Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

domingo, março 14, 2010

Santos acerta pontual e mantém "teste"
Time alvinegro fecha acordo com a rede Gazin para estampar seus calções no clássico contra o Palmeiras; Seara alimentos segue na camisa

Líder do Campeonato Paulista, o Santos terá uma novidade em seu uniforme para o clássico contra o Palmeiras, neste domingo, na Vila Belmiro. O time alvinegro fechou acordo pontual com a rede Gazin para estampar seus calções. Na camisa, seguirá com um teste da Seara alimentos.

O contrato com a Gazin vale apenas para o jogo contra o Palmeiras. O investimento da empresa nesse aporte gira em torno de R$ 110 mil. Fundada há 42 anos, a companhia tem matriz no Paraná e começou como uma loja de móveis e eletrodomésticos. Atualmente, fabrica colchões, estofados e móveis.

Com estrutura 100% familiar, a Gazin tem 3.358 colaboradores atualmente. O grupo teve faturamento de R$ 1.088.471.899,60 em 2008. O patrocínio pontual ao Santos foi intermediado pela agência Fujarra marketing esportivo.

Além da Gazin nos calções, o Santos terá a camisa dominada pela Seara no domingo. A empresa de alimentos pagou R$ 4,2 milhões para estampar as mangas alvinegras até o fim deste ano, mas negocia com a diretoria para assumir também a cota máster.

A colocação da Seara na cota máster funciona como um teste. A negociação pelo espaço está bem encaminhada, mas a empresa espera ver números de retorno de mídia com o atual time do Santos - a negociação foi tratada em bases superiores ao que o clube recebia no ano passado, e a diretoria usou um crescimento de exposição como argumento para isso.

A Seara também aparecerá no peito e nas costas da camisa do Santos no domingo seguinte, quando o time receberá o Ituano pelo Campeonato Paulista. Depois, com base em resultados obtidos nos jogos em que a empresa ocupou toda a camisa, haverá uma definição sobre a longevidade da parceria.

Fonte: Máquina do Esporte

Segurança nos estádios de futebol e a responsabilização de clube e dirigentes
É imprescindível que os representantes oficiais tomem todas as providências no sentido de preservar a integridade física de todos os participantes dos jogos
João Bosco Luz de Morais

O futebol é o esporte mais popular no Brasil e move milhares de apaixonados torcedores que comparecem aos estádios durante as realizações dos jogos pelos mais diversos campeonatos, profissionais ou não profissionais, espalhados pelo país.

Mas, infelizmente, infiltrados entre estes torcedores estão vândalos e baderneiros que comparecem aos estádios com o único propósito de provocarem brigas e pancadarias que resultam em sérios prejuízos ao espetáculo.

Só para citar um exemplo temos aquela verdadeira batalha campal ocorrida no estádio Couto Pereira, logo após o encerramento do jogo disputado entre as equipes do Coritiba e do Fluminense, pela Série A do Campeonato Brasileiro de 2009.

Este é um exemplo que não podemos admitir que se repita no futebol brasileiro. Por isso é necessário que haja uma rigorosa fiscalização durante as realizações das próximas competições, especialmente nos campeonatos estaduais e brasileiros de futebol de todas as séries.

De acordo com a Lei 10.671/2003 (Estatuto do Torcedor), em seu artigo 13, “o torcedor tem direito a segurança nos locais onde são realizados os eventos esportivos antes, durante e após a realização das partidas”.

Por outro lado, o artigo 14, e incisos, da mesma lei, atribui a responsabilidade por esta segurança ao clube mandante do jogo, conforme a seguir:

Art. 14. Sem prejuízo do disposto nos artigos 12 a 14 da Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, a responsabilidade pela segurança do torcedor em evento esportivo é da entidade de prática desportiva detentora do mando de jogo e de seus dirigentes, que deverão:

I – solicitar ao Poder Público competente a presença de agentes públicos de segurança, devidamente identificados, responsáveis pela segurança dos torcedores dentro e fora dos estádios e demais locais de realização de eventos esportivos;

II - informar imediatamente após a decisão acerca da realização da partida, dentre outros, aos órgãos públicos de segurança, transporte e higiene, os dados necessários à segurança da partida, especialmente:

a) o local;
b) o horário de abertura do estádio;
c) a capacidade de público do estádio; e
d) a expectativa de público;


III - colocar à disposição do torcedor orientadores e serviço de atendimento para que aquele encaminhe suas reclamações no momento da partida, em local:

a) amplamente divulgado e de fácil acesso; e
b) situado no estádio.


Os artigos 12 e 14, da Lei 8.078/90, tratam da responsabilidade objetiva pelo fato do serviço ou produto oferecido ao torcedor. Assim, por força destes dois dispositivos de lei, os clubes de futebol e seus dirigentes respondem por todos os danos sofridos pelos torcedores antes, durante e depois das realizações das partidas.

Vale ressaltar que os clubes mandantes e seus dirigentes têm o dever de requisitar ao Poder Público competente a presença de agentes de segurança que possam zelar pela segurança de todas as pessoas envolvidas na disputa de uma partida de futebol, sejam torcedores, atletas, comissões técnicas, imprensa, etc.

Entretanto, somente a adoção de tais providências não são suficientes para absolverem os clubes mandantes e seus dirigentes de eventuais obrigações de indenizarem pessoas que venham a sofrer danos dentro e nas imediações dos estádios de futebol. É preciso evitar que ocorram danos às pessoas envolvidas no espetáculo desportivo, sob pena de responsabilidade civil de clubes mandantes dos jogos e de seus dirigentes, pessoas físicas, os quais ainda se submetem à responsabilidade penal.

Mas a responsabilidade de clubes mandantes dos jogos e de seus dirigentes não se restringem à esfera da responsabilidade civil e penal. Podem, também, serem responsabilizados na esfera desportiva através de penas aplicadas pela Justiça Desportiva.

O Código Brasileiro de Justiça Desportiva prevê a punição de clubes e dirigentes por atos de seus torcedores, especialmente em seu artigo 213, cujo dispositivo prevê a punição de clubes por atos de vandalismo de seus torcedores, seja por desordem nos estádios ou por invasão de campo e lançamento de objetos no campo de jogo.

Na hipótese de ocorrerem quaisquer das situações anteriores, o clube pode ser condenado no pagamento de multas que variam de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais). E, quando a desordem, invasão ou lançamento de objeto no campo de jogo for de elevada gravidade ou causar prejuízos ao andamento do jogo, o clube pode ser condenado na perda de mando de campo de 01 (uma) a 10 (dez) partidas.

