Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Os bons interinos
Conhecer as peculiaridades de cada clube, sabendo como as coisas funcionam dentro da 'aldeia', muitas vezes pode ser o melhor caminho
Homero Bellini Junior

Que Campeonato Brasileiro esse de 2009!

Não foi só o sucesso da fórmula de pontos corridos que ficou comprovado. Ficou comprovado, também, que o Brasil não é só uma fábrica de grandes jogadores. Esse país é, igualmente, uma fábrica de grandes treinadores.

Há cada ano surgem novos nomes. Nomes até então pouco conhecidos ou, ao menos, reconhecidos no exercício dessa função, mas que, por capacidade própria, agarram a oportunidade que lhes é dada e mostram o seu valor.

No último domingo, última rodada da competição, chegaram, com chances claras de título, Flamengo e Internacional.

O Inter é, há pouco mais de dois meses, treinado pelo experiente Mário Sérgio. Pergunte-se se ele poderia ser considerado um interino, já que é treinador de futebol há vários anos.

Ocorre que, ao ser contratado para encerrar a competição, em substituição ao treinador Tite, veio ele, apenas, com a clara missão de encerrar o ano.

Já veio com o discurso, dele e da direção, que só trabalharia até o final dessa temporada e não havia chance de seguir à frente do clube colorado em 2010.

Além disso, há algum tempo que Mário Sérgio alterna sua condição de treinador com a de comentarista esportivo ou de gerente de futebol. Sendo assim, permito-me dizer-lhe, nessa condição, como um interino.

E o Flamengo?

Quem assumiu o clube, em meio à competição, no lugar de Cuca, foi Andrade, na condição de interino, como já havia feito em tantas outras oportunidades. Em algumas das anteriores foi mantido por algum tempo. Em outras, ficou por poucos jogos, apenas até a contratação do treinador efetivo.

Esse ano, ao assumir, a ideia era que ficasse apenas até a contratação de um novo treinador.

Ocorre que o time, até então claudicante, se acertou sob o seu comando. Ele uniu o grupo de jogadores em torno de si e conseguiu estabelecer um sistema de jogo que se mostrou vitorioso.

A partir disso, somado ao fato da dificuldade na contratação de outro treinador, ele foi sendo mantido e, com o passar do tempo, mostrou ser o homem certo para conduzir o Flamengo na conquista do sexto título nacional rubronegro.

Mas os exemplos não terminam por aí!

E Jorginho, do Palmeiras? Foi ele quem, substituindo Luxemburgo, deixou o time paulista com seis pontos de vantagem sobre o seu mais próximo seguidor, tendo ficado invicto durante o período em que ficou à frente da comissão técnica. Entregou o posto para Muricy, com claras e concretas chances de conquista do título.

No Grêmio, Marcelo Rospide foi interino em dois momentos: o primeiro quando da saída de Celso Roth e, agora, em substituição ao treinador Paulo Autuori. Disputou vários jogos no comando gaúcho e, incrivelmente, até aqui, perdeu apenas um jogo. Isso que disputou, além do Brasileirão, vários jogos pela Libertadores da América.

Talvez situações como essas possam fazer com que os dirigentes de nossos clubes repensem algumas coisas. Será que os treinadores de grande nome e que recebem salários milionários são, na maioria das vezes, a certeza de sucesso e a garantia de ótimos resultados?

Esse campeonato mais uma vez provou que não.

O sucesso dos interinos nos permite ver que o futebol envolve muito mais coisas do que nós, meros torcedores, podemos presumir.

Conhecer as peculiaridades de cada clube, sabendo como as coisas funcionam dentro da “aldeia”, muitas vezes pode ser o melhor caminho, especialmente se isso é aliado ao respeito do grupo de jogadores.

domingo, dezembro 06, 2009

Ensinando jogos pela compreensão: as novas tendências em pedagogia do esporte aplicadas no futebol
O professor pode e deve modificar os jogos, alterando suas regras e equipamentos, criando um ambiente desafiador

Alcides Scaglia

Um grupo de pesquisadores centrou seus estudos no desenvolvimento de uma nova abordagem metodológica para o ensino de jogos, denominada “Teaching Games for Undestanding”(TGfU). Traduzindo, para um melhor entendimento, seria: ensinando jogos pela compreensão, elaborada, segundo Werner, Thorpe e Bunker, no final da década de 1960 e início de 1970, na Universidade Loughborough, na Inglaterra, e atualmente divulgada e explorada por alguns pesquisadores nos EUA, principalmente na Universidade de Kent, em Ohio.

Esta abordagem, baseada nas teorias interacionistas, não presume que as consciências estratégica e tática nos jogos devam esperar pelo desenvolvimento de sofisticadas habilidades técnicas. Ou seja, como coloca Judith Oslin, em oposição a metodologias tradicionais para o ensino dos jogos, as abordagens táticas fazem com que os estudantes entendam os jogos, compreendendo suas estruturas, ficando sensíveis e participantes, desenvolvendo deste modo o gosto pelo jogo.

A aprendizagem dos jogos deve levar em consideração as habilidades que os alunos já possuem e que lhes permitem realizar os jogos. Sendo assim, segundo esta proposta, o professor não deve se ater inicialmente ao ensinamento das habilidades específicas exigidas para a realização da atividade, para só depois de adquiridas, os alunos aprenderem a jogar. Isto caracterizaria um fator desmotivador no processo de aprendizagem dos jogos, pois Oslin afirma que é muito possível que os alunos se desmotivem no meio da aprendizagem e também, aqueles que não atingirem certos níveis de habilidades nunca joguem.

Desse modo, para o ensinamento dos jogos, segundo TGfU, os professores devem propor atividades que sejam compatíveis com o nível de habilidade dos alunos, e assim, por meio de desafios táticos eles são levados a obter sucesso durante todo o processo de aprendizagem do jogo, sentindo-se competentes a cada passo.

Para isto, o professor pode e deve modificar os jogos, alterando suas regras e equipamentos, criando um ambiente desafiador que leve os alunos a melhorarem suas habilidades e a rapidez nas tomadas de decisões, no momento de solucionar um problema exigido por uma situação de jogo qualquer.

As alterações são possíveis, pois, segundo os autores deste modelo metodológico, as habilidades e a compreensão tática podem ser transferidas de um jogo para outro. Então, ao se aprender a habilidade de passar a bola no basquetebol, esta será utilizada durante outro jogo qualquer que utilize passes efetuados pelas mãos. A mesma situação pode ser aplicada para a compreensão da tática, em que, quando o aluno assimila a lógica do passe, com seus porquês e momentos, consegue transferi-la para outros jogos, que não exclusivamente os que utilizam mãos, como, por exemplo, o futebol. Um exemplo dado por Bunker, Werner e Thorpe, acontece pelo simples fato de o professor aumentar ou diminuir o tamanho do alvo ou gol. Isto fará com que os alunos percebam se a marcação por zona ou individual será mais vantajosa.

