Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

terça-feira, julho 15, 2014

Campeonato Brasileiro tem a missão de combater efeitos da eliminação da seleção na Copa

POR 

Maracanã 01

RIO — A Série B recomeça nesta terça-feira, exatamente uma semana após a traumática eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo. Na quarta, será a vez da Primeira Divisão. Enquanto o futebol doméstico volta à atividade, um desafio se coloca: atrair o torcedor após o impacto profundo dos 7 a 1 aplicados pela Alemanha. O resultado soou como um atestado do atraso, da inferioridade. E foi imposto à seleção brasileira, formada quase integralmente por jogadores que atuam na Europa onde, supostamente, está a elite dos nossos jogadores. A dura tarefa é convencer o público de que o Campeonato Brasileiro, em tese disputado por jogadores que não conquistaram espaço no mercado externo, merece consideração.

— Os clubes vão sangrar — disse o ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez, um dia após a humilhação sofrida pela seleção brasileira.

Entre os colegas que dirigem os clubes, no entanto, as opiniões não vão todas na mesma direção. Há os que apostam na força das marcas, embora ultimamente não tenham sido capazes de criar grande mobilização para ocupar estádios.

— Claro que é um desafio. Mas não vejo como um problema sério. O público da Copa do Mundo é diferente do que frequenta o Campeonato Brasileiro. Acho que a torcida está com saudade de ver o Flamengo jogar, na expectativa para saber se virão reforços, se o time terá outra postura — afirma o presidente rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello, embora o clube tenha contratado apenas o meia argentino Canteros. — Se o Brasil tivesse terminado vencendo e convencendo, os olhos do mundo estariam voltados para cá, como estão agora voltados para o futebol alemão. Mas isso não vai acontecer. A goleada, no entanto, pode criar uma expectativa interna de reverter a tragédia.

O único titular da seleção brasileira que atua no país é o tricolor Fred. Para o presidente do Fluminense, Peter Siemsen, pode haver um abalo no valor de mercado dos jogadores brasileiros. Mas ele crê que não afetará o campeonato.

— Com o tempo, boas atuações de brasileiros na Liga dos Campeões podem recuperar este valor. E deixar a imagem de que os 7 a 1 foram um fato isolado. Num primeiro momento, o interesse pode diminuir. É difícil conviver com este resultado. Mas, como quase todos os titulares já atuavam no exterior, acho que não muda muito — disse o dirigente tricolor. — O Campeonato Brasileiro e os clubes ainda são produtos com pouco valor de venda. As duas marcas valorizadas são o jogador brasileiro e a seleção.

MAIOR COBRANÇA

Se a goleada criou um clima negativo justamente em torno da seleção, como valorizar a competição nacional? Para analistas do mercado, a crise de credibilidade terá contornos graves

— A Copa já fazia a gente se perguntar como motivar o público após o torneio. E nem tinha acontecido o vexame. Agora é mais grave ainda. Cria-se um clima de desmotivação, impaciência da torcida. O impacto é ainda pior. É uma volta à realidade sob total descrédito com a seleção, que antes era uma espécie de porto seguro, já que concentrava nossos melhores jogadores — disse Amir Somoggi, consultor de marketing e gestão esportiva.

No entanto, uma oportunidade pode estar se desenhando.

— O momento é difícil. Mas a forma como a seleção jogou pode ter efeito inverso e sensibilizar as pessoas a se mobilizarem para retomar o desenvolvimento do futebol brasileiro. À primeira vista, o resultado desestimula. Mas a sociedade vai cobrar mais, o futebol vai se cobrar mais — disse Pedro Trengrouse, professor da Fundação Getúlio Vargas e consultor da ONU para a Copa de 2014.

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sábado, julho 12, 2014

Mauana Simas, coordenadora do projeto de narração audiodescritiva

Conheça o trabalho com locutores especializados que narraram para deficientes visuais os jogos da Copa

Bruno camarão

A “Copa das Copas” não necessariamente é a “Copa de Todos”. Com frequência, pessoas cegas ou com visão subnormal são excluídas de muitos eventos culturais e desportivos aos quais a maior parte da sociedade tem acesso. Mas o Mundial de 2014, no Brasil, que está se encaminhando ao fim, teve um diferencial: a narração audiodescritiva.

O serviço garante que torcedores com deficiência visual tenham uma melhor compreensão do jogo in loco, sendo capazes de se divertir ao lado de outros espectadores. No país, a Urece, sob a coordenação de Mauana Simas, esteve à frente da empreitada.

