"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
Liga criada em 2008 permitiu a formação de novas atletas, minimizando os efeitos negativos da transição de geração
Equipe Universidade do Futebol
O ano de 2007 foi especial para o futebol feminino da Austrália. A equipe principal alcançou, de maneira inédita, as quartas de final da Copa do Mundo da categoria. À ocasião, porém, o país sequer contava com uma liga profissional. Quatro anos depois, a realidade é bem distinta.
A maioria das jogadoras que se preparou com treinos nas suas respectivas cidades, quase sempre contra times de garotos de até 15 anos, apenas com alguns jogos intercalados pela própria seleção, encontraram um respaldo dos representantes oficiais locais. A W-League, principal competição de futebol entre mulheres australiana, chegou ao fim da terceira temporada, algo que rende frutos ao treinador da seleção, Tom Sermanni.
Ele aposta que a profissionalização se refletirá no Mundial Fifa 2011, com um desempenho regular, apesar das adversidades – a Austrália caiu no grupo do Brasil, da tradicionalíssima Noruega e da novidade africana Guiné Equatorial.
“Dois anos atrás eu estava muito preocupado com a geração que estava aparecendo. A seleção estava passando por uma grande transição naquele momento, e nós precisávamos fazer mudanças significativas. Não havia um grupo de jogadoras prontas para a mudança, e estava difícil encontrar de onde tirar as alterações”, revelou Sermanni.
O comandante perdeu diversas jogadoras experientes nos quatro últimos anos, como Joanne Peters, Dianne Alagich, Alicia Ferguson e Cheryl Salisbury, grande estrela da companhia. Nesse período transitório, uma goleada de 5 a 1 sofrida diante da Itália, no início de 2009, expôs as fragilidades.
“A W-League foi benéfica de muitas maneiras. A competição abriu um caminho de formação para jogadoras que estavam às margens da seleção, muitas das quais eram totalmente desconhecidas para nós”, admitiu Sermanni, que treinou a Austrália tanto no Mundial de 2007, quanto no de 1995.
A liga é composta por sete equipes; seis delas, inclusive, são afiliadas a um time da liga masculina, o que dá maior credibilidade e visibilidade ao torneio.
No último fim de semana, Brisbane Roar e Sydney Football Club disputaram a decisão da temporada, com vitória do time de Brisbane após um gol de Lisa De Vanna, uma das principais jogadoras australianas da Copa do Mundo Feminina de 2007.
Ao todo, 16 das 20 jogadoras de linha presentes na decisão faziam parte da seleção nacional. Além disso, muitas atletas de outros países aproveitaram para disputar o torneio e passar o verão na Austrália, como Alexandra Nilsson (Suécia), Tine Cederkvist (Dinamarca) e Kendall Fletcher, Lydia Vandenbergh e Allison Lipsher (todas dos Estados Unidos).
“O nível de competição e seriedade cresceu, assim como o desempenho. As equipes melhoraram a preparação, o recrutamento, a organização. Tudo isso se combinou para uma grande elevação neste ano, com um salto significativo na última temporada”, sinalizou Sermanni, ainda em entrevista ao site oficial da Fifa.
Celeuma começou em 2008, quando a companhia usou o logotipo da entidade máxima do futebol brasileiro em comerciais de televisão
A Justiça do Rio de Janeiro oficializou nesta semana uma nova derrota da Mastercard. A operadora de cartões vem sendo processada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) por uso indevido da imagem da entidade.
A celeuma começou em 2008, quando a companhia usou o logotipo da CBF em comerciais de televisão. No ano passado, a Mastercard foi condenada a pagar direitos de imagem à entidade, além de indenização por danos morais e materiais.
Nesta semana, a 19ª Câmara Cível do Rio de Janeiro emitiu novo parecer favorável à CBF. Segundo Ancelmo Góis, colunista do jornal “O Globo”, a entidade que controla o futebol nacional pede R$ 500 milhões da Mastercard.
A informação foi desmentida pela Mastercard ao jornal “Folha de S.Paulo”. De acordo com o periódico, a empresa afirmou que a multa é bem menor e que a condenação ainda não é definitiva.
Fonte: Máquina do Esporte / Equipe Universidade do Futebol
“Este é um dos maiores se não o maior dos eventos mundiais na área da difusão do conhecimento esportivo” -- Benê Lima
Entre os dias e 9 e 11 de março deste ano, Barcelona receberá a terceira edição do Global Sports Forum Barcelona (GSFB), evento internacional que engloba diversos temas relacionados ao segmento esportivo. A feira será realizada no palácio de congressos da Catalunha.
A proposta da edição de 2011 é debater temas decisivos para o futuro do esporte, como sustentabilidade, educação, entretenimento e a criação de laços com a comunidade. A grande tem espaços reservados para networking entre os convidados e para festas oficiais.
A lista de palestrantes tem nomes como Sandro Rosell, presidente do Barcelona, Oscar Pistorius, campeão paraolímpico, e o prefeito de Barcelona, Jordi Hereu. Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, também falará com o público.
Mais informações podem ser obtidas no site oficial do evento.
O famoso campeão paraolímpico Oscar Pistorius, também conhecido como "Blade Runner", vai participar da GSFB como um dos oradores-chave
A festa oficial será realizada no estádio do FC Barcelona, em Camp Nou
The 2011 Edition
Lunes 11 de Octubre de 2010 17:16 Global Sports Forum
El deporte avanza muy deprisa: las innovaciones deportivas se espolean y se arrastran unas a las otras. Directamente en su móvil, en directo por Internet, virtual en los videojuegos y constructor de relaciones en los medios sociales: las diferentes partes interesadas del deporte deben adaptarse a una realidad digital que cambia a marchas forzadas.
¿Cómo se puede usar esas herramientas nuevas y seguir siempre al día en esta revolución continua, para defender e incluso reforzar el papel del deporte en la sociedad y del deporte como herramienta empresarial?
Además, consideremos la sostenibilidad: vinculación con la comunidad, educación, entretenimiento sano… Todos estos son los retos apremiantes a los que nos enfrentamos. No es de extrañar que más de uno sienta la tentación de gritar: “¡Que paren el mundo, que me bajo!”.Bueno, ahora puede hacerlo, al menos durante pocos y valiosos días. Venga con nosotros a Barcelona a reunirnos en el Global Sports Forum 2011 con algunos de los guías más fiables que nos ayudarán a adentrarnos en este panorama cambiante.