Se levarmos em consideração a aplicação do Estatuto do Torcedor combinada com a aplicação do Código de Defesa do Consumidor e Código Brasileiro de Justiça Desportiva, qualquer ato praticado pela torcida o clube mandante de um jogo de futebol e seus dirigentes podem ser severamente punidos, tanto na esfera da responsabilidade civil, penal e desportiva.

Portanto, é imprescindível que os dirigentes tomem todas as providências no sentido de preservar a integridade física de todos os participantes dos jogos, sejam como torcedores ou de qualquer outra forma, para evitarem responsabilidades para os seus clubes e para si mesmos, na esfera civil, penal e desportiva.

Todavia, aqueles torcedores que praticarem tais atos, sendo identificados, também sofrerão as conseqüências da responsabilização civil e penal. Mas, ressalte-se, tem que haver a identificação dos torcedores para que os mesmos sejam punidos. E a responsabilidade pela identificação dos torcedores, por força do que dispõe o Estatuto do Torcedor, é dos clubes mandantes dos jogos.

Fonte: IBDD


*João Bosco Luz de Morais é membro do IBDD, advogado especialista em direito civil e processual civil, doutorando pela Universidad de Buenos Aires, procurador do STJD do Futebol, auditor do STJD do Basketball, professor do Uni-Anhanguera (Goiânia – Go) e membro da Comissão de Direito Desportivo da OAB-GO.

Especial: gramados de futebol no Brasil
Fatores culturais, variedade da grama, drenagem e durabilidade compõem aspectos do campo, que requer tratamento muito especial
Equipe Universidade do Futebol

Na última semana, dois casos peculiares expuseram a relevância dos gramados para a realização de uma partida de futebol. Em um dos deles, em São Paulo, região atacada por fortíssimas chuvas na madrugada de sábado, o duelo entre Palmeiras e Sertãozinho, válido pelo Estadual, teve de ser adiado.

A condição do campo do estádio Palestra Itália era deplorável. Razão pela qual a própria direção alviverde pediu para que a Federação Paulista de Futebol (FPF) fizesse uma averiguação no local. Por volta do meio-dia, o anúncio de postergação da data para a segunda-feira.

“Quem tem o direito de adiar a partida é a federação. O clube pode só apontar o risco. Alertamos o risco de o jogo acontecer com um estado muito ruim do gramado, como contra a Portuguesa”, explicou o presidente do Palmeiras, Luis Gonzaga Belluzzo, em entrevista à Rádio Eldorado.


“A conclusão foi de que era melhor adiar também para impedir riscos de contusão”, complementou o mandatário, que viu sua equipe vencer por 3 a 2, de virada, no jogo realizado na moderna Arena Barueri.

O que forçou a mudança também do palco da partida foi o fato de que o estádio palmeirense será preparado para receber o show da banca de rock Guns n'Roses no próximo sábado. Uma realidade comercial das grandes praças esportivas, como o Morumbi, propriedade do rival São Paulo.

Na estreia da equipe tricolor na Libertadores da América deste ano, tal fator “contribuiu” para o desempenho irregular de alguns atletas. Dentre os quais o atacante Washington, que condicionou a falha na finalização de dois lances ao estado do gramado pós-shows de Metallica e Beyoncé, ocorridos lá.

“O campo estava um pouco prejudicado, e não conseguimos tocar a bola direito. Estava duro, parecia que a grama estava socada”, comentou o goleiro Rogério Ceni, com a referência à principal característica do time apresentada no Campeonato Paulista.

Segundo dados do Datafolha, o São Paulo troca 333 passes por partida, em média, com um índice de 86,5% de acerto. Na noite em que bateu o Monterrey-MEX por 2 a 0, esses números caíram para 260 e 75,8%.

“No que se refere a garantir a sustentabilidade de um estádio, a ideia é fazer com que todos os novos projetos sigam as normas mais ecologicamente corretas naquilo que tange a captação de água, utilização da energia solar, etc., o que colabora, também para a economia do clube”, explicou Adalberto Baptista, diretor de marketing da agremiação do Morumbi.


Na avaliação do dirigente, é preciso que se tente realizar algumas adaptações, mas nem sempre com o mesmo êxito que se tem quando se trata da obra de um local novo para jogos. Mas a sustentabilidade econômica tem de estar como prioridade.

“Há mais de cinco anos ele é rentável e para o ano de 2010 a previsão é que ele seja a principal receita do orçamento do São Paulo. Ou seja, o Morumbi possui plena viabilidade econômica como uma unidade de negócio”, completou, ainda em entrevista à Universidade do Futebol.

Muitos dos estádios nacionais foram construídos há mais de 20 anos e seus campos foram executados em solos argilosos e sem o emprego das técnicas modernamente usadas em gramados esportivos. Assim, encontram-se defasados em termos de drenagem, irrigação e espécie vegetal usada.

Insumo básico para a prática do futebol, os gramados têm de estar em consonância com o pensamento geral. Tanto valorizando a qualidade, quanto permitindo sua hiperutilização em questões comerciais e de marketing. Mas Pituaçu foi o outro exemplar referencial da semana passada.

A Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb) decidiu fechar o principal estádio local. A razão para a ação seria a necessidade de recuperação do gramado, atacado por pragas.

Um estudo realizado por uma empresa especializada em gramados de campos de futebol detectou a presença de duas pragas: paquinhas (Scapteriscus ssp) e lagartas (Spodoptera frugiperda). E se trata de um estádio inaugurado há pouco mais de um ano.

“Tomamos essa atitude diante do laudo técnico. Trouxemos um especialista e ele constatou que, além da paquinha, lagartas também estão atacando o gramado”, explicou Raimundo Nonato, superintendente do órgão estadual.

“As paquinhas, insetos de hábito noturno, atuam debaixo da terra alimentando-se das raízes da grama, o que deixa o piso do campo fofo e irregular. As lagartas, por sua vez, estão consumindo a vegetação do campo, prejudicando parte do gramado”, apontou a nota oficial, divulgada pela Sudesb.

O processo de recompactação já foi iniciado, e a reforma do gramado deve ser concluída em cerca de 25 dias, de acordo com a Greenleaf Gramados, empresa responsável pelo serviço. A ideia é que, durante esse período, faça-se a troca da grama e a regeneração das áreas.

