Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

segunda-feira, abril 05, 2010






Entra em vigor a lei paulista de incentivo ao esporte

Decreto possibilita às empresas a obtenção de abatimentos no ICMS de até R$ 1 milhão para recursos destinados a projetos esportivos realizados no âmbito estadual

Por Robert Galbraith

Uma semana antes de deixar o cargo para concorrer à Presidência da República pelo PSDB, o governador do Estado de São Paulo, José Serra, sancionou a lei estadual de incentivo ao esporte. O Decreto nº 55.636 possibilita às empresas a obtenção de abatimentos no ICMS de até R$ 1 milhão (limite de 60.901 Ufesps, que valem R$ 16,40 cada) para recursos destinados a projetos esportivos realizados no âmbito estadual


O secretário de esportes do Estado, Claury Alves da Silva, um dos articuladores do projeto, afirma que o governo paulista prevê no orçamento de 2010 até R$ 60 milhões de renúncia fiscal, limitado a 3% do volume total devido por cada empresa. Ele lembra que o apoio da Secretaria da Fazenda, cujo titular é Mauro Ricardo Costa, também foi importante para o avanço da nova lei. Silva afirma que o montante será incrementado todo ano, com expectativa de que chegue a R$ 500 milhões até 2016, ano em que o Rio de Janeiro receberá os Jogos Olímpicos.

O secretário explica ainda que a lei estadual foi criada a partir do artigo 16 da Lei no 13.918/2009, que autoriza o poder executivo a conceder crédito outorgado correspondente ao valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS). Os projetos deverão obrigatoriamente ser credenciados e aprovados pela Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Turismo de São Paulo, a Selt. A partir do próximo ano, no entanto, o percentual individual por empresa continuará sendo de 3% sobre o ICMS devido, mas a Secretaria de Esportes somente aprovará projetos até o limite de 0,2% da arrecadação do imposto do ano anterior.

Longe das expectativas
José Estevão Cocco, que assumiu em janeiro a presidência da recém-criada Associação Brasileira das Agências de Marketing Esportivo, comemorou a aprovação, apesar de considerar a verba modesta para o primeiro ano. Segundo ele, além de representar um grande apoio ao esporte paulista, a nova lei, por estar atrelada ao ICMS, abre uma ampla perspectiva de empresas beneficiadas. "Praticamente todas as empresas estão sujeitas à tributação do ICMS. O percentual de 3% sobre o imposto devido não distingue qualquer tipo de empresa", analisa Cocco, em um contraponto à legislação federal. Ele lembra que o universo de empresas aptas a destinar até 1% do imposto de renda devido, como reza a lei federal em vigor desde o início de 2007, é muito restrito pelo fato de apenas companhias com declaração de lucro real poderem participar. Na prática, diz Cocco, a empresa precisa pagar R$ 100 milhões em impostos para poder abater R$ 1 milhão. "Talvez por isso apenas 29,7% dos projetos foram aprovados", lamenta. A partir de 2011, o percentual será de 2%.

Segundo dados do Ministério dos Esportes, a lei federal de incentivo ao esporte disponibilizou em 2009 pouco mais de R$ 448 milhões, dos quais apenas R$ 106,53 milhões foram captados por 210 empresas.

Apesar da melhora em relação a 2008 e 2007 (ver quadro abaixo), a expectativa do mercado ainda está longe de ser atendida. Paulo Focaccia, advogado da Associação Brasileira de Marketing Promocional (Ampro), as limitações de estrutura e pessoal do ministério impedem uma atuação mais efetiva do órgão. "Falta pessoal para analisar e aprovar os projetos, o que atrasa todo o processo", critica.

Recursos captados pela lei federal de incentivo ao esporte

Ano

Valor disponívelValor captadoProjetos aprovados
2007R$ 64,18 milhõesR$ 50,92 milhões17
2008R$ 276,83 milhõesR$ 82,19 milhões102
2009R$ 448,23 milhõesR$ 106,53 milhões210


Sistemas exemplares de gestão e administração




Por inúmeras ocasiões a Premier League Inglesa e aos seus clubes surgem como referência e destaque no que diz respeito à sua filosofia financeira e de gestão desportiva, na sua maioria as notícias dos meios de comunicação social prendem-se com os avultados valores dos contratos e das transferências efectuados pelos clubes, mas também pela gestão e o rigor organizacionais aplicados pelos dirigentes da liga, no entanto da Premier League está longe de ser uma liga de futebol perfeita.

Por toda a Europa os modelos e filosofias de gestão desportiva e financeiros utilizados por clubes e ligas varia consideravelmente de país para país, apesar dos esforços por parte da Uefa que através do seu programa de licenciamento colectivo já atingiu alguns resultados, continua a existir alguma dificuldade em introduzir medidas de fundo que possam impedir os graves problemas financeiros e administrativos praticados um pouco por todo o lado.