Haga un hueco en su agenda para aprender, pensar y planear, y salir totalmente a punto para enfrentarse a todos estos retos con nuevas ideas. Global Sports Forum Barcelona es su inyección anual de sentido común, y una gran ocasión para definir su estrategia para 2011 y más allá.
REDAÇÃO Da Máquina do Esporte, São Paulo - SP Aite Oficial do Evento
Presença do Fenômeno reforça lobby político em favor do Corinthians, dono do estádio que deve abrigar os jogos de São Paulo no Mundial
Aposentadoria de Ronaldo deve durar pouco tempo
O ex-atacante Ronaldo será nomeado nesta quarta-feira membro especial do Comitê Paulista para a Copa do Mundo de 2014. O anúncio foi feito na noite de terça-feira pelo governador do estado, Geraldo Alckmin, em sua conta no Twitter.
De acordo com o governador, Ronaldo será convidado para participar do grupo que trabalha o planejamento da capital paulista para ser uma das 12 sedes do Mundial. Os detalhes do acordo serão revelados em encontro de Alckmin com o ex-atleta, em cerimônia na qual ele receberá a medalha do mérito esportivo paulista.
A presença de Ronaldo no comitê paulista reforça o lobby político em favor do Corinthians, dono do estádio que deve abrigar os jogos de São Paulo no Mundial. Ainda sem data definida para construção, e tendo o projeto original com 109 falhas apresentadas pela Fifa, o Corinthians tenta ainda ampliar o estádio para realizar a abertura do torneio na cidade.
Fonte: Máquina do Esporte / Equipe Universidade do Futebol
"Isso era algo que precisávamos muito, ter um canal de comunicação com sócios, torcedores e até com a própria imprensa", admitiu vice-presidente de mkt do clube
Agência gerenciará canais de comunicação entre clube, fãs e imprensa
Após ter fechado com a Traffic acordo para gerenciar o departamento de marketing, no qual o clube se encarrega do papel estratégico e a empresa adquire função operacional, o Fluminense optou por repetir o modelo também na área de comunicação.
"Isso era algo que precisávamos muito, ter um canal de comunicação com sócios, torcedores e até com a própria imprensa", admite Idel Halfen, vice-presidente de marketing do time das Laranjeiras, à Máquina do Esporte.
Com a contratação de agência, que terá nome mantido em sigilo, naturalmente, as despesas do clube subirão mais do que se profissionais fossem contratados diretamente. "Mas com o retorno fica mais barato, porque o custo/benefício é enorme", diz.
Melhorar o funcionamento do departamento de comunicação era um dos desejos da chapa de Peter Siemsen, eleito presidente do Fluminense em dezembro do ano passado. Agora, com comunicação e marketing terceirizados, o clube quer crescer.
Premier League da Inglaterra gerou trânsito que mais de 1 bilhão de euros; ranking demonstra e diferencia na perfeição quais as ligas exportadoras e importadoras de jogadores
Na temporada de 2010/11, as 20 maiores ligas de futebol do planeta movimentaram um total de 4,95 bilhões de euros em transferências de jogadores. Cerca de 53% do dinheiro movimentado (2,62 bilhões de euros) foi utilizado na aquisição ou pagamentos de empréstimo de jogadores, enquanto 47% do total movimentado (2,32 bilhões de euros) na venda de jogadores.
No total, e comparando o volume de compras e vendas de jogadores nas 20 ligas analisadas, registou-se um prejuízo de 307 milhões de euros, sendo a Premier League da Inglaterra a liga que mais dinheiro movimentou, com pouco mais de 1 bilhão de euros.
No entanto, a Premier League foi também a que registou o maior resultado negativo entre aquisições e vendas, com 356 milhões de euros.
O ranking demonstra e diferencia na perfeição quais as ligas exportadoras e importadoras de jogadores. Portugal lidera como país exportador de jogadores, com um resultado positivo entre aquisições e vendas de mais de 90 milhões de euros, seguido por Argentina e França, com 66 e 57 milhões de euros respectivamente.
Destaque também para a presença no ranking de duas segundas ligas, nomeadamente a Championship da Inglaterra e a Serie B Italiana.
As 20 ligas que mais dinheiro movimentaram em transferências 2010/11
Para o estudo em causa foram considerados os totais gastos pelos clubes de cada liga na aquisição e venda de jogadores, bem como os valores pagos em empréstimos. Em ligas como as de Brasil e Rússia, foram considerados os valores das transferências durante a temporada de 2010.
Fonte: Futebol Finance / Equipe Universidade do Futebol
Fãs alvinegros poderão enviar mensagens de incentivo aos jogadores antes dos jogos oficiais da equipe principal
Equipe Universidade do Futebol
São 28 pontos conquistados em 30 possíveis. A campanha do Ceará no Estadual de 2011 até o momento retrata o preparo da equipe, aliada à gana de quebrar a hegemonia do rival Fortaleza nas disputas locais (faturou os quatro últimos troféus). E o alvo da diretoria alvinegra é contar com a parceria de sua torcida, bastante atuante nos estádios e nas redes sociais.
Para os próximos compromissos, o site oficial do clube lança uma nova ferramenta para os fãs alvinegros. Trata-se do “Mural de Véspera”, que tem como objetivo transmitir aos jogadores antes de cada confronto as mensagens de incentivos enviadas pelo público.
Primeiramente, há necessidade de se efetuar um cadastro na página. Em seguida, com o login efetuado, o internauta acessa o mural e manda o recado. Outro ponto de interação entre jogadores, comissão técnica e torcida é a Twitcam, aparato de transmissão visual a partir da conta oficial do Ceará no Twitter. Apresentação de reforços e coletivas realizadas em Porangabussu são, comumente, noticiadas pela internet.
“A ideia surgiu quando percebemos o rápido impacto que atingimos nas ações veiculadas pela rede social. Não adianta fechar os olhos e tentar enxergar um mundo sem essas mídias. Assim como os celulares, elas estão se tornando uma unanimidade, principalmente o Twitter", afirmou o coordenador de Tecnologia da Informação do Ceará, Marcos Medina, em entrevista ao Diário do Nordeste.
O responsável pela área se disse impressionado com a repercussão positiva da plataforma. Foram centenas de internautas acompanhando as apresentações de vários atletas desde o início da temporada. Inclusive gente ligada ao jornalismo esportivo.