“O que aconteceu no Pituaçu é muito comum nos gramados nacionais. O que não é normal é os responsáveis pela manutenção (tanto o clube, quanto a empresa de manutenção) não fazerem o rápido e pronto controle das pragas, deixando a situação chegar ao ponto de haver a necessidade de parar o estádio”, comentou Artur Melo, engenheiro agrônomo especializado na área esportiva.

De acordo com Melo, a idade do gramado não tem nada a ver com o aparecimento destas pragas. Elas aparecem em maior grau em determinadas épocas do ano e se houver manejo incorreto, principalmente com fertilização errônea.

O tratamento é feito controlando os insetos, replantando onde se fizer necessário - não há necessidade de replantar todo o gramado, segundo ele – e, principalmente, localizando onde ocorreu o erro: falta de monitoramento, fertilização errônea, etc.


Brasil carece de maior fiscalização sobre agentes de futebol
Os aspectos jurídicos do contrato entre o agente esportivo e o atleta de futebol no Brasil, e a comparação entre a legislação brasileira da CBF com a de confederações de outros países

No “país do futebol” ainda falta maior fiscalização e normas mais rígidas de parte da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para regulamentar a atividade dos agentes da Fifa (Fédération Internationale de Football Association). De acordo com o advogado Felipe Legrazie Ezabella, o agente Fifa é a pessoa que intermedia negociações entre atletas profissionais e clubes ou cuidam da carreira do jogador.

O trabalho do agente Fifa foi implementado pela entidade internacional em 1994 com o objetivo de melhor organizar a atividade dos representantes de atletas de futebol em todo o mundo. “No Brasil, a atividade está regulamentada desde 2001, mas ainda há casos de atletas que têm sua carreira gerenciada por pessoas não credenciadas pela entidade”, contou, ressaltando que a própria Fifa já estuda modificações em sua legislação.

Ezabella realizou um estudo sobre o assunto na Faculdade de Direito (FD) da USP. Na pesquisa de doutorado “O agente Fifa à luz do direito brasileiro”, ele analisou, entre outros temas, os aspectos jurídicos que envolvem o contrato entre o agente esportivo e o atleta de futebol no Brasil e comparou a legislação brasileira da CBF com a de confederações de outros países. “Em relação aos contratos entre o agente Fifa e o atleta profissional de futebol, podemos dizer que são bastante semelhantes a muitos contratos típicos”, descreveu o advogado.

Ele explicou que “contratos típicos” são aqueles previstos pela legislação, como contratos de corretagem, locação, etc. “Contudo, não há no Código Civil brasileiro nada específico à função do agente Fifa. Apesar de semelhante a outros contratos, sua regulamentação está diretamente ligada às normas da CBF e da entidade internacional”, disse.

Câmaras arbitrais

O advogado lembrou que, em casos de litígio de contrato entre um atleta de futebol e um agente Fifa, não há como se recorrer à justiça comum. “Os casos são analisados nas câramas arbitrais das entidades. Se o problema for no âmbito nacional, fica a cargo da CBF. Se for o caso de uma situação que envolva outro país, a análise fica a cargo da Fifa”, relatou Ezabella.

De acordo com a norma, o contrato do agente Fifa tem um prazo máximo de dois anos. Para ser um agente Fifa, basta que o interessado preste um exame na entidade. “Não há qualquer exigência de escolaridade. Aliás, diferentemente da Itália, onde a confederação de lá exige que o candidato a agente tenha curso de nível superior”, revelou.

Ainda segundo a legislação nacional, somente advogados, parentes próximos do atleta (pai, mãe ou irmão) ou os agentes Fifa é que têm condições legais para intermediar negociações entre jogadores e clubes ou cuidar da carreira do atleta. Mas Ezabella lembrou que muitos clubes ainda fazem negociações com pessoas que não se enquadram nessas exigências. “Daí a necessidade de mais fiscalização para maior segurança aos clubes e ao próprio atleta. Ainda existe no mercado agentes que não são devidamente credenciados”, descreveu.

O advogado acredita que a eficiência da fiscalização pode ser maior caso ela ocorra, principalmente, já nas categorias de base dos clubes. Ele também defendeu que a própria CBF promova mais cursos e palestras para que as partes interessadas ganhem conhecimento sobre o tema. “De um modo geral, o que se percebe é que há ainda falta fiscalização e maior conhecimento do assunto”, observou.

Ainda em relação a outros países, o pesquisador citou o caso da Inglaterra, onde há regras rígidas. “Em Portugal, por exemplo, há uma lei federal que rege a atuação do agente de futebol. Na Itália, no caso de jogadores ainda menores de idade, além da autorização dos pais do atleta, o agente tem um prazo de 120 dias para inserí-lo em um clube de futebol”, contou.

Em seu mestrado, também na FD, Ezabella já abordou o esporte em sua pesquisa “O direito desportivo e a imagem do atleta”. Segundo ele, foi o primeiro estudo de mestrado na FD na área esportiva. Em seu doutorado, o advogado foi orientado pelo professor João Roberto Elias, do Departamento de Direito Civil da FD.

Fonte: Agência USP de Notícias

Barcelona retoma debate sobre patrocínios
Clube catalão espera ampliar seu faturamento anual, mas ainda não conseguiu encontrar meios para isso

Enquanto existe no Brasil um movimento para aumentar a quantidade de propriedades relacionadas ao uniforme que as equipes de futebol vendem a empresas, o Barcelona sempre foi citado como exemplo contrário. O time catalão tem tradição de não estampar marcas em sua camisa e só mudou isso quando colocou o logotipo da Unicef, que não paga nada por isso e ainda recebe doações da equipe. Mas esse modelo, mais uma vez, virou motivo para debate.

O problema é que o Barcelona espera ampliar seu faturamento anual, mas ainda não conseguiu encontrar meios para isso. Os espanhóis chegaram a ter 60 milhões de euros de dívida com a Fazenda - nesta semana, o diretor-geral do clube, Juan Oliver, anunciou que a instituição sanou totalmente o problema. No total, o débito da equipe gira em torno de 230 milhões de euros.

Jaume Ferrer, um dos pré-candidatos à eleição presidencial que o Barcelona promoverá em junho deste ano, admitiu em entrevista ao jornal "Expansión" que pretende ao menos discutir a possibilidade de inserir um patrocinador na camisa do clube caso seja eleito.

Ferrer tem projeto de campanha baseado em uma reformulação na política econômica do clube. As principais propostas dele passam por incremento de receita ou corte nas despesas de curto prazo.

