Curso anterior. Arquivo do Sindarf-CearáA Escola de Árbitros com a supervisão da Comissão de Arbitragem da Federação Cearense de Futebol lançará em agosto, o edital para o Curso de Arbitragem, que terá duração mínima de cinco meses. “Será uma oportunidade para que os jovens desportistas interessados possam ingressar na carreira de árbitro de futebol”, disse o presidente da CA, Milton Otaviano.
Os árbitros do quadro cearense contam com o apoio da FCF que fornece instrutores técnico, físico e psicólogo para sua melhor qualificação no âmbito estadual e nacional. “Esses três quesitos são os pilares da arbitragem e por meio dessa qualificação, acreditamos no bom trabalho e sucesso dos nossos árbitros”, pontuou Milton.
“Existe também uma preocupação da Federação na segurança das atividades físicas e também dos treinamentos práticos, que fornece uma ambulância equipada com profissionais de saúde para qualquer necessidade, além de providenciar os locais para os treinamentos técnicos”, afirmou o presidente da CA.
A arbitragem cearense tem revelado novos valores e com a realização do Curso de Arbitragem, os árbitros que se formarão na oportunidade, terão, além do apoio da CA da FCF, a chance de desenvolver uma profissão de grande responsabilidade, mas muito gratificante.
.
Manuella Viana / Brenno Rebouças
Assessoria de Comunicação da Federação Cearense de Futebol
(85) 32066505 / 91384545
imprensa@futebolcearense.com.br .
Sinopse
"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
CALOUROS DO AR FC
quarta-feira, julho 30, 2014
Escola de Árbitros prepara Edital para Curso de Arbitragem
terça-feira, março 06, 2012
Depoimento de Benê Lima ao Universidade do Futebol
O mote é um comentário do ex-treinador e atual diretor de futebol das categorias de base do São Paulo FC, René Simões, em recente visita ao Barcelona FC:
“... um banho de normatização, organização, respeito a filosofia de jogo, e metodologia de trabalho. Me entristece ao verificar que tudo isso no Brasil é considerado fútil, inútil e teórico demais.
Paciência! Eles estão dando banho de futebol. Assisti à goleada de 5 x 0 da Espanha na Venezuela. Parecia profissionais contra juvenis tamanha a diferença.
A bola era escondida ao adversário. Só́ podiam correr e dar a saída depois dos gols. Ainda há tempo para voltarmos a fazer o que fazíamos com tanta facilidade. Brasil e brasileiros, queiramos mais”.
Universidade do Futebol - Qual é o seu sentimento ao ouvir isso de um gestor técnico de campo brasileiro?
Benê Lima - Amigos,
Cronista esportivo Benê Lima
Sinceramente, não me surpreende que um gestor de campo brasileiro exponha, da forma como o fez René Simões, aquilo que o raciocínio analítico dedutivo já nos vem mostrando ostensivamente há alguns anos. Ou não é uma realidade que temos sido uma das maiores vítimas do processo de globalização do futebol, em que nossa identidade acabou por ser quase inteiramente subjugada?
Não importa o sentimento pelo qual sejamos tomados ou até aturdidos, ao introjetarmos a pungente realidade de estarmos perdendo nosso protagonismo no mundo da bola. O essencial é que admitamos nossa nova condição, para que possamos identificar as causas a ela inerentes, além daquela que acabamos de propor e que, repito, passa pela reprodução do modelo globalizado. Se o problema existe e tentar mistificá-lo não produzirá as soluções que ele reclama, só nos resta trabalhar de modo diligente e criterioso para propor soluções. Portanto, a grande interrogação a ser feita é: quais os caminhos a seguir para mudarmos o atual estado do futebol brasileiro?
Não resta dúvida que a solução ‘barcelonista’ como resposta à questão acima proposta é a detentora do maior apelo e poder de sedução. Contudo, além de certo grau de incompatibilidade com a realidade socioeconômica e cultural brasileira, por seu alto custo e complexidade, ela excluiria a grande maioria dos times brasileiros, pela falta de estrutura dos clubes que lhes dão origem. Outro fator de desencanto pela solução catalã é que ela não é implantável sequer em médio prazo, o que dirá em curto prazo. Ademais, ela exigiria daqueles clubes que quisessem adotá-la a criação de uma superestrutura para as suas divisões de base, condição inaceitável para alguns e inatingível para a grande maioria deles.