1. Sistema de Licenciamento

Acreditamos que o projecto de licenciamento introduzido pela Uefa, teve origem no modelo utilizado na Ligue 1 e 2 em França, onde a DNCG – Direcção Nacional de Controle e Gestão, assegura eficazmente o cumprimento das obrigações financeiras dos clubes. Pode consultar mais dados sobre o modelo de licenciamento Francês em – Modelo de fiscalização e controle das finanças dos clubes.

2. Sistema Accionista

O capital aberto de um clube de futebol tem vindo a trazer alguns amargos de boca para alguns clubes mas principalmente para os seus adeptos. O modelo ideal passará sempre pela detenção de 51% das acções por parte do clube, gerido por dirigentes eleitos pelos associados. Este é o modelo utilizado na maioria dos clubes ou existe a intenção que o seja, sendo em grande parte fruto de auto-implementação por parte dos dirigentes e sócios dos clubes. No entanto estas regras e intenções também podem ser alteradas em qualquer altura pela mesma via.

Como exemplo de uma regulamentação perfeita a este nível está o modelo Alemão. Segundo as regras da Bundesliga, os clubes tem que ser proprietários de 50% mais uma acção do clube, tornando impossível que um investidor privado tome conta do clube.

Este modelo impede o descalabro que se verifica em Inglaterra, onde a aquisição de clubes tem sido prática comum (embora já com entraves – As 3 recomendações dos governantes Britânicos), com o endividamento dos clubes a ultrapassar os 3.500 milhões de Euros, fruto dos empréstimos contraídos na aquisição dos clubes por parte dos seus novos proprietários (saiba mais em – O estado financeiro dos clubes da Premier League).

Fonte: Futebol Finance


domingo, abril 04, 2010




Minha religião não permite

Luciane Castro / Blog Bica nela!

Hoje é domingo de Páscoa, pra mim, uma grande merda. Pra mim, uma das inúmeras datas pra se gastar dinheiro com coisas inúteis. Desde que li "O Anticristo", de Nietzsche, o conceito que tinha de cristianismo só se reforçou. No entanto, respeito todas as religiões, desde que a pessoa não tente me convencer de que tal religião é melhor que a outra. Se tentar entrar nesta discussão comigo, vai perder tempo. É como a política: chega uma hora que tudo fica claro e que nada mais te convence de que tudo aconteceu sem ter um movimento político por trás.

Mas confesso que minha tolerância chegou ao fim e explico por que este post vai no Bica. Uma coisa eu aprendi nestes 38 anos de vida e que dificilmente se ensina sem que a pessoa tenha alguma coisa realmente boa no coração: Caridade, não tem religião e quando uma pessoa deixa de fazer o bem para outra porque seus preceitos religiosos contaminaram a "bondade" do seu coração, é sinal de que esta pessoa não tem a menor capacidade pra se doar.

Digo isso em qualquer situação. A Páscoa, como já disse, é só uma data para se comprar chocolates. E não tentem me convencer do contrário. O que realmente importa, é a atitude que a pessoa tem durante os outros 364 dias do ano.

Você já foi cristão suficiente para tirar uma blusa que estava vestindo para dar praquele senhor jogado no chão da rua passando frio? Você já foi cristão suficiente para comprar um prato de comida para aquele bebum que gastou todo seu dinheiro com cachaça? Você já foi cristão suficiente para parar tudo o que estava fazendo para dar ouvido a um amigo que estava magoado e triste?

Então me expliquem, por favor, como se eu tivesse 4 anos, por que foi que Robinho, Fabio Costa, Roberto Brum e outros jogadores do Santos, se recusaram a doar um pouco da sua atenção para pessoas deficientes, atendidas por uma casa espírita?

Por que? Porque a "religião" deles é melhor que as outras? Porque aqueles deficientes não merecem ter um pouco de atenção dos "atletas de cristo"? Porque o tempo das pessoas que trabalham numa casa de caridade espírita não é tão valioso quanto o tempo que eles gastam pra jogar bola?

Eles são melhores no que?

NO QUE???

Ouvi muita coisa sobre o Robinho especialmente, e garanto pra vocês, o cara é um LIXO! E se ele acha, conforme declarou ao Gazeta Esportiva, que o assunto não merece virar polêmica, alguém avise a este infeliz, pobre de espírito, e aos outros que comungam com esta "verdade" tão mediocre, que o mesmo Deus que deu a deficiência praquelas pessoas, é o mesmo que lhe deu o dom de jogar futebol e, sendo Deus, também pode tirar toda e qualquer benção.

Mas minha "religião" não permite desejar o mal pra gente assim, minha "religião"que é acreditar no deus que cada pessoa tem dentro dela, só permite dizer que a vida ensina e geralmente a lição é dura demais pras pessoas que, recebendo tudo o que NÃO merecem, não doam um pouquinho do seu coração.

Minha "religião" não permite lembrar os jogadores, que eles tem filhos. E que toda ação tem uma reação, e que um dia, estes pobres seres humanos, podem precisar de um lar assim.