Contudo, a discussão sobre patrocínio não atinge apenas o uniforme e somente esse candidato. A atual diretoria, segundo o portal "Mundo Deportivo", também procura patrocinadores. O projeto, todavia, tem como foco o estádio Camp Nou.

A publicação revelou que o Barcelona fez até um estudo sobre o estádio do New York Yankees, time de beisebol dos Estados Unidos. A arena tem patrocinadores, mas esses aportes não envolvem o nome do local.

Fonte: Máquina do Esporte

Diferentes critérios de arbitragem fazem Roberto Carlos buscar nova maneira de jogar
Desde a sua estreia com a camisa do clube de Parque São Jorge, o jogador já recebeu dois cartões vermelhos
Equipe Universidade do Futebol

O lateral corintiano Roberto Carlos atuou durante 15 anos da sua carreira no futebol europeu. Por isso, na sua volta para o Brasil, o atleta disse que tem que se policiar na sua readaptação, principalmente aos critérios de arbitragem.

Desde a sua estreia com a camisa do clube de Parque São Jorge, o jogador já recebeu dois cartões vermelhos, justamente nos dois clássicos que o time disputou até o momento: contra Palmeiras e Santos.

"Eu sempre chegava para disputar a bola antes do adversário. Hoje, tenho medo porque posso tomar cartão amarelo ou vermelho no Brasil. O futebol brasileiro bloqueou a minha maneira de jogar", lamentou o lateral.

Roberto Carlos conseguiu escapar de uma punição além de um jogo fora pelo carrinho dado no início da partida contra o Palmeiras. Sendo um dos principais reforços corintianos, especialmente para a Libertadores de 2010, o atleta terá que alterar o seu estilo de jogo, caso não queira prejudicar a equipe.

A formação do jovem professor de escolinha de futebol
A transição de professor para treinador acaba se alterando basicamente no que diz respeito aos objetivos distintos que se determinado para atingir

Alcides Scaglia

Esta semana, em decorrência das aulas do bacharelado em Educação Física na universidade, estava conversando com os alunos sobre a formação do treinador de futebol, e a partir dos textos que estávamos estudando sobre pedagogia do esporte, ficava evidente que sua formação para a especialização (categorias de base) e também o profissional devem passar pelas escolinhas de futebol (a iniciação).

A passagem pelas escolinhas, evidentemente, refere-se à aplicação dos pressupostos básicos das novas tendências em pedagogia e pedagogia do esporte, as quais se opõem frontalmente à reprodução do ambiente e das peculiaridades do futebol profissional nas categorias de base e, principalmente nas escolinhas de iniciação.

Desse modo, a necessidade de adequação e desenvolvimento de uma metodologia que seja adequada à iniciação para grupos muito heterogêneos, em que todos têm o direito de aprender e o professor o dever de ensinar a todos, aliada a uma didática coerente e impregnada por intervenções pedagógicas que motivem a todos no processo, permitem que o professor adquira uma experiência ímpar que o qualifica a se candidatar com mais segurança e muita eficiência ao cargo de treinador.

É interessante e desafiante pensar contra a corrente, pois estas reflexões vão de encontro (contra) ao que assistimos. Porém, o paradigma está mudando e quando este se altera todos voltam à estaca zero. Ou seja, é um recomeço que John Baker, um estudioso sobre paradigmas na década de 80, diz que um passado glorioso de nada vale se o paradigma muda.

Desde o início do século XX que a ciência em suas várias áreas do conhecimento vem mostrando e provando esta mudança. Em algumas áreas, o que a ciência previa já é realidade para até para o senso comum.

Ou seja, quando se inicia a mudança, não tem mais volta, é só questão de tempo. Porém é preciso entender que tempo não significa semanas, meses ou poucos anos. Estou falando de tempo histórico.

Contudo, apesar de que falar sobre mudanças paradigmáticas muito me interessa (como pode ser lida em quatro anteriores crônicas pedagógicas especificamente dedicadas a esta temática), quero voltar ao tema principal deste texto e os seus desdobramentos.

Assim sendo, a aula e o debate com os alunos me levaram a relatar uma experiência interessante que passei ao logo de minha formação como professor de Educação Física.

Relatei-lhes as experiências desenvolvidas na Escola de Esportes do Clube Grêmio Recreativo em Rio Claro-SP, que iniciou suas atividades no dia 27 de agosto de 1994, quando eu e o professor Adriano de Souza (hoje um dos mais competentes treinadores adjuntos da primeira divisão do voleibol universitário nos Estados Unidos), ainda alunos de graduação, sob a tutela do professor João Batista Freire e o apoio do professor Jocimar Daolio, depois de apresentarmos um projeto para o presidente e diretoria do clube, iniciamos as atividades da Escola de Esportes.

Abaixo destacarei um excerto do livro Pedagogia do Esporte (editora Papirus), organizado pela professora Vilma Nista Picollo, que possibilitou-nos no ano de 1999 registrarmos esta experiência em dois dos capítulos do livro.

“O Clube Grêmio Recreativo dos Empregados da Cia. Paulista de Estrada de Ferro, localizado em Rio Claro-SP, cidade do interior do estado de São Paulo, abriu suas portas para que pudéssemos aplicar uma nova proposta de trabalho com a iniciação no futebol, que vinha sendo desenvolvida na FEF-UNICAMP, sob a orientação do Prof. Dr. João Batista Freire. Iniciamos a escola desenvolvendo o trabalho com o futebol para cerca de 100 alunos. Atualmente, o trabalho se estendeu para o voleibol e o basquetebol, mantendo os mesmos princípios e cuidados pedagógicos, ampliando o atendimento para mais de 300 alunos.

Mas, antes de nos aprofundarmos nos métodos desenvolvidos é preciso observar alguns princípios pedagógicos que regem todo o trabalho.

Dividimos os princípios em três conjuntos:

O primeiro conjunto de princípios está ligado aos atributos que regem um processo de ensino aprendizagem coerente e adequado, ou seja, o futebol entendido em seu processo e não como um produto; um trabalho que não tenha como finalidade a descoberta de talentos; a não cobrança de resultados e a não preocupação com a formação de equipes invencíveis, como fator relevante e avaliador do trabalho desenvolvido. Gerar uma organização para que o aluno pegue mais vezes na bola, ou seja, tenha muito contato com a bola durante a aula, buscando, evitar as grandes filas de espera da vez de jogar; possibilitar oportunidades diferenciadas para que eles saibam se auto-organizar; estimular a construção de regras estabelecidas por eles mesmos, ou seja, os alunos serem regidos por suas regras, elaboradas à medida das necessidades durante a aula.