A audiodescrição é semelhante à narração de rádio, mas com ênfase na experiência do palco da partida. Além disso, o narrador especialmente treinado fornece uma descrição adicional de todas as informações visuais significativas, como linguagem corporal, expressão facial, entorno, lances, uniformes, cores e qualquer outra coisa importante para transmitir a aparência e o ambiente, além do que está acontecendo efetivamente em campo.

“Recebemos a metodologia desenhada, adaptamos algumas coisas, mas foi algo bem próximo ao desenvolvido na Eurocopa. O povo brasileiro tem uma relação diferente com o futebol do que os europeus. E os cegos não poderiam ser diferentes”, explica Mauana, que é formada em Jornalismo na PUC, do Rio de Janeiro.

Segundo ela, os nossos fãs demandam mais emoção e vibração enquanto ocorre a narração. Houve, então, a necessidade de adaptar a audiodescrição, para não causar um estranhamento àqueles acostumados com o rádio. Uma experiência diferente, cujo objetivo é fazê-la ser estendida depois da grande final do torneio da Fifa.

Durante o Mundial, os estádios de Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo contaram com os locutores especializados, e a intenção é que as instalações sejam mantidas para um público que é especial e deve ser tratado desta forma.

“Nós temos três ‘Uruguais’ de cegos e surdos no Brasil. É muita gente para simplesmente ignorarmos sabendo que existe esta barreira de comunicação com estas pessoas”, avalia Mauana. “As propostas de inclusão são sempre pensando nisso: nestas pessoas que são cidadãos, eleitores, consumidores e precisam fazer parte do todo. Não porque somos ‘bonzinhos’ ou ‘compramos a vaga no céu’. Se trata de um trabalho sério, profissional, para que elas fiquem mais críticas”, completa.

A coordenadora do projeto relembra a história de um garoto de nove anos, que tem hidrocefalia, e foi pela primeira vez ao Mineirão, em Belo Horizonte, durante a Copa. O pai precisou levar um amplificador para que ele pudesse ouvir melhor a narração. O feedback dele foi singelo: “Eu adorei isso, papai, queria que tivesse isso em todos os lugares”.

Para Mauana, o jovem vai ficar muito mais crítico em relação às propostas de acessibilidade e inclusão do que deficientes com 30, 40 anos, acostumados ao “jeitinho”.

“É legal saber que este garoto teve acesso a isso e vai ser exigente, sabedor que as coisas podem ser bem feitas e ele pode fazer parte daquele espaço físico e – mais do que isso – metafórico. É importante saber exatamente como o lance ocorreu, como o Neymar comemorou o gol, etc”, finaliza.

Ouça na entrevista na íntegra concedida por ela à Universidade do Futebol.

Clique aqui para acessar o áudio da entrevista

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sexta-feira, julho 11, 2014

Teorias sobre Brasil ter entregue a Copa expõem indigência intelectual da população

asno

Chegou a ser impressionante a quantidade de “teorias” sobre o Brasil ter entregue a Copa do Mundo 2014, em troca dos mais imaginativos motivos, publicadas, durante todo o dia de ontem, em mídias sociais.

Pior ainda, foi notar a enorme quantidade de pessoas que não apenas acreditavam, mas brigavam com outras na defesa dos argumentos mais absurdos.

Uma exposição de horrores que retratou bem o nível de indigência intelectual de boa parte da população brasileira.

Não é a toa que políticos fazem o que fazem, mentem e desmentem, e continuam sendo eleitos.

Há de se ter pena e até paciência com alguns, principalmente com os que não tiveram acesso adequado a educação, mas, a grande maioria dos que comentavam nada tinha a ver com esse grupo, eram, sim, filhinhos de papai, universitários, daqueles que abandonam a aula por uma boa maconha ou esperam as provas para colar e passar tranquilamente de semestre.

Uma união de mentes imbecilizadas que acaba por incomodar os que pensam e influenciar quem ainda engatinha na formação de suas opiniões.

Copa do Mundo não se compra ou vende por intermédio de jogadores consagrados e endinheirados.

É impossível !

Um Mundial se ganha jogando futebol, e perde-se quando encontra-se pela frente um adversário muito superior, como é a Alemanha.

Qualquer “teoria” que fuja desse princípio é ração para “burraldos” pastarem e emporcalharem o local em que saciaram a fome de asneiras e falta de bom senso.

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Oito lições que o Brasil precisa aprender com os melhores

SIMON KUPER
DO "FINANCIAL TIMES", EM SÃO PAULO

Há exatos dez anos, a seleção alemã estava no fundo do poço. Tinha sido eliminada da Eurocopa 2004 sem derrotar ninguém, nem mesmo a Letônia. Não havia nem mesmo alguém disposto a assumir o comando da seleção como treinador. Naquela semana, perguntei a Jürgen Klinsmann o que havia de errado com a Alemanha. "Não temos um matador no ataque", ele sorriu. "Ainda estamos cometendo o erro de trocar muitos passes laterais. A falta de velocidade pode ser outro motivo". Perguntei se era possível que ele assumisse como treinador da Alemanha: "Não!"