Feliz Páscoa? Nem! Quero que todas as datas religiosas se fodam!

Minha "religião" não permite a hipocrisia.

sexta-feira, abril 02, 2010

Páscoa vira tema para clubes
De acordo com a Abicab, feriado deve movimentar cerca de R$ 788 milhões com venda de chocolates
A venda de chocolates deve movimentar cerca de R$ 788 milhões nesta Páscoa, de acordo com dados da Associação Brasileira de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas de Derivados (Abicab). De olho nesses números, clubes de futebol criam ações específicas para fortalecer a marca por meio da alta exposição típica da época e estreitar laços com os torcedores.

O Internacional-RS, por exemplo, optou por fechar parceria com a multinacional suiça Nestlé e lançar um brinde exclusivo: uma lata customizada recheada de bombons "Especialidades Nestlé". Com 15 centímetros de altura e 220 gramas de peso, o artigo pode ser adquirido pelos consumidores que comprarem ovos nos pontos-de-venda credenciados da Nestlé, na região Sul do Brasil, e se informarem sobre o procedimento para obtê-lo.

No Rio de Janeiro, o Flamengo decidiu apostar no concurso "Uh, é chocolate!". O torcedor deve contar em 300 caracteres, no site oficial, qual a goleada que mais lhe emocionou. Válida até 4 de abril, domingo de Páscoa, a promoção irá premiar os dez melhores textos com cestas de chocolate Lugano.

O Avaí, por sua vez, faz desde quarta-feira (31) promoção no preço dos ingressos para a partida de domingo, válida pelo Campeonato Catarinense. Crianças pagam R$ 5 em qualquer setor do estádio e todos os ingressos para adultos estão com 50% de desconto. Uma hora antes do jogo, ainda haverá uma brincadeira dentro de campo para 20 crianças já sorteadas, com camisas, bolas e doces como recompensas.

Fonte: Máquina do Esporte

Endividado, Grêmio tenta driblar perda de jogadores e projeta contratação de gestor
Profissional seria contratado para alinhar pendências entre departamentos financeiro e de futebol; débitos ultrapassam casa dos R$ 150 mi
Equipe Universidade do Futebol

Ao término da temporada de 2007, o Grêmio carregou consigo não apenas a perda do título da Copa Libertadores da América daquele ano. Mas também a saída do seu capitão, o zagueiro William. Em 2009, foi a vez de Léo, um dos promissores defensores da equipe, deixar o Olímpico. Em ambos os casos, um mesmo motivo: negociações condicionadas por dívidas anteriores a clubes rivais.

Enquanto William acompanhou o treinador Mano Menezes, desembarcando no Corinthians, Léo fez parte de uma negociação com o Palmeiras. No primeiro exemplo, a dívida se referia à contratação do zagueiro Nenê, no ano 2000, e foram sanados R$ 6,9 milhões.

Já o segundo, que foi para o clube alviverde, em uma troca envolvendo Maurício, por empréstimo de 1 ano, findou outros R$ 5 milhões devidos pela transação envolvendo Paulo Nunes, também no ano 2000. Os paulistas eram credores dos gaúchos.

Recentemente, uma polêmica envolvendo atrasos na folha de pagamento foi superada. Entretanto, o balanço financeiro do ano passado revelou que a agremiação gaúcha possui dívidas próximas dos R$ 160 milhões.

Desse montante, R$ 61,1 milhões são imediatos e R$ 95,4 são de longo prazo. Nelas, estão inclusas questões trabalhistas, rescisões e atrasos. Os débitos do condomínio de credores, criados para auxiliar em pagamentos, também estão somados a estes números.

A fim de criar uma fórmula de saneamento dessa conta, a partir de 2011 o Grêmio deverá ter um profissional exclusivo para cuidar do elo entre os departamentos financeiro e de futebol – uma espécie de administrador.

O momento da contratação desse gestor coincidirá com a troca de comando do Grêmio. Segundo Duda Kroeff, o novo presidente que assumir o clube deve contratar alguém de sua confiança. “Não seria justo eu contratar alguém no final de minha gestão”, comentou, em entrevista à Rádio Gaúcha.

“Nossa situação já esteve bem pior”, completou Duda, que aposta em uma boa campanha na Copa do Brasil para garantir o retorno à rentável Libertadores.


Milan divulga acampamento em seis cidades e planeja desenvolvimento de CT no Brasil
Proposta ‘embrionária’ seria para o ano que vem; Baresi vê semelhanças entre escolas italiana e brasileira
Equipe Universidade do Futebol

Programa de férias temático de futebol, o Milan Junior Camp, desenvolvido pelo próprio clube italiano e praticado por meninos e meninas em todo o mundo, chega ao Brasil. Durante uma semana, seis cidades brasileiras receberão o módulo de treinamento, em acomodações de alto-padrão, sob a coordenação de treinadores das categorias de base rossoneri.