Já as técnicas são desenvolvidas a medida que os alunos reconhecem a sua necessidade dentro do jogo, ou seja, os professores devem levar os alunos a sentir a necessidade de utilizar um passe quicado ou de peito num jogo de basquete. Sentindo esta necessidade, em decorrência de uma situação de jogo, o professor intervém, dando suas instruções. Caracteriza-se, então, a aprendizagem das técnicas em função de uma exigência tática de jogo.

Para uma melhor aplicação desta metodologia, bem como sua organização, foi elaborada uma classificação dos jogos, levando em consideração as similaridades entre eles. Os jogos foram divididos em: jogos de alvo, jogos de rede ou parede e jogos de invasão.

Nas palavras de seus defensores: “A idéia nos jogos para a compreensão é que deve-se ter uma ordem para se ensinar jogos para as crianças. Em geral os jogos de alvos são menos complexos e devem ser iniciados primeiro. Os jogos de passes devem vir depois e em terceiro viriam os jogos de rede ou parede. No final seriam colocados os jogos na sua forma oficial”.

A partir desta inovadora classificação, torna-se possível ensinar os componentes essenciais de todos os jogos, ao invés de especificações superficiais de cada um, vem nos alertar Butler. Pois, nesta abordagem, os alunos descobrem as diferenças e similaridades entre os vários jogos, o que facilita a transferência do conhecimento adquirido de um para o outro.

Assim, não se ensina um esporte de cada vez, mas sim vários que são agrupados segundo as suas semelhanças. Por exemplo, num mesmo módulo, em que se tem por objetivo ensinar os jogos de invasão ou passes, podem ser incluídos o basquete, o futebol, o handebol, etc...

Mas, neste sentido, não se quer dizer que isto aconteça automaticamente. O professor tem por função desequilibrar o aprendiz. Instigando-o a ir além, leva-o a esta descoberta. E quando o aluno toma consciência disto, ocorre com muita mais facilidade o aprendizado e a transferência de habilidades efetiva-se.

Especificamente, em relação ao futebol, Griffin, Mitchel e Oslin, no livro “Teaching Sport Concepts and Skill: A tactical games approach”, descrevem uma seqüência pedagógica, dividida em cinco níveis e várias lições, balizadas pela abordagem tática. Antes de entrar nas propostas de atividades, os autores levantam alguns pontos relevante que merecem a atenção do professor, por exemplo: o tamanho do campo e dos alvos apropriados, o peso e a quantidade de bolas adequadas, a utilização de materiais alternativos de auxílio pedagógico e, principalmente, a adequação progressiva da complexidade das tarefas.

Os problemas táticos propostos pelos autores no primeiro nível de exigência, que devem ser solucionados pelos alunos, concentram-se em conseguir manter a posse de bola e atacar o gol, criando-se espaços para isto. O segundo nível volta a atenção para o bloqueio dessas ações ofensivas, defendendo o espaço, o gol e recuperando a posse de bola, levando em consideração a participação de cada jogador da equipe, tanto com bola quanto sem ela, além da reposição da bola nos laterais, faltas e escanteios. Portanto, estes são os primeiros problemas táticos criados, que gerarão nos alunos a aprendizagem de habilidades, tanto com a bola quanto sem.

Vencidas estas etapas, o próximo desafio tático (terceiro nível) é colocado sobre o anterior, aumentando a complexidade das atividades para o aprendizado da criação de espaços para atacar.

No quarto nível, dois são os enfoques. Primeiramente volta-se a preocupação quanto à manutenção da bola, mas agora em campos maiores, o que favorecerá o aparecimento de passes longos, lançamentos e, em conseqüência, um melhor controle de bola. Na seqüência, trabalha-se a diminuição do espaço para se defender, criando-se meios táticos para isto.

O último nível é taticamente complexo, aproximando-se das formas mais maduras de jogo. O aprendizado se dá em campo grande, semelhante às medidas oficiais, requerendo para a solução tática dos problemas, movimentos mais avançados e trabalho em equipe. No ataque são criados problemas mais avançados e, na defesa, é introduzida a aprendizagem da tática de cobrir, ou seja, os jogadores aprendem a necessidade da criação de um sistema de cobertura defensiva. Este nível culmina com a ajuda na pesquisa de soluções mais elaboradas, tanto para o ataque quanto para a defesa, no tocante à reposição da bola, por exemplo, a criação de jogadas ofensivas num escanteio.

Um ponto que merece destaque nesta abordagem é o fato de que em todas as atividades existem perguntas que os alunos devem responder. A todo momento e, principalmente, frente aos problemas, o professor faz perguntas, instigando os alunos a descobrir uma solução. O professor ajuda com perguntas e não dando respostas prontas que sugerem apenas um caminho para a solução de um problema e a dependência constante em relação ao professor.

Portanto, a proposta apresentada pelos defensores do TGfU é mais uma dentre outras abordagens que quero apresentar, que compõem as novas tendências em pedagogia do esporte.

Transições de referências: alerta aos treinadores!
O futebol é um jogo de transições. Mas não só ofensivas ou defensivas. Existem também as ataque-ataque e as defesa-defesa

Rodrigo Azevedo Leitão

Faz alguns anos – mais precisamente em 2001 – publiquei um capítulo na obra “Fútbol: cuadernos tácticos”, chamado “Fútbol: un juego de transiciones”. Nele, abordei e discuti as diversas expressões das fases de transição do jogo de futebol.

Como diz um escritor norte-americano, que agora me escapa da memória, precisamos criar o hábito de sempre resgatar e ler as coisas que escrevemos. Pois bem, esse capítulo que escrevi (sobre as transições), ficou escondido na minha memória, até que recentemente foi resgatado, graças a um dos ouvintes (que havia lido meu texto), presente em uma palestra que ministrei sobre questões táticas do jogo de futebol.

Resolvi hoje, então, escrever um pouco sobre as transições, resgatando algumas ideias que foram apresentadas em 2001, compartilhando-as com os leitores deste texto.

Estamos acostumados com a ideia de que as transições acontecem entre as fases de ataque e defesa, ou defesa e ataque no jogo de futebol. Isto está certo, e não é novidade. Gostaria de chamar a atenção então, sobre outras expressões da transição, presentes ainda dentro da mesma fase de jogo (de ataque ou de defesa), antes da comumente turbulenta migração do estar a atacar para o estar a defender, ou vice-versa.

Em outras palavras, vou tratar das transições presentes dentro de uma mesma fase de jogo de uma equipe (e não das transições entre as fases do jogo). Tratarei daquelas transições, as quais chamei, em 2001, (e creio, ainda ser um nome adequado) transições de referências.

