exposição da Libertadores do São José
Na comemoração de seus 56 anos de existência, a ETEP Faculdades, patrocinadora da equipe feminina do São José, prestou uma belíssima homenagem ao trabalho realizado pelas atletas da Águia do Vale abrindo uma exposição no Vale Sul Shopping em São José dos Campos. Com fotos de todos os jogos da Libertadores da América que aconteceu em novembro de 2011, o espaço no shopping também mostra a Taça de Campeã, camisa, a chuteira usada por Poliana, responsável pelo gol da vitória diante do Colo Colo na grande final, que lotou o Estádio Martins Pereira.
O coquetel de abertura da exposição ainda contou com a presença do Secretário de Esportes da cidade, Sérgio Theodoro, do presidente da ETEP, Thiago Pegas e Rinaldo, presidente da Escola de Samba Nenê da Vila Matilde.
Tive a oportunidade de conversar rapidamente com Thiago Pegas, que mostrou numa pequena frase, o que significa o sucesso da equipe joseense: “Não se trata só de dinheiro, é preciso gostar de futebol feminino”. E este apoio também é traduzido na empolgação e carinho com que Lucia Helena Silva, Diretora Comercial da ETEP, trata as meninas: “Sou super empolgada com esta parceria porque vejo o esforço das meninas e as considero verdadeiras guerreiras”.
Pude também papear longamente com a Formiga, Bagé, Priscilinha e conhecer Camila, do sub-17, que saiu de Porto Alegre onde jogava no Gremio, para buscar chances reais no futebol paulista. Aliás, era explícita a tietagem da gurizada das categorias menores em cima das boleiras do time principal. Muitas, mas muitas fotos!
Bagé comentou comigo: “Lu, se não encontrarmos alguém à altura, quando a Formiga aposentar nós estaremos fritas! Essa mulher é fora de série, coisa de louco!” Diante de tal comentário, perguntei: “Você vê alguém jogando com as mesmas características da Formiga?” Bagé me disse: “Não, infelizmente, igual a ela, não vejo”.
O comentário de certo modo me preocupou e reforça que precisamos atentar para as categorias de base do nosso fut feminino. Renovação de elenco vai MUITO além de levar pra seleção meninas mais jovens. Renovação passa, sobretudo, por estaduais (em TODO país) bem formulados, incentivados, clube preocupados não com a próxima temporada, mas sim com as 10 próximas no MÍNIMO. Renovação, consiste em termos nas escolas de ensino fundamental, o contato das meninas com o jogo e não a separação de uma sala em “futebol para os meninos, meninas para o hand”.
Enquanto isso não acontece de maneira adequada em todos os clubes brasileiros, vou aplaudindo a iniciativa da ETEP tanto pela força e apoio a modalidade, quanto pelo carinho com que trata suas atletas. Não é todo dia que vemos uma exposição dedicada integralmente ao futebol feminino. E que esta ideia seja inspiradora de muitos outros patrocinadores, clubes e parceiros. Divulgar não só a modalidade como também dar visibilidade para as atletas, levando para o público seu nome, sua posição, sua história, é parte de um plano bem sucedido de incentivo ao nosso querido futebol feminino.
@Lu_dCastro para o @LacodaChuteira
Documental, El Fútbol, Inteligencia colectiva
A menudo en el fútbol adquiere especial relevancia la figura del goleador como la persona capaz de batir al guardameta del equipo contrario, el portero al asumir la responsabilidad final de evitar que el rival se sitúe por delante en el marcador o el entrenador en su papel de pieza clave e ineludible en el diseño del juego del equipo.
¿Pero el éxito en el fútbol depende del buen rendimiento de cada figura en particular o es el trabajo de todos en conjunto lo que hace triunfar a un equipo frente a sus ambiciosos rivales?
Odisea les presenta este interesante documental donde analizaremos la importancia que la visión colectiva de conjunto adquiere en el ámbito futbolístico y comprobaremos que, precisamente, una visión excesivamente individualista en la preparación de un encuentro puede desencadenar en la más absoluta derrota. Bajo la premisa de que un buen equipo es aquel sistema humano hábilmente organizado para obtener óptimos resultados, observaremos cómo la inteligencia humana colectiva sólo emerge cuando cada individuo es consciente de su papel en una idea de equipo. Además, contaremos con la experiencia sobre el terreno de juego del entrenador Christian Gourcuff y su equipo que nos aportarán una perspectiva real y cercana de la relevancia de las estrategias colectivas en el ámbito futbolístico.