O alvo do acampamento é o desenvolvimento da prática de futebol, sem a exigência de nenhum teste de habilidade futebolística – apenas o gosto pela prática da modalidade e um investimento pomposo (R$ 1.980 no Rio e R$ 2.010 em São Paulo, por exemplo).

“A gente começa a olhar mais para o lado técnico. O Milan está muito focado no intercâmbio de metodologias. O Milan Lab, centro de excelência, agora tem versão júnior”, explicou Mauro Silva Corrêa, da Golden Goal Sports Ventures, que divulga ações do Milan e ciceroneou o ex-zagueiro Franco Baresi pelo país.

“Não acho que seja uma questão de rico ou pobre. Há talento em todos os níveis. Mas o objetivo maior do Milan Camp não é descobrir talentos, é formar as crianças, dar valores”, acrescentou.

O executivo comentou ainda que o time italiano tem promovido Camps também para crianças menos favorecidas, como nas cidades de Pato Branco-PR, Criciúma-SC e mesmo na Fundação Gol de Letra, que tem Leonardo, atual técnico do Milan, como um de seus responsáveis.

Ao final de cada evento, um participante será sorteado para uma viagem a Milão, onde jogará uma partida amistosa, o Milan Junior Camp Day e assistirá uma partida do time principal pelo Campeonato Italiano. Mas os voos em terras brasileiras são mais amplos.

“Vamos ter juvenis aqui, treinadores morando aqui, fazendo análises, relatórios, trabalhando localmente. Seria um centro de treinamento. É uma coisa embrionária. Estamos pensando para meados de 2011", explicou Corrêa, ainda em entrevista à Folha de S. Paulo, sobre o plano de ter uma filial fixa no Brasil.

Algumas pesquisas indicam que o Milan é o time estrangeiro com mais torcedores nas principais capitais do país – além de São Paulo e Rio, Belo Horizonte, Manaus, Fortaleza e Recife recebem o Camp.

O Milan inclusive vem cada vez mais realizando investimentos nesse sentido, como a versão de seu site em português e a contratação de vários representantes da nação pentacampeã mundial.

“O Milan sempre gostou de jogadores técnicos. Por isso vem contratando vários brasileiros, como Cafu, Serginho, Ronaldinho, Ronaldo, Rivaldo, Kaká...”, comento Baresi.

Para ele, o futebol brasileiro aprendeu muito com o italiano e, por isso, há na seleção de Dunga tantos defensores que atuam na Itália.

“A seleção brasileira é objetiva, Dunga se preocupa muito com o sistema defensivo. O futebol brasileiro devia agradecer ao italiano. Na Copa de 1982, não havia muitos brasileiros atuando na Europa. Se houvesse, talvez [o Brasil] tivesse ganho o Mundial”, completou o defensor, reserva em 82.

Necessidade de ‘ser responsável’ é justificativa de treinador do Santos em troca de defensores por atacantes
Dorival Júnior pretende reeducar linha de frente antes de novas tentativas com quinteto de jogadores ofensivos
Equipe Universidade do Futebol

Para atuar desde o início com o vislumbrado quinteto ofensivo – Marquinhos, Robinho, Ganso, Neymar e André –, o Santos, na figura do treinador Dorival Júnior, quer que meias e atacantes fortaleçam o senso de cobertura. Para isso, durante partes de jogos em que o resultado de vitória está assegurado, o comandante alvinegro vem efetuando a substituição de jogadores de frente por zagueiros e volantes.

“Quando tiro zagueiro e coloco um atacante é para dar mais responsabilidade aos meias, e aos próprios atacantes. Quero que eles se preocupem um pouco mais com a marcação, sabendo que estamos desguarnecidos defensivamente. Quero uma participação maior da linha de frente”, justificou Júnior.

A última participação do grupo foi na derrota para o Palmeiras por 4 a 3,na Vila Belmiro, no dia 14 de março. Desde a saída de Robinho, lesionado, nos últimos quatro jogos (Remo, Ituano, Botafogo-SP e Monte Azul), Dorival tem escalado a equipe em uma espécie de 1-4-4-2, com algumas variações.

Já classificado às semifinais do Campeonato Paulista, o Santos pode rever a formação arrojada para os duelos mata-mata.

“Se preenchermos todos os espaços do campo com sabedoria, vai ter lugar para todo mundo no time”, ponderou Dorival.

No duelo contra o Ituano, por exemplo, o lateral Pará e o volante Arouca deixaram o time para a entrada dos atacantes Zé Eduardo e Maikon Leite, respectivamente. Os dois estiveram em boa parte do segundo tempo em campo, e contribuíram para a goleada por 9 a 1.

Já diante do Monte Azul (5 a 0), no último fim de semana, os mesmos atacantes foram colocados em campo, nos lugares do zagueiro Durval e novamente de Arouca – assim, Marquinhos e Paulo Henrique Ganso passam a jogar mais recuados, orientando a saída de bola na transição ofensiva.

