Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quarta-feira, agosto 14, 2013

Carta de Resposta para o Grande Alex

Por Marcelo Paciello

Caro Alex, sei que você tem muitas outras preocupações como jogador e como pai de família, mas a lucidez demonstrada na entrevista concedida ao jornal Lance foi muito esclarecedora, pois nós apaixonados pelo futebol e como gestores do esporte ficamos muito gratos quando pessoas do seu nível se manifestam com extrema propriedade.

Você meu caro Alex, com a mesma visão de dentro do campo, fez o diagnóstico geral da situação, ainda mais com sua grande passagem pelo futebol europeu, e o seu próprio presidente, tentando evitar retaliações por parte da CBF, também constatou a atual situação dos clubes com a frase: " O Futebol Brasileiro está na UTI ".

Como apaixonado pelo futebol, mas também como uma peça atuante dentro do segmento, gostaria de escalar 11 motivos que você e seu presidente deixaram transparecer nas suas entrevistas:

1) O futebol brasileiro não tem um órgão regulador que cuida dos interesses dos clubes
2) Os dirigentes dos clubes falam em gestão mas se acomodaram com as receitas da TV Globo
3) Os campeonatos estaduais estão falidos no modelo atual , ou mudam ou morrem
4) Os clubes de futebol precisam se unir para criar uma liga forte que tenha a mesma força que a TV e as federações para combater o que precisa ser mudado dentro da situação atual
5) O calendário do futebol sul-americano precisa ser revisto e adequado ao calendário Europeu
6) A Europa deve servir de benchmarking em termos de gestão, calendário e campeonatos
7) A CBF não precisa cuidar dos clubes, desde que ela reconheça abertamente que não tenha mais interesse 
8) Não adianta nada novas arenas com a velha mentalidade vigente nos gestores das Federações e clubes
9) Os clubes precisam entender que ganhar do adversário é apenas dentro de campo, fora de campo todos devem jogar juntos
10) Os clubes precisam ter responsabilidade fiscal e monetária, se não cumprirem com suas obrigações devem ser rebaixados
11) Os dirigentes de clubes devem ter responsabilidade civil por seus atos na frente dos clubes

Caro Alex, você pode ser o treinador desse time acima escalado, juntando sua voz com os demais jogadores e dirigentes que tenham coragem e voz ativa para levar adiante as mudanças que tanto o futebol brasileiro necessita para retomar o rumo de vitórias, conquistas e de qualidade que faz parte do DNA deste esporte no Brasil, mas que a ganância por dinheiro e poder de algumas pessoas chaves acabam dificultando os que lutam para que a situação atual seja alterada.

Caro leitor, se você ainda não viu a entrevista, segue abaixo e se possui outras reinvindicações que podem ser adicionadas na escalação acima, fique a vontade para sugerir.

segunda-feira, agosto 12, 2013

Mesmo com desfalques, Sampaio Corrêa mostrou por que é um dos candidatos ao acesso à Série B

Sampaio Corrêa de Flávio Araújo no 4-3-1-2(3-4-3).

Contra o Fortaleza, em São Luís-MA, o Sampaio Corrêa entrou em campo com seis desfalques importantes, porém, conseguiu uma vitória por 2 a 1, desenvolvendo um futebol aplicado taticamente, com muita organização em vastos aspectos. O time maranhense é o líder do Grupo A do Brasileirão Série C e na última partida, mostrou porque está na liderança e é um dos fortes candidatos ao acesso pra Série B. É um time que já vem mantendo uma base nos últimos anos, tem um padrão tático bem definido e bom entrosamento entre os seus jogadores. Ano passado, foi campeão invicto da Série D e este ano, está com uma ótima campanha, tendo apenas duas derrotas. O sistema de jogo da “Bolívia Querida” é um 4-3-1-2, que apresenta desdobramento em 4-1-2-1-2, já que os volantes não ficam alinhados. Diante do Fortaleza, apresentou variação pro 3-4-3, com Jonas fazendo o papel de terceiro-zagueiro, soltando os laterais, enquanto que Douglas Silva encostava nos ataques e circulava por zonas mais avançadas.

