Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quarta-feira, abril 12, 2017

Mais sobre os estaduais

Estado de emergência

Os campeonatos estaduais lutam hoje para sobreviver, pois não conseguem fazer um 
planejamento pelo fato da maioria não ter um calendário anual de jogos
Os campeonatos estaduais chegam a sua fase final
cercados de grandes dúvidas sobre a qualidade e
interesse do consumidor em relação ao seu produto.
O campeão estadual não tem sido, por lógica,
elevado a favorito para o campeonato nacional. Não
podemos nos esquecer, por exemplo, que o campeão
mineiro de 2016 foi o América Mineiro, que acabou
rebaixado no Brasileiro. O campeão gaúcho foi o
Internacional, também rebaixado no Brasileiro. Em
2015, o Vasco sagrou-se campeão carioca e, no final
do ano, amargou um novo rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro.
É fato que algumas medidas foram adotadas para que os torneios estaduais reduzissem a sua
duração de tempo e número de jogos, após manifestações realizadas pelo movimento Bom Senso
F.C.. Porém, o impacto para a geração de maior qualidade ainda não prosperou.
Estádios vazios, jogos cansativos, clubes priorizando outras competições e poupando seus principais
atletas até mesmo em grandes jogos. Esse é o cenário dessas competições locais. Os clubes que
disputam a Libertadores, como Botafogo e Atlético Paranaense, têm jogado grande parte dos jogos
do Carioca e Paranaense com suas equipes reservas ou mistas. Claro que para o clube e para
a torcida, é sempre legal ser campeão, mas é praticamente unânime que ambos preferem priorizar
outras competições, mesmo que isso acarrete em campanhas medíocres dentro de seus Estados.
O calendário brasileiro e sul-americano permanece muito inchado e desorganizado. Somente por
aqui os clubes realizam jogos durante as datas FIFA, destinadas aos confrontos entre seleções. Na
última janela de jogos FIFA, inclusive clássicos foram disputados. Em São Paulo, houve a disputa entre
São Paulo x Corinthians e, no Rio, Botafogo x Fluminense.
Como passar credibilidade ao seu público consumidor, se os times correm o risco de estarem
desfalcados de seus principais atletas? O resultado não pode ser diferente, é fracasso na certa. Nesse
clássico carioca, o público presente foi de 6 mil torcedores, gerando o maior prejuízo do campeonato,
no total de R$ 370 mil.
Os estaduais merecem o nosso respeito. Durante décadas, foram aclamados e elevados ao mesmo
patamar de importância do campeonato brasileiro. Os times do interior eram mais fortes e
apresentavam ao país novas promessas. Hoje lutam para sobreviver, sem conseguir se planejar
pelo fato da maioria não ter um calendário anual de jogos, mantendo seus times durante apenas um
semestre.
É essencial que uma nova fórmula seja encontrada, tanto para gerar interesse dos grandes, como
também para dar vida aos pequenos. Alguns consideram até mesmo a hipótese de extinção dos
estaduais. Acredito que haja espaço para enxugar um pouco mais a participação dos grandes nos
torneios, beneficiando a qualidade do espetáculo e entregando um produto melhor para os torcedores e
amantes do bom futebol.

Comentários

  1. Concordo com você Carlos. Comparando com o mundo corporativo, as marcas procuram seu mercado de acordo com suas estratégias. Marcas fortes focam nos grandes mercados, já as menores se posicionam num mercado regional. Fazendo uma analogia com os times de futebol, vejo que os estaduais, por serem regionais, deveriam ser disputados pelas marcas regionais, que teriam possibilidade de conquistar títulos, ganhar mais torcida, valorizar a marca. Uma grande marca busca maiores mercados, e os torneios que as expõem em nível nacional e internacional devem ser priorizados.
  2. Estou começando a crer que estamos diante de uma discussão muito mais complexa do que se imagina.

    Temos que levar em conta que os Estaduais tem peso diferente em cada estado.

    Como pensarmos em acabar com competições como o Carioca e o Paulista, sendo que este transfere mais valores em dinheiro aos clubes que suas participações na Libertadores?

    O Carioca não dá prejuízo para nenhum participante e ainda transfere aos grandes mais de R$ 1 milhão por jogo? Portanto, como disse, não há jogo em que tenhamos déficit.

    Quanto ao público dessas competições, faz-se necessário entendermos que a maior parte dele já não se encontra nos estádios/arenas.

    Precisamos, pois, identificar e quantificar o público, sobretudo aquele que está e fica em casa, na poltrona, nos bares, nos restaurantes e em outros locais. Este sim é o público real. Inclusive, parece-nos que as televisões tem mais retorno com os que estão em casa do que com os que estão nos locais dos jogos.

    A principal fonte de receita da maioria (senão todos) os Estaduais (não confundir com regionais), provém das televisões.

    Embora haja discrepâncias homéricas nesses valores, nem mesmo as competições estaduais de menor dotação desejam suas extinções. Enquanto o Paulistão distribui R$ 170 milhões, o Goiano rateia R$ 2,2 milhões.

    Quanto a calendário, os senhores tem razão: temos excesso de jogos no total de uma temporada; temos conflitos de datas entre algumas competições regionais, estaduais e até nacionais, e ainda temos, em razão disso, que enfrentar certa falta de racionalidade delas. Somemos a isto a natureza efêmera de algumas competições, como o Brasileiro Série D, além da precariedade de uma Primeira Liga.

    Abraços.

    Benê Lima, Cronista Esportivo, Vice-Presidente de Comunicação do Instituto UNIFUT, Membro do Conselho do Desporto do Estado do Ceará, Gestor Esportivo (autodidata)

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Benê Lima