No próximo domingo, diante do São Caetano, o teste com cinco do meio para frente não será possível. Robinho volta, mas o meia Paulo Henrique Ganso está suspenso. É provável que o camisa 7 seja o seu substituto. Assim sendo, Marquinhos e André seguirão entre os titulares.


Vilipêndio ao Hino Nacional Brasileiro
Parte da imprensa, enquanto se executa o hino, ao invés de respeitar o que determina a lei e se postar em posição voltada ao Pavilhão Nacional, não para de falar
João Bosco Luz de Morais

Os símbolos nacionais estão definidos na Constituição Federal e em leis ordinárias, as quais determinam a sua apresentação, exposição e execução, conforme o caso. E o Hino Nacional é um dos símbolos da República Federativa do Brasil.

Dispõe o parágrafo primeiro do artigo 13, da Constituição Federal que, “são símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais”, enquanto que a Lei no 5.700, de 01 de setembro de 1971, dispõe sobre a forma e a apresentação dos Símbolos Nacionais.

Em seu artigo 24, a Lei 5.700/71, define quais são as prescrições que a execução Hino Nacional deve obedecer, as quais devem ser obedecidas em qualquer situação, conforme a seguir:

Art. 24. A execução do Hino Nacional obedecerá às seguintes prescrições:

I - Será sempre executado em andamento metronômico de uma semínima igual a 120 (cento e vinte);

II - É obrigatória a tonalidade de si bemol para a execução instrumental simples; III - Far-se-á o canto sempre em uníssono;

IV - Nos casos de simples execução instrumental tocar-se-á a música integralmente, mas sem repetição; nos casos de execução vocal, serão sempre cantadas as duas partes do poema;

V - Nas continências ao Presidente da República, para fins exclusivos do Cerimonial Militar, serão executados apenas a introdução e os acordes finais, conforme a regulamentação específica. Por outro lado, o artigo 25, do mesmo diploma legal define as condições para a execução do Hino Nacional, conforme a seguir:

Art. 25. Será o Hino Nacional executado:

I - Em continência à Bandeira Nacional e ao Presidente da República, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal, quando incorporados; e nos demais casos expressamente determinados pelos regulamentos de continência ou cerimônias de cortesia internacional;

II - Na ocasião do hasteamento da Bandeira Nacional, previsto no parágrafo único do art. 14.

§ 1º A execução será instrumental ou vocal de acordo com o cerimonial previsto em cada caso.

§ 2º É vedada a execução do Hino Nacional, em continência, fora dos casos previstos no presente artigo.

§ 3º Será facultativa a execução do Hino Nacional na abertura de sessões cívicas, nas cerimônias religiosas a que se associe sentido patriótico, no início ou no encerramento das transmissões diárias das emissoras de rádio e televisão, bem assim para exprimir regozijo público em ocasiões festivas.

§ 4º Nas cerimônias em que se tenha de executar um Hino Nacional Estrangeiro, este deve, por cortesia, preceder o Hino Nacional Brasileiro.

E nós, brasileiros, aprendemos tudo isso nas escolas. Eu me lembro perfeitamente bem, quando criança, que, ao ouvir o Hino Nacional, eu deveria me colocar em posição de respeito e voltado para a Bandeira nacional. Todos os dias, antes da entrada nas salas de aula, ficávamos perfilados no pátio da escola e cantávamos o Hino Nacional.

Todos nós sabíamos conhecíamos a letra e sabíamos cantar o Hino Nacional, inclusive a sua introdução, a qual, infelizmente, se ouve atualmente apenas de forma instrumental. É uma parte do Hino Nacional que cai no esquecimento.

Mas até aí tudo bem. O que não se admite é o vilipêndio ao Hino Nacional que presenciamos em todos os jogos de futebol profissional realizados no Brasil, especialmente nos principais campeonatos estaduais e nos Campeonatos Brasileiros de Futebol Profissional, Séries A, B e C.

Nos estádios lotados, antes do início das partidas, executa-se o Hino Nacional. Os atletas participantes da partida e o quarteto de arbitragem se postam no gramado voltados para a Bandeira Nacional, onde a mesma encontra-se hasteada. Observando em todas as dependências do estádio podemos ver algumas pessoas em posição de respeito e voltadas para a bandeira nacional. Mas é só!

Os profissionais da imprensa, enquanto se executa o Hino Nacional, ao invés de respeitarem o que determinam a lei e se postarem em posição de respeito, voltados para o Pavilhão Nacional, não param de falar. E este é o comportamento da esmagadora maioria das pessoas presentes no estádio.

E não é difícil observar que alguns atletas perfilados estão mascando chicletes, saltitando, desviando os olhares, pensando em tudo, menos no ato cívico que se realiza naquele momento.

