Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

segunda-feira, dezembro 01, 2008

A Coluna do Benê Lima

(01.12.2008) COM PÉ E CABEÇA - ANO IV - Nº137

Opinião
UMA PLATAFORMA TÁTICA VENCEDORA

O equilíbrio a partir do meio-campo, foi a tônica do esquema adotado pelo técnico tricolor

O mito de que o esquema 1-3-5-2 é defensivo, se não o foi de todo desmentido por Heriberto da Cunha, mostrou-se perfeitamente transmutável como plataforma tática moldável, tanto a situações de ataque quanto a situações de defesa.

Quando os comentaristas anacrônicos perceberem que função a desempenhar em campo é diferente da posição ocupada em campo, provavelmente algumas idéias preconcebidas cairão por terra.

A dinâmica imanente às plataformas táticas, com suas amplitudes e transitoriedade, consegue mostrar que o 1-3-5-2, quando utilizado com critério, equaciona os problemas referentes às transições ofensivas e defensivas com maior economia de tempo e de esforço físico. Isso se deve a que o ponto focal da concentração de atletas se dá no meio-campo, o que significa menores distâncias a serem percorridas, tanto em relação à defesa quanto em relação ao ataque.

De outra parte, também a compactação se beneficia, e, em tese, se verifica o aumento da amplitude ofensiva, já que a tendência dos laterais que se transformam em alas, é a de dar apoio pelos flancos, o que faz abrir o sistema de marcação do adversário. Quando não, os laterais se transformam em meias, com tendência a obterem vantagem numérica ofensiva, podendo traduzir essa vantagem em volume e pressão de jogo.

Outro fator muito comum observado nas plataformas 1-3-5-2, é a quantidade de rebotes (ou sobras de bola) aproveitados pelos laterais e pelos volantes, no momento pós-contenção em seu campo defensivo. Aí é que se podem notar os contragolpes rápidos, situações que pelo componente de surpresa oferecem grande risco ao adversário.

Do ponto de vista empírico, a plataforma tática e a dinâmica do esquema 1-3-5-2 montado por Heriberto da Cunha, para as partidas contra Bragantino e Brasilense, tiveram duas variáveis básicas: uma que se funda na possibilidade de aplicação de suas dinâmicas; outra que é resultado da postura do adversário.

Contra o Bragantino, a necessidade imposta pelo time daquela cidade obrigou à equipe tricolor a reforçar a vigilância defensiva, e se puderam observar variáveis táticas com dinâmicas que podem ser expressas pelos 1-3-6-1 e 1-3-7-0.

Outra característica tática do Fortaleza naquela partida, foi a escassez de transições ofensivas, sobretudo após a marcação de seu gol com Osvaldo. A propósito, no momento deste gol tricolor, o único atacante em projeção era o Osvaldo, o que nos autoriza a dizermos que 1-3-6-1 foi a dinâmica daquele momento.

Contra o Brasiliense, a quantidade dessas transições foram sensivelmente aumentadas, e tanto a natureza quanto o repertório dessas transições teve um incremento substancial. As aproximações foram mais notadas, e como efeito disto o repertório de jogadas foi bem maior que o costumeiro. Simão e Eusébio alternavam-se em apoio diagonal. As opções de troca de bolas a partir do meio-campo eram uma constante pelo time tricolor, com os suportes ora de Preto ora de Juninho, com os apoios de Erandir e Zé Eduardo, juntando-se a Eusébio Simão.O atacante Nei Paraíba chamava para si as atenções dos zagueiros Júnior Baiano e Santiago, e Osvaldo explorava os lados do campo e as costas dos laterais para estabelecer seu jogo vertical.

Ressalte-se ainda o duplo papel do zagueiro Juninho, que se alternava como terceiro zagueiro em linha e como líbero à frente da zaga, facilitando tanto o trabalho da dupla Gaúcho e Preto, quanto o da dupla Rogério e Erandir. Embora sem ‘scout’ para corroborar, creio que coube a Juninho o maior número de desarmes do primeiro tempo.