O segundo conjunto de princípios procura se ater na determinação das características relevantes específicas de uma metodologia de trabalho. Portanto, preocupa-se com:

- a organização das turmas, de maneira adequada à faixa etária e nível de desenvolvimento; a divisão das turmas, de forma a possibilitar um desenvolvimento harmônico e global das crianças, atentando-se sempre aos seus aspectos cognitivos, afetivos (sociais), sensitivos e motores; aumentar gradativamente as situações propostas aos alunos, ou seja, brincadeiras oferecidas às crianças devem ser alteradas em função do nível de dificuldade; possibilitar que as crianças pensem sua própria ação, pois, pensá-las proporciona a assimilação e desenvolve o seu conhecimento crítico; não realizar atividades, que se resumem na prática pela prática, com explicações é possível situar o aluno no contexto em que a atividade é executada. O aluno, inserido neste processo, compreende o seu fazer, atuando como um agente criador e transformador de seu conhecimento.

Já o terceiro conjunto de princípios determina a importância de se considerar como bagagem a cultura motora que a criança já traz consigo. Um dos instrumentos adotados para aprendizagem mais significativa no futebol é a utilização desta cultura infantil. Para isso, procura-se sempre resgatá-la, adaptando brincadeiras infantis, adequando-as aos componentes do futebol. Possibilitar uma certa liberdade de expressão no transcorrer do processo de ensino-aprendizagem do futebol.

Outras preocupações pedagógicas, que geram diferentes procedimentos metodológicos, são assumidas no tocante as medidas dos campos, redução do tamanho dos gols, peso das bolas, número de jogadores durante os jogos, competições especiais, regras adaptadas...

Portanto, procuramos criar situações onde adequamos os jogos à realidade possível dos alunos. Estas situações se concretizam, por exemplo, na diminuição do tamanho do campo, ficando bola e alunos mais próximos em menor espaço; diminui-se o números de jogadores para que durante o jogo estes possam entrar em contato mais vezes com a bola; o gol é reduzido a um tamanho proporcional ao das crianças; o peso da bola dever ser menor nos iniciantes e ganhar peso conforme os alunos adquirem idade; as competições não se preocupam com o resultado em si, mas sim com a motivação dos alunos, sendo, portanto, campeonatos especiais que visam oferecer oportunidade à todos os alunos de participarem.

Estas competições podem assumir um ar de gincana, onde além do jogo principal, que assume determinado número de pontos, outras atividades, já realizadas em aulas, podem ser utilizadas para acrescentar pontos à disputa. Com isto, mais alunos podem participar do contexto competição, sem a sua ‘sobrecarga negativa’.

Não podemos deixar de destacar a importância de uma boa relação professor-aluno para o desenvolvimento de todos estes princípios, pois o educador deve proporcionar ao aluno o aprendizado de um conhecimento que, segundo Georges Snyders no livro ‘Alunos Felizes’, traduz-se na busca da alegria. Para que esta relação proporcione alegria é necessário que seja vivida com gravidade e profundidade, ou seja, com amor e dedicação, pois o professor não se encontra à parte, sentado em sua nuvem; ele revive os sentimentos e as aspirações dos alunos como se fossem as dele”.

Depois desse trecho do livro fica evidente que ser professor exige muito mais do que conhecimentos específicos de futebol (por exemplo, ter sido praticante): é preciso saber de pedagogia, compreender conscientemente de sua metodologia e apurar sua didática para que, com a aplicação do método, atinjam-se os objetivos específicos e gerais refletindo os princípios e as teorias pedagógicas que sustentam todo o processo.

Portanto, adquirindo estes conhecimentos pedagógicos, que aperfeiçoam a competência e ampliam as habilidades do professor, a transição de professor para treinador acaba se alterando basicamente no que diz respeito aos objetivos distintos que se determinado para atingir. Logo, o quanto antes alunos dos cursos de Educação Física que almejam ser treinadores de futebol (ou mesmo qualquer outra modalidade), deveriam aproveitar o tempo de formação teórica e, na própria universidade, colocá-las em práticas, criando laboratórios de estudos aplicados supervisionados pelos docentes.

O tempo urge, não dá para esperar as mudanças paradigmáticas ocorrem por completo, é preciso provocá-las.

Desorganização e auto-desorganização tática: os jogadores que resolvem
Como diria “o russo”, “na desorganização, a incompetência se esconde. Na organização, os elementos do sistema acabam tendo que mostrar a que vieram...”

Rodrigo Azevedo Leitão

Dia desses estava eu no Café dos Notáveis com o notável Alexander, “o russo” (como o chamam os mais chegados), debatendo questões de fisiologia, treinamento de força e, mais profundamente, aspectos particulares que envolvem a auto-organização, de jogadores e equipes em jogos de futebol.

Alexander, assim como outros russos notáveis do Café, tem uma visão bastante interessante a respeito das “coisas” do mundo, e essa visão se expressa, quando debatemos futebol, em ótimas e “ácidas sacadas”. Gosto muito quando encontro um dos russos do Café.

Pois bem. Nesse dia que encontrei Alexander, “o russo”, depois de uma discussão sobre os métodos utilizados pelos treinadores de futebol mundo afora, para fazer com que suas equipes alcancem rapidamente o jogar que eles (os treinadores) pretendem, surgiu uma interessante questão levantada por um dos colegas que “o russo” levara para apreciar o “dolce caffino” (uma deliciosa bebida do Café, que mistura café e brigadeiro (muito bom!)).

O colega do “o russo” estava muito intrigado com o que havia lido em um jornal que acabara de comprar em uma banca próxima ao Café.

Na matéria destacada por ele, alguns exemplos de equipes de futebol, que, disputando campeonatos importantes no Brasil, tinham, em momentos decisivos (e outros nem tanto) de diferentes competições, escalado para jogar jogadores contratados tardiamente, que sem sequer terem treinado mais do que uma vez com seus companheiros, já estavam no campo de batalha como solução para os problemas da sua equipe.

Para o colega do “o russo”, como explicar, dentro de um sistema equilibrado e organizado, a entrada de um elemento novo, que sem conhecer o perfeito funcionamento de tal sistema, suas interdependências e inter-relações, passa a ser tido como o grande “upgrade” desse sistema?