Não obstante todo este desrespeito, é comum presenciarmos a execução do Hino Nacional de forma vocal sendo cantada apenas a primeira parte do poema. Neste caso, a lei veda expressamente a execução parcial, ou seja, tem que cantar as duas partes do poema. Apenas na versão instrumental se admite a execução parcial, mesmo porque a melodia é a mesma para as duas partes do poema.

É claro que devemos valorizar a idéia dos organizadores das competições esportivas nacionais, especialmente as de futebol, que determinam a execução do Hino Nacional antes do início dos jogos. E a lei autoriza a execução do Hino Nacional nos momentos festivos, como é o caso dos jogos de futebol. Mas não podemos aceitar que o Hino Nacional continue sendo executado da forma que está, de forma desrespeitosa.

Portanto, ou respeitamos a lei e executamos o Hino Nacional na forma que ele deve ser executado ou paramos com a execução. Pois, da forma que está sendo executado, na verdade ele está sendo vilipendiado, com o que nós, brasileiro, não podemos concordar. Fonte: IBDD

*João Bosco Luz de Morais é membro do IBDD, advogado especialista em direito civil e processual civil, doutorando pela Universidad de Buenos Aires, procurador do STJD do Futebol, auditor do STJD do Basketball, professor do Uni-Anhanguera (Goiânia – Go) e membro da Comissão de Direito Desportivo da OAB-GO.


Corinthians terá revista para elite
Produção tem reportagens sobre temas como turismo, gastronomia e comportamento

O público das classes A e B é o foco de uma nova revista criada pelo Corinthians. A Corinthians Mag foi desenvolvida pela agência J3P, que já fez produtos similares para empresas como Track & Field, Artefacto, academia Fórmula e a construtora Even e Yuny.

Além de falar sobre o clube, a revista tem reportagens sobre temas como turismo, gastronomia e comportamento. A ideia é usar o clube como mote para um conteúdo premium, destinado a um público com mais poder aquisitivo.

Quando fala sobre turismo, por exemplo, a revista usa jogadores que moraram fora do Brasil e apresenta cidades em que eles viveram. Além disso, a publicação tem detalhes sobre viagens e jogos do clube.

A primeira edição, por exemplo, tem reportagem sobre Valência (Espanha) com entrevista do meio-campista Edu, ex-jogador do Valencia. Também há uma reportagem com Neto e um perfil de Sócrates, dois ídolos do Corinthians. A foto da capa tem cinco atletas do atual elenco correndo (Elias, Dentinho, Roberto Carlos, Defederico e Iarley).


Fonte: Máquina do Esporte


Coritiba visa fortalecer futebol em Santa Catarina
Longe do estádio Couto Pereira por dez rodadas na segunda divisão, equipe irá utilizar as dependências da Arena de Joinville
Equipe Universidade do Futebol

A punição imposta pela CBF ao Coritiba, em decorrência da confusão generalizada causada pela própria torcida na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2009, mudou os planos da diretoria de marketing do clube em 2010. Longe de Curitiba e do estádio Couto Pereira por dez rodadas na segunda divisão, a equipe irá utilizar as dependências da Arena de Joinville, a 130 quilômetros da capital paranaense, e isso deve motivar a aproximação com times locais, como Joinville Esporte Clube (JEC).

"É uma grande oportunidade para nós, pois estaremos cobrindo um buraco", afirma o gerente de marketing do Coritiba, Roberto Pinto Júnior, em entrevista à Máquina do Esporte. "O torcedor da região gosta muito de futebol, mas a cidade não tem um clube de alto nível, que dispute as principais divisões do Brasil". O Joinville garantiu presença na quarta divisão brasileira somente no fim do ano passado, após vencer a Copa Santa Catarina.

Em 2010, a proximidade entre os clubes já possibilitou que o JEC executasse suas atividades de pré-temporada nos centros de treinamento do Coritiba. Agora, segundo o executivo, o intercâmbio de experiências será intensificado. Além do aluguel que será pago pelo uso do estádio, o Coritiba também pretende contribuir com suporte técnico - novas maneiras de tratamento do gramado, por exemplo.

Não haverá, contudo, ações pontuais para captar novos sócios ou ampliar a torcida no Estado. "A grande massa dos nossos torcedores está num quadrante: Ponta Grossa, Paranaguá, Joinville e Blumenau, até por questões culturais", explica Pinto Júnior. "Nosso objetivo não é tornar a cidade em uma fonte eterna de sócios, isso é algo que irá acontecer naturalmente."

Apesar da confiança do gerente, existem iniciativas de torcedores sendo articuladas por meio da internet para mobilizar a torcida do clube. O "Coxa em Joinville - Eu vou!" já está no ar no formato blog e está presente nas principais redes sociais, como Orkut, Facebook, Twitter e YouTube. O projeto irá fornecer aos torcedores dados sobre a participação do time na segunda divisão, bem como dicas de turismo e gastronomia.