“Possibilitamos o recurso pensando nos torcedores, mas, para nossa surpresa, alguns profissionais da imprensa passaram a usá-lo também. Agora, estamos estudando ações com essa ferramenta. Queremos a torcida ainda mais próxima do clube”, concluiu Medina.
Atitudes voltadas para a sustentabilidade e promovidas por clubes podem tanto repercutir positivamente para a sociedade, quanto melhor a imagem corporativa da instituição esportiva
Geraldo Ricardo H. Campestrini*
A busca pela sustentabilidade em nosso planeta a partir de pequenas atitudes, decisões e condutas dentro do raio de ação das organizações ou mesmo particulares, faz parte de um princípio básico que visa à manutenção da espécie humana em harmonia com a Terra hoje, para a atual geração, e futuramente, para as gerações vindouras.
A definição mais cabível de sustentabilidade e aceita mundialmente é a proposta pela WCED (World Comission on Environment and Development), que diz: “atender as necessidades das gerações atuais sem comprometer a possibilidade de satisfação das necessidades das gerações futuras (WCED, 1987).
Naturalmente que boa parte desta responsabilidade sobre a sustentabilidade do planeta recai sobre o ambiente corporativo pela dimensão e impacto que suas decisões possuem no cotidiano das pessoas.
No contexto esportivo, Cunha (2007) reforça estas palavras iniciais afirmando que, a fim de garantir o desenvolvimento do desporto como um todo, tal e qual cita Castejón Paz (1973) na proposta dos “Fatores de Desenvolvimento do Desporto”, é imprescindível identificar as decisões que devem ser tomadas, com foco naquelas que são prioridade e as outras que são secundárias, quais as que têm maior influência na estrutura organizacional e as que possuem apenas relevância acessória para se ter a real noção das que provocam maiores alterações ou sustentabilidade no sistema e as que se constituem com um aspecto de indiferença maior. Baseado nisso, propomos no terceiro item da Carta Internacional de Responsabilidade Social para a Formação de Praticantes no Futebol (CIRESP-FUTE 2009) a preocupação que as entidades ligadas ao futebol devem ter perante a sustentabilidade:
III. Sustentabilidade
(a) Econômica: exercer as suas atividades aplicando o princípio da sustentabilidade econômica de modo a evitar prejuízos para a comunidade;
(b) Social: contribuir, através de participação social voluntária, para o desenvolvimento social da comunidade;
(c) Partilhada: apoiar, pelo exercício de partilha de recursos próprios – humanos, materiais e financeiros – e, na medida das suas possibilidades, causas sociais comunitárias.
O item III-a aponta para a necessidade premente relacionada a eficiência econômica necessária para a existência de uma organização. Esta definição foi comentada outrora nos textos anteriores sobre a temática e, sob esta ótica, a empresa que não gera lucro é socialmente irresponsável.
Carroll (1991) comenta que, na componente econômica, a organização necessita, entre outras coisas, estar empenhada em ser tão rentável quanto possível e manter um elevado nível de eficiência operacional.
Nas organizações esportivas e, falando especificamente do futebol, se o clube opera suas atividades em prejuízo, gastando mais do que arrecada, estará incorrendo em irresponsabilidade pois gerará um ciclo vicioso de calote à sociedade, não tendo capacidade de pagamento adequado para fornecedores, atletas, funcionários e demais envolvidos e que, consequentemente, se converterá em uma sequência de prejuízos em pequenas escalas.
No campo da sustentabilidade social, proposto no item III-b, há a referência para a participação social voluntária na promoção e idealização de projetos sociais que favoreçam a sociedade como um todo.
Trata, portanto, da medida possível que um clube de futebol pode dar de contributo extra para a comunidade, dentro de sua capacidade de atendimento e recursos disponíveis para tal atividade.
Exemplo disto são os projetos realizados por Sport Club Internacional, Clube de Regatas Vasco da Gama, Clube Atlético Mineiro, Clube Atlético Paranaense e Fluminense Football Club, citado em Campestrini (2009), que divulgam em seus respectivos web-site oficiais os projetos de interesse para a sociedade e organizados pelo próprio clube: Fundação de Educação e Cultura do Sport Club Internacional (Internacional), Fábrica de cidadãos e Projeto apostando no futuro (Vasco da Gama), Educação se faz também pelo esporte (Atlético Mineiro), Projeto Escola de Futebol e Pulseiras (Atlético Paranaense), Programa Flu (Fluminense), fazem parte de um conjunto de ações que objetivam a contribuição para o desenvolvimento social das comunidades onde estes clubes estão inseridos.
Por fim, quando referencia-se à sustentabilidade partilhada no item III-c, propõe-se, além da construção de projetos próprios, o apoio a causas sociais de entidades governamentais ou não-governamentais que busquem a melhoria das condições de vida da comunidade.
Neste caso, a importância do futebol poderá passar pela cedência de um espaço por determinado período de tempo para a realização de uma atividade de lazer ou educacional, ou mesmo como apoio para a recepção de doações de qualquer natureza; o incentivo para que seus colaboradores internos exerçam atividades relacionadas com o bem-estar da comunidade de maneira voluntária ou mesmo, em certa medida e dependendo da estrutura do clube, a doação em espécie como forma de apoio para que outras entidades pratiquem suas atividades sociais.
O FC Barcelona é o exemplo mais clássico desta última proposição em razão de seu apoio a causas sociais do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), abrindo mão da receita proveniente de uma grande marca patrocinadora e doando 1,5 milhão de euros por ano para a ajuda a programas humanitários da instituição.
As consequências positivas para o FC Barcelona sobre a sua imagem corporativa são enormes, e Dionísio (2007) aponta que estrategicamente o clube trabalha sua marca baseado em dois pilares fundamentais:
- a desportiva, com aposta na contratação de grandes jogadores, cuja mais-valia desportiva possa trazer receitas ao clube; - a social, com a implementação de um vasto leque de ações sociais de apoio a grupos mais desfavorecidos, sobretudo ao nível internacional, e a afirmação dos valores culturais da região.
Outro modelo interessante e relacionado a sustentabilidade partilhada é a campanha “Sangue Corinthiano”, do Sport Club Corinthians Paulista, que promove, três vezes ao ano, o “Dia de Corinthiano Doar Sangue”, incentivando que seus fiéis torcedores se dirijam ao hemocentro de sua cidade e doem sangue. A campanha, além de contribuir para uma causa social, ajuda na fidelização e orgulho do torcedor, que passa a enxergar a força que possui dentro da sociedade. A campanha conta com site oficial, comunidade em sites de relacionamento, vídeos e apoio das duas maiores torcidas organizadas do clube.