La Masia, Barcelona
Pelo que expomos até aqui, creio que a percepção dos leitores, com base na ‘sintomatologia’ do problema, já os conduziu a um vislumbre da equação problema-solução, que a nosso juízo passa pela reavaliação de toda a metodologia de trabalho que vem sendo utilizada nas categorias de base, com destaque para a reformulação da formação dos atletas. A propósito, numa nossa recente participação em um seminário com o propósito de discutir o trabalho de base dos clubes de futebol no estado do Ceará, assistimos, um tanto perplexo, aos questionamentos dos integrantes das comissões técnicas, sobre as razões de tão baixa produção em seus clubes, sobretudo em posições de características mais defensivas, como zagueiros e goleiros. Observamos, pois, que a convicção que nos acompanhava da localização do problema estar nos limites das comissões técnicas, notadamente em suas metodologias de formação dos atletas, não encontrava ressonância alguma naquela plateia, o que nos fez ver que por isso a solução ainda estava distante.
Seminário sobre categorias de base
Aos clubes não basta terem em suas fileiras profissionais competentes sem que eles e seus projetos sejam acreditados. Por sua vez, crer-se neles significa dar-lhes todas as condições de trabalho (estrutura, logística, equipamentos, etc.). Feito isso, os clubes precisam manter em sua estrutura técnico-administrativa um mínimo de capital intelectual para a gestão de suas comissões técnicas, sem o quê não se construirá parâmetros de aferição confiáveis do trabalho delas.
Com a reinvenção do trabalho das comissões técnicas, antevejo dois níveis de concepção de trabalho, com o objetivo de lidar com as diferentes realidades dos clubes. Uma dessas concepções se pautaria pela predominância da excelência; a outra se ocuparia da promoção da ‘alquimia’ típica da inovação e da criatividade.
É preciso admitir que a competência dos nossos profissionais não tem sido suficiente para que sejamos modelo na formação de atletas, tampouco na execução do jogo com todas suas variantes. Também não precisamos ir à Espanha para confrontarmos essa realidade. Basta considerarmos, proporcionalmente, a vizinha Argentina para verificarmos que ficamos para trás na formação do atleta e do cidadão, bem como na eficácia do treinamento. Não por acaso, qualquer atleta brasileiro mediano, produz mais onde se valoriza o aspecto coletivo do futebol que no próprio Brasil, onde viceja o culto à individualidade.
.
sexta-feira, junho 17, 2011
Qual a profissão do futuro?
“Nunca foi tão atual a busca da felicidade [satisfação] pela escolha adequada da profissão. A intenção é de ajudá-los. Se não for conseguido, não vale dizer que o inferno está cheio de bem-intencionados. Isso é mentira.” (Benê Lima)
------------------------------------------------------------
Cézar TegonSer bem remunerado, ganhar dinheiro, ter uma carreira e um futuro promissor, tem como pré-requisito ser feliz
Saudações a todos! Na semana passada, aproveitando o momento “Ronaldo Fenômeno”, falei com vocês sobre a hora de parar, estão lembrados?
A coluna foi bastante acessada por pessoas dentro do contexto, mas para a minha surpresa recebi muitos e-mails sobre o outro extremo, e as dúvidas mais recorrentes foram: “Estou terminando o colégio e pretendo ingressar em uma universidade. Qual o curso de graduação que devo fazer? Qual a profissão do futuro? Qual me trará maiores ganhos financeiros?”.
Respondi as mensagens dentro da linha de raciocínio que passo a descrever a seguir. Hoje existe muito marketing e muitos interesses no setor da educação e, consequentemente, surgem muitos nomes de cursos. Percebam que as universidades precisam criar nomes atrativos e vender seus cursos. Do ponto de vista de marketing de negócio, elas estão certíssimas, pois embalar seu produto de maneira atrativa é uma das chaves para o sucesso de qualquer negócio.
Então, como escolher "a melhor profissão" tendo em média 18 anos e estando prestes a ingressar em uma universidade? Além das profissões tradicionais, como a de médico, dentista, advogado, engenheiro mecânico, administrador de empresas e contador, entre outras, novas opções promissoras são as ligadas à preocupação global e à sustentabilidade do planeta. Também podemos destacar as profissões ligadas às novas formas de mídias, principalmente focadas em mídias nas redes sociais.
Há também as profissões que estão e estarão sempre em alta, pois sustentam qualquer outra atividade, como engenharia de energia, engenharia de minas, nutrição, agronegócio, programação, tecnólogos etc.