Basicamente, ao atacar ou defender, com base em Claude Bayer, uma equipe pode manifestar ao menos um dos seguintes princípios operacionais: a) estando a atacar – manutenção da posse da bola, progressão ao campo de ataque e ao alvo, finalização da jogada; e b) estando a defender – impedimento da progressão adversária, recuperação da posse da bola e proteção do alvo.

Esses princípios servem como referências coletivas para a ação da equipe. Essas referências podem mudar de acordo com as circunstâncias, e essas (as circunstâncias) podem estar associadas, por exemplo, a região do campo de jogo, comportamento do adversário, localização da bola ou ação de determinado jogador (dentre outros).

Da mesma forma que esses princípios servem como referências, existem também, outras tantas, que podem representar nortes estratégicos e/ou de ocupação do espaço de jogo para jogadores e equipes.

A ação coletiva e individual, de equipe e jogadores no jogo a cada circunstância, é definida pela condensação (e coordenação) de referências operacionais, de ocupação do espaço e estratégicas; e ainda que sejam, por questões puramente didáticas, separadas, na prática, se manifestam integralmente, de maneira associada.

A alteração circunstancial, de predomínio de uma referência, para outra, é um momento de transição, que, normalmente é negligenciado na construção de treinos.

Para elucidar o que quero dizer, vou usar um exemplo bem pontual.

Imaginemos uma equipe (equipe “A”), que tenha como grande referência do seu sistema defensivo, a recuperação da posse da bola, na linha “1” (ou seja, bem próximo a sua meta de ataque), com pressing zonal em profundidade. Se em um jogo, por algum motivo, seu adversário conseguir avançar até a linha 3 (linha do meio-campo) sem perder a posse da bola, é necessário que ela (a equipe “A”) altere elementos da sua grande referência, que pode por exemplo, continuar sendo de recuperação da posse da bola, mas, agora, na linha “3”, com pressing zonal, porém, em largura.

Notemos que o fato da posição da bola sair das proximidades da linha “1”, em direção a linha “3”, faz com que a equipe “A” defina alterar a maneira com que realiza o pressing (que antes era em profundidade, e passa ser agora, em largura).

A dinâmica que liga essa alteração de referência, em função do posicionamento da bola, consiste em uma transição interna a fase de defesa da equipe. Isso quer dizer que, não basta que ela seja treinada para as circunstâncias em função do posicionamento da bola na linha “1”, e depois em função do posicionamento na linha “3”, porque há um elo que liga, cria interdependência e inter-relação entre tais circunstâncias (a transição de referências), e isso não pode ser desprezado.

Da mesma forma, se uma equipe “B” tiver as mesmas referências da equipe “A” quando a bola estiver nas proximidades da linha “1”, mas nas proximidades da linha “3”, ao invés de agir para a recuperação da posse da bola, agir para impedir a progressão do adversário e da bola ao campo de ataque (mesmo mantendo o pressing zonal semelhante ao da equipe “A”), terá dinâmicas de transição bem diferentes, criando interdependências e inter-relações também distintas.

Essas transições de referências são tão, ou mais “esquecidas” nos treinamentos, quanto as transições ataque-defesa e defesa-ataque.

Existem muitas coisas que podemos explorar sobre essas transições. Em breve trarei “expedições” mais aprofundadas sobre o tema. Por enquanto, espero ter estimulado a reflexão e discussão sobre ele, para que à frente possamos debater questões peculiares as transições de referências, de acordo com seu nível de complexidade geral, operacional, estrutural e/ou estratégico.

Confira os Grupos da Copa do Mundo!

Editoria de Arte / GLOBOESPORTE.COM

O Brasil pega Portugal já na primeira fase, ainda enfrenta a Costa do Marfim

porém estréia contra a Coréia do Norte. O grupo ficou forte mas o Brasil deve conseguir a sua classificação.

A África do Sul também não teve muita sorte, estréia contra o México, depois enfrenta o Uruguai e encerra contra a França, poderemos ter pela primeira vez na história um anfitrião eliminado na primeira fase.


A credibilidade do esporte

Erich Beting

O tema já foi debatido aqui algumas vezes e, agora, volta à tona com a pretensa "marmelada" que se avizinha na decisão do Campeonato Brasileiro. Assim como em qualquer área de atuação, a ética é o que permeia aquilo de mais precioso para um produto, que é a sua credibilidade. Muitos críticos aos pontos corridos argumentam que o formato de disputa do campeonato abre espaço para as malas de dinheiro deturparem o resultado decisivo. Agora, mais ainda, a rivalidade pode ser responsável por definir um campeão.

Só que o problema não está no formato de disputa, e sim na falta de ética. Não há como montar um código de ética para o esporte, porque é muito subjetivo dizer que um atleta se machucou de propósito, ou que um time entregou um jogo. Mas é possível modificar as atitudes para chegar aquilo que é mais precioso: a credibilidade.

Quando estourou o caso Nelsinho Piquet, a Fórmula 1 foi eficiente em "limpar" a sua imagem. Baniu-se (ir) responsáveis, tirou-se a impressão de jogo sujo. O estrago já estava feito, mas a resposta rápida serviu para preservar a integridade da disputa. Ou, pelo menos, a sensação de integridade.

Só que, neste Brasileirão marcado pelo equilíbrio, ver a competição se encerrar com suspeita de "amolecimento" de um adversário em detrimento do rival é ficar boquiaberto com a incompetência de visão de longo prazo do gestor esportivo. Mais importante do que A ou B ser campeão, fundamental é você ter um campeonato forte, com todas as equipes em condições iguais de competir em alto nível. Do contrário, a credibilidade em torno da competição vai embora.

Ter um campeonato manchado pelos STJDs, pela entrega de resultado ou erro de arbitragem é ter a falta de confiança de todos no produto. O torcedor, como muitos comentaram aqui no blog, simplesmente perde a crença na legitimidade do campeão. O patrocinador pensa duas vezes antes de colocar seu dinheiro no futebol. E a mídia fica propensa a falar de escândalos e não do que verdadeiramente importa, que é o resultado da competição.

Que o esporte é um grande negócio, não há dúvidas. Mas que, sem credibilidade, esse negócio perde força, também não tem o que se questionar.

O título de um Flamengo, um Inter, um Palmeiras ou um São Paulo não pode ser creditado ao resultado de uma ou outra partida. Se isso vier a acontecer, quem perde não é o Grêmio ou o Corinthians com um rival fazendo a festa, mas o campeonato como um todo.

É preciso um choque de imagem no Campeonato Brasileiro para mostrar que existe seriedade no esporte. A mesma seriedade que foi exigida - e alcançada - quando acabaram-se as viradas de mesa, quando os times de grande torcida caíram e subiram na bola. Não à toa, o produto futebol passou a ser bem mais interessante depois dessa virada de página.

