Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

sábado, março 12, 2011

Augusto Moura de Oliveira, treinador da seleção feminina do Haiti

Pós-graduado pela UFV fala sobre experiência naquele país e da sua atuação em escolinhas de futebol
Bruno Camarão

O passado recente explica a desestruturação geral do Haiti, que conviveu durante anos em um cenário político atribulado. Em 2010, o país foi devastado por um terremoto de sete graus na escala Richter, que matou mais de 200 mil pessoas. E somente na força divina e no amparo proveniente da família e dos amigos restantes que muitas pessoas conseguiram se reerguer.

Vinte e três mulheres, representantes da seleção feminina de futebol haitiana, entretanto, viram o Brasil também como um porto seguro. E o esporte passou a integrar a remontagem sentimental da mais pobre das nações americanas.

Por intermédio de uma parceria entre a federação de futebol daquele país, o Ministério da Defesa, a Marinha do Brasil, a ONG Viva Rio e a Universidade Federal de Viçosa, viabilizou-se a preparação da equipe para a Copa Ouro, torneio eliminatório para a Copa Mundo que acontece este ano, na Alemanha.

“Foram três meses de um aprendizado fantástico, nutrido por inúmeras situações dentro e fora de campo, em que eu e toda comissão técnica nos tornávamos seres humanos melhores a cada momento”, definiu Augusto Moura de Oliveira, escolhido como treinador daquele time.

Ele conviveu com atletas como Betty Sanoun, que aos 25 anos quase perdeu a vida por causa do forte tremor – a meio-campista permaneceu soterrada por um dia inteiro após o desabamento de sua residência, na capital Porto Príncipe. Foram mais de dois meses de preparação envolvendo todas as avaliações físicas, laboratoriais, jogos amistosos e escolha das vinte mulheres que viajariam ao México para representar o Haiti na competição internacional.

“Muitos foram os aprendizados, pois pretendíamos respeitar as características do futebol haitiano; porém, implantarmos um estilo brasileiro de atuar dentro de campo, com qualidade na posse de bola, variações táticas e mais liberdade nas ações técnico-táticas individuais e coletivas”, revelou Augusto, que encontrou um pouco de resistência e dificuldade para implementar suas ideias.

Em termos práticos, o coordenador técnico da escola de futebol Fogo Maringá enalteceu a importância de aplicar o treinamento de forma globalizada, com o intuito de otimizar a questão técnica dos gestos motores das atletas. Princípios de ataque e defesa, em jogos reduzidos, foram delineados por Augusto e sua comissão, formada por: Alexandre Lemos (assistente técnico), Jorge Augusto (preparador físico), Luiz Carlos (preparador de goleiros) e Paulinho (Massagista).

Êxitos em termos de resultado à parte – o Haiti acabou não se classificando para o Mundial feminino –, a experiência de Augusto diante de um cenário histórico suplantou qualquer outro fator. Nesta entrevista concedida à Universidade do Futebol, ele fala mais sobre sua atuação com as haitianas e aborda ainda de maneira profunda o processo de formação do jogador brasileiro, a partir das ideias do livro Escola de Futebol: dicas administrativas e pedagógicas para alcançar o sucesso, de sua autoria.



 
Seleção feminina de futebol do Haiti: considerações acerca dos treinamentos técnico e tático 
 

 

Universidade do Futebol – Qual a sua trajetória acadêmica e como ocorreu o ingresso no ambiente do futebol?

Augusto Moura de Oliveira –
 Eu me formei em Educação Física pelo Centro Universitário de Maringá, em 2005. Após isso, concluí o curso de pós- graduação em Futebol na Universidade Federal de Viçosa, em 2007. No primeiro ano de faculdade tive a oportunidade de ingressar como estagiário no Projeto Revelação de uma entidade filantrópica chamada Lar Escola de Criança de Maringá. Tal projeto objetivava suprir o tempo ocioso dos jovens com um programa de iniciação esportiva ao futebol de campo.

De lá para cá foram inúmeras participações em congressos, passagem por diversos clubes de formação, criação de um simpósio de futebol e recentemente o trabalho como treinador da seleção feminina de futebol do Haiti.

Universidade do Futebol – 
Fale um pouco sobre os obstáculos estruturais e sociais que o Haiti enfrenta, bem como os motivos da cultura motora não ter sido desenvolvida a contento com os atletas.

Augusto Moura de Oliveira – O passado recente nos explica a desestruturação do país de maneira geral, porém, há muitos anos, o Haiti enfrenta problemas políticos que afetam as demais esferas da nação. No âmbito esportivo não seria diferente, embora o futebol seja um dos esportes favoritos lá. As condições das estruturas físicas estão bem longe de serem apropriadas para desenvolver projetos esportivos e sociais com intuito de preencher o contra-turno dos jovens.

A nação encontra-se com escassez de infraestrutura básicas, como saneamento, educação, energia elétrica, asfalto, dentre outros que acabam por dificultar o avanço no que diz respeito a prática desportiva.




Haiti pós-terremoto: falta de estrutura, campos de futebol usados como abrigo e abalo emocional das atletas 

 

Universidade do Futebol – Como foi a experiência de comandar a seleção feminina do Haiti na preparação para a Copa Ouro? Detectou muitas especificidades em relação aos projetos desenvolvidos no Brasil?

Augusto Moura de Oliveira – É impar o momento de estar à frente de uma seleção nacional. Foram três meses de um aprendizado fantástico, nutrido por inúmeras situações dentro e fora de campo, em que eu e toda comissão técnica nos tornávamos seres humanos melhores a cada momento.

Através de uma parceria entre Ministério da Defesa, Marinha do Brasil, ONG Viva Rio e Universidade Federal de Viçosa, viabilizou-se a vinda da seleção haitiana de futebol feminino ao Brasil objetivando a preparação para a Copa Ouro, eliminatórias da Copa Mundo que acontece este ano na Alemanha.

Diante disso, recebi uma ligação do coordenador do curso de pós- graduação em Futebol da Universidade Federal de Viçosa, João Bouzas Marins. Durante o contato, ele resumiu o projeto e foi direto ao assunto ao me questionar se eu aceitaria ser o treinador dessa seleção feminina.

De fato, fiquei surpreso com o convite, mas ao mesmo tempo muito motivado pelo pouco tempo de trabalho e pela grandeza da missão.

Desde então, passaram-se duas semanas e eu já estava em Viçosa reunido com os professores doutores João Bouzas, Próspero Paoli e José Muanis para discutir o desenvolvimento do projeto e suas etapas de acontecimento.

Foram 70 dias de preparação envolvendo todas as avaliações físicas, laboratoriais, jogos amistosos e seleção final das vinte atletas que viajariam ao México para representar o Haiti numa competição internacional.

Muitos foram os aprendizados, pois pretendíamos respeitar as características do futebol haitiano; porém, implantarmos um estilo brasileiro de atuar dentro de campo, com qualidade na posse de bola, variações táticas e mais liberdade nas ações técnico-táticas individuais e coletivas.

Para implantarmos esse conteúdo encontramos um pouco de resistência e dificuldade, todavia fomos nos utilizando de jogos em espaço reduzido, pequenos e médios jogos com regras adaptadas a fim de inserir os conteúdos planejados e atingirmos nossos objetivos.

 

Entrevista com João Carlos Bouzas, professor da UFV 




Da surpresa do convite à motivação por causa da grandeza da missão: Augusto assumiu a seleção feminina do Haiti e participou de importante processo histórico 

 

Universidade do Futebol – Como é estruturado o futebol – de maneira geral – naquele país? As mulheres possuem suporte, ou é uma realidade ainda bem precária? E a metodologia de trabalho definida para o treinamento da equipe?

Augusto Moura de Oliveira – No Brasil, já estamos numa escala maior graças ao trabalho de profissionais dedicados ao futebol feminino, contudo vale destacar que o patamar que atingimos é graças a pessoas como Renê Simões, Jorge Barcelos e Kleiton Lima. 

Este último merece destaque especial pela contribuição à modalidade em nosso país estando à frente do Santos por 13 anos e por comandar os triunfos recentes da seleção principal de futebol feminino no Brasil.

Resolvi citá-lo pelo carinho com que nos recebeu para uma partida amistosa na Granja Comary e, principalmente, pelo respeito e atenção de toda sua comissão técnica e atletas. Após esse jogo, conversamos por longos minutos sobre o panorama geral do futebol feminino no Brasil e no Haiti.