A transição ofensiva era executada com muita velocidade e intensidade. Na saída de bola, Jonas aprofundava a movimentação, se aproximava dos zagueiros pra receber a bola e distribuir o primeiro passe. Um dos volantes recuava para o campo de defesa, fazia a recepção da pelota para iniciar as transições, seja pelos lados ou por dentro. O papel de Jonas liberava os laterais Toti e Deca para o apoio no campo de ataque e dava mais segurança no combate aos contra-ataques adversários. A saída pro jogo também era segura pelos flancos, já que os laterais não se mandavam imediatamente e ficavam na linha que divide o gramado, dando opções para iniciar jogadas mais abertas. Arlindo Marcanã e Eloir também caíam pelos flancos, davam auxílio aos seus companheiros ou faziam a cobertura durante seus avanços, que ocorriam alternadamente, assim como a cobertura. Eloir e Arlindo, que funcionavam como “carrilleros”, sempre davam opções de passes para Douglas Silva, este que abria espaços na meia-cancha adversária para a penetração dos mesmos. Ambos transitavam com agilidade entre as intermediárias e invertiam o posicionamento por dentro da cancha.

No ataque, a movimentação era frenética. O veloz, letal e talentoso Pimentinha, o principal jogador da equipe, se posicionava a partir da ponta-direita, mas sempre migrava para a ponta-esquerda, entrava em diagonal, buscava a linha de fundo pra cruzar na direção do centroavante Célio Codó e tentava investidas mais pelo centro, principalmente com tramas perigosas e aproximações com Douglas Silva, em regiões próximas da grande área. Douglas partia da cancha central, acionava o pivô de Célio Codó, carregava marcadores para abrir brechas para as projeções de Arlindo Macaranã e Eloir, além de ter participação intensa nos espaços entre os zagueiros e volantes adversários, buscando tabelinhas e triangulações por ali. Célio Codó, que ficava mais na referência, tinha pouca mobilidade, porém, fazia bem a parede, protegendo para as diagonalizações de Pimentinha e as chegadas de Douglas Silva ou de um dos volantes. Também mostrou ser um centroavante perigoso na bola aérea, com boas infiltrações no miolo de zaga adversário, levando perigo nas conclusões.

Na prática, o Sampaio era um time que sempre acelerava suas transições, como já é característico com o time principal, pois na verdade, só mudaram as peças do xadrez, porém, ambas com características técnicas e táticas muito semelhantes, principalmente porque os principais desfalques foram no sistema defensivo. Na frente, apenas duas mudanças, já que Cleitinho é o meia de criação e o centroavante é Tiago Cavalcanti. Quanto à proposta de jogo, poucas alterações. Foi basicamente o que se vê com a equipe completa.

Sem a bola, o Sampaio procurava adiantar suas linhas, na tentativa de executar a marcação em blocos altos, de modo que estes tivessem boa compactação e proximidade entre si, encurtando os espaços do campo. Os “carrilleros” recuavam e se alinhavam com Jonas. Douglas Silva combatia em áreas próximas ao grande círculo central e buscava a roubada de bola para tentar ligar o contra-golpe com lançamentos em profundidade para Pimentinha. A estratégia funcionava e fluía naturalmente, pois os volantes tinham boa recuperação e retomada de bola, com muita atenção ao desarme e a transição defesa-ataque era feita com rapidez, sem dar tempo para a recomposição do adversário. Pimentinha, a “válvula de escape”, ficava livre de grandes esforços nas tarefas defensivas. Desta forma, tinha liberdade para desenvolver um trabalho melhor com jogadas individuais e arrancadas nos contra-ataques. Com certeza, esse trabalho do técnico Flávio Araújo é de chamar a atenção e o Tubarão deve dar muito trabalho, se passar para a fase final da Série C.

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Divulgação] Supercília Micropigmentação

Cherry Pompe

SUPERCÍLIA!

Olá, Cerejas!