Ações similares foram analisadas pelo Coritiba, a fim de evitar o desgaste da imagem do clube em Joinville. "Nossa ideia é não dar a impressão para o cidadão de que estamos apenas usando o estádio deles, queremos nos mudar para lá por quatro meses e gerar benefícios à população", alerta o gerente de marketing, Pinto Júnior. Para atingir esse objetivo, diz ele, "estão previstas visitas técnicas a universidades, escolas e empresas."


Del Nero segue à frente da FPF
Escolha foi feita por aclamação; não houve candidatos concorrentes ou qualquer voto contrário

Assembleia realizada nesta segunda-feira, na sede da Federação Paulista de Futebol, confirmou Marco Polo del Nero na presidência da entidade por mais um mandato de três anos. A escolha foi feita por aclamação.

Nenhum outro dirigente concorreu à presidência da FPF e ninguém votou contra a continuidade de Del Nero. O dirigente tinha mandato na entidade até 2011, estendeu sua permanência por três anos além disso e comandará a instituição durante a Copa do Mundo que será realizada no Brasil.

A vitória de Del Nero é significativa nesse aspecto. São Paulo é favorita a receber a abertura da Copa do Mundo de 2014, e isso pode turbinar o futebol local a partir de um incremento no fluxo de turistas e investimentos na região.

A extensão do mandato de Del Nero foi baseada no artigo 103 do estatuto da Confederação Brasileira de Futebol, que também permitiu ao presidente Ricardo Teixeira seguir à frente da entidade nacional até 2015.

Del Nero não teve voto contra nem mesmo do São Paulo, clube que é rompido com o mandatário da FPF. No ano passado, o dirigente chegou a ser afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva em função de uma polêmica envolvendo a equipe do Morumbi - na temporada anterior, ele fez uma denúncia de suposta irregularidade na última rodada do Campeonato Brasileiro.

Na época, Del Nero telefonou para o presidente da comissão nacional de arbitragem, Sérgio Correa, e disse ter ouvido de sua secretária que o São Paulo tinha um envelope para entregar ao árbitro Wagner Tardelli, que apitaria a partida do time do Morumbi e acabou afastado. O dirigente da FPF foi afastado do cargo por 90 dias e a entidade ainda levou multa de R$ 10 mil depois que a denúncia não se confirmou. Fonte: Máquina do Esporte


Brahma patrocina Guarani e Ponte Preta
Cervejaria é reconhecida pelos investimentos no esporte, com destaque para patrocínio à seleção brasileira desde 1994
A cervejaria Ambev irá patrocinar os dois maiores clubes de Campinas, Guarani e Ponte Preta, de acordo com nota emitida pela assessoria de imprensa da Ponte Preta nesta segunda-feira (29). Os valores da negociação não foram divulgados.

O acordo foi concretizado por dois anos e permite a exposição da marca Brahma em placas nos campos de treinamento e em backdrops - utilizados como fundo em entrevistas de jogadores e técnicos à imprensa. Outras ações de marketing, como latinhas personalizadas e geladeiras e mesas para bares , devem surgir, porém não está prevista a exibição do logotipo nos uniformes dos clubes.

"Fizemos questão de fechar a parceria com os dois principais clubes de Campinas porque sabemos que tanto a Ponte Preta quanto o Guarani são times guerreiros, que se esforçam para estar na elite do futebol e para fazer parte da história do esporte", explica Marcel Marcondes, diretor de marketing da Brahma.

A cervejaria é reconhecida pelos investimentos no esporte, com destaque para patrocínio à seleção brasileira desde 1994 e, hoje, por ser a primeira marca brasileira a apoiar oficialmente a Copa do Mundo.

Ainda segundo a nota, o diretor de marketing da Ponte Preta, Márcio Della Volpe, garante estar muito satisfeito com o acerto. "Consideramos o casamento perfeito, pois unirá o primeiro time do Brasil com uma das cervejas mais tradicionais do país", comemora.

Fonte: Máquina do Esporte

A nova ordem do futebol
A burocracia sai dos bastidores e entra em campo
Marco Aurélio Duque Lourenço

Na reta final do último Campeonato Brasileiro, sentimos uma espécie de déjà vu. Parecia impossível alguns meses antes do término da competição, mas acabou se tornando uma realidade, ainda que desacreditada. Faltando cinco rodadas para o fim da competição, o São Paulo Futebol Clube tomou a liderança do líder Palmeiras, após dezenove rodadas em seu domínio. Dependendo somente de seus resultados, o clube tricolor poderia se tornar o único a conquistar quatro títulos nacionais consecutivos. O Flamengo faturou a taça, claro, mas o fato de a agremiação do Morumbi ter chegado à última rodada com chances de conquista chamou novamente a atenção.

Criado pelas elites paulistanas na década de 1930, o São Paulo tornou-se mais do que nunca o modelo de administração competente do futebol. Com o maior estádio particular do Brasil, a segunda maior torcida do estado de São Paulo e um pioneiro investimento em marketing, é um paradigma do futebol moderno.