É sabido dos obstáculos que se enfrentam por aqui para fazer da modalidade cada dia mais profissional. Diante disso, guardada as devidas proporções da comparação.

No Haiti, as condições são inferiores, já que os campos de futebol foram transformados em abrigos e alojamentos para centenas de famílias após o terremoto.

Existe uma liga feminina de futebol, porém um pouco longe de ser profissional e tampouco estruturada de forma que garanta às mulheres exercer apenas a profissão de atletas de futebol no país. 

Mas vale lembrar que o Haiti passa por um forte processo de reconstrução, no qual a ONG Viva Rio e a Universidade Federal de Viçosa estão somando forças com intuito de fornecer investimento e material humano para estabelecer e estruturar a prática esportiva desde a mais tenra idade, objetivando criar uma cultura esportiva e fornecer estímulos necessários para que os jovens desenvolvam suas potencialidades.

Sobre a metodologia de trabalho, foi de suma importância nossa decisão quanto à aplicação do treinamento de forma globalizada, a fim de otimizar a questão técnica dos gestos motores e deixar claro que um repertório motor desenvolvido de forma adequada facilita a transferência para o elemento tático do jogo, visto que o maior repertório técnico influencia diretamente na tomada de decisão.

Diante dessa perspectiva, utilizamos exercícios mirando não apenas a correção do movimento e refinamento do gesto, mas também com a intenção de desenvolver os princípios de ataque e defesa durante as sessões de treino. 

Para tanto, criamos jogos para execução das ações táticas específicas e situacionais com a intenção de fornecer e nutrir o repertório motor e cognitivo das atletas a fim de equilibrar o desenvolvimento ofensivo e defensivo da equipe.

Universidade do Futebol – Em seu livro “Escolas de Futebol: dicas administrativas e pedagógicas para alcançar o sucesso, você elenca características específicas para a montagem de um projeto desse tipo. Poderia explicar um pouco sobre o processo de confecção da obra e quais são os principais temas abordados?

Augusto Moura de Oliveira – Foi resultado de ampla pesquisa e alguns anos de trabalho como gestor e consultor de escolas de futebol.

A obra apresenta dicas e modelos de intervenção resumidos de forma sucinta, rápida e criativa. O conteúdo busca orientar professores e gestores de escolas desportivas para que as ações alcancem sucesso e minimizem erros durante a temporada.

Sendo assim, podemos elencar diversas dicas e sugestões de atividades práticas para otimizar o processo de intervenção dos profissionais que atuam nas escolas de futebol

 




Confira mais informações sobre a obra

 

Universidade do Futebol – De que forma são reconhecidos os líderes individuais entre as crianças e de que forma deve ser trabalhada a liderança construtiva pelos professores, coordenadores e técnicos?

Augusto Moura de Oliveira – Ouso afirmar que professores de futebol atentos ao processo de ensino-aprendizagem tornam-se capazes de identificar com certa facilidade as características individuais dos alunos que compõem as mais diversas turmas de uma entidade desportiva.

Para tanto, detectar vontades, desejos, vaidades, carências e necessidades faz parte de uma gama de habilidades que os professores desenvolvem ao trabalhar diariamente com jovens futebolistas. 

A liderança é uma das habilidades percebidas através desse contato. No entanto, o aluno apresenta características operacionais, criatividade, facilidade de assimilação do conteúdo ministrado, motivação, capacidade de incentivar os demais integrantes e externar sua opiniões com naturalidade.

Diante disso, cabe ao professor desenvolver atividades que potencializem esses adjetivos, bem como dinâmicas que requerem expressão individual dentro do grupo.

Universidade do Futebol – Walter Benjamin diz que o grande equívoco em relação aos brinquedos fabricados é o fato de que estes são sempre pensados como produções para as crianças e não como criações das crianças. Os brinquedos, atualmente industrializados e produzidos em séries, limitam a criatividade das crianças, mesmo quando estas não são totalmente servis a eles?

Augusto Moura de Oliveira – Os brinquedos infantis evoluíram muito nos últimos anos, pois existem preocupações no tocante ao tipo de inteligência que o mesmo desenvolverá e também sobre as mais variadas faixas etárias a que se destinam tais objetos.

Para tanto, é função dos professores e instrutores utilizarem-se da criação e recriação de formas e meios de se desenvolver habilidades e inteligências que servirão de premissas para aprendizagens futuras.

Diante dessa perspectiva, a criança deverá sempre dominar e manipular o brinquedo, e não o contrário.

Universidade do Futebol – O jogo de futebol não é feito apenas de fundamentos, movimentos técnicos, sendo a relação com a bola apenas uma das competências essências dessa prática. Como desenvolver esses mesmos jogos facilitando a aprendizagem da estruturação do espaço e da comunicação na ação?

Augusto Moura de Oliveira – Não podemos pensar no processo de ensino- aprendizagem do futebol de campo se fragmentarmos as ações técnico- táticas. O todo deve prevalecer também no processo de ensino.

No entanto, a redução dos espaços, a adaptação das regras e a criação de jogos pré-desportivos são de suma importância para que se desenvolva um ambiente de aprendizagem satisfatório.

Os professores devem planejar vossas aulas com o devido cuidado, respeitando os aspectos biológicos, fisiológicos e motores dos aprendizes.

Hoje em dia a literatura se encontra vasta no sentido de ofertar conhecimento aos estudantes e profissionais de educação física que atuam nas escolas de futebol.
 


A criança e a iniciação esportiva

 

Universidade do Futebol – O fato de as crianças não brincarem mais tanto de futebol, desenvolvendo essa atividade majoritariamente em escolinhas ao comando de um professor muitas vezes tecnicista, pode acarretar em uma perda da identidade brasileira ao longo do tempo?

Augusto Moura de Oliveira – A pergunta é pertinente ao extremo, haja vista o número de intervenções práticas ministradas por instrutores de futebol que apenas reproduzem o que lhes foi ensinado num passado não tão distante.

Sabe-se no mundo inteiro que o futebol brasileiro é conhecido e reconhecido pelo talento individual, pela ousadia com a posse da bola, pelos dribles e tabelas que tanto encantam e premiam nossos craques pelo mundo afora.

De fato, o cenário atual preocupa, mas cabe, sim, aos profissionais de educação física fazer do ambiente responsável pelo ensino do futebol uma ferramenta capaz de suprir a necessidade de movimento das crianças e, principalmente, ofertar estímulos motores e cognitivos satisfatórios.

Uma abordagem prática deve ser baseada no conhecimento afetivo, cognitvo e motor que o jovem já possui. Entretanto, o lúdico deve prevalecer sempre no planejamento das sessões de treino. O jovem futebolista deve ser incentivado a brincar de jogar futebol dentro do ambiente formal.

Logo, tomar nota dos tipos de brincadeiras que as crianças mais gostam e participam em ambientes fora da escola de futebol se faz necessário para que os treinos de futebol atinjam seus objetivos e mantenham os praticantes envolvidos por inteiro nas atividades.

É igualmente importante sublinhar que o futebol brasileiro estará sujeito à perda da identidade apenas se os profissionais não qualificados forem maioria no nosso país. Porém, isso não me preocupa, pois existem diversas instituições de ensino formando e capacitando profissionais competentes para trabalharem com futebol – e o mais importante é que clubes de formação e escolas de futebol oportunizem a aplicação desse conhecimento.

Universidade do Futebol – Quais as semelhanças e diferenças você consegue identificar entre uma pelada e um jogo oficial? O bom peladeiro será necessariamente um bom jogador do “esporte futebol”?

Augusto Moura de Oliveira – Uma pelada de futebol apresenta vertentes que merecem atenção quando pensamos em liberdade, movimentos espontâneos, improvisação, interação e disseminação da cultura esportiva. 

Numa pelada, os participantes possuem as mais diversas idades, capacidades motoras bem ou mal desenvolvidas, biótipos propícios ou não, intenções particulares com aquela prática e, principalmente, aquela sensação que se pode realizar jogadas geniais como os grandes jogadores.

Já uma partida oficial se encaixa nas mais diversas formas que o futebol se apresenta, seja como espetáculo, negócio ou rendimento esportivo. 

Podemos detectar as regras sendo aplicadas, a mídia cobrindo o espetáculo e transmitindo para milhões de pessoas em todo o mundo e todos os demais detalhes percebidos somente por quem já viu alguma vez na vida uma partida oficial dentro de um estádio de futebol.