É um processo pelo qual também precisam passar os políticos neste país. Preservação, ou resgate, da credibilidade é algo que deveria permear o gabinete de qualquer político ou a cadeira de qualquer gestor esportivo. Só assim o produto atrairá o interesse das pessoas.

A relação entre o gestor e o torcedor

Erich Beting

"É por esse tipo de coisa que se algum jogador da Europa vier me perguntar sobre o Brasil, vou falar para não voltar. A diferença é muito grande". A frase é de Edmílson, volante do Palmeiras, sobre o episódio envolvendo Vagner Love e torcedores do clube na tarde de ontem.

A matéria publicada no UOL mostra uma verdade muito dura sobre a profissionalização do gestor no Brasil em comparação à Europa. E Edmílson ataca o centro dessa questão com sua frase.

Por aqui, permite-se um espaço muito maior para a torcida e seus atos hostis do que pela Europa. Isso não significa, obviamente, que o torcedor europeu não haja em bandos, não seja preconceituoso, não seja violento. Pelo contrário. Lá, tal como cá, a violência do torcedor que atua em bando é tão grande quanto. Mas lá, diferentemente daqui, o torcedor está num patamar, e o gestor, em outro, totalmente distante e isolado.

As torcidas organizadas da Europa são fortes e atuantes nos estádios. Mas o espaço destinado a elas é o mesmo do torcedor "comum". Não há preferência para compra de ingressos, não há entrada diferenciada no estádio, muito menos situações com essas torcidas atuando como uma espécie de agência de viagens do clube, ou a serviço do torcedor.

Dirigente de futebol é uma função, torcedor do clube é outra. Essa distinção permite que o gestor tome decisões mais seguras quanto à entrada do público no estádio e sofra muito menos pressão da torcida no exercício de suas atribuições.

Pensar em ver dirigente em festa de torcida é algo totalmente distante da realidade europeia ou americana, locais em que a gestão esportiva encontra-se em nível mais avançado do que aqui.

Mas, mais do que isso, o que o caso Vagner Love nos faz pensar é no papel da torcida organizada no dia-a-dia de um clube. Radicalmente, o torcedor organizado é um "pirata" das propriedades do time. Eles se apropriam de símbolos e imagens do clube para lucrarem milhões em causa do "samba" ou do ato de "torcer". Isso para não entrar em insinuações de formações de organizações criminosas dentro de torcidas, que podem ou não existir (e não apenas dentro de uma torcida).

Não dá para o futebol, atualmente, permitir que o torcedor organizado torne-se "dono" do time. Não é o time que tem a torcida, mas a torcida que tem um time. Quantas vezes essa expressão já foi cunhada para definir a importância do torcedor dentro de um clube.

É lógico que, sem torcida, a chance de um time prosperar é menor. Mas, sem o clube, a função da torcida simplesmente deixa de existir. Historicamente as torcidas organizadas se embrenharam dentro do cotidiano dos clubes de futebol do Brasil. Assim como, na Inglaterra, os hooligans tomavam conta dos clubes.

Foram necessárias as mortes de centenas de torcedores para a Inglaterra dar um basta na violência dos torcedores. Hoje, o grau de profissionalismo que existe dentro dos clubes impede que o torcedor tenha vida ativa dentro do clube e, até mesmo, fora dele.

Enquanto a impunidade for a marca das atividades dos torcedores de futebol no Brasil, será impossível pensar num futebol mais profissionalizado no país.

A força da grana

Erich Beting

Ela ergue e destrói coisas belas, como já profetizou Caetano Veloso. Mas, agora, só faltava essa.

A Fifa estuda dar uma "bonificação moral" para a Irlanda pela não-classificação à Copa do Mundo. É patética a atitude da entidade no gerenciamento da crise surgida com a mão de Henry. Erro absolutamente compreensível de acontecer por conta da posição do árbitro, e vergonhoso pelo fato de o bandeira não estar na linha de fundo, como deveria ser, para acompanhar o lance.

Mas, daí, a anular a partida ou bonificar a Irlanda pela não ida à Copa é um despropósito. Enquanto não se permitir a ampliação tecnológica do trabalho do árbitro, tal qual a tecnologia ficou muito mais eficiente na transmissão esportiva (a ponto de flagrar erros assim), não é com um punhado de dinheiro que se resolve as coisas.

Se a moda pega, não há grana que dê jeito na Fifa. Muito mais barato (e sensato para preservar o esporte) seria investir na melhor capacitação tencológica dos árbitros e, mais ainda, no incremento da tecnologia para auxiliar o futebol.

Mas isso dá tanto trabalho que é melhor fazer uso da grana mesmo.

As marcas dos clubes

Erich Beting

Uma discussão recorrente por aqui e em diversos lugares onde se debate a gestão e o marketing no esporte é sobre o poder das marcas dos clubes, especialmente aqueles ligados ao futebol. Algo que sempre procuro deixar claro é que é muito difícil você mensurar qual o poder da marca de um clube. Principalmente pelas enormes variáveis que existem no esporte.

Durante muitos anos os clubes listados na bolsa, à exceção da Inglaterra, oscilavam de valor de mercado conforme o desempenho do time dentro de campo. Em Portugal e na Itália esse quadro ainda perdura, com as ações de Porto, Benfica, Sporting, Roma, Lazio e Juventus variando conforme a bola entra ou não no gol adversário.

Mais importante do que determinar, porém, qual é a marca de um clube, é realizar pequenas ações que, somadas, representam grandes gestos. Na última quarta-feira o Milan apresentou uma parceria com a fabricante de celulares Nokia. No evento, foi mostrado o lançamento do Nokia 7310 Supernova AC Milan Special Edition. O celular não é um modelo daqueles ultra-modernos, com todas as funcionalidades e inutilidades possíveis. Mas tem como grande diferencial ser "o celular do torcedor rubro-negro".

"Estamos felizes de oferecer ao torcedor um telefone fácil, intuitivo e completamente personalizado, que irá atender aos grandes apaixonados pelo Milan de terem sempre junto a imagem do clube que amam", afirmou o diretor de marketing da Nokia na Itália, Marco Vichi.

O Milan não é patrocinado pela Nokia. Apenas fechou um acordo para um licenciamento de aparelho de telefone celular. Aqui no Brasil, duas das maiores torcidas do país são patrocinadas por fabricantes de aparelhos celulares (o São Paulo com a LG, o Palmeiras com a Samsung). Nenhuma das duas empresas, até hoje, fez evento de lançamento de um produto personalizado para o seu patrocinado.

E onde está o problema?

Pelas bandas de cá, ainda há muito o conceito de que um torcedor rejeita uma marca por conta do patrocínio ao time alheio. Sendo assim, a maioria das empresas apostam apenas na exposição que a camisa do time dá para a marca para se dar por satisfeita em sua atuação no esporte. Samsung e LG já poderiam, há tempos, ter criado e colocado à venda nas lojas celulares personalizados de Palmeiras e São Paulo. Assim como poderiam, também, ter procurado outros clubes para parcerias do tipo.