As dicas que dou sempre ao ser questionado sobre que cursos/profissões a escolher são:
1) Procure informações detalhadas sobre cada um dos cursos de seu interesse.
2) Verifique no mercado a aceitação das profissões que gostaria de exercer.
3) Avalie os pontos positivos de cada profissão.
4) Procure conversar com quem exerce a profissão.
5) Avalie os pontos avaliados como negativos por quem atua na área. Nas redes sociais há vários grupos de debate sobre todas as áreas e segmentos.
6) Veja as regiões de maior demanda e verifique se está disposto a atuar fora do eixo regional que você conhece.
7) Pesquise as empresas que atuam no setor e veja se estão entre as que você sonha em trabalhar.Depois disso, dentro dos seus objetivos, identifique as profissões que mais despertam sua atenção e estão dentro do que você gosta de fazer. Não sabe o que fazer ou está com dúvidas? Aconselho que faça um teste vocacional ou uma avaliação do seu perfil comportamental, pois avaliações dessa natureza ajudam a identificar a profissão que melhor se adapta ao seu estilo e que estejam de acordo com suas características pessoais.
Acredite: ser bem remunerado, ganhar dinheiro, ter uma carreira e um futuro de sucesso, tem como pré-requisito ser feliz, e isso significa escolher um curso para atuar na área que goste!
Ser feliz? Sim! A felicidade é ponto crucial e explico o motivo:
1) A pessoa que trabalha feliz e no que gosta faz o trabalho com mais motivação.
2) Ao trabalhar com motivação a pessoa é mais produtiva.
3) Sendo mais produtiva a pessoa produz mais.
4) Mais produção com o mesmo = mais resultados para a empresa.Fazendo um paralelo como o mundo do futebol, posso dizer que não adianta querer jogar de atacante, buscando mais visibilidade e um salário maior, se a minha aptidão é atuar como goleiro. Sendo um excelente goleiro, serei feliz, terei uma remuneração compatível com a minha função e agregarei muito valor à minha carreira e à minha equipe.
Portanto, estar feliz realizando seu trabalhando beneficia você, seu time (empregador) e a toda a equipe!
É isto pessoal. Agora, intervalo! Vamos aos vestiários e nos vemos na próxima semana.
.
sábado, junho 04, 2011
Reflexões sobre a formação e atuação dos treinadores de futebol*
Deve-se haver um envolvimento da CBF, federações de futebol, CONFEF/CREF e instituições de ensino em busca da regulamentação de um curso único que contemple e atenda as necessidades da profissão
José Luiz Correa**
*Este é parte de um texto enviado ao CREF-SP em 2004, objetivando pontuar sobre a estrutura do futebol brasileiro, procurando auxiliar na regulamentação da profissão de treinador de futebol. Passados quase sete anos, pouca coisa mudou, ou seja o texto continua atual...
Sabemos que o futebol é um desporto com que o país tem uma identidade muito forte, que é considerado um produto nacional, onde há grandes investimentos por parte de TV’s e patrocinadores, envolvimento de muitos profissionais e é um considerável gerador de empregos diretos e indiretos. Até os dias de hoje não atingimos o nível ideal de profissionalismo em planejamento, administração de clubes, atuação de procuradores e empresários entre outras áreas, inclusive critérios para admissão e seleção de treinadores e uma melhor conduta de ética na relação trabalhistas destes com os clubes.
Com um lento desenvolvimento deste esporte, atualmente ainda vemos o futebol brasileiro com sérios problemas estruturais, desde a formação de um atleta até a organização coerente de uma competição, comprometendo o processo evolutivo do nosso futebol. Os profissionais que atuam neste universo devem ter uma reflexão sobre estes processos. Podemos, sim, melhorar o trabalho de diversos profissionais como dirigentes, atletas, empresários, imprensa, treinadores, preparadores físicos e outros.
Falemos sobre treinadores: é importante um treinador ter conhecimento específico acadêmico se possível prático e ter uma visão multidisciplinar. Na Europa, Itália, Espanha, França, Holanda e Inglaterra existem várias escolas/universidades que ministram cursos para treinadores, sendo que em seus respectivos países o treinador deve passar por elas para poder atuar.
Aqui no Brasil existem alguns cursos e palestras geralmente organizadas por sindicatos que duram em média cinco dias, além de outros cursos segmentados. Longe de termos uma formação de treinadores estruturada, organizada e chancelada pelas instituições de ensino, CBF e Federações.