Seria rigidez exacerbada afirmar que um bom peladeiro não pode se tornar um ótimo jogador de futebol, logo, um bom peladeiro que apresente pré-requisitos interessantes poderá, sim, ser um jogador de futebol que atenda às necessidades físicas, técnicas e táticas de determinados clubes e treinadores.



 

Universidade do Futebol – Como você vê, dentro do âmbito escolar e das próprias escolinhas de futebol, a possibilidade de instrumentalizar o futebol para integrar novos conhecimentos?

Augusto Moura de Oliveira – Muitas são as opções de agregar valor ao processo de ensino- aprendizagem do futebol dentro e fora das escolas de futebol. Ações inovadoras servem de ferramenta aos professores das escolas de iniciação e especialização esportiva para que atinjam níveis maiores de desenvolvimento global.

Mais uma vez volto a frisar a importância de se possuir professores motivados e interessados em fazer dessa prática esportiva uma excelente oportunidade de transmissão de conhecimento, onde a geração de discussões sobre os mais variados temas, ou seja, uma simples palestra com profissionais da área da saúde, políticos, empresários, policiais, dentre outros, pode fornecer estímulos a fim de contribuir com a formação de indivíduos mais críticos e possuidores de conhecimento horizontal.

Universidade do Futebol – Para formar um jogador de futebol, não basta apenas oferecer a estrutura física adequada, mas é preciso investir em preparação motora e psicológica, além de promover uma prática orientada e planejada do esporte desde a infância. No Brasil, você consegue detectar projetos integrais consolidados de escolas de futebol?

Augusto Moura de Oliveira – Um pouco longe do ideal, mas no Brasil já se pode detectar instituições completamente preocupadas com a execução completa do processo de preparação de jovens futebolistas.

De fato, uma estrutura física adequada, profissionais capacitados, equipe multidisciplinar, saúde financeira, planejamento estratégico e plano de cargo e salário devem reger a interação desse organograma com intuito de qualificar ainda mais o mecanismo de formação de jogadores no Brasil.

Sabemos que a partir do momento que um garoto ou uma garota sai de casa e passa a morar em alojamentos dos clubes de formação, a responsabilidade pelo processo de educação desses indivíduos será função do clube, pois este terá contato diário com os atletas durante anos.

Posso citar o Clube Atlético Paranaense, o Cruzeiro, o Atlético Mineiro e o Coritiba como instituições que ofertam suporte total aos garotos de suas categorias de base. Ouso elencar esses clubes simplesmente por conhecer tanto a estrutura física quanto os profissionais que lá trabalham.

Contudo, é louvável mencionar que os citados acima também possuem planejamento para carreiras de profissionais de educação física, haja vista o número de anos que os mesmos atuam dentro dos clubes e também aevolução gradativa dentro do organograma.




Alguns clubes realizam um trabalho de base estruturado e pautado na contratação de profissionais qualificados: é o caso do Atlético-PR, com suas Escolas Furacão

 

Universidade do Futebol – Como você avalia o processo de detecção e desenvolvimento de talento do jogador de futebol no Brasil? Os grandes clubes formadores sabem exatamente que jogador estão procurando para fazer parte desse contexto?

Augusto Moura de Oliveira – O processo de diagnóstico, seleção e promoção dos jovens talentosos no Brasil acontece diariamente nos mais diversos locais onde se pratica futebol. Entretanto, muitos clubes já desenvolveram métodos eficazes de avaliar e minimizar erros durante a seleção e detecção desses talentos.

Embora exista essa preocupação, muitos talentos não conseguem êxito na carreira de jogador de futebol. Isso se deve às inúmeras variáveis que permeiam o fenômeno social no qual se encaixa a modalidade futebol.

Os valores que se pode atingir com compra e venda de jogadores de futebol no Brasil e no mundo faz com que clubes formadores, empresários, dirigentes e pais queimem etapas, alterem comportamento e se esqueçam do processo educacional.

Evidente que clubes formadores sabem o que procuram, entretanto, os meios que usam para alcançar objetivos finais é o que torna o processo preocupante. Estamos cansados de ver em programas de televisão, jornais e internet o número de empresários e agentes que atuam no Brasil e todos se mostram sabedores de qual é o melhor caminho para os jovens.

Os agentes e empresários são parte do futebol, sim. Na grande maioria das vezes são os maiores parceiros dos clubes na captação e indicação de jogadores. Esse fato explica a importância desses profissionais.

Logo, em nosso país, a oferta é, sim, muito maior que a procura. Tal panorama nos faz refletir sobre como devemos lidar com as perspectivas daqueles que não farão parte desse seleto grupo, ou seja, atletas de futebol profissional e que tenham na profissão um retorno e satisfação pessoal e profissional.




Para Augusto, clubes formadores sabem o que procuram, mas alguns meios usados para alcançar seus objetivos tornam o processo preocupante 

 

Universidade do Futebol – Além disso, será que os processos de formação estão bem organizados e estruturados, com conteúdos bem definidos para serem desenvolvidos, com as equipes tendo claros os objetivos finais do processo de formação?

Augusto Moura de Oliveira – É nítida a presença de mais cursos que debatem e abordam temas relacionados ao processo de formação de jovens jogadores no Brasil. Esses eventos ganharam força nos últimos anos.

O meio acadêmico tem alcançado cada vez mais destaque no âmbito da formação de jogadores, ao passo que instituições de ensino estão formatando parcerias com clubes formadores objetivando solidificar o processo.

Para tanto, percebe-se que os profissionais que trabalham nesses clubes formadores e que participam de congressos e simpósios tornam público os meios e métodos que se aplicam no cotidiano do clube.

Diante disso, fica mais acessível para os demais profissionais tomar conhecimento da estruturação e organização dos conteúdos multidisciplinares implantados nos clubes formadores.

Universidade do Futebol – Se tratada de forma correta, a especialização esportiva ajuda no desenvolvimento das crianças nos aspectos social (relações com outras pessoas e com o mundo), filosófico (compreensão e questionamento), biológico (conhecimento e utilização do corpo), e intelectual (desenvolvimento cognitivo)? O que pensa sobre esse tema, especificamente?

Augusto Moura de Oliveira – Esse período do treinamento desportivo deve estar pautado cientificamente para que não se queime etapas; logo, o domínio das técnicas e o conhecimento das fases sensíveis dos jovens facilitarão o alcance de metas.

É igualmente importante dizer que o processo de iniciação esportiva deve estar muito bem desenvolvido para que a especialização faça parte do macrociclo de treinamento.

A literatura nos mostra o quanto um desenvolvimento do processo de iniciação esportiva se apresenta como necessário para que se submeta os jovens à especialização esportiva.

Mais especificamente, as esferas biológicas, cognitivas, sociais e filosóficas são desenvolvidas a contento quando se aplicam de maneira correta os conteúdos, nas mais diversas faixas etárias.

Como dito anteriormente e defendido por muitos autores nacionais, os jovens que estão inseridos no processo de iniciação e especialização esportiva possuem altas chances de se tornarem adultos saudáveis com hábitos e estilo de vida ativo. Entretanto, apenas praticar esportes, ou seja, a prática pela prática, pode não ser tão eficaz quanto entender e saber o porquê se pratica determinada modalidade e quais suas nuances.

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A Inteligência Competitiva e o Espectáculo Desportivo

A multidimensionalidade da sociedade de hoje exige cada vez mais informação e cultura de seus criadores e atores

A Inteligência Competitiva (IC) resulta de uma resposta cultural e operacional à globalização e às transformações individuais e sociais que este fenómeno originou. A IC pode mesmo definir-se como um sistema cultural e operacional de recolha, tratamento, análise e encaminhamento da informação, visando o processo de tomada de decisões.

A IC, como diz o meu amigo, Doutor Miguel Trigo (Universidade Fernando Pessoa), “deve fornecer a informação certa, no momento certo, de forma certa, à pessoa certa, para que, finalmente, esta última possa tomar a decisão certa”.

De acordo com os dados publicados pela Society of Competitive Intelligence (SCIP), no plano internacional mais de 80% das empresas que atingem lucros superiores a 10 biliões de dólares possuem sistemas organizados de IC.

De facto, estas empresas, actualizadas do ponto de vista científico e organizacional, apresentam departamentos de IC e superam assim as restantes em três importantes áreas: vendas, quota de mercado e ganhos por quota de mercado. Relativamente aos profissionais de IC, a “conditio sine qua non” de admissão são as qualidades pessoais do candidato, a sua informação e a sua cultura. No caso do futebol, eu acrescentaria uma incontida paixão por esta modalidade desportiva. Quem gosta do que faz, trabalha mais e melhor...