O potencial da marca de um clube se mede pela quantidade de ações que podem ser feitas para o torcedor. Muitas vezes reclama-se que o esporte não está profissionalizado a ponto de saber tirar o melhor proveito de suas marcas.

Mas será que as empresas estão? Em tempo, abaixo segue a foto do celular do Milan, extraída do site da Nokia, para vermos como o produto licenciado no futebol pode ser de alta qualidade.

sábado, dezembro 05, 2009

De saída, Silas abrirá miniaturas do Avaí
Escolha do treinador pelo marketing para abrir a coleção já havia sido feita; lançamento nesse momento faz parte de um esforço do clube para enaltecê-lo
Equipe Universidade do Futebol

Silas Pereira fará no próximo domingo o último jogo como treinador do Avaí. Antes do término do Campeonato Brasileiro, o comandante já anunciou oficialmente que não seguirá no clube - ele deve divulgar na segunda-feira um acerto com o Grêmio. Quase dez dias depois do fim de sua passagem pelo time catarinense, o técnico será a estrela de uma nova linha de produtos.

O Avaí decidiu criar uma coleção de miniaturas de ídolos. O boneco com feições de Silas já está pronto, tem 18 centímetros de altura e retrata o treinador de calça jeans e camiseta, como se estivesse à beira do campo. O produto será vendido pela loja oficial do clube, em seu site, a partir do dia 15 de dezembro.

"Este é um projeto que pretende resgatar os principais nomes do clube, que moldaram sua bela história, como Jacaré, Adilson Heleno e tantos outros, e que teve início em fevereiro deste ano, mas o processo de criação e aprovação leva tempo e dedicação", disse Otilia Pagani, diretora de marketing do Avaí.

A escolha de Silas para abrir a coleção já havia sido feita, mas o lançamento nesse momento faz parte de um esforço do clube para enaltecer o treinador. Ele foi o comandante do time catarinense na campanha do acesso à primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

Na última sexta-feira, quando Silas e a diretoria concederam entrevista coletiva para anunciar que o técnico não seguiria no clube, a equipe surpreendeu e estendeu sobre o backdrop de patrocínios um pôster com a foto do comandante. Além da imagem, havia a inscrição "Valeu, Silas... até breve!".

Fonte: Máquina do Esporte

Adidas apresenta bola da Copa-2010 e estudo sobre a influência da altitude na sua velocidade

Segundo a fabricante oficial do artefato, ele pode sofrer até 5% de influência em sua velocidade devido à altitude durante o torneio de seleções

Equipe Universidade do Futebol

Na última sexta-feira, poucas horas antes do sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, a Adidas apresentou a Jabulani, a bola oficial que será utilizada no torneio de seleções.

A cerimônia de apresentação do artefato contou com a participação do ex-jogador alemão Franz Beckenbauer e do inglês David Beckham, quem teceu elogios a bola. "Ela anda muito bem e é muito precisa. A Jabulani é uma bola incrível”, afirmou o inglês.
De acordo com o projeto da Adidas, a bola que será utilizada na Copa de 2010, a primeira na África, tenta representar a variedade cultural da África do Sul e o colorido do continente africano. São 11 cores distintas, cada

uma para uma das províncias do país-sede.

Para Joseph Blatter, presidente da Fifa, que também esteve presente à apresentação da Jabulani, ela é o ponto mais importante de uma Copa do Mundo. "O jogo não é nada sem ela, e apenas uma bola pode levar uma mensagem de esperança e mudança ao mundo. É um símbolo", disse o dirigente.

No entanto, apesar das comemorações, um estudo realizado pela própria Adidas concluiu que a bola oficial da Copa da África do Sul pode sofrer até 5% de influência em sua velocidade devido à altitude durante a competição.


A pesquisa analisou uma cobrança de falta de 20 metros de distância e concluiu que a bola cruzaria a linha do gol com velocidade média de 126 km/h no Soccer City, em Johannesburgo, com 1.694 metros acima do nível do mar.

O mesmo teste, realizado no Moses Mabhida, em Durban, praticamente ao nível do mar,

mostrou que o chute se transformaria em gol com 120 km/h de média.
Johannesburgo, que receberá a final da Copa-2010, é a cidade com a maior altitude do torneio.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Muito além das quatro linhas
Metodologia busca abordagem sistêmica para treinamentos de equipes de futebol
Jeverson Barbieri

Uma nova visão sobre o futebol, que engloba questões da inteligência combinadas com sistemas, estratégias e táticas, é a mais nova contribuição da ciência para este esporte que, apesar de ser amplamente difundido, ainda carece de estudos científicos mais aprofundados. Pesquisa de doutorado desenvolvida por Rodrigo Aparecido Azevedo Leitão, da Faculdade de Educação Física (FEF), e orientada pelo professor Antonio Carlos Moraes, analisou as ações técnico-táticas dos jogadores ao longo das principais fases da Copa do Mundo de 2006, realizada na Alemanha. E, na prática, ele implementou um modelo de treinamento fundamentado na complexidade de circunstâncias apresentadas por uma partida de futebol, na categoria sub-17 (jogadores até 17 anos de idade) de um clube profissional do estado de São Paulo.

Com relação aos resultados, Rodrigo afirmou que foram “muito consistentes”. Na condição de técnico dessa equipe sub-17, Rodrigo teve permissão para aplicar a metodologia desenvolvida, respeitando uma programação de acordo com a faixa etária. De todas as categorias do clube, do sub-11 ao profissional, a sub-17 foi a que obteve os resultados mais significativos. Comparando o trabalho não-tradicional executado por Rodrigo com os parâmetros dos testes tradicionais realizados pelo clube, foi possível observar uma grande evolução com a nova metodologia. “Os resultados obtidos pela equipe nas competições foram muito bons, chegando a ter 83,3% de aproveitamento nos pontos disputados”, atestou Rodrigo. Como consequência, vários jogadores foram promovidos de categoria antes do prazo previsto.

Segundo Leitão, o que se busca é a “engrenagem perfeita” – sua ideia é trabalhar com desafios e conflitos. O pesquisador esclarece que, nessa perspectiva, o treinador define a maneira como os sistemas defensivo, ofensivo, de transição defensiva e de transição ofensiva irão atuar. Por exemplo: se um dos comportamentos prevê que toda vez que a equipe perder a bola, tem como objetivo recuperá-la em cinco segundos, ela, para fazer isso, vai precisar de uma série de estratégias que a levem a atingir seu objetivo independentemente da circunstância do jogo. “Eu me preocupo em criar exercícios e jogos nos quais esse comportamento apareça o tempo todo”, afirmou. E como isso se dá em forma de jogo – e não apenas nos treinamentos físico, tático e técnico –, a prática será vantajosa para o jogador e, ao mesmo tempo, competitiva.