Em países como a Holanda através do site (www.knvb.nl), uma das exigências é dominar o inglês e ter formação acadêmica. Na Itália, no Centro Técnico Coverciano, mantido pela Federação Italiana de Futebol, há três níveis de curso (licença) e só fazendo o curso máster é possível dirigir uma das equipes da Série A.
No Brasil um atleta por ter sido jogador profissional de futebol é denominado instrutor de futebol através da lei 6.354/76 em seu art. 27 que regula a profissão do atleta profissional de futebol; por outro lado o CONFEF (Conselho Federal de Educação Física) através da lei 9696/98 que regulamenta o profissional de Educação Física, e a lei 8650/93 que regula o Treinador de Futebol em seu parágrafo 3º travam uma conquista judicial pela prerrogativa do exercício da profissão de treinador.
Após reivindicações e conquistas por parte dos atletas profissionais através de seu sindicato, O CONFEF criou o sistema de registro provisionado, onde através de comprovação de experiências como atleta e participação em módulos de estudo (ver no site www.crefsp.org.br como funciona este sistema) tem credenciado o atleta mediante um registro junto ao CREF a atuar de forma legal como treinador de futebol.
Atualmente existe uma Ação Civil Pública 2004.61.00.023290-2 movida pelos sindicatos de atletas e treinadores que dá o direito aos treinadores pertencentes a este sindicato de não serem regidos pelo CONFEF/CREF. Ainda cabe recurso para o CONFEF/CREF. Porém este assunto poderá ser discorrido em outro momento com maior profundidade, pois demanda mais linhas, e percebe-se que não terminará brevemente pela falta de entendimento comum entre as partes.
Deve-se haver um envolvimento da CBF, federações de futebol, CONFEF/CREF e instituições de ensino em busca da regulamentação de um curso único que contemple e atenda as necessidades que requer a profissão de um treinador para não baixar a qualidade da metodologia de ensino. Curioso que não se exige formação acadêmica a um treinador, porém para um preparador físico é imprescindível.
Geralmente supervalorizam o treinador (vários com grandes responsabilidades e altos salários, que até fazem jus a tal) e não é dado o valor merecido ao preparador físico, sendo que em alguns casos o mesmo tem mais participação no desempenho da equipe do que o próprio treinador que apenas escala.
Com a globalização de informações através de vários veículos de comunicação, como internet, TV paga, etc., ainda existem treinadores que encontram dificuldades em realizar um trabalho com planejamento, periodização, dosagem de cargas (intensidade e volume), trabalhos técnicos e táticos, mesmo tendo a seu favor assessoria de diversos profissionais como fisiologistas, psicólogos e outros. Entende-se que o treinador deva ser especialista com uma visão multidisciplinar, com noções de treinamento físico, avaliação em futebol, psicologia, enfim, em todas as áreas que dão suporte à equipe.
Somos pentacampeões, mas segundo a CBF em 2009 havia 783 clubes profissionais; se estes clubes trabalharem suas categorias de base, infantil, juvenil e juniores, teremos um grande números de atletas, e se o trabalho de base nos clubes fosse mais bem estruturado, poderíamos ter muito mais revelações e jogadores mais bem preparados - mas este também é um tema para uma outra oportunidade.
Com essa quantidade de clubes teremos aproximadamente 3.132 treinadores atuando, somados aos de escolinhas particulares, núcleos esportivos do governo em periferia e grandes centros.
Reflexões
Por que apenas se falam em no máximo 10 treinadores de destaque? Por que os nossos treinadores não são convidados para dirigirem os grandes clubes da Europa? Porque temos muito pouco material didático, como livros, DVD´s, etc. Diferentemente do que se encontra nos países da Europa e EUA.
Quem deveria fazê-los quem atua no futebol na prática, na teoria ou na inter-relação destes conhecimentos? Podemos evoluir melhor também na realização de eventos, congressos, palestras e debates sobre futebol.
A estruturação e o profissionalismo do nosso futebol devem acontecer nos dias de hoje, deve ser parte das obrigações de um país que sediará uma Copa do Mundo, e não aguardar em berço esplêndido, acreditando que tudo vai se ajustar durante e após a Copa. Não queremos isto como um legado!