A informação e a cultura são, hoje, os grandes factores de desenvolvimento. A multidimensionalidade da Sociedade da Informação, que é a nossa, exige, também dos fazedores do espectáculo desportivo (e portanto do futebol) mais informação e, por extensão, mais cultura.

No nosso futebol (meu poiso durante 28 anos, através do dirigismo no C.F. “Os Belenenses”) há dois campos bem estremados em liça: o dos que se fundamentam na sua vida de ex-profissionais e o dos que, teoricamente tão-só, falam de futebol, até à exaustão – escasseando, tanto num lado como noutro, a informação e a cultura. Trata-se de uma lacuna tão evidente... que ninguém vê! Ocorre-me o conto de Poe, “The Purloined Letter”.

A polícia parisiense procura, em vão, na casa de um suspeito, uma carta politicamente comprometedora. A polícia investiga os pontos mais escondidos e... nada! Em desespero de causa, o chefe da polícia solicitou a colaboração de Dupin, precursor de todos os detectives da literatura policial, que rapidamente encontrou a carta procurada. De facto, a carta não se encontrava em nenhum esconderijo de difícil acesso, mas à vista de toda a gente. E nisto consistia a astúcia: o seu ocultamento era a sua fácil visibilidade. Acontece o mesmo com o nosso futebol. É tão evidente a incultura e a desinformação, que o fragilizam, que se torna difícil descobri-las e entendê-las.

Daí que eu ouse propor a criação de um departamento de inteligência competitiva (DIC), nos clubes de futebol profissional, na selecção nacional de futebol, liderado por um doutor em Desporto e composto ainda por um filósofo, um psicólogo, um fisiologista (ou um médico) e um treinador de futebol.

Com que objectivos? A criação de uma nova racionalidade, onde ciência e filosofia sejam complementares e portanto onde conhecer seja principalmente relacionar, contextualizar, organizar. E que ciência? Indubitavelmente, uma ciência hermenêutico-humana, dado que o futebol é menos uma Actividade Física do que uma Actividade Humana. Uma teoria científica do Desporto é sempre uma teoria científica do sujeito.

Sem as acções individuais e colectivas do praticante, o futebol (ou qualquer outra modalidade desportiva) não pode estudar-se como objecto do conhecimento. E, como ciência hermenêutico-humana, que método?

O método, para a máquina complexa que é o ser humano, será o que decorre do pensamento complexo, ou seja, o método da complexidade, ou método integrado (cfr. Francisco Silveira Ramos, Futebol – a competição começa na rua, pp. 31 ss.) onde, pelas acções típicas da competição, se treinam o individual e o colectivo, o grupo e as capacidades individuais físicas, intelectuais, emocionais. De sublinhar também que a realidade e a verdade são fruto de práticas discursivas complicadas. De facto, a realidade não pré-existe à razão e à linguagem.

O treinador deve, por isso, saber comunicar, para motivar. Por outro lado, o método da complexidade diz-nos que o jogador é homem, antes de ser futebolista, e portanto na preparação do futebolista não pode esquecer-se o homem capaz de assumir uma racionalidade e uma ética intersubjectivas e... um rigoroso “treino invisível”.

O DIC criará ainda e dinamizará dispositivos de recolha, tratamento e disseminação da informação, de acordo com os mais modernos princípios da informação e da comunicação e os interesses do departamento de futebol.

Semanalmente, este departamento encontrar-se-á com o treinador principal, apresentando-lhe a informação julgada necessária aos seus processos de decisão, como técnico de futebol. Também, todas as semanas, o DIC fará, só com os elementos que o integram, uma reflexão crítica sobre o papel da inteligência competitiva, como resposta cultural e operacional às problemáticas criadas pelo desporto de alta competição em geral e pelo futebol em particular.

Cada um dos elementos deste departamento perceberá senhas de presença pelas reuniões que efectuar. Porque sou um teórico tão-só e quem não pratica não sabe (eu aprendi a memorizar e a ver, não a fazer) peço desculpa por ter metido a foice em seara alheia.

*Antigo professor do Instituto Superior de Educação Física (ISEF) e um dos principais pensadores lusos, Manuel Sérgio é licenciado em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa, Doutor e Professor Agregado, em Motricidade Humana, pela Universidade Técnica de Lisboa.

Notabilizou-se como ensaísta do fenômeno desportivo e filósofo da motricidade. É reitor do Instituto Superior de Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares do Instituto Piaget (Campus de Almada), e tem publicado inúmeros textos de reflexão filosófica e de poesia.

Esse texto foi mantido em seu formato original, escrito na língua portuguesa, de Portugal.

Autor: Manuel Sérgio

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Direitos Federativos e Direitos Econômicos "pós" extinção do passe

As alterações no vínculo entre clube e atletas com as mudanças processadas pela Lei Pelé
Gustavo Lopes P. de Souza

A Lei 9.615/1998, conhecida como Lei Pelé é a Lei Orgânica do Desporto Brasileiro e em seu art. 28, § 2º extinguiu o “passe” dos atletas ao dispor que o vínculo do jogador com o clube é acessório ao contrato de trabalho e com ele se extingue.

Ao contrário do que ocorria anteriormente quando o vinculo que prendia o atleta ao clube, não se dissolvia com o término do contrato de trabalho, com o advento da Lei Pelé, findando-se o pacto laboral, o atleta está livre para firmar novo contrato de trabalho com outro clube.

Após muita polêmica e preocupação por parte dos clubes que tinham em seus atletas seu maior patrimônio, o esporte, especialmente o futebol, adequou-se à nova realidade.

Para proteger “seu patrimônio” os clubes passaram a realizar contratos de maior duração e, em caso de rescisão (transferência) fizeram “jus” a cláusula penal no valor de até cem vezes o salário anual do jogador para transferências nacionais e ilimitado para as internacionais, conforme assevera o art. 28, caput, da Lei 9.615/1998.

Assim, ao invés de vender o atleta, o clube (empregador) passou a receber verba rescisória pelo término do contrato antes do prazo por iniciativa do empregado (jogador).

Neste esteio, houve uma espécie de divisão do direito sobre a atividade do atleta entre direitos federativos e direitos econômicos.

O Direito Federativo constitui o direito do clube em registrar o atleta na Federação (CBF) estabelecendo um vínculo com a agremiação onde o empregado exercerá seu trabalho. O Direito Federativo é oriundo do contrato de trabalho entre o clube e o atleta, sendo acessório ao pacto laboral. Assim, uma vez terminado ou rescindido o contrato de trabalho, extingue-se também o direito federativo.

Desta feita, os direitos federativos são indivisíveis, eis que não podem ser parcialmente cedidos nem divididos. Os direitos federativos serão sempre integralmente (100%) do clube pelo qual o jogador atuará, ou seja, no qual o atleta está registrado, ainda que por empréstimo. Por exemplo, se o Atlético empresta o jogador Diego Tardelli ao Internacional, durante o período do empréstimo 100% dos direitos federativos serão de titularidade da equipe gaúcha.

Ressalte-se que o jogador emprestado deve anuir com o empréstimo/cessão de seu contrato, bem como deve haver registro na Federação (CBF), razão pela qual o clube que recebeu o jogador em empréstimo é responsável pelo seu contrato de trabalho durante o tempo que o atleta estiver atuando por ele. Dessa forma, em caso de empréstimo, todos os direitos e obrigações são da equipe em que ele estiver jogando e não da equipe que o emprestou. Terminado o período de empréstimo, o atleta retorna ao clube para cumprimento do restante de seu pacto laboral.

Por outro lado, os “direitos econômicos” representam a receita gerada com a rescisão unilateral do contrato de trabalho por parte do atleta, via de regra, motivados pela transferência a outro clube. Trata-se de espécie de cessão onerosa (temporária ou definitiva) do direito federativo estabelecido em contrato de trabalho.

Constantemente os direitos econômicos são negociados com terceiros estranhos às atividades esportivas, conhecidos como investidores, que adquirem determinado percentual dos direitos econômicos sobre um atleta, pagando ao clube que detém o direito federativo (e o direito econômico) o preço ajustado para a negociação.