Nessa perspectiva, esclarece o pesquisador, o jogador fica motivado o tempo todo a tentar resolver o problema, já que ele está sendo desafiado. Assim, diz ele, fica fácil inserir qualquer atleta no esquema, desde o mais talentoso até aquele que tenha mais dificuldades. Como os jogadores reclamam muito dos treinamentos físicos – que, tradicionalmente, contribuem muito pouco para o aperfeiçoamento –, a grande vantagem dessa metodologia, de acordo com Rodrigo, está no fato de que a bola está presente o tempo todo. “Jogador não gosta de treino físico. Ele quer é estar com a bola e, utilizando-a o tempo todo, é possível criar uma sobrecarga física – que também é tática, técnica e psicológica – com muito mais empenho”, esclareceu. Como exemplo, Rodrigo disse que em uma partida normal, os atletas dão em média de 60 a 70 arrancadas. Com essa nova metodologia, nos treinamentos os jogadores fazem uma média muito maior, empenhando-se mais. “Quando vão para o jogo, eles fazem muito melhor”, disse.

Imprevisibilidade

Durante uma partida, explica Leitão, existem inúmeras circunstâncias imprevisíveis, desconhecidas pelo jogador. E o que faz uma equipe vitoriosa é conseguir que ela responda melhor a essas circunstâncias. Para Rodrigo, os treinos hoje não proporcionam isso ao atleta. “O jogador sabe passar, chutar, driblar e se movimentar, mas como fazer isso o tempo todo, de uma forma organizada e inteligente? Como faço para que na hora do jogo o treinador não precise ficar gritando o tempo todo à beira do gramado, como se o jogador fosse controlado por controle remoto? Eu diria que, para ganhar o jogo, o atleta deve estar preparado para resolver circunstâncias imprevisíveis da melhor maneira possível”, garantiu.

Um aspecto da pesquisa que Rodrigo considera inovador é a contestação sobre alguns pontos da inteligência múltipla – que preconiza que o indivíduo que tem talento para o esporte ou a música, seguramente, praticará esporte ou música muito bem. O questionamento é feito na medida em que a inteligência circunstancial – muda a circunstância, muda a resposta – se apresenta. O pesquisador entende que o jogador inteligente não é só aquele que sabe driblar melhor ou aquele que tem a perspicácia para fazer uma jogada maravilhosa. Na verdade, opina o pesquisador, jogador inteligente é aquele que consegue tomar a melhor decisão, com ou sem bola, a qualquer momento do jogo e isso pode ser um drible, uma “bicicleta” ou um passe. O problema é que num jogo de futebol o jogador tem pouquíssimo tempo para tomar uma decisão. Portanto, o treino não deve servir como base para deixar o jogador mais preparado para, sozinho, desequilibrar uma partida. Deverá servir para prepará-lo objetivando tomar a decisão mais adequada, seja para uma jogada individual, seja para uma composição coletiva do que irá acontecer.

Reclama-se muito no futebol profissional, especialmente no Brasil, da falta de tempo para preparação das equipes antes de um campeonato. Procurando otimizar o treinamento, Rodrigo desenvolveu uma nova proposta de modelo de treino, classificada por ele como “revolucionária”. Ela customiza o tempo de treino e desenvolve o raciocínio do atleta objetivando o que é necessário para vencer um jogo. Com isso, deixa de fora coisas que são insistentemente trabalhadas e que, no final das contas, segundo o autor da tese, não farão diferença no resultado final.

No futebol brasileiro e nos países que ainda não evoluíram nos estudos sobre esse assunto, as dimensões física, técnica, tática e psicológica são fragmentadas e trabalhadas de forma separada. Nessa nova perspectiva, essas partes estão integradas – o trabalho é sistêmico. “Tenho que criar um cérebro comum para os onze jogadores não perderem a autonomia, mas ao mesmo tempo, dados os fatores emocionais, técnicos, táticos e físicos, agirem de uma forma coesa, como se fossem um só”, afirmou Rodrigo.

Nessa perspectiva complexa – e como a ideia é customizar o tempo – os ganhos vêm mais rápido. Na visão do pesquisador, o trabalho de longo prazo faz com que se mude o paradigma de que no futebol chega-se ao topo, tenha o período de manutenção e, consequentemente, uma queda por ser difícil manter-se na ponta por longo tempo. A nova metodologia prevê uma constante evolução porque há uma otimização do trabalho de forma integrada. “A ciência não pode se distanciar da realidade prática. Se eu monto uma proposta que diz que vai precisar de dez meses para dar certo, isso é irreal, porque ninguém fica todo esse tempo num clube se não conseguir resultados imediatos. Nosso pensamento é ir para a prática. Qual o problema da prática? Entender os motivos que levam um time à derrota e à vitória. Eu diria que o longo prazo é importante, mas no nosso caso pensamos num programa real para resolver as coisas em curto prazo”, assegura.

Copa de 2006

Segundo Rodrigo, em tese os melhores jogadores do mundo estavam na Copa do Mundo da Alemanha, em 2006. Como o objetivo era investigar a inteligência coletiva e individual dos jogadores, nada melhor do que momentos de grande pressão em que a decisão não está somente no que cada jogador quer fazer, mas também em uma série de circunstâncias envolvidas no processo. A análise mostrou dados bastante interessantes como, por exemplo, que grande parte das seleções não se preocupou muito em criar referências – um “cérebro coletivo” –, no entanto, muitas investiram na resolução do jogo de uma forma individual. “Obviamente que não estamos desconsiderando o talento e a criatividade do jogador, porém se o investimento ficar apenas nisso teremos, nos momentos cruciais, decisões comuns”, previu.

Rodrigo cita exemplos de clubes como Barcelona, Inter de Milão e Real Madrid, nos quais é perceptível uma preocupação em criar um mecanismo coletivo de decisões, muito provavelmente por ter mais tempo de preparação do que uma seleção que se reúne esporadicamente. No entanto, como o trabalho ainda é tradicional com a fragmentação do físico, técnico e tático, os jogadores não conseguem atingir o nível desejado.

A análise demonstrou que as seleções que optaram por ter como referência a marcação por zona, ou jogo zonal, conseguem ter um comportamento coletivo mais equilibrado do que as equipes que optam por marcações individuais.

No Mundial, a Itália foi mais inteligente. Muitas vezes, a melhor equipe na média não é campeã porque em algum momento não foi mais inteligente que a outra e naquela circunstância isso tinha um peso maior. França, Itália e Alemanha foram equipes que optaram a maior parte do tempo por referências que criaram ações coletivas mais coesas. Na maior parte do tempo, analisados os resultados das últimas partidas, são as equipes que na média manifestaram uma inteligência coletiva de uma forma mais coesa. “Eu diria que a França tem uma vantagem sobre as outras, porque naquele país já existe, faz algum tempo, uma preocupação com a construção de propostas inovadoras para o treinamento”. O mesmo vale para a Espanha, que há alguns anos investe nesse tipo de conhecimento, e que hoje tem sido sensação em torneios internacionais com sua seleção nacional e com a equipe do Barcelona.