**Graduado em Educação Física pela Universidade de Mogi das Cruzes, Pós Graduado como Treinador Profissional de Futebol pela USP, Gestor Esportivo e ex- atleta de futebol.Contato: joseluiz.correa@hotmail.com
.
Entrevista] Interdisciplinaridade e mudança social pelo esporte

Os sinais são claros de que as universidades, muito em razão do momento gerencial prévio da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, que serão realizados em território brasileiro, colocaram o esporte em suas pautas. Ações relacionadas a atividades físicas e modalidades diversas permeiam a academia, com o amparo de algumas grandes empresas especializadas na temática. É o caso da parceria entre a Nike do Brasil e o programa UniSol (Universidade Solidária).
Ambos, juntamente com a Rede Esporte pela Mudança Social (REMS), a partir do ideal de que o esporte pode promover o desenvolvimento social por meio de ações nos âmbitos social, ambiental e econômico, criaram o Prêmio Nike Esporte pela Mudança Social. O alvo é reconhecer e apoiar ações e projetos de extensão universitária, executados por professores e alunos, que utilizem modalidades como mote desenvolvimentista humano.
“O UniSol tem 16 anos de atuação e a proposta fundamental é contribuir para a formação cidadã dos estudantes universitários, colocando-os em contato com a comunidade na qual eles estão inseridos, ou com comunidades menos favorecidas”, explica Daniela Lemos, coordenadora técnica do UniSol.
Ao agregar o que a universidade desenvolve com o conhecimento do estudante universitário ao longo da vida acadêmica, o projeto consegue dar um passo adiante nessa transformação. O programa articula e implementa projetos e ações sociais de instituições de Ensino Superior, em parceria com empresas públicas e privadas, organizações do Terceiro Setor e comunidades.
O UniSol é um programa da AlfaSol, criada por Ruth Cardoso, que estimula a liderança nos jovens universitários e, sobretudo, proporciona uma visão mais apurada da realidade social brasileira, fortalecendo a organização comunitária e a construção de soluções pontuais.
Na segunda edição do Prêmio Nike, concorrem projetos de extensão universitária com foco em esporte e que beneficiem diretamente jovens em situação de vulnerabilidade social, localizados nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. O valor da premiação é de R$ 25 mil, com acompanhamento técnico da equipe do UniSol.
“A universidade tem total autonomia para desenvolver suas atividades. Quando elas apresentam o projeto, há uma pré-definição de roteiro, com orçamento e metas desenhadas para os seis meses de trabalho”, comenta Daniela.
Coordenadora de projetos, ela aponta que o UniSol trabalha para garantir os benefícios e a interação entre universidade e comunidade. Por exemplo, se um professor está tendo alguma dificuldade na implementação de determinado projeto, se a universidade está acompanhando de fato a iniciativa, ou mesmo se as ações estão sendo institucionalizadas para não se tornar algo apenas pontual.
Nesta entrevista à Universidade do Futebol, Daniela fala mais sobre as especificidades do UniSol, o cenário atual propício para projetos ligados ao esporte e como o diálogo entre academia e sociedade pode ser benéfico para a formação dos jovens carentes.

Universidade do Futebol – Você poderia falar sobre sua formação, a trajetória até o ingresso no UniSol e a experiência em lidar com projetos, impactos e inovações na área social?
Daniela Lemos – Comecei no antigo Comunidade Solidária, um programa de governo criado pela doutora Ruth Cardoso. Era estudante da UNB de Administração e estagiei nessa parte administrativa. Lá me deparei com todo o aparato de política social e combate à pobreza.
No Comunidade Solidária, fui apresentada à Universidade Solidária, e passei a atuar como coordenadora de projetos no antigo programa nacional, muito parecido com o Projeto Rondon, em que muitos universitários vão para comunidades distantes fazer um intercâmbio social e discutir as fragilidades desses grupos, ao mesmo tempo em que realizam uma troca cultural.
Passei três anos nesse programa de governo, e em 2003 o UniSol se transformou em uma organização da sociedade civil, e fui coordenar a área de projetos. Minha formação é em assistência social, com especialização em gestão de projetos na área do Terceiro Setor.
Na Alfasol, o Universidade Solidária é um programa que integra todas essas ações criadas pela doutora Ruth, e dentro desses planos há o Prêmio Nike – Esporte pela Mudança Social, cuja primeira edição foi criada em 2008.