Três semanas mais tarde, Klinsmann se tornou treinador da seleção alemã. Ele e seu assistente Joachim Löw abandonaram a tradição e revolucionaram a maneira pela qual os alemães jogam futebol. Pouco antes desta Copa do Mundo, Klinsmann, hoje treinador da seleção dos Estados Unidos, elogiou a nova equipe alemã para a revista "Elf Freunde": "São jogadores de alta velocidade e muita técnica, que podem jogar um futebol furiosamente ofensivo com mudanças rápidas de posição. Tudo que planejamos em teoria em nossas pranchetas em 2004 se tornou realidade". O massacre do Brasil por sete a um na semifinal pode até se qualificar como hiper-realidade.

Agora o Brasil, no fundo do poço, precisa revolucionar sua maneira de jogar futebol. Eis oito lições que a Alemanha pode ensinar:

1. Não desperdice uma crise. Jamais haverá consenso maior quanto a repensar tudo em seu futebol do que agora. No jargão dos alemães, essa é a "hora zero".

2. O passado é irrelevante. Os cinco títulos mundiais brasileiros nada significam hoje. Só servem para causar a ilusão de que o Brasil continua bom no futebol. O objetivo deve ser jogar como a Alemanha em 2018, e não como o Brasil de 1970.

3. Não culpe indivíduos. Os torcedores brasileiros estavam vaiando o pobre e desavisado Fred, na noite de terça-feira, mas não era sua culpa que ele fosse, talvez, o melhor atacante do país. O sistema falhou. Fred é só um sintoma.

4. A coisa mais importante no futebol é o passe. Não é o drible, a paixão, ou a psicologia. Os alemães são obcecados pela geometria do passe. O Brasil, em contraste, já não pensa seriamente sobre tática, o que é o motivo para que o treinador Luiz Felipe Scolari e a mídia brasileira tenham passado metade do torneio obcecados com a propensão dos jogadores a chorar.

Felipão e Bernard

5. Aprenda com os melhores países. É preciso aceitar que o Brasil já não compreende como jogar futebol. Os alemães de 2004 aprenderam a passar com os holandeses e espanhóis, ritmo de jogo com a Premier League da Inglaterra, recrutamento nas categorias de base com os franceses e condicionamento físico com os norte-americanos.

6. O corolário é que o Brasil provavelmente necessita de um treinador estrangeiro. Klinsmann é alemão mas vive há muito fora de seu país, e foi parar na Califórnia. O Brasil deveria ter convidado o espanhol Pep Guardiola para treinar sua seleção na Copa do Mundo, como sugeriu Ronaldo. É hora de contratar um europeu, e já.

7. Não aceite menos que o primeiro lugar. Para a Alemanha ou o Brasil, o único objetivo é ser o melhor do mundo. Na Eurocopa de 2008, a jovem seleção alemã chegou à final, onde foi destruída pelo passe da seleção espanhola. Löw, o treinador alemão, não se congratulou pelo segundo lugar. Em lugar disso pensou que "quero montar uma seleção como a deles", e começou a trabalhar para tornar seu time mais parecido com a Espanha.

8. Os resultados não serão imediatos, mas é quase certo que o profissionalismo virá imediatamente. A Alemanha lidera o futebol em nutrição, estatística, preparação física e assim por diante. O Brasil precisa ter em mira exatamente a mesma coisa.

O caminho do Brasil para a reforma é mais difícil que o alemão. A federação de futebol da Alemanha tem 6,85 milhões de filiados e é a maior associação esportiva do planeta. O Brasil não tem um poder central comparável para promover mudança em todos os níveis.
O Brasil tem um único gênio, Neymar, que às vezes serve para esconder a doença que assola o futebol brasileiro. (Lionel Messi exerce o mesmo efeito de desaceleração na Argentina.) E geograficamente, o Brasil não está próximo aos países de futebol mais avançado.

Tudo isso dificulta o aprendizado. Mas não há desculpa para chegar à Rússia em 2018 (presumindo que o Brasil se classifique) falando na seleção de 1970 e no jogo bonito. Isso morreu.

Tradução de PAULO MIGLIACCI 

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quarta-feira, julho 09, 2014

FUTEBOL NOSSO DE CADA DIA – Parte 1

 
Por: Benê Lima 

O que aconteceu com a Seleção Brasileira não é somente da Seleção, mas de todos nós brasileiros. Mais de uns que de outros, obviamente. 