Para os estudiosos da auto-organização e das teorias sistêmicas, muitas coisas podem ser ditas para tentar explicar como e por que um elemento novo, e em princípio, estranho a um sistema, pode aperfeiçoar e melhorar o seu funcionamento.

De certa forma, e de maneira geral, é possível e aceitável admitir que quando um elemento novo se integra a determinado sistema, esse elemento poderá trazer benefícios a esse sistema, se, mesmo desconhecendo as características particulares que dão vida a ele (ao sistema), ser capaz de se integrar rapidamente aos seus elementos, através das afinidades com as dinâmicas, inter-relações e interdependências que estão presentes nesse sistema.

Porém, sem desconsiderar um ponto ou qualquer vírgula sobre as ponderações que os estudiosos das teorias sistêmicas nos oferecem em seus debates e produções, seria aceitável também admitirmos que em sistemas desorganizados a entrada de um novo elemento pode servir como atrator (?!) para direcioná-lo (o sistema) a uma configuração melhor (mais elaborada) – ou no mínimo mantê-la da mesma forma, “bem desorganizada”.

Tendo a acreditar mais na ideia de que as equipes são tão mal construídas, como sistema, que o que predomina em suas dinâmicas e sistemas de referência é a desorganização.

E com uma desorganização enfrentando outra desorganização, talvez a força do sistema dependa mais da qualidade de seus elementos constituintes do que das interações que lhes dão identidade.

Daí, acabo concordando mais ainda com “o russo” do Café, que diz que em sua terra natal toda vez que o gestor de uma respeitada fábrica de vodka precisava detectar os incompetentes de algum departamento que não estavam funcionando bem, ele chegava no departamento e o organizava. Ele sempre dizia que “na desorganização, a incompetência se esconde. Na organização, os elementos do sistema acabam tendo que mostrar a que vieram...”.

A empáfia do futebol
Insistência da Fifa em não inovar nas regras do esporte só pode ser por soberba

Erich Beting

Mais uma vez a Fifa empurrou com a barriga o que poderia ser uma decisão revolucionária para o futebol. Ou, como sempre gosta de frisar a entidade máxima do futebol, o International Board, órgão que discute as regras do esporte mais popular do mundo, decidiu que vai esperar mais alguns meses para dizer se aceita ou não algumas mudanças nas regras do futebol.

International Board que, pelo visto, é o único órgão que não está sob guarida da Fifa. Porque é ele sempre o único que vai contra o que, aparentemente, é o desejo da entidade que controla o futebol.

Foi o caso da última reunião para decidir, entre outras coisas, a implementação de inteligência artificial (bola com chip e recurso de videotape) para auxiliar no trabalho do trio de arbitragem. Trio, que poderia virar quinteto pela nova sugestão, mas cuja decisão foi também solenemente empurrada com a barriga para maio próximo, quando obviamente se decidirá que não dá para mexer nas regras porque está muito em cima da Copa do Mundo, e isso prejudicaria as seleções participantes.

O fato é que tanta insistência do futebol em manter tudo como está só pode significar um orgulho retrógrado de quem comanda o esporte. Ou uma soberba absurda, de saber que o futebol, por ser o esporte mais popular do mundo, não precisa se adaptar ao novo mundo.

Com certeza é muito difícil que o futebol perca o status que tem hoje. Suas regras, a maneira imprevisível como o jogo se desenvolve, a tradição pela torcida. Tudo isso conspira, e muito, para que não haja uma queda de popularidade no futebol. Algo que às vezes acontece em outras modalidades. E que exige uma readaptação das mesmas.

O vôlei, o futsal, o basquete, o tradicionalíssimo tênis. O próprio futebol americano, tão popular nos EUA quanto o futebol jogado com os pés é no resto do mundo, de vez em quando muda uma ou outra coisa em sua regra para se adaptar aos novos tempos, para usar a nova tecnologia em favor do esporte, para melhorar.

Mas o futebol insiste em ser careta. Insiste em querer que inovação só exista no material esportivo usado pelos atletas, para a confecção da bola do jogo, no modo de preparar as máquinas que entram em campo para jogar.

Não, sem dúvida o futebol não corre o risco de desaparecer se não se modernizar. A Fifa sabe muito bem disso. E usa o International Board para levar a “culpa” de ser tão careta. Ou de ser tão orgulhosa, conhecedora de sua soberania no reino esportivo.

Mas que seria sensacional que o futebol se adequasse ao novo mundo para melhorar suas regras, deixar ainda mais limpo e bonito o espetáculo e tratasse de fazer com que o erro ficasse muito mais próximo do zero, isso não há dúvidas.

Só que, para isso, seria preciso modernizar a cabeça da Fifa, levar seus dirigentes muito mais para o lado do marketing do que para a negociata. Aí o processo de modernização seria pesado demais...

segunda-feira, março 08, 2010

Manuel Sérgio Vieira e Cunha: filósofo português

Entrevista com professor de José Mourinho. Sem nunca ter jogado bola, ele 'fez a cabeça' do técnico e é considerado por muitos treinadores como um grande mentor


Paulo Favero

Manuel Sérgio

Em um certo momento da vida, os caminhos do técnico José Mourinho e do filósofo português Manuel Sérgio se encontraram. Um era um jovem rapaz de apenas 18 anos, começando a faculdade de Educação Física. O outro, um professor que questionava os preceitos básicos do curso e colocava dúvidas na cabeça dos alunos, coisa que um bom docente costuma fazer. Depois da universidade, cada um seguiu seu caminho.

Mourinho virou um dos treinadores mais bem pagos do mundo. Conquistou a Copa dos Campeões pelo Porto e os títulos nacionais em Portugal, na Inglaterra pelo Chelsea e na Itália com a Internazionale. E nunca se esqueceu dos ensinamentos e lições que teve. "Ele sempre me diz que eu fiz a cabeça dele", explica Manuel Sérgio Vieira e Cunha, que é reconhecido por muitos treinadores como um grande mentor.

Aos 76 anos, ele garante que nunca jogou bola. "Só na brincadeira", conta. Mas a paixão pelo futebol começou cedo, e principalmente pelo viés acadêmico. Ele costuma conversar com muitos técnicos, dá indicação de bibliografia e é fã confesso de Luiz Felipe Scolari. Para ele, Felipão reúne todas as condições de um vencedor. "São três características para ser um grande treinador: ser líder, saber ler o jogo e saber comunicar para motivar", explica o filósofo.