Ao contrário dos direitos federativos, os direitos econômicos podem ser parcialmente negociados pelos clubes com terceiros. Assim, o Atlético poderia ceder a investidor 20% dos direitos econômicos sobre o jogador Diego Tardelli e, em caso de transferência (rescisão do contrato de trabalho), o empresário teria direito a receber o referido percentual do valor da cláusula penal.

Sobre a diferença entre os "direitos federativos" e os "direitos econômicos", Luiz Felipe Santoro, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo, em artigo intitulado "Diferenças entre os direitos federativos e econômicos no futebol", elucida:

"Direito Federativo é o direito do clube em registrar o atleta na Federação (CBF) como vinculado a ele (clube). O Direito Federativo nasce com a celebração do contrato de trabalho entre o clube e o atleta e é acessório ao contrato de trabalho. Assim, uma vez terminado ou rescindido o contrato, extingue-se o direito federativo.”

Na prática, ao contratar um jogador e registrá-lo junto à CBF (adquirindo, portanto, os "direitos federativos"), o clube estipula cláusula penal obrigatória no contrato, em função do disposto no caput do art. 28 da Lei 9.615/98, que incidirá em casos de rescisão unilateral, rompimento ou descumprimento da avença pelo jogador.

Como o valor da "multa" pode atingir quantias elevadas e, em se tratando de grandes atletas, pode ocorrer assédio por outras agremiações antes do final de seu contrato, então o clube que detém os seus "direitos federativos" passa a negociar a rescisão antecipada que se consubstancia na venda (ou cessão) dos "direitos econômicos", que nada mais são do que percentuais previamente fixados sobre o eventual recebimento da cláusula penal a que se refere o aludido art. 28.

O negócio jurídico, envolvendo os "direitos econômicos", constitui investimento de "risco". Destarte, um jogador é contratado pelo clube "X" e em seu contrato de trabalho, é estipulada uma cláusula penal de R$30.000.000,00 (trinta milhões de reais). Tendo em vista que o atleta está despontando, o clube cede ou vende 40% dos "direitos econômicos" do jogador a empresa "Y" (que pode ser qualquer empresa, ou mesmo pessoa natural). Pela aquisição da referida percentagem, a empresa "Y" paga à agremiação a quantia de R$1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais). Com a transferência do jogador para qualquer outro clube, antes do término de seu contrato de trabalho, esta receberá, nada menos do que R$12.000.000,00 (doze milhões de reais), da cláusula penal total (R$30.000.000,00), paga ao clube "X". Por outro lado, inocorrendo a transferência do atleta e seu contrato de trabalho viesse ser extinto pelo decurso do prazo, a empresa "Y" quedaria em prejuízo.

Tal prática tem se tornado corriqueira no desporto brasileiro, inclusive, o Banco mineiro BMG, cujo Presidente Ricardo Guimarães foi dirigente máximo do Clube Atlético Mineiro, criou fundo de investimento em atletas, registrado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) com patrimônio de cinqüenta milhões de reais, de nome SOCCER BR1 cujas as operações correspondem à compra e venda de direitos.

A título de ilustração do quão pode ser rentável o investimento em direitos federativos, o jogador santista Paulo Henrique “Ganso” teve 45% dos seus direitos econômicos adquiridos por um empresário, por € 2,2 milhões, quando ainda era desconhecido. Já houve proposta de € 20 milhões para transferir o atleta para uma equipe francesa. Seu companheiro de equipe, o atacante Neymar, teve 40% dos direitos adquiridos por investidor que poderá ter rentabilidade semelhante, pois o percentual custou ao empresário € 3 milhões e, atualmente, o jogador pode ser negociado por cerca de R$ 35 milhões, dos quais € 14 milhões seriam embolsados pelo investidor.

Percebe-se, portanto, que, com o fim do instituto do “passe” surgiu a figura do “investidor” e os clubes viram-se obrigados a gerenciar os contratos dos atletas e a dicotomia entre direitos federativos e direitos econômicos eis que o término do contrato de trabalho do atleta por decurso de prazo passou a traduzir prejuízo à agremiação e aos eventuais investidores.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMBIEL, Carlos Eduardo e SANTOS JUNIOR, Walter Godoy dos. Relação entre contrato de trabalho e contrato de licença de uso de imagem (disponível em www.desporto.com.br/layout/Licen%E7a.htm
Monteiro de Barros, Alice, O ATLETA PROFISSIONAL DO FUTEBOL EM FACE DA "LEI PELÉ" (n. 9.615, de 24.03.98), Rev. Trib. Reg. Trab. 3ª Reg. - Belo Horizonte, 30 (60): 153-170, Jul./Dez.99 
GRISARD, Luiz Antonio. Considerações sobre a relação entre o contrato de trabalho de atleta profissional de futebol e contrato de licença de uso de imagem. (disponível em http://www1.jus.com.br/doutrina/texto.asp?id=3490, acessado em 06/11/2008.
HOJE EM DIA, http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/noticias/economia-e-negocios/atleta-pode-ser-boa-opc-o-de-investimento-1.149670 , acessado em 09 de fevereiro de 2011.
TERCEIROTEMPO, http://terceirotempo.ig.com.br/noticia/BMG_se_torna_investidor_mais_influente_nos_clubes_brasileiros-37614 , acessado em 09 de fevereiro de 2011.

Gustavo Lopes Pires de Souza é Coordenador do Curso de Capacitação em Direito Desportivo da SATeducacional. Professor de Organização Jurídica do Esporte no MBA de Gestão em Eventos Esportivos das Faculdades Del Rey. Autor do livro: “Estatuto do Torcedor: A Evolução dos Direitos do Consumidor do Esporte” (Lei 10.671/2003) Formado em Direito pela PUC/MG, Pós Graduado em Direito Civil e Processual Civil pela Unipac, Membro e colunista do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo, Membro do Instituto Mineiro de Direito Desportivo e da Associação Portuguesa de Adepstos Colunista do Instituto de Direito Desportivo da Bahia e do portal “Papo de Bola”. Agraciado com a medalha “ Dom Serafim Fernandes de Araújo” pela eficiência na atuação jurídica. Jurista, Articulista, Advogado licenciado em razão de função pública no TJMG. Professor de matérias Jurídicas no MEGA CONCURSOS, FAMINAS e Arnaldo Jansen.

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Marketing: Flamengo cria ações para jogos fora do Rio

Loja do Flamengo poderá chegar a torcedores fora do Rio de Janeiro

Ações de marketing em estádio são comuns quando se trata do time mandante, ou seja, destinado à sua própria torcida. Quando se fala em Flamengo, no entanto, a torcida está espalhada por todo o país. Por isso, a nova ideia do departamento de marketing do clube é chegar naqueles que forem ao estádio com mando do time adversário.

O conceito já estava em desenvolvimento durante os jogos fora do Rio de Janeiro neste ano, mas a estreia como a ação havia sido planejada será feita de fato na próxima quarta-feira, contra o Fortaleza, em partida válida pela Copa Kia do Brasil.

Uma das principais medidas é adotar uma loja provisória em cada estádio em que o time for jogar, aproveitando o apelo que o Flamengo tem em outros Estados. Em Ceará, por exemplo, o clube carioca divide a preferência com o próprio Fortaleza, segundo pesquisa Ibope/Lance! de 2010.

O objetivo é divulgar a marca do clube e se fortalecer em outras regiões, além de conseguir concentrar o tamanho da torcida em um maior faturamento. Dessa maneira, a ações terão que divulgar os outros planos do Flamengo.

O projeto não é fixo para cada jogo. Dependendo das condições da cidade, do estádio e do interesse que o clube carioca tem na região, o programa sofrerá alterações para cada ocasião. Além das lojas, está previstos promoções e anúncios em rádios, televisões e jornais do local. Planos como a arrecadação dos “Tijolinhos” para o novo Centro de Treinamento serão o foco do uso das mídias

EDUARDO LOPES
Da Máquina do Esporte, São Paulo – SP

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Mídia: Clubes dissidentes já têm proposta da Globo

EDUARDO LOPES
Da Máquina do Esporte, São Paulo - SP

Fábio Koff, presidente do C13, tem se distanciado dos clubes

Na tarde desta sexta-feira, o Clube dos 13 anunciou que a Rede TV venceu a licitação de transmissão do Campeonato Brasileiro, em uma proposta única. Os clube dissidentes, por outro lado, já receberam as ofertas da rede Globo, que negocia individualmente com as doze agremiações.

O Coritiba é um exemplo de time que saiu da negociação com o Clube dos 13 para fazer a comercialização individualmente. A Globo o ofereceu uma proposta com a cifra aproximada em R$ 27 milhões, incluindo todas as propriedades.