Mas, se a questão que nos motiva é culpar ou eleger culpados, embora essa facilidade não nos atraia, façamos ao menos um rateio dessa culpa, e nos incluamos a todos, seja pelo nosso componente cultural, seja pela nossa característica intelectual, seja pelo arcabouço da nossa moralidade média, ou seja ainda pela natureza da ética que inspira nossas vidas. 

Portanto, façamos pois essa justa divisão de responsabilidade, mesmo sabendo, reiteramos, que a regra desta igualdade, será distribuir culpa com desigualdade, na exata proporção das diferenças entre as pessoas. Afinal, não se deve, por dever de justiça, desconsiderar o fato de que o Felipão é o retrato de uma sociedade cujos valores em que se tem estruturado, desprestigia a verdade, a complexidade, a interdisciplinaridade, e que trata, por inegável ignorância, o conhecimento como se fora um inimigo ou algo inescrutável. 

Enquanto vemos em muitos dos treinadores que trabalharam e trabalham nessa Copa a face da inovação, o toque da ousadia até, aos treinadores brasileiros parece haver uma proibição ou mesmo um roteiro de ideias preestabelecidas, onde qualquer atitude que pareça fugir da cartilha do habitual ou do conservadorismo encontra-se terminantemente proibido. 

Seria pouco provável vermos um Louis van Gal escalar um atleta e, em não vendo resultado, permanecer com o mesmo em campo, a despeito de todo o prejuízo que isso viesse a causar. Foi assim, por exemplo, o que ocorreu com Bernard, para ficarmos tão somente neste emblemático exemplo. 

Van Gaal x Felipão 
Lamentamos e demos publicidade a isso nas redes sociais, expressando a limitação da visão do treinador brasileiro, que se deixa prender algumas vezes a aspectos típicos de crendice, o que convenhamos, é um atraso, pela negação do conhecimento que isso representa. Falamos isto porque a camisa de Bernard é a de número 20, a mesma utilizada por Amarildo em 62, quando este veio a substituir o gênio Pelé.  
Outra coisa para a qual queremos chamar a atenção é para o caráter atípico da partida de ontem, a fim de que não seja ela o fator determinante para que se operem mudanças na estrutura do futebol brasileiro. 

É mais inteligente admitirmos que a goleada sofrida é apenas algo explosivo para as seguidas ‘implosões organizacionais’ com as quais nosso futebol vem convivendo.
 

Se for para atacar os problemas do nosso futebol de fato e verdadeiramente, que antes de pensarmos em reformular o trabalho de base com os jogadores, pensemos seriamente em fazer acréscimos à formação dos nossos profissionais das comissões técnicas, já que eles são os responsáveis pela formação dos nossos atletas. 
Portanto, é da mais absoluta importância que se dotem esses profissionais formadores de uma melhor e mais ampla formação, sem o quê é impossível iniciar-se o processo de mudança que nosso futebol está a requerer. 

Apesar da acachapante derrota dentro de campo, não deveria ser ela o objeto da vergonha nacional. E enquanto não tivermos capacidade para entender isso, estaremos condenados a repetir os mesmo erros. Ontem, a bola ainda rolava e já era visível o recrudescimento daquilo que nos falta. 

Brasil futebol 
Entendo que nós da imprensa também perdemos junto com nossa Seleção, isso porque boa parte da nossa representação é tão pouco reflexiva como a maioria dos brasileiros. 

Sugiro que não fechemos questão quanto ao ‘cardápio’ para a discussão sobre os rumos do nosso futebol, mas que primeiro estruturemos os ‘pratos’ que devam integrar o ‘cardápio desse grande debate. 

Creio que nem Governo nem CBF sozinhos devem estabelecer o rumo e os temas da prosa. Todos os desportistas que quiserem devem ter participação nesse fórum, mesmo que não haja (como não há) assento para todos. 

Mas o princípio da democracia representativa também nos serve em mais essa questão. 