Com isto posto, atitudes voltadas para a sustentabilidade e promovidas por clubes de futebol, se bem planejadas, são uma via de mão-dupla com repercussão positiva tanto para a sociedade e comunidades atentidas como para o clube, na aproximação a seus diversos stakeholders e melhoria de sua imagem corporativa.
Referências
CAMPESTRINI, Geraldo R. H. (2009).A responsabilidade social na formação de praticantes para o futebol: análise do processo de formação em clubes brasileiros.Dissertação de Mestrado em Gestão do Desporto da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, Portugal.
CARROLL, Archie B. (1991).The Pyramid of Corporate Social Responsibility: Toward the Moral Management of Organizational Stakeholders.Business Horizons, July-August.
CUNHA, Luís Miguel. (2007).Os espaços do desporto: uma gestão para o desenvolvimento humano.Coimbra: Edições Almedina.
DIONÍSIO, Pedro. (2007).O desenvolvimento das marcas, a responsabilidade social e os clubes desportivos.Jornal de Negócios, terça-feira, 12 de Junho de 2007, p. 35.
WCED. (1987).Our Common Future,Oxford University Press, Oxford/New York.
*Mestre em Gestão do Desporto pela Faculdade de Motricidade Humana; Bolsista FIFA (“Havelange Scholarship” – CIES/FIFA); professor da Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE).
Nesta quarta-feira, a Livraria Cultura e a empresa Sportivus apresentam 'O Laboratório Sportivus'. Neste primeiro encontro, Ricardo Azevedo, Gerente Comercial da Arena, vem discutir o tema 'Laboratório Sportivus - Novos conceitos de negócios no esporte: Gestão de Arenas'. O encontro tem como objetivo trazer temas ligados à gestão, ao marketing, às finanças e aos recursos humanos do esporte local.
Palestra Quarta-feira, 23 de fevereiro às 19h Tema: Laboratório Sportivus - Novos conceitos de negócios no esporte: Gestão de Arenas Palestrante:Ricardo Azevedo - Gerente Comercial da Arena
Dentre os níveis de competência necessários à formação de um tipo desse, no primeiro, o técnico-tático, o ex-atacante corintiano acumulou créditos ao longo de sua carreira
Bruno Camarão
“Um jogador inteligente não se forma apenas dentro de campo. Um jogador inteligente não nasce pronto. Um jogador inteligente não pode ficar confinado num alojamento. Um jogador inteligente não pode aprender com quem não é inteligente. Um jogador inteligente não sobrevive em um ambiente pouco desafiador e pobre em estímulos. Um jogador inteligente não aceita padrões. Um atleta inteligente não aceita zonas de conforto...”
Alcides Scaglia
Um conceito que muda ao longo dos tempos é o da inteligência. Aquele sujeito capaz de resolver equações matemáticas, ou que compreendesse as mais variadas problemáticas apresentadas de uma maneira lógica, clara, se posicionasse com firmeza, por intermédio da fala, demonstrando conhecimento sobre vários assuntos captava para si essa condição. Mas ser inteligente demanda muito mais do que isso.
“Se você sabe e não faz, ainda não sabe”, resumem os orientais. Os ingredientes para poder receber tal rótulo são compostos por força de vontade, coragem, intuição, criatividade, habilidade, conhecimento e atitude, indicam outros. No Manual do Atleta Inteligente, parte de um programa de desenvolvimento pessoal, social e profissional para jogadores de futebol, o aprendizado para se montar uma carreira sólida, a partir de instruções e orientações, está traçado. E Ronaldo, de certa forma, dando alguns passos atrás, poderia se observar ali dentro.
Principal artilheiro da história das Copas do Mundo, o atacante que se despediu dos campos nesta segunda-feira superou inúmeros desafios ao longo de sua trajetória. Muitos dos quais demandaram um preparo psicológico do ser humano Ronaldo Nazário de Lima. Mas nesta análise dos índices de competência necessários para que o atleta inteligente tenha sido consumado, atenção especial ao primeiro: nível técnico-tático.
O mais específico na formação do atleta, pode ser dividido em dois quesitos: a inteligência esportiva de jogo e a habilidade motora funcional. Para anotar duas vezes na primeira partida da decisão do Campeonato Paulista de 2009, diante do Santos, um dos duelos mais emblemáticos da reta final de sua carreira, o “Fenômeno” deu mostras explícitas das valências referidas.
“No primeiro [gol], o controle de bola foi fantástico. A bola veio muito alta. Tive até a visão prejudicada pela luz do sol, o que dificultou ainda mais. Então, o controle saiu perfeito, na direção certa, para proteger do Fabão, que estava se aproximando e a finalização foi perfeita também”, analisou o camisa 9, em referência ao seu primeiro chute certeiro a gol.
Após uma disputa de bola no meio-campo, o zagueiro Chicão se antecipou ao santista Kléber Pereira e deu um bicão na bola para o alto. Ronaldo percebeu a saída da primeira linha defensiva adversária, e, em condição legal, dominou de maneira precisa, com o peito do pé direito, tirando do defensor e preparando a fim da ação com a perna canhota. Perfeito. Prova da capacidade de focar sua atenção em determinados lances, de forma intensa, integral e total. É a competência relativa à concentração.
“O segundo gol foi um contra-ataque muito rápido. O campo estava bem molhado. E o Fábio Costa ficava como um líbero da zaga. Até num lance que eu lancei o Douglas. E aí no primeiro tempo eu estava observando isso e eu sabia que eu tinha que aproveitar isso de alguma maneira. E naquela jogada saiu meio que um instinto, uma cavadinha”, sintetizou, ao falar sobre o terceiro gol da equipe da capital.
Talvez autor do gol mais belo desta edição do Estadual, Ronaldo chamou a atenção de todos no estádio. Talvez apenas não a de Pelé, acomodado em seu camarote na Vila Belmiro, possivelmente o único naquele ambiente a antever tal situação e que poderia anotar daquela maneira. Em um contra-ataque, o meio campista Elias ganhou disputa na intermediária e avançou em velocidade. Fabiano Eller deu o bote, enquanto o mesmo Fabão, coadjuvante no primeiro gol, estava postado do lado direito da zaga. Ronaldo mirou novamente o adversário, retardou o passo, antes de ser lançado.