Questionado sobre como esse tipo de metodologia pode chegar aos clubes de futebol, o orientador lembrou que a universidade tem um papel inverso ao do clube. Para Moraes, os profissionais de clubes que procuram a Unicamp para adquirir conhecimento e desenvolver pesquisas é quem são os responsáveis por levarem essa e outras metodologias para os clubes de origem. Para ele, de fato, existe um certo distanciamento entre a teoria e prática, no entanto, compete ao clube – quando envia um preparador físico, por exemplo, para a universidade – dar a oportunidade para que ele desenvolva o trabalho depois. Moraes lembrou que esse trabalho, pautado pelo individualismo, gerará um trabalho coletivo no futuro.

Laser utilizado por torcida do Barcelona pode causar lesões irreversíveis
A superexposição luminosa como as sofridas pelos atletas do Real Madrid poderiam causar queimaduras nas células nervosas, que não se regeneram
Equipe Universidade do Futebol

O laser que foi utilizado por torcedores e que causou lesões nos jogadores Cristiano Ronaldo e Pepe, quando jogavam no estádio Camp Nou, foi avaliado como muito perigoso por especialista, uma vez que, de acordo com eles, podem causar danos irreversíveis.

Segundo o Dr. Féliz Armada, chefe de departamento do Hospital de La Paz de Madrid, a superexposição luminosa como as sofridas pelos atletas do Real Madrid poderiam causar queimaduras nas células nervosas, que não se regeneram.

Sergio Fernandez, do diário Marca, informou que as pessoas que utilizaram o artefato para atingir Cristiano Ronaldo e Pepe realizaram uma ação planejada. De acordo com o jornal espanhol, os responsáveis utilizaram-se de um tripé e de um “canhão” de luz que possuía 400 miliwatts, oito vezes a mais do que o permitido.

“Se se produz uma queimadura no olho, não haveria tratamento, ficaria uma zona escura no campo visual. Esse tipo de ponteira ou qualquer emissão de laser molestam, desconcentram e podem cegar”, explicou o Dr. Armada.

Essa não foi a primeira vez que o português Cristiano Ronaldo foi vítima de uma ação envolvendo laser. Quando atuava pelo Manchester United, durante uma partida contra o Olympique de Lyon, pela Champions League, sofreu com o mesmo tipo de atitude da torcida adversária. Na época, o time francês foi punido economicamente.

Vasco mira agilidade estrutural e adquire serviços de empresa especializada em gestão
Consultora ligada a outras grandes marcas buscará efetuar ações em várias frentes, inclusive com processo de capacitação de alguns profissionais cruzmaltinos
Equipe Universidade do Futebol

Com o intuito de montar uma estrutura de gestão mais profissional e eficiente, o Vasco da Gama selou um acordo com a Insight Consulting. Fundada em maio de 2000, por executivos vindos de grandes consultorias, a companhia especializada na gestão de grandes marcas irá estabelecer algumas mudanças imediatas e também elaborar projetos em médio e longo prazo no departamento de futebol cruzmaltino.

“O projeto será realizado seguindo uma metodologia estruturada. A fase inicial será um diagnóstico detalhado da situação atual do Vasco. A fase seguinte começa a focar no modelo futuro e é nesta etapa que já conseguiremos identificar o que chamamos de ‘ganhos rápidos’, que serão validados e colocados em prática. A partir daí, os ganhos entrarão num processo de ‘Melhoria Contínua’”, explicou Sérgio Magacho, sócio diretor da Insight.

A expertise em projetos complexos, de segmentos variados, como Rede Globo, Embraer, Previ, Monteiro Aranha, Rexam, AES Brasil , Queiroz Galvão, entre outros, será conduzida à agremiação carioca, que em 2010 irá disputar novamente a elite do Nacional.

Ainda sem um treinador definido para o comando da comissão técnica para a temporada, a direção volta, pelo menos em princípio, os olhares para o marketing e procedimentos voltados a outras esferas concomitantes.

Toda a área de gestão administrativa do clube será reestruturada, bem como haverá a criação de pilares para o desenvolvimento de um modelo sustentável - alguns dos funcionários vascaínos, inclusive, poderão passar por um processo de capacitação.

“A expectativa é que possamos desenhar uma estrutura mais ágil, que permita atingir os objetivos do clube, e atender os anseios dos sócios e torcedores do Vasco”, declarou o vice presidente de finanças do “Gigante da Colina”, Nelson Rocha.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Brasileirão em pontos corridos ou em “mata-mata”? A celeuma reinventada
Autor lamenta que os defensores do Nacional com playoffs recorram a sofismas absurdos para defenderem a fórmula que julgam ideal. Ainda mais na última rodada
Luis Filipe Chateaubriand

Estamos na semana que antecede a decisão do título do Campeonato Brasileiro da Série A de 2009. No próximo domingo, Flamengo e Grêmio jogam no Maracanã e, se o time carioca vencer, chegará ao hexacampeonato. Um “tropeço” rubronegro, entretanto, pode fazer com que o título fique com Internacional, Palmeiras ou São Paulo.

A grande polêmica da semana é que insinuam que o Grêmio poderá perder para o adversário de propósito. Assim, seria evitado que seu rival eterno, o Internacional, viesse a se sagrar campeão brasileiro após uma espera de 30 anos – e logo no ano de seu centenário!

É aí que, como diria o poetinha Vinícius de Moraes, “de repente, não mais que de repente”, os críticos da fórmula de pontos corridos para o Campeonato Brasileiro se entusiasmam para promover ácida crítica ao campeonato mais emocionante da história do futebol brasileiro!

Argumentam eles, os detratores dos pontos corridos, que o Grêmio jogará desinteressado e com propensões a poder “entregar” o resultado, porque a competição é por pontos corridos. Se o campeonato fosse por “mata-mata”, nada disso estaria acontecendo, afinal, só estariam em disputa clubes que estivessem presentes nesse formato, decisivo, sem concorrentes desinteressados.

É lamentável que os defensores do Brasileirão no formato anterior recorram a sofismas absurdos, verdadeiras aleivosias, para defenderem a fórmula que julgam ideal. O fazem, ainda, em momento completamente inoportuno.

Afinal, estamos presenciando o fim de um certame que chega à última rodada com quatro – eu escrevi quatro! – postulantes ao título, algo inédito na disputa de campeonatos nacionais!