Não desistamos do bom debate. ∴ 

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Comentário
"OI Benê, Seu comentário é muito adequado ao momento que estamos vivendo. É importante que as pessoas compartilhem as suas percepções para que não fiquemos tão dependentes do que a mídia quer colocar como real. Volte sempre. Um abraço Castilho"
Atenciosamente,
Redação Observatório da Imprensa
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terça-feira, julho 08, 2014

A Ascensão do Futebol Alemão no Século XXI

Caderno de Campo / Eduardo Conde Tega

Não estaríamos hoje copiando o antigo futebol alemão do século XX? Por que não nos inspirarmos naquilo que os alemães vem fazendo nos últimos 10 ou 12 anos?

legado alemao

Ao final da partida histórica entre Brasil X Alemanha e com enorme tristeza, trago um texto publicado em Março de 2012, que sintetiza parte do trabalho realizado pela Federação Alemã, um dos grandes referenciais de estudos da Universidade do Futebol e protagonista na elaboração de um plano de desenvolvimento do futebol naquele país.

por João Paulo S. Medina

Apesar da crise econômica que vem assolando a Europa, é difícil deixar de concordar que, no plano técnico, foi o futebol espanhol aquele que mais chamou a atenção do mundo nos últimos 5 ou 6 anos.

Após um percurso histórico que destacou os legados do Brasil (1958-1970), Holanda (1974-1978), Argentina (1982-86) e novamente Brasil (1994-2002), a Espanha, desde 2008, têm conseguido resultados internacionais expressivos, quer através de sua seleção nacional, quer através de suas duas equipes mais representativas, Barcelona e Real Madrid.

Porém, uma análise mais crítica do desempenho de campo (técnico) das principais escolas do futebol europeu, nos leva a concluir que está chegando a vez da Alemanha ocupar o protagonismo no cenário mundial.

São visíveis as mudanças ocorridas no futebol alemão nos últimos anos. E esta ascensão não se deu ao acaso.

Paralelamente às fundamentais medidas que buscou a saúde dos clubes nas áreas organizacional, econômica e mercadológica, como, por exemplo a instituição de um modelo de “fair play financeiro”, a blindagem contra investidores estrangeiros bilionários e, muitas vezes aventureiros (comuns principalmente na Inglaterra e na França), além de um grande foco no torcedor e sua presença maciça nos estádios, há que se destacar a implantação de um modelo de formação de atletas de base que já vem repercutindo favoravelmente no nível e até no próprio estilo de jogo do futebol alemão, tradicionalmente de imposição física.

Um consistente plano de gestão técnica para a formação de jogadores foi implantado e vem sendo desenvolvido já há mais de 10 anos. Hoje existem mais de 350 centros nacionais de treinamento distribuídos por todo o país, atendendo cerca de 30 mil crianças e jovens (garotos e garotas) entre 9 e 17 anos. A metodologia adotada dá ênfase aos aspectos técnicos e inteligência de jogo e não mais aos tradicionais métodos que destacavam essencialmente a força física e a disciplina tática.

Quando vemos aqui no Brasil, nos últimos tempos, a adoção de uma filosofia, começando na base, que substitui o nosso consagrado futebol-arte, o jogo bonito e criativo, por um futebol onde a força física é o destaque, fica a reflexão: não estaríamos hoje copiando o antigo futebol alemão do século XX? Por que não nos inspirarmos naquilo que os alemães vem fazendo nos últimos 10 ou 12 anos?

piramide_alemã

Processo de qualificação profissional da Federação Alemã de Futebol

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segunda-feira, julho 07, 2014

Copa do Mundo 2014: o ritmo de passes das seleções sul-americanas e das seleções europeias (Parte 1)

Como foi a relação dos passes em função do tempo de bola rolando e do tempo de posse de bola das equipes nos jogos da primeira rodada da fase de grupos

Leandro Calixto Zago / Universidade do Futebol

A transferência da bola (passe <=> recepção/domínio) representa muito da essência de uma equipe de futebol. Do ponto de vista estrutural ou operacional, dá indícios sobre a intenção na ação, conhecimento sobre o jogo, qualidade do processo de treinamento e outros tantos fatores. 

Como produto dessas variáveis e também alinhado a elas, as equipes manifestam (ou manipulam) um ritmo de passes (número total de passes em função do tempo total em segundos) para chegar ao objetivo primário, a vitória. 

Segue abaixo a primeira tabela com os dados das equipes da América do Sul, que, foram agrupadas por similaridade nas médias obtidas.






Figura 1 – Dados do primeiro jogo de Brasil, Argentina e Uruguai

As três seleções tiveram um tempo maior de posse de bola do que seus adversários e apresentaram como média do ritmo de passes relativo ao tempo de posse de bola e ritmo de passes relativo ao tempo total valores próximos. O Uruguai realizou em média 1 passe a cada 3,04 segundos no tempo que esteve em posse de bola. O ritmo se manteve alto mesmo com um volume de passes menor que Brasil e Argentina devido ao tempo menor de bola em jogo na sua partida.
 