Me digam uma coisa: Que mulher nunca sonhou em ter um olhar muito mais expressivo e de efeito natural? Daquele que nos fizesse sentir uma verdadeira “Diva”, da hora em que deitamos para dormir à hora que levantamos da cama! rs Eu vou dizer que EU SEMPRE SONHEI! kkk

Fui convidada pela profissional – especialista em procedimentos estéticos -, Germana Santana, que está á frente da sua Supercília, a realizar o procedimento de Alongamento de Cílios!

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Ela é graduada em Educação Física e entrou no ramo da beleza com seu marido. A partir de então, resolveu mergulhar na estética e investir em cursos que, segundo ela mesma, a encantaram. Morou um tempo em São Paulo e lá conheceu o trabalho de Micropigmentação Estética e Paramédica. Investiu e especializou-se nessas e em outras diversas técnicas de estética e beleza.

Sua Supercília oferece, além do serviço de alongamento (cílios sintéticos) ou permanente dos cílios naturais, maquiagem definitiva de sobrancelhas, contorno do olhos e contorno dos lábios, micropigmentação paramédica – que consiste na camuflagem de cicatrizes, distensionamento de quelóides, desenho em 3D da aréola mamária e é indicado para mulheres que fizeram mastectomia (incrível isso!) -, design de sobrancelhas e procedimentos corporais como depilação, argiloterapia, clareamento e outros.

Antes de iniciar o procedimento eu tirei todas as minhas dúvidas com Germana, pois queria saber mais detalhes sobre a cola – especial e importada; à base de sódio – e o material utilizado. Segundo ela, só há restrição para fazer o alongamento, pessoas que sabem que são alérgicas a produtos cosmetológicos ou que tenham alopecia no cílios (não tem cílios), fora isso, não há contra indicação.

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Esse procedimento oferece opções às clientes quanto ao estilo e modelo dos fios. Eu escolhi o fio a fio (fios individualizados) de efeito ombré (que inicia do extremo externo e acaba na metade dos olhos), que consiste num resultado mais natural. Além desse estilo, as mulheres que quiserem mais “drama” no olhar podem optar pelos tufinhos, que sugerem um efeito mais volumoso aos cílios!

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Testei e super aprovei! Vamos ver o passo a passo?!

Confere:

Fotos: Milena Mota

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É necessário fazer o uso de micropore nos cílios inferiores para que, na colagem, ele não unam-se aos superiores.

A aplicação é feita com pinça, fio a fio:

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Olha só o efeito com e sem:

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Vamos ao próximo olho!

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Olha aí o resultado do antes e depois:

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Superrr natural, né? Posso até chamar de “meus”! kkk

O procedimento durou em média 1h20, e a permanência dos cílios alongados é de até 3 meses, porém nesse período ocorre a troca natural dos pelos. A Supercília também oferece o serviço de manutenção para a reposição dos cílios que deve ser feita uma vez no mês para repor os fiozinhos que por ventura possam cair. Nesse caso só será cobrado o valor do material utilizado!

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Germana fez algumas recomendações e observações que eu considerei super válidas! Se você é “dependente” de máscara/rímel, é melhor pensar bem antes de se submeter ao procedimento, pois os cílios alongados não resistem ao uso de demaquilantes quando da remoção, por causa da cola que pode soltar-se. Além do mais, os fios ficam com aspecto empelotado após o uso do rímel. O ideal é lavar o rosto com água, gel de limpeza ou até shampoo infantil! Mas vamos combinar que após o alongamento, com o volume proporcionado, eles dispensam a necessidade da máscara!

ADOREI E APROVEI!logo-supercília

Galeria Eliseu Teixeira – Rua do Imperador, 359, Centro.

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domingo, agosto 11, 2013

Eddie Pasveer, preparador de goleiros do Heracles Almelo

"O goleiro é um jogador extra", diz o experiente profissional que atuou na função

Equipe Universidade do Futebol*

O Heracles Almelo tem ficado conhecido como um time que gosta de jogar um futebol ofensivo, e este foco é reforçado pela sua ênfase no jogo posicional. O Heracles Almelo também foca no goleiro, que tem um papel importante a desempenhar, pois muitas vezes e considerado como a "última linha de defesa".