A partir desse momento, o atacante que foi eleito o melhor do mundo pela Fifa tocou na bola o número de vezes em que esteve no topo dessa eleição ao término de cada temporada: três. Uma com o calcanhar, para limpar o lateral-esquerdo Triguinho, que vinha em direção contrária, e iniciar o molde da obra. Outra para ajeitar para o “pé ruim” – ou não dominante, na linguagem científica. E o adeus, por baixo, quase no bico direito da grande área, para encobrir um goleiro Fábio Costa adiantado, tal qual vira na etapa inicial. Pois nesse enredo todo, Ronaldo se manteve de cabeça baixa.
“Capacidade de mapear e analisar as situações de jogo inseridas em seu contexto técnico-tático. Em outras palavras, ter uma boa visão de jogo significa ler o jogo em toda a sua complexidade, gerando ações de deslocamento que permitam ao jogador se locomover dentro de campo ficando sempre livre para ações coma bola, ou mesmo se colocando em posição estratégica para defender o seu campo (e/ou gol). É também a capacidade de proteger a bola impedindo que ela seja roubada pelo adversário (visão periférica)”, aponta o Manual.
Em fração de segundos, Ronaldo teve a capacidade de escolher a reação mais efetiva para neutralizar uma ação do adversário – no caso, o “adiantamento” do camisa 1 santista, que imaginava diminuir o ângulo de visualização do gol do atacante. Ou seja, assumiu uma situação com firmeza, sendo claro e determinante no ato. Uma mistura de criatividade (utilizou-se de todos os recursos lícitos pessoais e coletivos para fazer o inesperado, o imprevisto, resolvendo aquela situação) e controle emocional no jogo (a chamada inteligência emocional, cujo controle se sobrepõe a emoções, como medo, raiva, ansiedade e frustração).
“Se nós formos analisar o jogo, o Santos foi superior ao Corinthians em todos os quesitos. Criamos oito ou nove chances claras de gol em que normalmente nossos atacantes não falham e hoje acabaram falhando”, relatou Vagner Mancini, treinador da equipe da Baixada à ocasião. “O Ronaldo ainda não está em forma, mas mesmo assim não pode ter espaço para raciocinar. Ele acaba sendo matador e hoje ele foi”, declarou, logo após o fim da partida.
Somado à inteligência de jogo, há as competências relativas às habilidades motoras funcionais. E nesse ponto Ronaldo destoa desde que entrou em campo pela primeira vez com a camisa do Corinthians. Durante os dois anos em que defendeu o clube por quem se apaixonou, o atacante disputou 69 partidas e marcou 35 gols. Além de plástico em momentos especiais, foi eficiente na maioria das vezes.
Naquela partida simbólica contra o Santos, de acordo com dados do Datafolha, além dos dois lances que saíram dos seus pés e protagonizaram o triunfo dos visitantes, Ronaldo apenas chutou a gol mais uma vez. No quesito pontaria, ele foi o líder corintiano no campeonato vencido de maneira invicta, acertando, em média, 2,2 chutes a gol por jogo.
“O Ronaldo vem provando até desnecessariamente sua capacidade. Ele é um jogador que veio premiar o futebol brasileiro. Todos nós tivemos um pouco de participação na recuperação, mas sem dúvida quem fez a diferença foi ele. É um dos melhores jogadores do mundo”, sentenciou o então treinador corintiano Mano Menezes, hoje na seleção brasileira principal.
Mano, inclusive, postou em seusite oficialum texto de enaltecimento às virtudes da pessoa com quem conviveu por aproximadamente 18 meses. A força individual do Fenômeno contagiou a todos no grupo alvinegro. E para o comandante gaúcho, ciente de que os resultados foram mais significativos no primeiro ano da parceria, a vontade de ganhar qualquer disputa, inclusive as mais singelas “apostas”, explica a capacidade de Ronaldo sempre ressurgir, de superar o que superou em termos de lesões e de nunca se acomodar nas justificativas.
“Tenho firme na memória a imagem de vê-lo colocando bandagem, sentado em uma mesa de madeira, no então contêiner-vestiário do hoje CT corintiano, dias antes de ganharmos o Paulistão de maneira invicta e a Copa do Brasil, em 2009. A simplicidade era de um iniciante”, escreveu.
“De agora para frente vai virar lenda, vai se juntar a tantos outros grandes que nos encheram de alegrias com suas obras primas. Felizmente para nós do futebol brasileiro é assim, uns vão e outros vêm. Que os que vierem, tragam consigo o aprendizado dos que, como Ronaldo, souberam seguir, sempre em frente, de cabeça erguida. Seus defeitos? Bom, seus defeitos estão presentes nos humanos - aliás, era apenas nisso que dava para ver que ele era humano”, completou Mano.
Condução de bola, controle, finalização, drible, finta, passe, lançamento e até cabeceio. Todas as habilidades, avaliadas em situações concretas de jogo, como o clássico final do Paulista-09, dão sentido à propriedade do jogador. Essa é a aplicação. E o multicampeão Ronaldo, hoje um ex-atleta, está mais do que provado.
A Trevisan Escola de Negócios realizará de 21 a 25 de fevereiro um evento chamado Sports Management Week, na sede da faculdade, em Cerqueira César, São Paulo.
O objetivo é reunir os principais atores de gestão e marketing esportivo para discutir conceitos e casos práticos do setor, com a intenção de qualificar mão de obra e especializar estrategistas para desenvolverem negócios no mercado do esporte devido à aproximação da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos no Brasil.
Os temas debatidos no evento serão: direito desportivo, marketing esportivo, comunicação e negócios do esporte, gestão de arenas e redes sociais.
Os instrutores serão os advogados e professores Heraldo Panhoca e Cristiano Caús (dia 21), o diretor de marketing, comercial e desenvolvimento Rafael Plastina (dia 22), o jornalista e professor Erich Beting (23/02), o gerente geral e professor Thiago Scuro (24/02), e o jornalista e editor-executivo de mídias digitais Eduardo Tironi (25/02).