Figura 2 – Dados do primeiro jogo de Colômbia e Equador

 

Colômbia e Equador possuem ritmos mais lentos em comparação com as Seleções mais tradicionais da América do Sul, fazendo em média 1 passe a cada 3,66 segundos e 3,98 segundos respectivamente. O ritmo de passes diminui vertiginosamente quando o tempo total de bola em jogo é considerado. Esse dado é resultados obviamente de um menor tempo percentual de posse de bola do que seu adversário, apontando para uma proposta de jogo diferente das três Seleções anteriormente citadas.
 



Figura 3 – Dados do primeiro jogo de Alemanha, Itália e Espanha

 

A Seleção com o ritmo de passes mais elevado foi a Espanha. E o ritmo se manteve elevado mesmo considerando o tempo total de bola em jogo em comparação com todas as outras Seleções analisadas.
 


Figura 4 – Dados do primeiro jogo de Inglaterra, Portugal e Holanda

 

Essas três Seleções apresentaram um ritmo de passes mais lento em comparação com as outras seleções europeias, porém, a maior diferença foi quando o tempo total de bola em jogo foi considerado. Todas tiveram menor tempo percentual de posse de bola do que seus adversários, o que interferiu no tempo de posse e consequentemente na capacidade de manter um ritmo de ações técnicas (o passe nesse caso) mais elevado.
Após a exposição das tabelas com as informações sobre ritmo de passes das Seleções, constata-se que:

1. Como vem sendo constatado em pesquisas nos últimos anos, o tempo de posse de bola possui pouca relação com o resultado que a equipe conquista no jogo. Dos 8 jogos acima citados, em 3 deles, a equipe com menor tempo de posse de bola venceu a partida, correspondendo a quase metade dos jogos avaliados;

2. Os jogos das Seleções Sul-americanas tiveram em geral, menor tempo de bola em jogo (com exceção da Argentina) do que os jogos das Seleções Europeias;

3. Com exceção da Espanha com 83% de aproveitamento dos passes, todas as Seleções vencedoras tiveram um aproveitamento dos passes realizados igual ou superior a 75%;

4. As Seleções com ritmo mais alto (Espanha – 1 passe a cada 2,94 segundos) e com ritmo mais baixo (Equador – 1 passe a cada 3,98 segundos) saíram derrotadas em seus jogos;

5. A Seleção espanhola continua tendo um ritmo alto de passes e recuperando a bola mais rápido que a média das equipes (isso fica claro com o maior volume de passes entre todas as Seleções apontadas e o ritmo mais elevado mesmo considerando o tempo total de bola em jogo), porém, sua capacidade de transformar essas características em efetividade está comprometida;

6. A média do ritmo não considera o tipo de passe (curto, médio ou longo, por exemplo), mas acaba expressando como a equipe sustenta a posse de bola e como constrói seu caminho até o gol;

7. Como a média do ritmo considera apenas a ação técnica do passe, um ritmo mais lento de passes pode ser resultado de equipes que realizam mais vezes outras ações técnicas como condução, cruzamentos e passes mais longos (por consequência com um tempo maior de trajetória), por exemplo. Com isso, a aparente “lentidão” pode sim ser resultado de um tempo maior para a tomada de decisões e imobilidade da equipe, mas não é necessariamente apenas isso;


Referências Bibliográficas

FIFA. Disponível em: http://pt.fifa.com/worldcup/matches/index.html . Acesso em: 23/06/2014.

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domingo, julho 06, 2014

Do Financial Times] Por que o Brasil já ganhou [a Copa]

SIMON KUPER
DO "FINANCIAL TIMES"

Meu time, a Holanda, havia acabado de concluir uma vitória improvável, e eu estava boiando em uma piscina em Brasília. Pássaros tropicais chilreavam nas árvores acima, e os amigos tagarelavam na água em torno de mim. Foi ali que eu tive meu momento eureca: das sete Copas do Mundo a que assisti desde 1990, esta é a melhor.

E estamos falando de um julgamento olímpico, sem parcialidade. Como disse o treinador nigeriano Stephen Keshi logo depois que sua equipe foi eliminada, "até agora foi tudo maravilhoso". Com isso, a tarefa passa a ser determinar exatamente por que, para que possamos engarrafar o sentimento brasileiro e reutilizá-lo na Rússia em 2018 e no Qatar em 2022.

O primeiro elemento é o futebol ofensivo. A maioria dos jogos em copas do mundo são tediosos. Assistindo a horrores como Japão vs. Paraguai, em 2010 em Pretória, me apanhei muitas vezes pensando "por que alguém assistiria a isso?" Mas quando faltavam 10 partidas para o final da Copa no Brasil, o número de gols marcados já havia superado o das copas de 2006 e 2010. Minha teoria é que, desde o começo dos anos 90, o futebol televisado ao vivo vem forçando o esporte a criar conteúdo mais atraente. O jogo gradualmente passou a ser mais ofensivo.