O goleiro é um jogador essencial na linha, sim! Ofensiva e defensivamente. "Quando temos a bola, não jogamos com 10 jogadores de linha e um goleiro, mas inclusivamente com 11 jogadores de linha, porque podemos tocar a bola para o goleiro a qualquer momento". É dessa maneira que Eddie Pasveer enxerga o jogo.

O ex-goleiro tem sido responsável pelos atletas desta função no Heracles desde 2006. Durante sua carreira, ele atuou principalmente por FC Twente e De Graaf-Schap, mas a sua paixão duradoura de ter jogado como camisa 1 garantiu que iria seguir a carreira como preparador.

Dentro de sua filosofia de trabalho em Almelo, Pasveer compartilha sua visão de treinamento de goleiros: “Na minha opinião, é muito importante que um goleiro saiba jogar com a bola, porque, então, ele pode ajudar a equipe com o jogo posicional, taticamente”, diz Pasveer.

Além de um bom chute, o goleiro pode "passar" a bola, no momento ofensivo, a distâncias superiores a 60, 70 metros, e é sempre possível servir de apoio aos defensores, atuando na virada das ações. “Nossos goleiros têm que desenvolver a antecipação, assumir riscos com confiança e coragem para jogar na frente do gol, protegendo, recebendo, controlando e distribuindo a qualquer hora”, completa.

Nesta entrevista concedida à Soccer Coaching International, revista holandesa que é parceira daUniversidade do Futebol, o profissional fala ainda metodologias de treinamento e exemplifica alguns exercícios práticos.

Universidade do Futebol  Qual é a sua avaliação sobre o nível dos goleiros em atividade na Holanda?

Eddie Pasveer 
– Eu diria que não há muitos goleiros na Holanda que sabem jogar futebol, ficando conectados e sendo parte dos jogadores de linha também. Devido ao fato de compartilharmos nossa categoria de base com o FC Twente – e também com o Enschede –, temos que recrutar nossos goleiros. Portanto, ser capaz de jogar com a bola no pé é algo muito valioso no nosso processo de avaliação.

Remko Pasveer e Dennis Telgenkamp, emprestado ao Cambuur Leeuwarden, sabem jogar com a bola do jeito que eu descrevi. Telgenkamp foi o nosso goleiro reserva na última temporada (depois de Remko Pasveer), mas ele desenvolveu habilidades excelentes, e é por isso que o emprestamos para o Cambuur (da Jupiler League, a segunda divisão holandesa). Inicialmente, os goleiros, tanto quanto cada jogador, precisam de certas habilidades e técnicas que são depois incorporadas no jogo tático.
 


 

Universidade do Futebol  Defina a plataforma de jogo do Heracles Almelo e como o goleiro se insere nesse processo.

Eddie Pasveer – O Heracles joga no sistema 1-3-4-3 e é por isso que os nossos goleiros têm a função de antecipar e cobrir o espaço atrás dos zagueiros, jogando na frente do gol. Quando no momento da posse, efetivamente ele é um líbero.

É muito importante ter um bom posicionamento no gol, também. Assim, os goleiros têm que ter boa visão de jogo, também. Eles devem saber onde a bola vai cair e antecipar os atacantes rivais.

Quando um goleiro está à procura de uma boa posição, noto que vários deles deixam o primeiro poste vulnerável, quando é mais fácil de cobrir, exigindo, portanto, o tempo de reação menor. Muito por conta disso, inicialmente trabalhando com seus pontos fortes, você estará mais bem preparado para lidar com o outro cenário (segundo poste).



No sistema 1-3-4-3, os goleiros têm a função de antecipar e cobrir o espaço atrás dos zagueiros, jogando na frente do gol, explica Pasveer

 

Universidade do Futebol Há um treinamento específico dos goleiros? Explique um pouco sobre as atividades cotidianas.