Ruth Cardoso, durante Primeiro Comício da Mulher, em campanha eleitoral em São Paulo (1985); foto: Ary Brandi
Universidade do Futebol – O UniSol (Universidade Solidária) é um programa que articula e implementa projetos e ações sociais de Instituições de Ensino Superior (IES), em parceria com empresas públicas e privadas, organizações do Terceiro Setor e comunidades. Fale um pouco mais sobre ele.
Daniela Lemos – O UniSol tem 16 anos de atuação e a proposta fundamental é contribuir para a formação cidadã dos estudantes universitários, colocando-os em contato com a comunidade na qual eles estão inseridos, ou com comunidades menos favorecidas.
A ideia é pegar toda essa expertise – o que a universidade desenvolve mais o conhecimento do estudante universitário ao longo da vida acadêmica – e transformar em uma ação educativa para essas comunidades a partir das potencialidades e das demandas que elas têm.
Temos também uma parceria com o Banco Santander que foca nas questões ambiental e de geração de renda. Na realidade, o UniSol articula o conhecimento acadêmico em prol de comunidades menos favorecidas, mas reconhecendo o conhecimento popular existente nos moradores daqueles ambientes.
Universidade do Futebol – Um dos projetos desenvolvidos é o Prêmio Nike - Esporte pela Mudança Social. Quais as pretensões e os resultados já alcançados por essa empreitada que chega à sua segunda edição?
Daniela Lemos – Em 2007, a Nike começou a articular no Brasil a Rede Esporte pela Mudança Social (REMS) e convidou não apenas as grandes ONGs que atuam com esporte no Brasil, como outras que também trabalham com ações educativas e que lidam com ações de gênero.
O Universidade Solidária entrou no circuito, pois havia também o foco de levar a academia para discutir sobre a forma como o esporte é tratado no país. Não apenas o alto rendimento ou as atividades ligadas à saúde.
Começamos a discutir nos projetos que havíamos feito, e as universidades apresentavam mais o esporte relacionado ao lazer ou em seu aspecto educativo. E surgiu a ideia do primeiro Prêmio Nike – Esporte pela Mudança Social. Tivemos mais de 50 projetos, e cinco deles foram premiados em nível de Brasil – no Rio Grande do Sul, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina.
Envolvemos mais de 600 crianças e adolescentes, com projetos de empreendedorismo no Rio, com a PUC-RJ, e também em São Carlos, com a UFSCAR.
Rediscutindo as estratégias, pensando em uma continuidade, resolvemos lançar a segunda edição mais focada para jovens e adolescentes, especificamente para as capitais de São Paulo e Rio de Janeiro. O prêmio passou de 15 para 25 mil reais, e as universidades premiadas receberão o acompanhamento técnico do UniSol por seis meses, além de doação de materiais esportivos da Nike.
As universidades, por conta do momento vivido pré-Copa e Olimpíadas, colocaram o esporte em suas pautas, aumentando essas ações relacionadas de uns dois anos para cá.
Universidade do Futebol – O cenário atual do mundo é também inspirar a mudança social por intermédio do esporte?
Daniela Lemos – Sem dúvida alguma. E de várias formas. Tivemos um projeto premiado que, na realidade, o esporte era um meio, e não o fim.
Um jovem skatista do subúrbio do Rio de Janeiro ensinava às crianças no contraturno escolar essa prática, e a universidade viu aquela potencialidade e qualificou o grupo, junto com a Nike do Brasil, e hoje praticamente eles são uma associação que produz shapes, aquela prancha do skate. Chama-se Briza Arte, conduzida pelo Charles Alexandre da Silva.
O que conseguimos perceber e mostrar pelo prêmio é que o esporte pode ser um estímulo, um tema transversal, para que uma ação social ou educativa com diversos públicos seja efetivada. E não necessariamente se apresentar como tema central.
Universidade do Futebol – Em sua opinião, como liberar o potencial de jovens, para que estes fortaleçam suas comunidades, alavanquem o desenvolvimento e promovam mudanças?
Daniela Lemos – Percebo que principalmente por meio do diálogo. E as universidades, no caso com os estudantes universitários, e a UniSol, ao longo desses 16 anos, desenvolveram uma metodologia de conversar com essas instituições para que as mesmas cheguem às comunidades e falem de igual para igual, e não como templo de saber.
O estudante pode ser inserido naquele contexto e falar com outros jovens, se interessando pelo outro, apesar das visões e das realidades distintas.