O segundo motivo para que a atual Copa funcione é o Brasil. Em parte é o sol quente, especialmente depois do inverno do Highveld sul-africano em 2010. Em parte são as praias. Quando você passa sua primeira tarde de folga em 20 dias caminhando por Copacabana, percebe que uma praia de primeira linha deveria ser elemento compulsório em todas as futuras Copas do Mundo, da mesma forma que estádios de primeira linha. E isso foi algo que os alemães não forneceram em 2006.

Um terceiro elemento de que qualquer futura Copa não deveria prescindir são os brasileiros. Se você vive em Paris, é uma sensação desconcertante visitar um país onde quase todo mundo é agradável. Tive um choque cultural diferente no Japão e Coreia do Sul em 2002: todo mundo era polido. No Brasil, até os policiais militares o cumprimentam com um tapinha amistoso nas costas quando você passa (se você for estrangeiro e branco, pelo menos).

A realidade é que os brasileiros vêm me oferecendo um curso de um mês sobre como administrar a raiva. Se você tem uma má personalidade, o que é meu caso, ser jornalista em uma Copa do Mundo tende a fazer com que ela aflore. Você dorme pouco. Trabalha demais. Está sempre na fila em estádios e aeroportos, ou disputando espaço com milhares de outros homens cansados e com excesso de trabalho nos "centros de mídia dos estádios", sempre sob luzes excessivamente brilhantes.

Algumas pessoas perdem o controle. À medida que a Copa do Mundo avança, as brigas nos centros de mídia se tornam mais comuns. Mas convivendo com os brasileiros você aprende a aceitar graciosamente as dificuldades. O táxi que você pediu para levá-lo correndo ao aeroporto não veio? Agora você está preso em um congestionamento? Acomode-se e relaxe. Assistir aos jogadores completa o curso de controle da raiva. Estamos diante de jovens que estão perdendo os jogos mais importantes de suas vidas enquanto outros jovens os chutam e mordem, mas a maioria deles consegue se controlar e trocar um aperto de mão com os adversários no final da partida. Já eu estaria mordendo quem me mordeu. (Estou lentamente descobrindo que usar um tapa-orelhas é a solução para a maioria dos problemas humanos.)

Outro prazer: esta é uma Copa do Mundo onde não há medo. Os primeiros torneios a que assisti aconteceram sob um medo obsessivo de torcedores arruaceiros. (Quando dois amigos britânicos e eu chegamos a um pequeno posto de fronteira italiano para a Copa do Mundo de 1990, o pessoal da aduana não queria nos deixar entrar com a alegação de que tínhamos cara de ingleses arruaceiros.) As Copas do Mundo posteriores ao 11 de setembro viveram à sombra de um medo excessivo de terroristas. A Copa do Mundo de 2010 foi maculada pelo medo excessivo quanto ao crime na África do Sul.

A última recomendação da minha mulher antes do meu voo ao Brasil foi "não seja morto". O índice de homicídios é alto no Brasil, ainda que a coisa mais arriscada que você pode fazer no país provavelmente seja dirigir. Mas as coisas parecem mais seguras nas áreas turísticas, que vivem repletas de policiais. De noite, São Paulo e o Rio estão repletas de pessoas, enquanto Joanesburgo praticamente fecha. Não sei se isso acontece porque o Rio e São Paulo são mais seguras, mas de qualquer jeito é agradável.

Usualmente, os momentos mais agradáveis de uma Copa do Mundo são aqueles em que você escapa da Copa do Mundo. No começo do torneio, fiz o que provavelmente será a única visita da minha vida à Amazônia. Passei 30 horas lá, em geral assistindo futebol em bares. Mas em minha única manhã na região, saí caminhando por Manaus, virei a esquina em uma feia rua industrial e de repente vi o grande rio, no final de um beco. Um homem de calção estava dentro da água até os joelhos, lavando o cabelo. Galinhas bicavam o lixo. Passei cinco minutos em companhia delas. Depois fui assistir a Inglaterra vs. Itália.

Toda Copa do Mundo é fascinante. O torneio dramatiza o papel da sorte na História, nos ensina sobre a psicologia da mordida, oferece vislumbres do gênio humano, permite que estudemos a alma coletiva dos uruguaios e, por um breve momento, cria uma conversação de alcance mundial. Se há uma coisa que lamento, é o fato de que o treinador uruguaio Oscar Tabárez esteja errado: a mídia britânica não é uma cabala que controla o mundo. Se fosse...