Fonte: Caderno de Campo, de Eduardo Conde Tega, executivo da Universidade do Futebol e acredita que o Brasil poderá um dia, enfim, tornar-se um centro de excelência na formação de profissionais do futebol.
sábado, março 17, 2012
A encruzilhada do futebol brasileiro
Autor: Paulo André
Se dissermos que o jogo de futebol se divide em três princípios básicos e deles, todas as variações são possíveis, eu diria que:
tecnicamente sempre fomos muito superiores a qualquer outra nação;
fisicamente, em algum período, chegamos a ser inferiores;
e taticamente sempre sofremos com a falta de disciplina na aplicação da estratégia porque éramos tão melhores jogadores de bola que sempre achamos um jeito de vencer nossos rivais.
Assim sendo, inicialmente decidimos resolver a discrepância física e incrementamos toda a cientificidade oferecida pelos melhores estudos e artigos já produzidos para construirmos o atleta ideal. O intuito era nos equipararmos aos europeus e para isso, quebramos inúmeras barreiras culturais introduzindo a musculação e os treinos físicos específicos para jogadores de futebol.
Durante anos os especialistas na área tinham vontade de vomitar ao escutar dirigentes, treinadores e comentaristas dizendo que a musculação deixaria o jogador travado. De qualquer forma e com certa demora, evoluímos muito na qualidade dos treinos físicos e permitimos que a ciência entrasse no futebol brasileiro.
Até aí, tudo bem.
Conseguimos igualar a valência física e continuamos com a supremacia técnica. Éramos então praticamente imbatíveis. Mas em algum momento da história do futebol e da economia brasileira, os clubes se encontravam em péssima condição financeira e não conseguiam gerar outro tipo de renda que não com a venda de jogadores para o mercado europeu.
Demoramos muito para nos estruturarmos, explorarmos o marketing e a paixão doentia do nosso torcedor, gerando receitas que, aliadas aos direitos de TV, tornassem o clube auto-suficiente. Então, o único meio de sobrevivência encontrado por dirigentes amadores e despreparados naquela época era vender atletas à Europa para solver dívidas e contratar medalhões, ganhando assim, o apoio popular.
Desde então, estamos produzindo jogadores para os europeus, buscando selecioná-los e prepará-los de acordo com o perfil de jogo que facilita essa negociação.
Pior que isso, o nosso erro foi acreditar que o atleta ideal era aquele que existia na Europa. Boa estatura, forte, sem muita ginga (pois futebol já não era mais brincadeira), disciplinado, com bom jogo aéreo e o mais importante, com nome e sobrenome. Chegamos ao cúmulo de tirar até os apelidos dos nossos meninos da base para que eles ficassem mais vendáveis aos olhos e aos cofres do velho continente. Em pleno século 20, ainda éramos colônia, explorados pelos europeus que compravam barato e lucravam com o desempenho e as futuras transferências daqueles “produtos” importados. Apesar disso, nós brasileiros estávamos felizes e pensávamos que essa “facilidade” de achar matéria-prima abundante e vendê-la para o além-mar era a salvação da lavoura. Não nos preocupávamos com o êxodo de jogadores porque a renovação e o talento eram tão naturais do nosso povo que a cada ano surgiam mais e mais jogadores de qualidade. Se quiséssemos, montaríamos três ou quatro seleções em condições de ganhar uma mesma Copa do Mundo.
Nesse período (e durante esse processo), ainda mantínhamos a supremacia técnica e por isso demoramos anos para perceber que o jogo também evoluiu. O futebol passou a ser estudado e analisado tanto quanto o organismo humano ou a economia mundial. Também pudera, algo que gera tantos bilhões de dólares e movimenta outros tantos bilhões de torcedores ao redor do planeta não poderia ser deixado ao azar ou ao talento nato de seus praticantes.
Então, enquanto nos dedicávamos aos treinos físicos – com tiros de 1000m, 300m etc… – os europeus faziam tudo dentro do campo, com a bola. Trabalhos mais intensos e disputados, mini jogos que exploravam especificamente um princípio de ataque ou de defesa, tudo inserido ao jogo.
Cada treino tinha um objetivo e o sincronismo dos movimentos de pressão ao adversário, de bloco alto (encurtar o campo), de trocas de passes rápidas e com o menor número possível de toques na bola se tornaram exigências do futebol contemporâneo.
A linha de 4 defensiva e a tentativa de roubar a bola no campo adversário já eram praticadas muito antes de eu chegar à Europa em 2006. Estamos em 2012 e no Brasil tem gente que ainda fala em ala, três zagueiros e volante de contenção.