Eddie Pasveer – No Heracles, treinamos muito próximos ao gol, pois prestamos muita atenção na posição tomada – algo em torno de cinco metros em frente ao gol. Com estes exercícios, os goleiros devem reagir rapidamente e este processo é usado para descobrir se eles têm o dom para antecipação de chutes e uma boa posição em relação à bola ou não.

Então, dependendo do seu nível, podemos testá-los ou desafiá-los ainda mais, só para ver o quão bons eles realmente são.

Nosso ex-goleiro Martin Pieckenhagen é um bom exemplo de que quando chegou ao Heracles ele ficava na linha. Trabalhamos com ele, então, a antecipação da bola, a fim de encontrar uma posição melhor. Reflexivamente, ele aprendeu com os erros e com os treinos. A forma técnica do Pieckenhagen melhorou muito, e ele sabia que era atribuído ao treinamento e à realização de posicionamento antecipatório.
 




Universidade do Futebol  E a metodologia?

Eddie Pasveer – Quando treinando goleiros, assim como outros jogadores, eu implemento uma estratégia proposital e guiada para o desenvolvimento. Na preparação para a temporada, eu sempre começo garantindo que os goleiros estejam em boa forma física. 

Eu tenho usado o meu próprio método de treinamento de força funcional, utilizando a “varioband”, resistência elástica com três comprimentos diferentes (de 2, 4 e 6 metros que podem ser ajustados para cada indivíduo e cada objetivo do treino), ajudando com força, equilíbrio e postura posicional, com e sem a bola.

Isso também gera uma relação entre a força e a reação apropriadas, acelerando e também fortalecendo as reações rapidas. Mais para frente na temporada, é mais uma questão de manter os níveis de força, aptidão e os bons treinos e técnicas já desenvolvidas e trabalhadas. A estrutura de treinos durante a semana é adaptada ao redor e preparando para os jogos.



No método de treinamento de força funcional, Pasveer usa a “varioband”, resistência elástica com três comprimentos diferentes, ajudando com força, equilíbrio e postura posicional 
 

 

Universidade do Futebol  O planejamento estratégico do goleiro se baseia em que preceitos?

Eddie Pasveer – Também planejamos e nos preparamos contra os adversários que vamos enfrentar durante os jogos. O FC Twente, por exemplo, joga bastante pelas alas, por isso sabemos que estaríamos lidando com muita abertura e bolas vindo das laterais. Então, nesse exemplo, durante a semana antes de jogar contra esta equipe, temos que trabalhar, do ponto de vista de um goleiro, o posicionamento dentro dos 5, 7 metros dentro da área, saindo do gol nos cruzamentos e protegendo o primeiro poste.

Além disso, vamos assistir a vídeos de situações de jogo e discutir quais serão as melhores abordagens a serem tomadas. Pela análise de vídeo, um goleiro pode reflexivamente avaliar seu desempenho e aprender com ele. Estamos jogando com apenas três defensores, sendo que anteriormente tínhamos dois zagueiros e dois laterais. O goleiro tem que cobrir os dois zagueiros centrais e instruí-los posicionalmente.

Nós discutimos muito estas questões, o que faz com que todos estejam cientes de seu comportamento e os resultados de suas escolhas: uma boa base para aprender e melhorar com isso.



  "Pela análise de vídeo, um goleiro pode reflexivamente avaliar seu desempenho e aprender com ele", avalia o preparador do Heracles

 

Exercicios



Movendo-se na linha do gol

Organização
- Goleiro 1 encontra-se no ponto inicial
- Goleiro 2 faz um cruzamento rasteiro
- Goleiro 1 avalia a stiuação e sai da sua linha
- Goleiro 3 chuta a bola no segundo poste
- Goleiro 1 avalia a bola e faz a defesa no segundo poste
- Goleiros trocam de posição depois de cinco repetições

Pontos para o treinador
- Antecipação da posição em relação à bola
- Vá em direção à bola
- Comece abaixado para aumentar a força de reação (explosiva)