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O legado da segunda Copa no Brasil

Efeitos do atual Mundial são diferentes do torneio de 1950 e devem incentivar a união das confederações das Américas

Jamil Chade e Raphael Ramos 

Se para muitos historiadores a Copa de 1950 mudou a relação do brasileiro com o futebol, aproximando o esporte do cotidiano, como o atual Mundial ficará na história? Com o torneio em andamento, pesquisadores já têm uma certeza: será um marco no esporte brasileiro e mundial. Entre os dirigentes da Fifa, a avaliação é de que o futuro das Copas poderá tomar novos rumos depois da segunda passagem da competição pelo Brasil.

"Estamos vivendo uma Copa única e isso já está sendo notado pela Fifa. Os índices de audiência de televisão, a presença da torcida nos estádios e o desempenho das seleções dentro de campo vão fazer com que a Fifa passe, daqui para frente, a dar mais atenção para a América do Sul e os Estados Unidos. Isso terá reflexos diretos no Brasil", diz Maurício Drummond, coordenador do Laboratório de História do Esporte da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O sucesso financeiro e de público da Copa deu impulso para os cartolas repensarem a dimensão do futebol nas Américas. E fortaleceu a ideia, antes tímida, de um apoio regional para levar o torneio para os Estados Unidos em 2026.

Simpatia dos brasileiros contribuiu para a boa receptividade aos estrangeiros no País

A volta do Mundial ao país, 32 anos depois da Copa de 1994, teria o apoio de Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA) e um dos vices da Fifa. Um dos seus projetos é unir a Conmebol à Concacaf. Pela primeira vez, o futebol nos Estados Unidos atraiu um público superior à NBA (liga de basquete), o que foi considerado dentro da Fifa como um divisor de águas.

"Temos na América do Sul os maiores talentos do mundo e, agora, poderemos ter com os Estados Unidos o maior mercado do mundo. Estamos juntando talento com dinheiro. Se nos unirmos, vamos quebrar o domínio europeu no futebol", declarou o dirigente ao Estado. "Vamos quebrar as pernas da Europa com essa aliança."

Grondona lembra que, hoje, os horários de jogos nas Américas ainda são definidos pela audiência na Europa, o que obriga os jogadores a atuar ao meio-dia em pleno verão. "Isso vai acabar", promete. Os primeiros passos já começaram a ser dados. Em 2016, por exemplo, o centenário da Copa América será disputado nos Estados Unidos. Clubes americanos e mexicanos serão convidados a fazer parcerias com times latino-americanos.

Se a Copa era uma esperança do governo de ser visto no mundo em uma nova posição, com a peregrinação de chefes de Estado e 16 mil jornalistas de todo o planeta, vozes dentro do Palácio do Planalto admitem que o real impacto de política externa acabou sendo a reação da torcida latino-americana, que desembarcou com força no Brasil.

"A Copa do Mundo fez mais pela integração sul-americana do que uma década de negociações diplomáticas", declarou o secretário-executivo do Ministério do Esporte, Luis Fernandes, especialista em Relações Internacionais.

Não à toa ganha força a proposta do Comitê Olímpico Internacional (COI) de levar eventos de grande porte para novos territórios. A festa que tomou conta das ruas e dos estádios brasileiros incentivou outras entidades a dar um voto de confiança a mercados emergentes, que por anos se queixaram de exclusão.

"Os problemas que estavam sendo previstos não aconteceram e isso dá confiança para a Olimpíada de 2016 e mesmo para outros países emergentes para que se candidatem para receber megaeventos", declarou ao Estado o príncipe Albert, de Mônaco, membro do COI e que está no Rio para acompanhar o Mundial. "Acredito que muita gente vá olhar de uma forma diferente para futuras candidaturas de países emergentes."

Mas o caos na preparação do Brasil também foi considerado como um marco. Ao Estado, fontes da cúpula da Fifa revelaram que, em setembro, a entidade se reunirá para desenhar as novas condições para sediar o evento. Entre elas, a determinação de que o candidato garanta o cumprimento integral das exigências da entidade, com a aprovação de leis logo no início da preparação.

Outro ponto considerado crítico foi a entrega dos estádios. A Fifa estuda a adoção de regras mais duras, com a possibilidade real de exclusão de uma cidade, meses antes de a Copa começar.

O atraso nas obras e, principalmente, a incerteza em relação às leis estão mostrando seus resultados na Copa, segundo a Fifa. Problemas de energia foram registrados, a internet falhou nos primeiros jogos, faltou alimento em alguns estádios, enquanto em outros os assentos de torcedores não existiam. Para a entidade, são os reflexos da falta de testes. "Temos de repensar a forma de dar uma Copa a um país", declarou um vice-presidente da Fifa, na condição de anonimato.

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