O Sports Management Week será realizado na sede da faculdade Trevisan Escola de Negócios, das 19h30 às 22h30. Mais informações podem ser obtidas no site www.trevisan.edu.br
“Até quando os dirigentes continuarão a reinar no reino de ali babá?” (Benê Lima)
A Câmara dos Deputados aprovou um pacote de mudanças na Lei Pelé (9615∕98). A principal novidade da Medida Provisória 502∕10 é que ela diminui a responsabilidade de dirigentes esportivos por dívidas contraídas por entidades esportivas. Ficariam vetadas as possibilidades de responsabilizá-los judicialmente ou de penhorar bens pessoais.
“Nós modificamos porque não é justo fazer os sócios dos clubes serem responsabilizados pela má gestão”, argumentou José Rocha (PR-BA), autor do projeto de medida provisória, em entrevista ao “Congresso em Foco”.
Outras novidades propostas pelo pacote são a proibição de que entidades façam doações para campanhas eleitorais e o repasse de recursos para clubes formadores até em transações nacionais de atletas. Esse valor pode chegar a 5% do montante total.
Para que não percam a validade, as mudanças devem ser analisadas até o dia 28 de fevereiro. O principal argumento para o novo formato é que dirigentes devem ser punidos somente quando for comprovado que lesaram os cofres de seus clubes ou entidades, mas não por dívidas.
Hypermarcas foi tema de um agradecimento especial do Fenômeno, que citou seus patrocinadores quando anunciou o fim da carreira
“O futebol deixa mais um de seus fenômenos: desta vez é Ronaldo, o próprio.” (Benê Lima)
A presença de Ronaldo no elenco teve papel determinante para o Corinthians conseguir fechar seus atuais contratos de patrocínio. No entanto, a despeito de o atacante ter antecipado a aposentadoria e anunciado nesta segunda-feira que não voltará aos campos, a diretoria alvinegra assegurou que isso não afetará o faturamento do clube em 2011.
Essa previsão foi dita, de forma enfática, pelo próprio Ronaldo e pelo presidente do Corinthians, Andres Sanchez. Em entrevista coletiva, ambos rechaçaram a possibilidade de o clube vivenciar uma debandada de patrocinadores em função da antecipação da aposentadoria do camisa 9.
Desde que foi contratado, em dezembro de 2008, Ronaldo foi personagem principal de uma mudança na política de patrocínios do Corinthians. O primeiro contrato assinado entre o jogador e o clube previa uma participação de 80% para o jogador nos aportes ao uniforme alvinegro – com exceção da cota máster.
Esse modelo levou o Corinthians a lotear seu uniforme em uma série de marcas durante a temporada 2009 para viabilizar o pagamento de Ronaldo. Em 2010, o modelo do contrato do clube com o atacante mudou e ele passou a receber um valor fixo independente da quantidade de marcas na camisa.
A mudança coincidiu com um crescimento da presença do grupo Hypermarcas no uniforme alvinegro. Atualmente, a companhia detém a cota máster (Neo Química), as mangas (Bozzano), as axilas e os ombros da camisa (ambos com Avanço).
Nesta segunda-feira, a Hypermarcas foi tema de um agradecimento especial de Ronaldo. O atacante citou seus patrocinadores quando anunciou o fim da carreira, começando por Ambev e Nike, que o acompanham desde 1994.
“Queria fazer um agradecimento especial à Hypermarcas”, completou Ronaldo. Neste mês, a Hypermarcas fechou um patrocínio pontual ao lutador Anderson Silva, primeiro atleta agenciado pela 9ine, empresa de marketing esportivo fundada pelo atacante.
O atual contrato do Corinthians com a Hypermarcas vai até o fim deste ano.
Universidade do Futebol / Fonte: Máquina do Esporte
Enquanto o futebol brasileiro se mantém no mesmo ritmo cadenciado, o europeu está cada vez mais veloz
Dia desses no Café dos Notáveis, encontrei o amigo Zagonariz.
Foi uma conversa rápida – estávamos como quase sempre, com o “tempo espremido” (tempo, que temo me faça falta em um futuro próximo, quando percebendo a fragilidade humana em tentar correr contra ele – descubra que ele se foi).
Mas vamos lá.
Eu e Zagonariz falamos um pouco a respeito da velocidade de jogo no futebol – como na Europa ele tem ficado cada vez mais rápido e movimentado, e o quanto isso não parecia ser verdadeiro no Brasil.
Pois bem.
A conversa foi curta, mas me despertou a necessidade de escrever algumas coisas a respeito do tema. Não é incomum que quando uso o futebol europeu como exemplo de alguma coisa logo venham críticas e lembretes apontando para o fato de ser o brasileiro o “melhor futebol do mundo”.
Realmente não quero entrar nesta discussão. Não agora.
Quero, porém, chamar a atenção para o fato de que nós no Brasil somos apaixonados pela bola (nós todos que jogamos futebol, de forma amadora ou profissional).
Necessitamos ficar com ela a qualquer custo.
“Há diferença conceitual entre correr muito e jogar rápido. Para correr muito não é necessário a qualidade nem a técnica apurada, ao passo que para jogar rápido são precisos: aptidão física, boa técnica e a qualidade oriunda do talento.” (Benê Lima)
Jogadores quando a tem nos pés, parecem não perceber o tempo passar. Ficam com ela uma eternidade que as vezes dura 1, as vezes até 3 segundos (podem acreditar 1 segundo no futebol é sim muito tempo – quanto mais 3).
É inacreditável o que uma equipe pode fazer sob o ponto de vista organizacional em 3 segundos.
É quase incalculável como as dificuldades aumentam para a tomada de decisão, conforme mais tempo é gasto para isso. Ficar com a bola é uma coisa quase incorporada no jogar brasileiro. O mais “cruel” disso é que para vencer o jogo, uma equipe precisa se livrar dela (claro, arrematar ao gol significa “se livrar” da bola – e quanto mais arremates ao gol, mais chances de vencer o jogo).
Alguém pode me dizer, que o FC Barcelona é uma equipe vencedora, e que na maciça maioria das vezes tem mais posse de bola que seus adversários.
Isso é verdade, mas não se enganem pela aparente essência da informação. O fato de a equipe ficar mais tempo com a bola não significa que seus jogadores fiquem muito tempo com ela quando a recebem – pelo contrário, é uma das equipes que têm os jogadores que mais rapidamente se livram dela (passando).
E esse talvez seja o fato que exatamente propicie ao FC Barcelona ter mais posse de bola que seus adversários (como roubar a bola de jogadores que quase não ficam com ela?).