Como lidar com um cruzamento

Organização
- Goleiro 1 está na posição inicial
- Goleiro 2 faz um cruzamento alto
- Goleiro 1 avalia a bola e faz a defesa
- Goleiro 1 joga a bola com a mão no canto do goleiro 3
- Goleiro 3 faz a defesa da bola do goleiro 1 
- Goleiros trocam de posição depois de cinco repetições

Pontos para o treinador
- Postura aberta e posição definida em relação à bola 
- Ao avaliar a bola: atacar a bola
- Pegar a bola em seu ponto mais alto
- Ao jogar a bola com a mão: direção bem definida


*Tradução: Thales Peterson

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sexta-feira, agosto 09, 2013

Bayern e Dortmund gastam mais que os outros 16 clubes do Alemão juntos

ÉDER FANTONI
DE SÃO PAULO

O Campeonato Alemão que começa nesta sexta-feira com o jogo entre Bayern de Munique e Borussia Monchengladbach, em Munique, às 15h30 (de Brasília), reserva um duelo à parte na disputa pelo título entre o próprio Bayern e o Borussia Dortmund, sensações da última temporada.

Juntos, Bayern e Dortmund gastaram 112 milhões de euros (R$ 343,6 milhões) em contratações para esta temporada, R$ 28 milhões a mais que a soma dos investimentos dos outros 16 clubes da primeira divisão do Campeonato Alemão.

O clube de Munique trouxe o técnico Josep Guardiola para o lugar de Juup Henyckes, que na temporada passada ganhou, além do Alemão, a Copa da Alemanha e a Champions League. Contratou ainda os meias Mario Götze, do próprio Dortmund, e Thiago Alcântara, do Barcelona. Investiu 62 milhões de euros (R$ 190,2 milhões) nessas duas contratações.

Editoria de Arte/Folhapress

"Nós ainda estamos com muita fome e queremos ter outra temporada de sucesso", disse o atacante francês Franck Ribery em uma entrevista durante a preparação do Bayern.

O Dortmund, do técnico Jürgen Klopp, não ficou atrás. Depois de conquistar o bicampeonato do Campeonato Alemão em 2010/11 e 2011/12, o clube se curvou diante do Bayern de Munique na temporada passada, mas se mostra disposto a recuperar o seu reinado, pois fez o maior investimento da sua história em uma pré-temporada ao gastar 50 milhões de euros (R$ 153,4 milhões).

A última vez em que o clube gastou um valor semelhante durante a janela de transferências no verão europeu foi em 2001/02, quando investiu 45 milhões de euros. Os atacantes brasileiros Amoroso e Ewerthon, ex-Corinthians, foram um dos contratados.

Desta vez, trouxe jogadores desconhecidos. O meia-atacante armênio Henrikh Mkhitaryan, por exemplo, custou 27 milhões de euros (R$ 82,8 milhões) e se tornou a contratação mais cara da história do Dortmund.

O ex-jogador do Shakhtar Donetsk marcou 25 gols no último Campeonato Ucraniano. Ele chega para o lugar de Götze, uma das estrelas do elenco que conseguiu levar o Dortmund ao vice-campeonato da última edição da Copa dos Campeões.

O clube trouxe também o atacante gabonês Pierre-Emerick Aubameyang, ex-Saint-Étienne, da França. Custou 13 milhões de euros (R$ 39,8 milhões). No último Campeonato Francês, anotou 19 gols. Ficou atrás apenas do sueco Zlatan Ibrahimovic, do Paris Saint-Germain.

Para reforçar a sua defesa, o Dortmund trouxe o grego Sokratis Papastathopoulos por 9 milhões de euros (R$ 27,6 milhões). Antes de assinar com o clube, o jogador de 25 anos passou por AEK Atenas, Niki Volos, ambos da Grécia, Genoa e Milan, da Itália, e Werder Bremen, da própria Alemanha.