O tricolor paulista revestiu-se de uma imagem austera e íntegra do futebol. Ele tenta se blindar das polêmicas de arbitragem e expõe a imagem de um clube financeiramente forte, cuja realidade configura-se um caso à parte no corrupto, incompetente e desorganizado futebol brasileiro.

O nome do SPFC passou a ser escrito no noticiário esportivo ao lado de "planejamento", "organização", "lucros" e "vitórias". Comumente é dito que as consequências mais concretas desta condição do clube tricolor são os diversos títulos expressivos e o crescimento de sua torcida.

Enfim, esse é o modelo de futebol que admiramos.

Admiramos?

O SPFC tornou-se um modelo de administração do futebol. Entretanto não se traduz como um modelo de futebol nas quatro linhas. Nem mesmo a eficiência garante a unanimidade, e o Brasil assistiu à hegemonia de um time de futebol pragmático, não performático.

Para a história, não há relação direta entre quantidade de títulos e torcedores. O torcedor se empolga com a competitividade, e sobretudo se encanta com a arte dos seus melhores jogadores. O São Paulo tem sido um clube que se destaca pelo elenco forte e equilibrado, com responsabilidades divididas. O brilho individual é quase ausente, com exceção da figura do goleiro cobrador de faltas que, ao contrário do que diz boa parte da crônica esportiva, é tão decisivo quanto outros goleiros de grandes clubes devem ser. Portanto, o torcedor são paulino tem um perfil diferente, pois está relacionado afetivamente ao clube por intermédio de outros códigos e símbolos.

A meu ver, este modelo de futebol do São Paulo, bem como sua nova torcida, somente existe enquanto contingência de uma dimensão maior. O modelo de futebol dos últimos 20 anos no Brasil corresponde ao processo de transformação administrativa por que passou o tricolor do Morumbi. E esta concepção de administração do futebol é resultado do seu próprio tempo.

Isso porque o estado brasileiro se apropriou de conceitos de administração privada para a administração pública. Termos como "gestão" e "gerência" foram difundidos na máquina pública, e se firmaram com a garantia de resultados positivos ao país. Assim se fez. Assim, o Estado "neoliberal" sufocou a inflação e fortaleceu as classes médias, e as privatizações passaram a ser compreendidas como a forma de tornar a máquina pública mais eficiente e menos onerosa. A nova ordem político-econômica do fim do século XX tornou-se paradigma da elite política e da imprensa brasileira

Ao mesmo tempo, o SPFC assimilou uma tendência empresarial do futebol. Os mesmos adjetivos são encontrados ao tratar tanto do modelo ideal de administração pública, quanto do da administração do futebol.

Ele tornou-se o signo deste modelo ideal de futebol, e não coincidentemente, prosperou por estes termos. A torcida do SPFC se popularizou e, apesar de relacionarmos esta realidade à conquista de títulos mais recentes, este processo é ainda mais amplo.

Torcer pelo São Paulo passou a ser conveniente.

Torcer pelo São Paulo é adquirir um poderoso capital simbólico que integra o torcedor a um grupo absolutamente vitorioso.

Ao falar dos imigrantes e emigrantes que chegaram à capital paulista no começo do século passado, escreveu um dos grandes historiadores do século XX, Nicolau Sevcenko, “na busca de novos traços de identidade e solidariedade coletiva, de novas bases emocionais de coesão que substituíssem as comunidades e os laços de parentesco que cada um deixou ao emigrar, essas pessoas se vêem atraídas, dragadas para a paixão futebolística que irmana estranhos, os faz comungar idéias, objetivos e sonhos, consolida gigantescas famílias vestindo as mesmas cores”.

O futebol tem este poder de agregar indivíduos que busquem uma identidade própria. Com o São Paulo não tem sido diferente, a não ser pela sua especificidade deste momento. Torcer para o São Paulo é garantir a manutenção de um status quo das elites, ao mesmo tempo em que também é um meio de ascensão social.

Compreender o futebol é uma tarefa pouco apoiada, já que mais sentimos do que pensamos o futebol. Não tenho a pretensão de concluir que há uma atmosfera mental na sociedade brasileira que permita consolidar tais modelos.

Por outro lado, é inegável que a forma de se fazer futebol mudou, e o envolvimento das pessoas com seus clubes tem se atrelado cada vez mais aos discursos ideológicos perpetuados pelos veículos de comunicação, em detrimento dos ritos mais tradicionais entre as famílias.

Também não pretendo terminar meu texto como um nostálgico romântico do futebol que se recusa aceitar a nova realidade do jogo. Procuro me esforçar ao máximo a entender o futebol que vivemos, tanto em sua excelência são-paulina quanto em sua incompetência dos diversos grandes rebaixados.

Imagino que se a nossa política está tão afinada com o nosso futebol, se quisermos subverter e contestar a política de nosso país, talvez devamos começar subvertendo a nova ordem do futebol.

*Marco Lourenço é pesquisador de História Social do Futebol pela Universidade de São Paulo.