Outra questão importante, é que podem também finalizar muitas vezes no jogo, se livrando da bola, mas recuperando-a rapidamente.
Fico um pouco preocupado, porque se não nos importarmos com a velocidade do jogo (nós brasileiros), em um futuro não muito distante estaremos sendo ultrapassados – e se pensarmos que nas categorias de base a cultura segue no mesmo ritmo, logo seremos atropelados.
Alguém ainda pode dizer que no final das contas o que importa é o talento criativo do jogador brasileiro. Concordo. E é isso que ainda nos sustenta (mas não por muito tempo).
Porém, por que não, talento criativo com velocidade? A velocidade na tomada de decisão e na ação, não se opõe à construção e desenvolvimento do talento criativo. Muito pelo contrário.
O problema, é que enquanto no próprio FC Barcelona (por exemplo), estão formando hábeis e rápidos jogadores criativos – o que já repercute na seleção espanhola – no Brasil parecemos estar pouco preocupados com a tal velocidade de jogo.
E aí, espero que um dia, isso não repercuta em um futebol de tartarugas.
Está a cargo da presidente Patricia Amorim o pontapé inicial para que o futebol feminino se torne uma realidade no Flamengo. O projeto, já aprovado pelo Conselho Fiscal e encaminhado ao Conselho Diretor, foi apresentado ao técnico da Seleção Brasileira feminina, Kleiton Lima, mas depende do estabelecimento do calendário oficial da modalidade para evoluir.
A primeira etapa engloba as disputas do Campeonato Carioca e da Copa do Brasil. O Estadual prevê competições sub-17, no fim de maio, e sub-23, a partir de junho. Clube algum, por ora, confirmou presença. Já a Copa do Brasil, disputada desde 2007, terá início no dia 15 de setembro.
Posteriormente, em um segundo momento, o time rubro-negro iniciaria sua trajetória internacional. A participação na Libertadores em 2012 é o objetivo maior, incluindo também amistosos internacionais. - O projeto tem bases para já ser iniciado este ano. É montar uma equipe para o Carioca e, futuramente, galgar uma Copa do Brasil e uma Libertadores. Recebi o convite nesse primeiro contato e, agora, é esperar a diretoria estabelecer as metas para a modalidade - explicou o treinador.
Os detalhes da montagem do grupo ainda são tratados internamente, mas a ideia do Flamengo é ter o modelo autosuficiente do Santos para a empreitada.
Nesse primeiro instante, a Copagaz, empresa que custeará a modalidade, desembolsará cerca de R$ 600 mil para criação e manutenção do time.
Em 2010, por exemplo, a Copagaz bancou R$ 1,2 milhão dos cerca de R$1,5 milhão destinados pelo clube paulista à modalidade.
Kleiton Santos assumiu a equipe feminina do Peixe em 1997, quando o clube tinha parcerias com cidades próximas a Santos.
Em 2009 e 2010 atingiu o auge com o bicampeonato da Libertadores.
O trabalho a longo prazo é apontado pelo técnico como um dos pilares para o sucesso do futebol feminino no Santos.
- Não começou da noite para o dia. Ganhou um alcance depois e o Santos, hoje, tem um grande departamento que auto se sustenta - comentou.
Bate-Bola: Kleiton Lima - Em entrevista ao LANCE!NET
Como aconteceu o processo de estruturação do futebol feminino no Santos?
O primeiro time foi montado ainda em 1997 em cima de algumas parcerias. Não havia muito investimento. Depois foi ganhando cara de profissional e de 2007 a 2010 as conquistas aconteceram. Fomos bicampeões paulistas, da Copa do Brasil e da Libertadores.
E como foram as conversas com Patricia Amorim?
A primeira conversa aconteceu na terça. Patricia é uma pessoa sensacional e está vendo a possibilidade do futebol feminino como um projeto bem legal. Conversamos sobre a base estrutural.
Qual a dimensão o clube quer atingir? Marta está nos planos?
Ainda é cedo para falar de elenco. É até precipitado. Sei da gama de jogadores que têm qualidade, mas não há conversas. Não há promessa alguma ainda da presidente. A única coisa que ela disse nesse sentido é que irá trabalhar para que o projeto de futebol aconteça.
E quando voltará a conversar com o clube?
Pediram para que eu aguarde, mas não foi falado um prazo. Vou fazer contatos e vamos tentar colaborar de alguma forma, além da parte técnica.
De todo o dinheiro que empresas colocam no esporte brasileiro, dois terços vão para o futebol. Essa é a principal conclusão de um estudo sobre investimento no país, realizado pelo Instituto Brasileiro de Marketing Esportivo e publicado pelo jornal “O Estado de S.Paulo”.
Segundo a pesquisa, que considerou dados de 2008, o esporte brasileiro amealhou R$ 328 milhões de investimento de empresas. Desse total, R$ 205,3 milhões foram destinados a patrocínios no futebol.
O estudo ainda dividiu os investimentos no segmento futebol. Nessa seara, os clubes lucraram R$ 82,6 milhões em 2008. A seleção brasileira, que ficou com a segunda maior fatia, angariou R$ 81 milhões.
A segunda modalidade que mais recebeu dinheiro de patrocínios no Brasil foi o vôlei, que angariou R$ 49 milhões em 2008. O basquete ficou com R$ 16 milhões, seguido por futsal e tênis (ambos em torno de R$ 9,6 milhões).
O levantamento ainda apresenta uma projeção de que os resultados dobrem de valor até 2016, ano em que o Rio de Janeiro será sede dos Jogos Olímpicos – dois anos antes, o Brasil também receberá a Copa do Mundo de futebol.
No primeiro clássico do ano, Renan Ribeiro se destaca defensivamente, Tardelli marca três vezes, e equipe alvinegra superara rival
Equipe Universidade do Futebol
No primeiro confronto da década entre Cruzeiro e Atlético-MG, apenas a torcida celeste esteve presente na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas – parte de um acordo entre diretorias dos clubes mineiros e órgãos locais de segurança. E além de ter lamentado o revés por 4 a 3 para o rival, em partida válida pela terceira rodada do Estadual, os fãs anfitriões viram um deboche de Diego Tardelli.
O atacante alvinegro, autor de três gols, ao vencer o goleiro Fábio pela segunda vez, na virada atleticana, comemorou de maneira provocativa: simulou estar se maquiando, gerando revolta nas arquibancadas e entre os próprios jogadores adversários.