Como você conheceu o José Mourinho?
Eu dava aula de Filosofia das Atividades Corporais em 1981 e ele foi meu aluno. Na época diziam: para ter saúde, corra! Então eu falei que o professor de educação física é um especialista em humanidade. Até hoje o Mourinho diz que eu fiz a cabeça dele. Mostrei que não é só o corpo que está em questão, é a mente. Isso mexeu com ele. Mas eu nunca lhe ensinei futebol.

Você ainda mantém contato com ele?
Agora nos falamos pouco, mas antes tínhamos um contato semanal. Há uma coisa que eu dizia e ele aprendeu: é o homem que se é que triunfa no treinador que pode ser. Ele é muito esperto. O que eu tinha de fazer, já fiz. E estou satisfeito por isso.

O que vocês conversam?
O Mourinho leu a minha obra. Na última vez em que nos encontramos, ele comentou que o futebol italiano era o mais complicado. Nas nossas conversas, abordamos vários assuntos. Não falando estritamente de futebol, eu falo de futebol. Houve um tempo em que a Educação Física acentuava muito o físico. Mostrei que ali não era o físico, era uma pessoa em movimento. Para saber de esporte, tem de saber mais do que simplesmente o esporte. Não é uma atividade física, é humana.

Você também conversa com outros treinadores?
Eu tenho contato com o Carlos Queiroz (técnico de Portugal), José Peseiro (treinador da Arábia Saudita), Jorge Jesus (comandante do Benfica). Outro dia, o próprio Jorge Jesus me perguntou como faria para saber se a metodologia que ele estava usando era correta. Eu fui buscar no Paul Feyerabend (autor do livro Contra o Método), que diz que tudo vale.

Como a filosofia pode ajudar a pensar o futebol?
A filosofia quer dizer que nada deixa de ser suscetível ao questionamento. Os governos não têm medo de quem faz esporte, têm medo de quem pensa. A filosofia quer chamar a atenção mostrando que o esporte serve para fazer homens, cidadãos.

Dá para explicar essa paixão mundial pelo futebol?
É um jogo com os pés, que nos aproxima mais dos animais. Não é por acaso que o Eusébio era chamado de pantera, o Ardiles era conhecido como o formiguinha, o Edmundo era o animal...

Você também é um crítico da educação física tradicional...
Não há educação física. Essa expressão só aparece com a divisão do ser humano em duas partes. Ninguém contesta o físico, o que se contesta é que sejamos tão físicos. Acho que temos de olhar para o esporte como uma ciência humana.

Como assim?
O primeiro fator de saúde é que a vida precisa ter sentido para nós. Não falo que correr faz mal, mas é preciso ser feliz. Estamos em um tempo que tudo passa depressa e que é para ser consumido. Temos de acreditar em valores para humanizar a vida.

Quais valores?
O futebol é uma mentira, não tem nada de educativo. Um salário como o do Cristiano Ronaldo é um atentado contra milhões de pessoas que não têm nada. No fundo, o futebol deve educar e quando critico um determinado tipo de futebol é porque acredito no esporte. Temos de politizar a prática esportiva e isso tem de aparecer na educação.

O que você achou da escolha do Brasil para ser sede da Copa do Mundo em 2014?
Todos os brasileiros têm de entender que a Copa do Mundo vem ao Brasil porque o esporte é o desenvolvimento do ser humano como um todo. E é evidente que o Mundial traz prestígio para o Brasil. O futebol é o artigo de mais luxo que o País exporta.

Para concluir, quem será o campeão na África do Sul?
O Brasil é, contra qualquer país do mundo, favorito. E não digo mais nada.

sábado, março 06, 2010

Redação Justiça Desportiva

Em 1994, o torcedor nordestino conheceu o Campeonato Nordeste, competição que reunia as principais e melhores equipes da região. Mas ela só durou até o ano de 2003, passando ainda dois anos sem competições neste período. Em uma ação inédita desde então, dirigentes de praticamente todas as Federações e que integram a Liga de Futebol do Nordeste se reuniram no dia 25 de fevereiro para preparar um documento, intitulado de “Carta de Sergipe”, para ser enviado à CBF, onde anseiam pela volta da competição. A expectativa é de que até o final deste mês o documento chegue à entidade que comanda o futebol brasileiro.

O documento é composto com sugestões de datas, período, forma de disputa e outros detalhes. A decisão pela volta da Copa Nordeste ficará a cargo de Ricardo Teixeira, presidente da CBF. A reunião, realizada em Aracaju, em Sergipe, foi classificada pelo presidente da Federação Sergipana, José Clarivaldo Souza, como um marco histórico.

“Essa reunião é histórica não só para o futebol de Sergipe, como também para o futebol do Nordeste, que com certeza resgatará uma competição, que foi muito importante no esporte regional, recuperando finanças dos clubes. O retorno do Campeonato do Nordeste revitalizará as finanças dos clubes e das Federações, pois é uma competição altamente rentável e com patrocínio definido”, lembrou o mandatário do futebol sergipano.

Já o presidente da Federação Baiana de Futebol (FBF), Ednaldo Rodrigues, ressaltou que sempre foi um incansável defensor da realização deste campeonato. “Fui um presidente que em todas as oportunidades que estive com o presidente da CBF mencionou o retorno do Campeonato do Nordeste. Em 2003, quando a CBF suspendeu o campeonato do seu calendário, a Liga de Futebol do Nordeste promoveu, mesmo sem a concordância da entidade máxima do futebol no país, a competição, e teve apenas e tão somente o apoio da FBF, que disponibilizou seu quadro de árbitros, delegados financeiros e todo o apoio técnico que foi preciso”, destacou o dirigente, em entrevista no siteoficial do FBF.

Também a favor do projeto, o presidente da Federação Pernambucana, Carlos Alberto Oliveira, só discordou que a proposta deva apresentar um período definido de disputa (três anos), assim com quer a Liga de Futebol do Nordeste e a CBF. “Tem que ser uma competição como o Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil. Nós do Nordeste teríamos a nossa competição reunindo clubes da região. Não ficaríamos dependentes de uma competição que valoriza mais os clubes das regiões Sul e Sudeste”, explicou o dirigente pernambucano, revelando mágoa com a importância dada ao futebol da região.

O modelo sugerido pela Liga do Nordeste para o retorno da competição é que, a princípio, ela contaria com a participação de 16 clubes, originalmente os fundadores da entidade nordestina. A competição seria disputada no segundo semestre deste ano, aproveitando os intervalos do Brasileiros nas datas utilizadas pela Copa Sul-Americana.