Busquem nos arquivos, vasculhem, desafio a encontrarem: quando um Campeonato Brasileiro em pontos corridos teve quatro clubes postulantes ao título até a última rodada? E no Campeonato Italiano? E no Espanhol? E no Inglês? E no Francês? Alguma vez já se viu, na história do futebol, algum campeonato nacional chegar à última rodada com quatro clubes podendo ser campeões?

Quer mais emoção do que isso?

E, vale lembrar: a esta altura, poderiam ser cinco clubes os aspirantes ao título; basta lembrar que o Cruzeiro não disputa mais o “caneco” apenas porque deixou o mesmo polêmico Grêmio empatar, com gol no último minuto e com um jogador a menos, no jogo entre os dois, em Belo Horizonte, semanas atrás. Não fosse esse improvável resultado, e teríamos CINCO clubes disputando o título até a última rodada.

Quer mais emoção do que isso?

Mas, principal de tudo, os defensores do “mata-mata” omitem um dado, importantíssimo: para que se defina os clubes que chegarão aos playoffs, existe uma fase de classificação; e, na fase de classificação, situações desse tipo, como a do jogo Flamengo x Grêmio, não só são possíveis, como prováveis.

Imagine-se o seguinte: na fase classificatória, habilitam-se os oito primeiros para o “mata-mata”. Na última rodada da fase classificatória, Flamengo e Grêmio jogam no Maracanã. Na rodada anterior, o Flamengo é o oitavo colocado, e o Internacional, o nono, um ponto atrás. O Grêmio já não tem possibilidades nem de classificação e nem de rebaixamento.

Nesse caso, o Grêmio pode “entregar” o jogo para o Flamengo, prejudicando o seu rival Internacional. Com isso, o Flamengo, como oitavo, se classifica para a fase decisiva, e o Internacional, que poderá permanecer em nono mesmo vencendo o seu jogo, não.

Em bom português: situação similar à que está acontecendo, no campeonato em pontos corridos, pode acontecer no outro molde, com fase classificatória prévia.

Situações deploráveis como esta não resultam da forma de disputa de uma competição, mas de circunstâncias específicas, inerentes a qualquer tipo de fórmula. Mas, cinicamente, os defensores do “mata-mata” omitem este “pequeno” detalhe.

Campeonatos por “mata-mata” são muito legais. Campeonatos por pontos corridos, também. Por serem mais justos e propiciarem credibilidade aos certames disputados, os campeonatos principais devem ser disputados em pontos corridos, e os outros, em “mata-mata”. Simples assim! Sem sofismas.

Luis Filipe Chateaubriand é autor do livro 'Futebol brasileiro: um projeto de calendário', pela editora Publit (www.publit.com.br).

Ex-treinador da Alemanha, Beckenbauer vê falha em sistema ofensivo da seleção brasileira
Presidente do Bayern, que deixou cargo após 15 anos, rememora Brasil-70 e contesta escolhas de Dunga
Equipe Universidade do Futebol

Franz Beckenbauer não apresentou uma crítica dura e ácida, mas foi bastante pontual: não consegue vislumbrar a seleção brasileira atuando sem um jogo alegre, plástico e com muitos atacantes. Durante uma conferência, o ex-treinador da seleção alemã de futebol e que deixou recentemente o cargo de presidente do Bayern de Munique rememorou ainda a formação tupiniquim que mais lhe causa saudades.

“Se você fala sobre o Brasil, o que vem em minha mente é o time que ganhou a Copa do Mundo de 1970”, disse Beckenbauer. “Carlos Alberto, Pelé, sempre jogaram ofensivamente. Nesse time, há apenas um grande atacante, o Kaká, e Robinho um pouco atrás”.

O Kaiser não descarta o Brasil como um dos mais fortes candidatos para o Mundial do ano que vem, na África do Sul. Apenas lamenta que a eficácia tenha suplantado tanto a magia brasileira. E apontou também outro time continental que chama a atenção.

“O técnico Dunga ficará bravo comigo por dizer isso em público, mas, desculpe, para mim, o estilo do Brasil é ofensivo, de marcar gols, não um futebol burocrático. A Espanha é o time mais forte da Europa, e talvez o melhor do mundo nesse momento”, argumentou o ex-defensor.

Burocracia ameaça Copa do Mundo no Brasil
Orlando Silva aponta burocracia como obstáculo para que as obras para a Copa de 2014 estejam prontas a tempo
Equipe Universidade do Futebol

O ministro dos Esportes, Orlando Silva, havia dito que a renovação de infraestrutura requerida para a Copa do Mundo de 2014 poderia não estar completa se o país não lidasse com a sua burocracia.

O ministro está particularmente preocupado com o setor de aeroportos, o qual, ele disse, pode entrar em “colapso” se não conseguir o financiamento necessário a tempo, de acordo com o que noticiou a Agência Estado.

De acordo com Orlando Silva, R$2,5 bilhões já foram avaliados pelo governo para a renovação dos aeroportos, mas ainda são necessários mais R$3,5 bilhões.

Ele também disse que investimentos em 64 projetos para melhorar o transporte público nas cidades-sede serão anunciados nesta semana.

Fonte: Soccerex - www.soccerex.com

Pesquisa indica que 60 milhões acessarão banda larga móvel durante a Copa-14
Cobertura de banda larga no país deverá alcançar 69% das pessoas; Nordeste aponta crescimento
Equipe Universidade do Futebol

O ano de 2014 será ímpar para a história do Brasil. Além de ser a data em que organizará a sua segunda edição de uma Copa do Mundo de futebol, o país alcançará uma marca tecnológica muito relevante: os acessos de aparelhos e a cobertura de banda larga serão multiplicados.

De acordo com pesquisa apresentada pelo Balanço Huawei da Banda Larga Móvel do 3º trimestre de 2009, em parceria com a Teleco, no prazo de cinco anos a cobertura chegará a 69% das pessoas e a 19% das localidades.

Atualmente, o Brasil possui cerca de 6,1 milhões de acessos de banda larga e 3,7 milhões de acessos de aparelhos.

Com 300 mil novos terminais habilitados por mês e 900 mil no 3º trimestre desse ano, cerca de 21% a mais do que no 2º trimestre, o serviço é o que mais cresce no território nacional.

Entretanto, há ainda uma carência no setor de banda larga, que ainda está abaixo dos padrões de densidades e acessos mundiais, enquanto o uso de telefones fixos, celulares e internet já superam os números ao redor do mundo.

A região onde o serviço mais cresceu foi o Nordeste, que chegou a 50,7% da população. Mas é no Sudeste em que ainda há a maior cobertura, com 76,8% - logo atrás vem o Centro-Oeste, com 67,4%; Sul, com 59,4%; e por fim o Norte, que permaneceu com 47,1%.

Em 2011, prevê-se que o serviço móvel deva chegar a 20 milhões de acessos, ultrapassando a fixa, que terá 17 milhões.