Em comparação, o Coritiba recebia R$ 13 milhões de direitos televisivos por Campeonato Brasileiro durante o triênio de 2009 a 2011. O clube, que estava no grupo dos que menos recebiam no C13, ganharia dessa maneira uma valorização de mais de 100%.

A proporção é comparável à valorização do acordo conseguido pelo Clube dos 13, com a proposta da Rede TV que chegou a R$ 500 milhões anuais. Porém, a negociação com o C13 dificilmente sairá do papel porque a emissora se recusa a fechar contrato sem a garantia dos 20 clubes que formam o grupo.

A situação não está próxima de ser contornada. Assim como o Coritiba, os outros doze clubes já receberam proposta informal da rede Globo, que mantém a vantagem de manter o maior valor de mídia, o que garante aos clubes um maior interesse de patrocinadores.

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sexta-feira, março 11, 2011

Mídia: RedeTV! condiciona proposta à presença de times no C13

REDAÇÃO
Da Máquina do Esporte, São Paulo - SP

Vencedora da licitação promovida pelo Clube dos 13 para os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro em TV aberta no triênio 2012-2014, a RedeTV! já avisou que não manterá a proposta se a entidade continuar esfacelada.

A RedeTV! ofereceu R$ 516 milhões por ano para ficar com o Brasileiro nas próximas três temporadas. No entanto, condicionou esse pagamento à possibilidade de transmitir jogos de todas as equipes da primeira divisão.

O problema é que isso não deve acontecer. Botafogo, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Goiás, Grêmio, Palmeiras, Santos, Vasco e Vitória não aceitaram negociar os direitos de transmissão via C13.

O próximo passo do Clube dos 13, portanto, é submeter a oferta da RedeTV! aos times. O que pode acontecer é que eles se recusem a assinar o contrato com a emissora paulista, e isso geraria um imbróglio sobre a representatividade da entidade.

“Quem está habilitado, tem poderes e responsabilidade para negociar é o Clube dos 13. A partir do momento em que nós assinamos contrato com a RedeTV!, veja a confusão que pode acontecer”, projetou Ataíde Gil Guerreiro, diretor-executivo, de relações institucionais e de marketing da entidade.

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Chegaram os placares eletrônicos do Estádio Presidente Vargas

Os dois painéis tem displays de LED's e comunicação por radiofreqüência


Secretários Evado Lima e Estevão Romcy.
 
Os placares eletrônicos que serão instalados no Estádio Presidente Vargas chegaram a Fortaleza. Os dois modernos placares foram trazidos do Rio Grande do Sul, adquiridos da empresa Imply. Os equipamentos possuem displays de LED's, com tecnologia que permite a atualização das informações em tempo real. A comunicação é realizada via radiofreqüência, interligando a base operacional e os placares eletrônicos, portanto, sem a necessidade de fios. 

Nos placares serão exibidas informações gerais sobre as partidas (nomes das equipes, substituições, placar, etc), avisos e campanhas educativas. Os painéis serão instalados atrás das traves de gols, acima da arquibancada mais alta; e terão como base uma estrutura de metal com 1,60m. Os placares possuem dimensão aproximada de 22cm de expessura, 2,50m de altura, e 5m de largura/extensão. 

O titular da Secretaria Executiva Regional (SER) IV, Estevão Romcy, explica que "o estádio Presidente vargas está passando por uma informatização completa. O PV, que nunca teve placar eletrônico, agora terá dois, com modernidade. Antes, sem o placar, as pessoas mudavam com a mão os números do jogos. Esse será mais um diferencial do Novo PV".

Ouça o secretário de Esporte e Lazer de Fortaleza, Evaldo Lima, com mais detalhes sobre os placares e suas possibilidades de utilização:


 
 

Fonte: Secel.
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Record anuncia que não vai fazer oferta ao Clube dos 13

Por motivos diferentes, mas a Record seguiu o roteiro que havia trilhado na última concorrência por direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Depois de ter sido alardeada como possível rival da Globo e de ter flertado com ofertas de alto padrão financeiro, a emissora paulista emitiu comunicado nesta sexta-feira para avisar que não fará proposta ao Clube dos 13.

A explicação dada pela Record para essa postura é a cisão interna da entidade que representa as equipes. Até o momento, 12 clubes anunciaram que não aceitarão negociar direitos de transmissão via C13 – o grupo dissidente é formado por Botafogo, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Goiás, Grêmio, Palmeiras, Santos, Vasco e Vitória.

 

Botafogo e Vasco chegaram a emitir comunicado nesta semana desautorizando o Clube dos 13 a negociar qualquer coisa envolvendo as duas equipes. O grupo, a despeito do esfacelamento, marcou para esta sexta-feira a abertura dos envelopes com propostas para os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro no triênio 2012-2014.

 

A concorrência deste ano ganhou corpo quando o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) derrubou o direito de preferência da Globo. A partir disso, o Clube dos 13 decidiu promover uma licitação com envelopes fechados e oferecer à emissora carioca, atual detentora dos direitos, um ágio de 10% pela expertise e por se tratar da líder de audiência.

 

O processo de definição das regras da concorrência gerou desgaste entre os clubes, e um grupo liderado pelo Corinthians rechaçou o modelo proposto pelo C13. O principal motivo oficial para isso é que essas equipes temem a desvalorização de seus patrocínios se os jogos deixarem de ser exibidos pela emissora que detém a maior fatia da audiência nacional.

 

A Record interpretou isso como um comprometimento prévio com a Globo, e decidiu não fazer proposta em função da postura dos dissidentes. Isso lembra o comportamento do canal na concorrência anterior, quando a emissora chegou a projetar uma oferta que seria o dobro da concorrente, mas deixou de apresentar proposta no momento decisivo. Na época, a justificativa foi uma insatisfação com o modelo da licitação e o direito de preferência da rival.

 

Confira a íntegra do comunicado emitido pela Record nesta sexta-feira:

 

“A Rede Record vem a público informar que apoiava o modelo de negociação dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro no triênio 2012/2014 proposto pelo Clube dos 13 em acordo com o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

 

Mas, infelizmente, a concorrência dividiu o C13. A entidade ficou fracionada em clubes que defendiam o processo iniciado com a carta convite, agremiações que pretendiam negociar os direitos em separado e aqueles que vieram a público pedir a total desvinculação do processo e do agrupamento.

 

 

Alguns clubes, antes de ouvir qualquer proposta por parte da Record, já indicam que tem acordos pré-acertados com outra emissora. Os responsáveis por estes acordos que prejudicam os torcedores, clubes e patrocinadores devem vir a público para revelar como foram as negociações e qual o valor acertado previamente, sem concorrência, sem transparência e baseados nos mesmos princípios que ajudaram a reduzir o poder dos clubes, prejudicaram o faturamento das agremiações, limitaram a exposição de patrocinadores e impuseram horários estranhos para a prática do futebol, além de transformar o mais popular esporte do País num mero exportador de talentos. Diante desta atitude a Record informa que não aceita participar de um jogo com cartas marcadas.

 

O quadro, neste momento, gerou incerteza jurídica. Diante disso, não há convicção de que a proposta vencedora tenha os direitos de transmissão dos jogos de todos os clubes. Há ainda a possibilidade de que uma agremiação possa abandonar o C13 enquanto o contrato ainda estiver em vigor. Assim, a Record decidiu não apresentar proposta ao Clube dos 13.

 

A emissora volta a manifestar seu desejo de participar da concorrência democrática, caso os clubes entrem em acordo, garantindo estabilidade jurídica a quem apresentar a melhor proposta E se os clubes desejarem seguir numa negociação em separado, a Record reafirma que pretende apresentar propostas com padrões de transparência e regras claras.

 

Mais uma vez, esta é a forma que a Record encontra para contribuir com a evolução e o desenvolvimento do futebol brasileiro, proporcionando uma transmissão de primeira do esporte preferido da nação.

 

 

São Paulo, 11 de março de 2011.

CENTRAL RECORD DE COMUNICAÇÃO”

 

 

REDAÇÃO
Da Máquina do Esporte, São Paulo - SP

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quinta-feira, março 10, 2011

Saiba mais sobre o I Encontro de Blogueiros no Ceará

I Encontro de Blogueiros no Ceará – inscrições

ENTRADA FRANCA

Galera do Brasil, especialmente do estado do Ceará:

O Centro de Estudos da Mídia Alternativa “Barão de Itararé” – núcleo Ceará e Revista Nordeste 21 promoverão nos dias 28 e 29 de maio, o 

I ENCONTRO DE BLOGUEIROS E MÍDIAS SOCIAS NO CEARÁ.