Confira os campeões de cada ano e os melhores colocados:

1994:
- Sport (campeão)
- CRB (vice campeão)
- Bahia (3º lugar)
- Cruzeiro de Arapiraca (4º lugar)

1995 - Não houve disputa
1996 - Não houve disputa

1997:
- Vitória (campeão)
- Bahia (vice campeão)
- Ceará (3º lugar)
- Sport (4º lugar)

1998:
- América de Natal (campeão)
- Vitória (vice campeão)
- Bahia (3º lugar)
- Santa Cruz (4º lugar)

1999:
- Vitória (campeão)
- Bahia (vice campeão)
- Sport (3º lugar)
- CSA (4º lugar)

2000:
- Sport (campeão)
- Vitória (vice campeão)
- Sergipe (3º lugar)
- Poções (4º lugar)

2001:
- Bahia (campeão)
- Sport (vice campeão)
- Náutico (3º lugar)
- Fortaleza (4º lugar)

2002:
- Bahia (campeão)
- Vitória (vice campeão)
- Náutico (3º lugar)
- Santa Cruz (4º lugar)

2003:
- Vitória (campeão)
- Fluminense de Feira (vice campeão)
- ABC (3º lugar)
- América de Natal (4º lugar)


sexta-feira, março 05, 2010

Fatos, não argumentos

Juca Kfouri

O dono do blog é criticado por uma minoria que ainda gosta dos campeonatos estaduais.

Todas as sondagens de opinião feitas no blog, no entanto, deram resultados de acordo com a opinião do blogueiro, o que, de resto, é natural.

Mas veja as médias de público dos principais estaduais brasileiros até o momento, publicadas ontem pelo diário “Lance!”.

E veja que não se trata de opinião, de ser contra ou a favor.

Trata-se de uma constatação:

Em Pernambuco a média é de 6.934 por jogo.

No Rio de Janeiro, 6.131.

Em Minas Gerais, 5.780.

Em São Paulo, 4.886. Paulistão? Paulistinha, sim senhor!

Na Bahia, 3.171.

No Rio Grande do Sul, 3.004. Gauchão?

E, no Paraná, 2.341.

Alguma dúvida?

Nota do blog: foi retirada a média cearense, pois estava errada.


Benê Lima says:

Caro Juca,

A média cearense é inferior a 2 mil pagantes, o que em tese reforça o seu argumento . No entanto, há que se levar em conta o televisionamento. Deste ponto de vista, é preciso que compreendamos que há uma inegável transição, em que boa parte do público dos estádios migrou para a televisão.

Precisamos, primeiro, entender os números para não fazermos uma leitura errada. A primeira pergunta desses novos tempos é: Onde está o público? Ou seja: De onde ele provém? Passada essa fase, a pergunta seguinte é: Por que os estaduais? E aí, entendo que essa questão compreende certa complexidade em sua resposta.

A meu juízo, os estaduais não representam meramente uma tradição. Ao contrário, acabaram incorporando uma função social, sobretudo em estados em que se mantém subdivisões. Um exemplo. O estado do Ceará tem 1ª, 2ª e 3ª divisão profissional, assim como em muitos outros estados brasileiros. E a proposta é de não só mantê-las, mas prestigiá-las. Tais divisões representam postos de trabalho para os atletas, além da perspectiva de crescimento profissional.

Quer me parecer que ainda perdura uma visão elitista do futebol – em detrimento da idéia de sua massificação – que em nada contribui para a manutenção de seu potencial de crescimento, tanto dentro das quatro linhas, pelo surgimento de mais e mais talentos, quanto fora delas, ao descuidarmos da formação do torcedor do futuro.

Ademais, os estaduais são o principal e mais legítimo instrumento para a formação dos rankings estaduais para o credenciamento dos clubes em competições regionais e nacionais.

Os argumentos aqui colocados já não seriam suficientes para pensarmos o futebol a partir de uma visão sócio-desportiva?

Anseio por uma maior discussão.

Parabéns por seu blog!



quinta-feira, março 04, 2010

Irapuan Monteiro

O presente é o passado e o futuro?

Impressionante é o futebol Cearense. Eu acompanho desde 1972. De lá pra cá tenho observado somente a construção do estádio do Castelão, um estádio que já foi inaugurado muitas vezes e ainda não foi concluído. Os políticos estão sempre reformando.

A imprensa esportiva é a mesma, as opiniões idem, o pior é que muitos torcedores são seguidores deste atraso e tem ouvinte que chega ao ponto de querer brigar com quem é contra. Tem ouvinte que parece mais advogado de defesa.

Eu já estive dos dois lados: do lado da imprensa e do lado dos dirigentes. O pensamento dos dirigentes é o pior possível em relação à imprensa. Tem cronistas que eles fazem questão de nem vê-los. Saída pela esquerda.

São poucos os cronistas que não necessitam dos dirigentes. A maioria está sempre buscando apoio, em dinheiro ou em comerciais, em viagens, jantares, hospitais, remédios e colégios.

A imprensa Cearense no geral não faz trabalho investigativo. Faz as denúncias e deixa para lá. Em poucos dias não passam de denúnciais vazias, tudo vai para o esquecimento, ou o trabalho jornalístico não é concluído porque uma ligação telefônica já é o bastante para impedir.

No Futebol, este ano na primeira de divisão colocaram doze clubes. Todos nós somos sabedores que somente dois clubes são rentáveis no nosso futebol: Ceará e Fortaleza. O certo seriam somente oito ou no máximo dez clubes. Até a divisão dos recursos do televisiomento seria maior.

Gostaria de saber por que o Idemar Citó não anda na sede da FCF. O mesmo não é o vice-presidente? Por que o Idemar Citó não dá expediente na FCF? No estatuto da FCF o vice-presidente é quem administra a casa do Futebol, por que clubes e imprensa não cobram sua presença?

Nos dois maiores clubes do nosso Futebol, seus presidentes acumulam cargos de Presidente e Diretor de Futebol, e a imprensa esportiva fica calada. Qual o motivo?

O Fortaleza está na terceira divisão tem gente que está achando ótimo, por que aqui tudo é resolvido por torcedores. Parece até que não aconteceu nada. Hoje é o Fortaleza; amanhã o Ceará; depois é…

Onde tem torcedor, eu não acredito em profissionalismo.

Revisão: Benê Lima