Mais um fator importante na marcação tricolor, foi a interceptação dos chutes desferidos contra a meta do goleiro Tiago Cardoso. Quando Erandir e Rogério não conseguiam a devida aproximação sobre o adversário, tentavam e muitas vezes conseguiram interceptar sua finalização. Este foi um fator relevante de proteção à meta tricolor.

Longe de esgotar o assunto, convido o observador a uma reflexão sobre o tema.

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EFEMÉRIDES

Lula rifado
A não permanência do Técnico Lula Pereira à frente do comando técnico do Alvinegro, é perfeitamente compreensível. É relativamente fácil encontrarmos explicações e justificativas tanto para sua permanência quanto para sua dispensa. Assim como há razões que se fundamentam no aspecto técnico e tático, também existem as motivações de natureza política, pelo alto índice de rejeição não só a seu trabalho, mas também à sua personalidade. Não vejo a dispensa de Lula como traição. Se Lula serve ao Ceará, o Ceará também serve a Lula, ao lhe dar, entre outras coisas, visibilidade.

Entrevista
Tenho dito que a retórica não é o forte de Heriberto da Cunha. Ainda assim, o técnico tricolor concedeu lúcida entrevista, na noite de ontem, ao Programa Debate Bola, na TV Diário. O imberbe comentarista Jussiê >>>>>, no que pese sua potencialidade, foi ‘engolido’ pelo empirismo de Heriberto, sem que sequer debate houvesse. Diante de uma abordagem extremamente superficial de seus interlocutores, o técnico tricolor pode deitar cátedra sem maior esforço. Tom Barros, ponderado e comedido como de costume, limitou-se a uma postura predominantemente receptiva, deixando para Heriberto o discurso didático.

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BREVES E SEMIBREVES ®

Moralizando
Morais Filho não faz nenhuma questão de distribuir favores e discriminar colegas para se mostrar simpático a alguns. Cumpre decisões com firmeza, mostrando-se autêntico, no limite da boa educação. Conta com o apoio e o reconhecimento dos justos.

Desmoralizando
Continuam as atitudes desrespeitosas para com o profissional Morais Filho, nas ondas da Metropolitana AM930. O rádio cearense convive com distorções do tipo repórteres que se pretendem comentaristas, e de operadores que se pretendem produtores.

Esclarecimento
Está em curso uma tentativa de criar dificuldades de convivência entre este profissional e companheiros da crônica esportiva. Obviamente que não sou obrigado a concordar com o que dizem os colegas, assim como eles têm o mesmo direito. Vendo o meu peixe; eles que continuem vendendo o deles.

Questão de medida
Sou crítico, mas procuro não radicalizar. Não atuo com os extremos, e evito fechar questões. Costumo tratar as idéias como produto semi-acabado, o que me permite retrabalhá-las quando possível. O diapasão é crítico, o tom é o de oitava intermediária, e a harmonia busca coerência e afinação.Falta de bom-sensoCom administradores demonstrando falta de sensibilidade, a Sesporte bem que tem tentado recuperar-se de um ano ruim a partir de si própria, mas algumas de suas atitudes marcaram negativamente o seu ano. A mais recente delas, foi a manutenção daqueles andaimes, com todo o risco que aquilo representou.

De Juca Kfouri
No futebol brasileiro é assim, vale tudo. Vale a mesma empresa ser parceira de mais de um clube. Vale fazer parceria sem saber a origem do dinheiro do parceiro. Vale botar o time reserva para enfrentar o que luta pelo título. Vale botar o time reserva para enfrentar o que luta para não cair. Vale punir o árbitro que errou na Primeira Divisão com a escalação para a Série B, mas em Natal... Só não vale dançar homem com homem nem mulher com mulher. E deveria valer.

Exemplo
O paulistão 2009 premiará o Campeão, o vice e o campeão do interior. Também receberão prêmios os 1º, 2º e 3º melhores trios de arbitragem. 700 mil Euros para o Campeão; 70 mil Euros para o melhor trio de arbitragem

Benê Lima, (85) 8898-5106

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Benê Lima