Local: Cuca Che Guevara Barra do Ceará, em Fortaleza.

O tema principal será o Marco Regulatório da Mídia – o fim da censura, e serão convidados o Ex-ministro da Comunicação Social no Governo Lula, Franklim Martins, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP), líder da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular, a deputada cearense Rachel Marques (PT/CE), autora do projeto de lei (72/2010) que defende criação do Conselho Estado de Comunicação do Ceará.

O jornalista Plínio Bortolotti, Blogueiro, Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios e TV (Fortaleza, Ceará). O evento é aberto para todos os tipos de internautas.

Observação: O evento é aberto à blogueiros, tuiteiros, usuários de redes sociais da internet e internautas interessados no debate sobre a democratização da comunicação. Quando você for se inscrever, informe seu nome e endereço completos, telefones, idade, profissão, e caso tenha blog, twitter, orkut, facebook ou outras mídias sociais, também. Queremos saber como você tomou conhecimento do I Encontro de Blogueiros e Mídias Sociais no Ceará. 

As inscrições poderão ser feitas pelo e-mail blogdadilma13@gmail.com ou pelo fone: 85-96207430(TIM) falar com o Daniel.

Para se inscrever, serão necessários os seguintes dados:

* Nome/nicknane, profissão
* E-mail
* Endereço do blog
*Twitter ou outra rede social, caso participe. Preencha com a URL completa
* Telefone
* Cidade/Estado

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Mais “lances” sobre “affaire” do televisionamento do Brasileirão

 

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Confecção da tabela do Campeonato Brasileiro pode ser arma da Globo

Hoje, a Globo participa da definição dos horários e datas dos jogos. Como está ao lado da CBF na briga, ela manteria esse privilégio. Assim, partidas envolvendo seus clubes com mais audiência poderiam ser marcadas no mesmo horário dos principais confrontos exibidos pela Record. Seria uma forma de tentar minar a concorrência.

Nenhuma outra emissora teria tanta liberdade quanto a Globo para dar seus pitacos na construção da tabela. A Record e as outras sabem disso. Esse é um dos motivos que fazem com que seja difícil de acreditar na assinatura de contratos diferentes. Não fique surpreso se, apesar do racha, o acordo for fechado com uma só emissora.

Autor: Ewerton Prado
Fonte: UOL Esporte Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

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Membros da diretoria fazem pressão para que Globosat participe da licitação do Clube dos 13

Internamente, membros da diretoria da Globosat fazem pressão para que a empresa participe da licitação do Clube dos 13 nas modalidades TV a cabo e pay-per-view. A atitude vai contra o que defende Marcelo Campos Pinto, executivo da Globo Esportes.

Eis pintar uma tensão entre os integrantes da emissora.

Lembrando que as negociações para Tv Aberta estão a todo vapor.

Autor: Bruno Moura
Fonte: Painel FC Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
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Fla apresenta times de futebol feminino, de areia e society

Projeto Futebol Alternativo é lançado no auditório Rogerio Steinberg, na sede da Gávea, nesta quinta-feira

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O Flamengo apresentou nesta quinta-feira os times de futebol de campo feminino, futebol de areia e society. As equipes das três modalidades estiveram no auditório Rogerio Steinberg, na sede do clube, na Gávea, zona Sul do Rio de Janeiro. Mas para serem oficializados, os times ainda precisam ter os contratos aprovados pelo Conselho Diretor.

“Estamos tomando todos os cuidados para não criar problemas e tem de voltar atrás. A ideia é que o projeto seja bom para ambos os lados. Estamos com toda a boa vontade porque entendemos que os projetos tem o tamanho do Flamengo”, explicou Henrique Brandão, vice de marketing e um dos condutores dos projetos.

Enquanto isso não acontece, o time feminino continuará se preparando no Guarujá, em São Paulo, com 20 jogadoras. Entre elas estão quatro integrantes da Seleção Brasileira: Taís, Taisinha, Joice e Zizi. O sonho é contratar Marta, caso a equipe se classifique para a Copa do Brasil.

Thaís Picarte – Goleira
Tem 28 anos, 70kg e 1,81m. Seu primeiro clube foi o São Paulo em 1997. Já defendeu clubes como Palmeiras, Corinthians, Juventus, Lazio (ITA) e Levante (ESP). É atual campeã Sul Americana com a seleção brasileira.

Ketlen Wiggers – Atacante
Tem 18 anos, 58 kg e 1,70m. Começou sua carreira no Santos conquistando vários títulos, dentre eles, o da I Edição da Libertadores Feminina.

Thaís Guedes – Meia Atacante
Tem 17 anos, 58 kg e 1,63m e teve no Juventus seu primeiro clube. De lá partiu para o Santos para se tornar campeã Paulista e da Libertadores da América.

Thorunn Helga - Volante
Tem 26 anos, 60 kg e 1,70m. Começou sua carreira na University of Rhodo Island. Conquistou o Campeonato Islandês de 2002 e 2003 e a Copa da Islândia em 2002, 2007 e 2008. Em 2008 chegou ao Brasil para integrar a equipe santista.

Joice Cristina Luz - Lateral tem 27 anos.

Fonte: Site do Flamengo / Futebol para meninas / O Globo

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“Briga” pelos direitos do Brasileirão poderá beneficiar outros modalidades

Com "briga" pelo futebol e eventos esportivos em alta, emissoras apostam em novas modalidades

Por Luiz Gustavo Pacete/Redação Revista IMPRENSA

 
O futebol ainda concentra o maior volume de investimento em publicidade esportiva além de ser muito representativo em relação à audiência dos canais, principalmente os especializados em esportes. Entretanto, as emissoras de rádio e televisão estão investindo na transmissão de outras modalidades.

As mudanças ocorrem pela exigência de uma audiência em busca de novos produtos e pela possibilidade dos veículos de oferecer novos formatos às marcas, que já estão de olho em eventos como os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara de 2011, os Jogos Olímpicos de 2012 e 2016 e eventos menores de Rúgbi, basquete, circuitos de tênis e natação. 

Além de novos formatos e produtos, aproveitar a credibilidade jornalística para agregar valor é uma saída, constata Marcio Lino, diretor da Rádio Eldorado/ESPN. Ele afirma que atrelar jornalismo e esporte atrai não só uma nova audiência, mas uma demanda reprimida do mercado anunciante. "Temos o exemplo do Itaú, que esta com presença muito forte em futebol e investindo em jornalismo, e o Bradesco que investe bastante em jornalismo, mas agora está entrando na área olímpica".
 
 
Conrado Nakata, sócio da Bravo Marketing Esportivo, lembra que a mídia brasileira pode aproveitar melhor a variedade esportiva, principalmente nos canais abertos. "O mercado brasileiro ainda esta começando a desenvolver a cultura de investir de forma mais inteligente no esporte. Tanto por parte das marcas, que perceberam que gastar milhões em um clássico na TV nem sempre é a melhor saída, quanto por parte das emissoras, que estão valorizando outras modalidades".

A própria Rádio Eldorado/ESPN já aposta em transmissões de vôlei, tênis, basquete, natação, rúgbi e golfe. A Record transmitiu os Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver, em 2010, e neste ano transmite o Pan-Americano de Guadalajara. O Portal Terra que também negocia o Brasileirão com o Clube dos 13 e vai transmitir os Jogos Olímpicos de 2012 em dispositivos moveis.

Para Fernando Trevisan, diretor da Trevisan Escola de Negócios, as empresas já acordaram para o quanto podem ganhar com o esporte de forma completa. "Tirando a questão de direitos de transmissão, que é algo mais complexo, as empresas que patrocinam, já estão colocando dinheiro em coisas novas. Além disso, os próprios meios já estão dando espaço a outras modalidades".