Levamos, por exemplo, alguns jovens de comunidades para vivenciar o ambiente acadêmico, e a partir desse diálogo horizontal e da troca de conhecimentos, o processo se tornou positivo.
Universidade do Futebol – No esporte, de que modo pode-se trabalhar a questão social sem decair no mero assistencialismo?
Daniela Lemos – Acredito que de forma mais educativa, formando multiplicadores. Na Universidade do Vale do Rio dos Sinos, o programa Esporte Integral desenvolveu a partir da experiência própria um mini curso de esporte educacional. O professor não necessita ser um profissional de Educação Física, mas pode ser um coordenador de uma ONG de base que trabalha com isso, e ele consegue utilizar qualquer modalidade para falar de cidadania, gênero, e entender o que é o ambiente familiar do jovem.
O UniSol intermedeia e orienta vários processos para estabelecer esse diálogo de uma maneira mais eficaz.

Programa Esporte Integral (PEI) da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) em Rio Grande do Sul (RS); foto: Arquivo UniSol
Universidade do Futebol – O esporte já atua efetivamente na promoção de igualdade de gênero e no combate da violência contra mulheres, crianças e jovens, ou as ações ainda caminham a passos muito lentos?
Daniela Lemos – No nosso universo, ainda caminha a passos lentos. Temos de ter uma sutilidade em alguns ambientes para falar sobre determinados temas. Há um projeto que se utiliza da capoeira para falar de questões ligadas à raça.
As universidades não vão tão a fundo nesse tipo de tema, não por escolha, mas por se tratar de um processo de conquista paulatina desses jovens, por meio do esporte.
Universidade do Futebol – Também a partir de sua visão profissional e acadêmica particulares, de que forma o processo da educação auxilia no desenvolvimento do raciocínio, da criatividade e na compreensão dos fatores externos vividos pelos jovens?
Daniela Lemos – No Instituto Briza citado, o simples fato de levar jovens de Irajá para vivenciar um ambiente acadêmico, no caso a PUC-RJ, fez com que cinco dos 10 jovens que participaram no início se interessassem em prestar vestibular.
Isso sem haver qualquer tipo de argumentação sobre a importância de estudar e ter um curso superior. Somente pelo ambiente, percebemos essa vontade e essa transformação.
O UniSol tem um grupo de colaboradores voluntários, entre os especialistas, representantes das REMS, das ONGs, além de acadêmicos, reitores e ex-reitores, que possuem experiência em projetos universitários e sociais.
A universidade tem total autonomia para desenvolver suas atividades. Quando elas apresentam o projeto, há uma pré-definição de roteiro, com orçamento e metas durantes os seis meses de trabalho. Nosso acompanhamento técnico visa garantir os benefícios e a interação entre universidade e comunidade – se o professor está tendo alguma dificuldade na implementação daquele projeto, como a universidade está acompanhando, se as ações estão sendo institucionalizadas para não se tornar algo apenas pontual, etc.
Há necessidade de um compromisso social, a fim de definir também indicadores para uma avaliação de resultados, já que o impacto para a vida do estudante e das práticas universitárias é importante para todos.

Projeto Coletivo do Briza da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; foto: Arquivo UniSol
Universidade do Futebol – Você acredita que é possível pensar a formação de jovens jogadores de futebol sem a criação de um programa que gerencie o crescimento pessoal, social e profissional de modo interdisciplinar?
Daniela Lemos – Não acredito. As universidades estão aí para mostrar. Essa visão sistêmica é fundamental para um atleta, não só consciente do seu papel profissional, mas como cidadão.

Projeto Futsal Social da Universidade Feevale – Novo Hamburgo (RS); foto: Luiz Fernando Framil Fernandes
.


“Nunca foi tão atual a busca da felicidade [satisfação] pela escolha adequada da profissão. A intenção é de ajudá-los. Se não for conseguido, não vale dizer que o inferno está cheio de bem-intencionados. Isso é mentira.” (Benê Lima)
Sabemos que o futebol é um desporto com que o país tem uma identidade muito forte, que é considerado um produto nacional, onde há grandes investimentos por parte de TV’s e patrocinadores, envolvimento de muitos profissionais e é um considerável gerador de empregos diretos e indiretos. Até os dias de hoje não atingimos o nível ideal de profissionalismo em planejamento, administração de clubes, atuação de procuradores e empresários entre outras áreas, inclusive critérios para admissão e seleção de treinadores e uma melhor conduta de ética na relação trabalhistas destes com os clubes.