Patrik Stollarz/AFP
Thiago Alcântara (esq.), do Bayern de Munique, disputa bola com Robert Lewandowski, do Borussia Dortmund, em jogo da Supercopa da Alemanha
Thiago Alcântara (esq.), do Bayern, disputa bola com Robert Lewandowski, do Dortmund, em jogo da Supercopa da Alemanha

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quinta-feira, agosto 08, 2013

Fora de campo o futebol brasileiro cresceu com os pontos corridos

por Emerson Gonçalves

Ao terminar o Campeonato Brasileiro da Série A de 2012, a fórmula dos pontos corridos, se é que assim se pode chamar algo tão simples, completou 10 temporadas.

A posição desse OCE sempre foi tão simples quanto essa chamada fórmula: apoio total aos pontos corridos, introduzidos juntamente com o Estatuto do Torcedor e com a Lei de Responsabilidade do Futebol Brasileiro, o que, apesar de alguns tropeços, veio a conferir maior seriedade e organização à prática de nosso principal esporte, que é também, como reconhece a citada Lei de Responsabilidade, uma atividade comercial, sujeita como tal a prestações de contas anuais, entre outros pontos.

O consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi, preparou um estudo intitulado “A Evolução Financeira do Futebol Brasileiro na Era dos Pontos Corridos”, sobre o qual se baseia esse post.

Segundo aponta Amir na abertura do trabalho, o mercado “se beneficiou muito de um calendário anual estabelecido e o respeito à continuidade das regras.” Pôs-se um ponto final à bagunça que parecia eterna, com regras diferentes a cada nova temporada.

No decorrer desses 10 anos muitas foram as mudanças no futebol, no país e no mundo, com impactos profundos nos clubes e competições. Tecnicamente, o futebol jogado no Brasil pouco ou nada evoluiu, em que pesem algumas conquistas significativas, como os títulos mundiais de clubes em 2005, 2006 e 2012, e o virtual domínio na Copa Libertadores de America. Tampouco evoluiu a presença do torcedor nos campos, como veremos mais adiante. Mesmo assim, as receitas cresceram de forma agressiva, sobretudo na segunda metade dessa década, acompanhadas pelas dívidas. Vamos ver tudo isso no trabalho do Amir, a seguir.

Evolução financeira do futebol brasileiro na era dos pontos corridos

O mercado brasileiro de clubes de futebol, que representa os 100 maiores clubes, atingiu receitas conjuntas em 2012 de R$ 3,5 bilhões. Nos últimos dez anos, o crescimento médio do mercado foi de 16% ao ano e o crescimento total de 335%.

Esse crescimento foi suportado pelo crescimento de todas as áreas de geração de receitas dos clubes, divididas pelo autor em cinco grupos: Cotas de TV, Transferências de Atletas, Patrocínio e Publicidade, Clube Social e Sócio-Torcedor e, por fim, Bilheteria.

O destaque, facilmente visível no gráfico, foi o grande aumento das cotas de TV, tanto em números relativos como absolutos. As demais áreas mantiveram-se mais ou menos parelhas, exceção feita, justamente, à área que gera o recurso mais imediato e também mais barato para os clubes, a bilheteria.

 

O segundo gráfico, mostrando o crescimento das receitas em dois períodos, da uma ideia melhor das mudanças ocorridas. Na primeira metade da década as transferências de atletas foram mais significativas, despencando na segunda metade. A explicação é simples: a eclosão da crise econômico-financeira em 2008, que afetou sobremaneira as economias europeias. Em vários pontos o futebol europeu permaneceu em uma bolha nos primeiros anos, aparentemente, mas nas transferências os efeitos foram mais visíveis. Outro ponto interessante: com a consolidação dos pontos corridos e a decorrente certeza a respeito do calendário, vimos um grande crescimento das receitas de marketing.

A segunda metade dessa década considerada mostra o crescimento explosivo das cotas de TV ou direitos de transmissão. Esse crescimento teve como base alguns bons índices de crescimento da economia brasileira, com reflexos na renda das famílias – o chamado crescimento da nova classe média, por exemplo – e o consequente aumento no número de lares com TV por assinatura. Economia maior, mercado publicitário maior, levando a um aumento nos preços pagos pelos anunciantes para exporem suas marcas na TV de sinal aberto, inclusive (e principalmente) no futebol. O pífio crescimento da bilheteria pode ser atribuído, em parte, ao fechamento de alguns estádios para reformas visando à Copa do Mundo.

O público nos estádios

Em seu trabalho o Amir dá um destaque à presença do público nos estádios, como mostra o gráfico abaixo:

A média de público foi baixa, com pequena variação: 24%. A melhor temporada foi a de 2009, com um total de 6,8 milhões de torcedores nos estádios, para uma média de 17,8 mil torcedores por jogo.

Se o crescimento no número de torcedores foi baixo, o mesmo não se pode dizer do valor médio dos ingressos, que entre 2003 e 2012 aumentou 173%. Esse índice foi 98% maior que a inflação do período, representando um significativo aumento real no bolso das pessoas. Não foi isso, entretanto, que provocou o baixo número de torcedores em campo.

Os dois próximos gráficos mostram o Brasileiro entre as maiores competições do mundo em media de público e a o público médio, ano a ano, desde a primeira edição do Campeonato Brasileiro,em 1971.

Diferenças pouco significativas desde 1971, tirando quatro picos com médias acima de 20.000 torcedores: 1971, 1980, 1983 e 1987 (a Taça União).

 As dívidas cresceram mais que as receitas

O gráfico acima pode “falar” sozinho: o crescimento das dívidas entre 2003 e 2012 foi de 358%, ou seja, 23 pontos percentuais a mais que o crescimento das receitas ou, em números relativos, um crescimento 7% maior que o das receitas. Segundo o Somoggi, o crescimento entre 2003 e 2008 esteve muito relacionado aos ajustes fiscais feitos pelos clubes, resultando na entrada dos mesmos na Timemania, o primeiro acordo (considerando que o REFIS foi extensivo para todas as empresas) entre o Estado e os clubes perdoando (os dirigentes não gostam desse verbo, mas em boa parte foi exatamente isso, um perdão) dívidas fiscais, dando generoso prazo para pagamento, turbinado, ainda, pela criação de uma loteria específica para levantar recursos. Ainda segundo o autor, a partir de 2009 o crescimento da dívida esteve ligado a empréstimos e outras formas de financiamento externo dos clubes. De minha parte, acrescento, uma vez mais, o grande crescimento da dívida fiscal nesse conjunto (o que já foi tema de posts específicos).

Projeções financeiras para o futebol brasileiro

Esse é um ponto interessante que o Amir desenvolveu e apresentou nesse trabalho. Para ele, o futebol brasileiro tem uma série de desafios para os próximos anos, para poder crescer de forma muito mais eficiente e rentável.

Para que isso ocorra, entretanto, problemas estruturais e também relacionados à gestão dos clubes brasileiros precisam ser solucionados.

Estes são alguns dos principais problemas identificados:

Na área estrutural:

- Calendário do futebol brasileiro

- Projeção internacional das competições

- Violência e insegurança nos estádios por culpa das torcidas organizadas

Na área de gestão:

- Política dos clubes como obstáculo ao crescimento

- Administração dos clubes alinhadas com prática de governança/gestão corporativa

- Implantação de marketing mais eficiente, criativo e comercialmente atrativo

Os clubes de futebol do Brasil apresentaram um crescimento contundente nos últimos dez anos. Entretanto, para crescerem mais na próxima década, o mercado terá que implementar diferentes mudanças, algumas delas sugeridas neste estudo. Na avaliação do Amir Somoggi, caso não haja grandes alterações estruturais e de gestão, o mercado deve crescer em um ritmo normal nos próximos anos, atingindo R$ 5 bilhões em 2018. (+43% em relação a 2012).

Caso sejam implementadas as mudanças que ele aponta como necessárias, sua avaliação é que o futebol brasileiro pode evoluir muito e chegar a 2018 com um faturamento de mais de R$ 6,9 bilhões. (+97% em relação a 2012).