Sobre os direitos de transmissão, Trevisan se refere à recusa da TV Globo de participar da licitação para a transmissão do Campeonato Brasileiro entre 2012 e 2014. Desde 1987, a emissora é detentora dos direitos da competição. Começou pagando US$3,4 milhões, o que hoje está sendo avaliado em R$540 milhões para o triênio. Ao que tudo indica, há chances de movimentação no setor nos próximos anos, o que certamente vai mexer com as emissoras, os anunciantes e os telespectadores. É esperar para ver.
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C13 anuncia lance de R$ 912 mi por Brasileirão

O resultado das licitações para a TV aberta devem ser divulgados na sexta-feira

O Clube dos 13 fez novo movimento na guerra política que se tornou a negociação dos direitos televisivos do Campeonato Brasileiro no triênio entre 2012 e 2014. Em comunicado enviado à imprensa, a entidade afirma ter conseguido lance de R$ 912 milhões apenas pela próxima temporada e aposta no dinheiro para recuperar força.

"Com a formalização das regras para publicidade estática, direitos internacionais e novas mídias, o valor mínimo ultrapassará R$ 1 bilhão, quase o dobro do que os clubes vão faturar com a venda dos direitos para o Brasileiro de 2011", consta na nota. O vencedor da licitação, bem como outros detalhes, ainda não foram divulgados.

Após ter convidado "mais de 20 empresas" para a licitação, viabilizada após acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o resultado do processo será anunciado na manhã da próxima sexta-feira (11). Na ocasião, o Clube dos 13 pretende tornar pública a vencedora da modalidade TV aberta.

"Tenho convicção de que os resultados comerciais obtidos com a livre concorrência serão suficientes para que saiamos desse processo mais unidos, bem-estruturados financeiramente e fortalecidos como associação", disse Fábio Koff, presidente do Clube dos 13, em referência à decisão de várias equipes de negociar separadamente.

Até o momento, Corinthians, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Coritiba, Cruzeiro, Palmeiras, Santos, Grêmio, Vitória e Goiás já disseram publicamente que pretendiam conversar diretamente com emissoras, em vez de se submeter ao processo proposto pelo Clube dos 13, embora não tenham saído da entidade.

As empresas vencedoras nas categorias TV fechada e pay-per-view serão divulgadas no dia 23 de março, enquanto os de internet e celular, no dia seguinte.

Equipe Universidade do Futebol  / Fonte: Máquina do Esporte

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quarta-feira, março 09, 2011

Medida provisória quer ajudar emissoras que não comprarão direitos para a Copa do Mundo

Governo federal busca aprovar a Lei Geral da Copa, com o intuito de democratizar um pouco mais os direitos de imagem do mundial

O governo federal está discutindo uma medida provisória para aumentar a difusão das partidas da Copa do Mundo no Brasil, em 2014. O nome do projeto do Ministério do Esporte, pelo menos inicialmente, é Lei Geral da Copa.

Pela medida, emissoras de TV que não adquiriram os direitos de imagem poderiam veicular cerca de 30 segundos de imagens da partida, o que corresponderia a menos de 5% do cotejo. Este tipo de imagem é chamada de “flagrante da imagem”, cenas utilizadas estritamente para fins jornalísticos. A Fifa, porém, não se posicionou a favor da empreitada até o momento.

Além disso, o comitê responsável pela organização da Copa também é contra a MP, alegando que o cliente que comprar os direitos é proprietário legítimo das transmissões e, por conseguinte, das imagens.

Além de ser um importante movimento para emissoras que não possuem condição de comprar direitos tão caros como o do principal torneio de futebol do mundo, a Lei Geral da Copa também quer que a própria Fifa seja responsável pela captura e distribuição das imagens, e não a emissora que detém os direitos (frequentemente, a Rede Globo).

Se aprovada, a LGC implica que até duas horas depois das partidas pelo menos seis minutos de imagens sejam distribuídos às emissoras para conteúdo de seus telejornais e/ou programas esportivos.

Equipe Universidade do Futebol

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Cristiane: "Clubes precisam investir mais no Futebol Feminino"

Craque do Santos, Cristiane já brilhou também com a camisa do Brasil

O futebol feminino vem crescendo cada vez mais no país e isso se dá principalmente por conta das grandes campanhas realizadas pela Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos e Mundiais da modalidade.

Entre tantas jogadoras que se destacaram nessa evolução do esporte, uma que merece destaque é a atacante Cristiane. Aos 26 anos, a jogadora natural de Osasco, na grande São Paulo, coleciona títulos e passagens pelo futebol internacional.

Porém, nem sempre esse reconhecimento aconteceu. Cristiane conta que em seu início de carreira a velha máxima de que o futebol era um esporte de homem apareceu, mas o apoio da família foi fundamental para que ela não desistisse. “No começo foi difícil porque todo mundo falava que futebol era coisa de menino. Mas, graças a Deus, sempre tive o apoio da minha família. O preconceito sempre existiu, mas, atualmente, quase não vemos atitudes preconceituosas”, explicou.

No entanto, seu talento com a bola nos pés venceu qualquer tipo de preconceito que poderia existir e hoje Cristiane tem em sua galeria duas Copa Libertadores da América, uma Copa do Brasil e um Torneio Cidade de São Paulo pelo Santos, além de duas medalhas Olímpicas de prata, uma medalha Pan-Americana de ouro e um Campeonato Sul-Americano com a camisa do Brasil.

Atualmente, Cristiane vê o futebol feminino sendo tratado de uma forma diferente, quase sem o preconceito que antes assombrava a modalidade. “Muita coisa mudou. Hoje em dia muitas pessoas acompanham o futebol feminino, principalmente meninas que sonham um dia em ser uma de nós e jogar em uma equipe como o Santos. Quando você vai a um estádio ver um jogo de mulheres, você também encontra muitas famílias nas arquibancadas. Isso mostra que quase não existe mais preconceito para a nossa modalidade”, afirmou a atacante.

Apesar da crescente no Brasil, a jovem e talentosa jogadora receitou o que deve ser feito para que o futebol feminino cresça ainda mais no país. “A modalidade está crescendo muito no país. O Santos, que já tem um departamento de futebol feminino há mais de 10 anos, está mais estruturado e por isso oferece melhores condições para as atletas. Mas outras equipes estão sendo criadas e outros clubes estão começando a dar a devida atenção para a modalidade. Ainda precisamos que outros clubes, como o Santos, invistam para que os campeonatos se tornem cada vez mais competitivos e cada vez mais assistidos pelo torcedor”, afirmou.

Por fim, Cristiane falou de suas expectativas para o ano de 2011, quando competições importantes serão disputadas pela Seleção Brasileira. “O ano de 2011 será muito importante para o Futebol Feminino brasileiro. A Seleção Brasileira disputará a Copa do Mundo da Alemanha, de 26 de junho a 17 de julho, e o Pan-Americano de Guadalajara, que deve acontecer em outubro”, concluiu.

A lista de convocadas para um período de preparação visando a Copa do Mundo já foi divulgada, e Cristiane é uma das convocadas pelo treinador da Seleção Brasileira, Kleyton Lima.

Ficha:
Nome: Cristiane Rozeira
Nascimento: 15/05/1985
Natural de: Osasco, SP
Posição: Atacante
Clube atual: Santos FC
Títulos: Jogos Pan-Americanos 2007 (Seleção Brasileira); Copa do Brasil 2009 (Santos FC); Torneio Internacional Cidade de São Paulo 2009 (Seleção Brasileira); Copa Libertadores da América 2009 e 2010 (Santos FC); Campeonato Sul-Americano 2010 (Seleção Brasileira).

Texto: Vinícius Carrilho
Fonte: FPF

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Sete Sereias são convocadas para a fase de preparação da Seleção

Mantendo a tradição em ceder atletas para a Seleção Brasileira, o Santos FC terá sete representantes na fase de preparação para a Copa do Mundo de Futebol Feminino, no período de 16 a 31 de março. As convocadas pelo técnico Kleiton Lima nessa quinta-feira (03) são a goleira Andréia Suntaque, as zagueiras Aline Pellegrino e Erika, a lateral Fabiana, a volante Ester, a meia Gabriela e a atacante Cristiane. 
 
As Sereias da Vila convocadas deverão se apresentar no dia 16 de março (quarta-feira), às 12 horas, nos aeroportos Tom Jobim ou Santos Dumont, no Rio de Janeiro (RJ). Os treinamentos acontecerão na Granja Comary, em Teresópolis (RJ). 

A Copa do Mundo feminina acontece de 26 de junho a 17 de julho de 2011, na Alemanha. Mas, antes de embarcar, o selecionado nacional passará por mais dois períodos de preparação: de 18 de abril a 3 de maio e de 6 a 21 de junho. 

Fotos: Pedro Ernesto Guerra Azevedo 

Fonte: Santos F.C.
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