A falta de visão, de protecionismo, de estímulos para a manutenção de talentos e de desenvolvimento do estilo brasileiro de se jogar futebol se revela hoje, duas décadas depois, um grave problema.
Nos esquecemos de investir em planejamento, estruturação e, principalmente, capacitação de profissionais para darmos sequência à produção e consolidação da nossa hegemonia no futebol mundial.
Nos preocupamos em vender a nossa Seleção e esquecemos-nos de reinvestir o lucro nas futuras gerações.
Usamos os “produtos” produzidos e formados pelos nossos clubes, mas esquecemos de retribuir o serviço com a criação de campeonatos mais fortes e rentáveis, infra-estrutura de qualidade (estádios, gramados, etc…) e capacitação de pessoas em todas as áreas do esporte brasileiro (gestores, técnicos, preparadores físicos, scouts etc…).
Estamos atrasados.
Quase não temos cursos capacitantes que valham à pena.
O círculo do futebol brasileiro é restrito, fechado e avesso a novas ideias.
Quase não temos estudiosos do jogo, das variações táticas ou dos treinamentos específicos.
Nossa formação de base não ensina para o futebol atual, mas, sim, para o futebol de outrora.
Insistimos em coisas do arco da velha simplesmente porque a maioria dos nossos ex-jogadores (atuais treinadores) não está preparada para formar novos atletas.
Falta conhecimento e posteriormente a aplicação de ferramentas como a teoria do jogo, a psicologia e a pedagogia aplicadas ao esporte para que possamos sair do marasmo em que nos encontramos.
Precisamos abdicar de fórmulas que um dia deram certo e que se tornaram tradicionais para chacoalhar os estaduais, as divisões inferiores e os times “pequenos”, assim como um dia passamos do sistema de mata-mata para pontos corridos, dando mais estabilidade financeira aos clubes e atletas.
Talvez seja a hora de quebrarmos outros paradigmas.
Admitir que o modelo está ultrapassado e que precisamos mudar é o primeiro passo. O problema é que poucas pessoas estão preocupadas com isso. Na verdade poucos enxergam o atraso, só reclamam que a Seleção não está bem.
Novos valores e estudiosos do jogo não conseguem se inserir no meio porque não jogaram futebol e não tem a confiança do mercado. A categoria de base da maioria dos clubes brasileiros está jogada ao Deus dará. Os cargos dentro dos clubes, federações e confederações ainda são políticos e não técnicos. Isso tem que mudar!
O Brasil se encontra em uma encruzilhada.
Na verdade, estamos parados diante dela há alguns anos, observando, com olhos fixos, a estrada que nos trouxe até aqui.
Ela é repleta de flores, encantos e conquistas. Revendo o trajeto, nos apaixonamos pela construção da nossa história e temos a certeza e o orgulho de saber que os melhores times e os maiores jogadores que o planeta já viu foram brasileiros.
Enxergamos também que ganhamos, orgulhosa e merecidamente, o apelido de “País do futebol”, o maior exportador de pé-de-obra que o mundo conheceu.
Dominamos o futebol mundial e possuímos, por anos, estrelas em todos os grandes campeonatos nacionais do velho continente. Todos tinham medo da camisa amarela e os brasileiros, encantados, paravam para ver a seleção canarinho jogar. Por tudo isso, passamos anos desfrutando da beleza do nosso futebol e do avanço que tínhamos sobre os demais.
Acreditamos que tudo era possível ao país que tem no DNA de seu povo, o talento do futebol.
Hoje, olhando ao redor, mais próximos da encruzilhada, ainda pelo caminho que construímos, vemos sonhos, delírios e extravagâncias que desperdiçaram tempo e dinheiro e não se transformaram em nada. Um período sonolento em que a falta de capacidade se justificou de inúmeras formas, especialmente pelo passado esplendoroso que construímos.
Mas eis que recentemente, atônitos e ainda parados na estrada, fomos despertados pelo barulho ruidoso dos motores espanhóis, holandeses e alemães que passaram por nós sem pedir licença. Aceleraram em tamanha velocidade que ainda não conseguimos reparar quais as novas peças da engrenagem os fazem acelerar tão depressa.
E cá estamos nós, olhando fixamente para a encruzilhada buscando dicas de para onde seguir ou qual o melhor caminho a tomar...
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Se dissermos que o jogo de futebol se divide em três princípios básicos e deles, todas as variações são possíveis, eu diria que: