Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

sexta-feira, outubro 05, 2007

O Brasil que engatou marcha à ré

Benê Lima

Um simples olhar de relance pelas cercanias do ponto cardeal norte do Brasil, mostra-nos um vazio de representatividade, e esse vazio só não é total, por enxergarmos um simbólico ponto no estado do Pará, em que o Clube do Remo o preenche.

Afora o time paraense, nenhuma outra agremiação da região conseguiu sequer o ‘status’ de participante do grupo intermediário dos clubes pertencentes à Série-B, a segunda divisão nacional. Assim, o norte altaneiro perdeu o seu norte futebolístico.

Mas, imaginar que a realidade dos clubes de futebol dessa região é a Série-C e a Copa do Brasil é mostrar desconhecimento sobre estas competições. Pois, ainda não serão as competições nacionais, nos moldes em que as conhecemos que poderão abastecer os times do norte.

Na verdade, a principal alternativa para dotar as equipes da região de melhores condições de sobrevivência, passa, necessariamente, pelo fortalecimento das competições estaduais em um primeiro momento. No segundo momento, pensar em opções como a criação ou recriação de competições regionais constituiria tarefa indispensável.

A construção de uma agenda ou calendário para a região norte precisa fazer parte do planejamento do calendário da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Respeitar as peculiaridades da região, levando em conta a realidade dos times a ela pertencentes, constitui o ponto de partida para preservar esses times.

A regra de se dar aos desiguais com desigualdade é a política mais acertada para a região. Isso não só oxigenaria a times tradicionais, como irrigaria as antigas sementeiras produtoras de valores, potencializando o surgimento de outras tantas.

O futebol brasileiro, especialmente o Clube dos Treze, precisa entender a importância de dotar de maior capilaridade toda a rede que integra os clubes brasileiros. De fato, fazer do Brasil um grande centro de treinamento e formação de atletas trará benefícios para todos.

Sugerimos até, que a Escola Brasileira de Futebol (EBF), seja o instrumento que possibilitará a transmissão do conhecimento sobre a gestão desportiva, nos diversos quadrantes do País. Afinal, entendemos que entre as funções da CBF está a de promoção do desenvolvimento desse esporte, em todo o território nacional.

Contudo, enquanto o sonho não é sonhado por todos, já nos consola saber que alguns times do norte empreendem lutas isoladas no sentido de escreverem uma nova, diferente e mais vitoriosa história. Entre eles há os que acreditam em altos vôos no âmbito de seus estados, o que os credenciaria a participarem da terceira divisão nacional, e, por conseguinte, a estarem inseridos no ranking da Copa do Brasil.

Os estados do Amazonas e Pará, historicamente os detentores da hegemonia do norte, apresentam-se como os propulsores de qualquer projeto de recuperação do futebol da região. Conquanto saibamos da necessidade de uma revisão do comportamento ético dos cartolas da região, ainda assim vale à pena a transferência dos diferentes recursos para ela.

Usar a caixa de mudança desde já, engatando a primeira marcha que permitirá o início de uma viagem rumo ao progresso, representa mais que uma opção: poderá significar, pelo menos para alguns, a diferença entre viver ou perecer.

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Benê Lima