“Só no clássico eu não conseguia ir bem, mas hoje não preciso mostrar mais nada para aquela meia dúzia de torcedores que criticavam. Mostrei o meu futebol, fui decisivo e o importante é a vitória e a força do nosso time”, discursou Tardelli, que ainda acabou sendo expulso nos minutos finais.
No posicionamento efetivo acumulado, bolinhas azuis mostram as ações ofensivas do artilheiro do jogo: muita movimentação e precisão nas finalizações
Com o mando do jogo, o Cruzeiro atuou em um 4-2-3-1, e só pressionou o Atlético-MG quando esteve atrás do placar. Léo e Gil eram os zagueiros, com Pablo e Diego Renan completando a última linha defensiva. Leandro Guerreiro e Henrique foram os cabeças de área, no suporte a Gilberto, Thiago Ribeiro e Montillo, este mais centralizado. À frente, Wellington Paulista era a referência – ele acabou abrindo o marcador, inclusive.
Pouco inspirado e, quando finalizou com perigo, os comandados de Cuca encontraram Renan Ribeiro em grande dia. O goleiro atleticano, preciso em menos de 30% das reposições e com um lançamento errado, interveio muito bem embaixo da meta.
Montillo, Gilberto e depois Roger, ao contrário, estiveram em baixa. O camisa 7 e que eventualmente atua como lateral esquerdo fez uma grande jogada no primeiro tempo, mas foi barrado e depois desarmado por Renan. Nem ele, nem Diego Renan aproveitaram todo o espaço deixado pelo lado direito da defesa alvinegra.
Média do fluxo de passes do Cruzeiro, que teve bem mais posse de bola no clássico, indica preferência pelo lado direito - primeiro com Pablo (2), depois com Henrique (8)
Já o Atlético-MG atuou no 4-4-2 em quadrado. Melhor até fazer 2 a 1 de virada ainda no primeiro tempo, o time comandado por Dorival Júnior foi pressionado e só retomou as ações e o controle do jogo após o empate cruzeirense: logo aos 4min do segundo tempo, Pablo serviu o volante Henrique, que invadiu a área e finalizou com eficácia.
No instante seguinte, porém, Tardelli voltou à rede. Ele recebeu passe na entrada da área, dominou e girou, batendo no canto direito de Fábio. A bola ainda tocou a trave antes de entrar.
Os dois volantes foram Zé Luís, pela esquerda, e Serginho pela direita. E ambos foram volantes de marcação. Os laterais também não tiveram liberdade para avançar (Jackson e Leandro cumpriram papel defensivo em todo o jogo). Em compensação, Ricardinho, meia esquerda, e Renan Oliveira, meia direita, tiveram muita liberdade para armar e puxar contra-ataques.
O canhoto, que defendeu a seleção brasileira em duas Copas do Mundo, também teve referenciais positivos de acordo com os dados daScout Online. O camisa 10 simplesmente foi o jogador mais acionado (28) e o que mais efetuou passes (36) ao longo do duelo. Apesar de o Cruzeiro ter mais posse de bola (59%), com quase o dobro das trocas de passes certos.
Em determinado momento, no segundo tempo, Cuca postou o time no 4-1-4-1, como já tinha feito contra a Caldense. Liberou Wallyson, meia-atacante aberto pela direita, e Thiago Ribeiro, pela esquerda, para atacar pelos lados. Os dois armadores, Roger e Montillo, atuaram mais centralizados na linha de quatro. E Leandro Guerreiro passou a ser o único volante, com Henrique deslocado para a lateral direita. O time melhorou, descontou a diferença, mas não foi suficiente para chegar a uma segunda igualdade de placar.
Para ler o relatório completo daScout Online, cliqueaqui.
Gabriel Mayr, gerente de desenvolvimento da Urece Esporte e Cultura
Referência em paradesporto no Brasil fala sobre as especificidades do treinamento de times de cegos
Bruno Camarão
Gabriel Mayrnão é uma pessoa boa ou iluminada simplesmente. E faz questão de deixar explícita sua relação com um campo da atividade física que ainda demanda estudo e o devido embasamento científico. Ele é gerente de desenvolvimento daUrece Esporte e Cultura, associação não governamental sem fins lucrativos com sede no município do Rio de Janeiro.
O objetivo do grupo é a promoção de atividades esportivas e culturais, contribuindo para a formação de pessoas com deficiência visual de modo a favorecer a inclusão social. Desde o fim de 2005, quando foi fundada, a Urece conta com a participação deste jovem, mestre em Educação Física Adaptada e uma das principais referências em paradesporto no País.
Com uma formação ligada à Europa (estudou nas universidades de Leuven, na Bélgica, e em Palackeho Olomouc, na República Tcheca), Gabriel possui especialização no Royal National College for the Blind, em Hereford, Inglaterra, sendo Técnico em Orientação e Mobilidade pelo Instituto Benjamin Constant e bacharel em Educação Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ao lado dele, atuam profissionais com experiência no desenvolvimento de atividades voltadas para este segmento, os quais auxiliam os deficientes visuais que fundaram e regem a associação.
“Sempre tenho tentado iniciar novas práticas. Este ano trabalhamos com um projeto para levar a prática do futebol para cegos à África. Esse sonho existe. Faz diferença viajar para um torneio e ser campeão, mas não podemos esquecer que nesse trabalho com o qual lido, as possibilidades de mudança social e de vida são muito relevantes”, disse Gabriel, nesta entrevista concedida àUniversidade do Futebol.
Ele é o pioneiro do futebol para cegos na República Tcheca e idealizou e ministrou o primeiro workshop de futebol para mulheres cegas no mundo, em Tübingen, na Alemanha. Campeão mundial de futebol para mulheres cegas como treinador, ele explicou as particularidades da função e o diferencial em termos de treinamento e planejamento estratégico de um grupo com deficiência.
“Planejamos movimentos em um circuito, por exemplo. Definimos números e um atleta chuta a gol após o outro. Ao efetuar a finalização, este se desloca para o outro lado da quadra. A ideia é diminuir os riscos para eles. Em um momento inicial, apresentamos o espaço, a quadra, e temos algumas dificuldades inerentes à deficiência deles. O cego precisa se adaptar ao ambiente espacial”, elencou.
O preconceito, a estigmatização, a desinformação, o assistencialismo e a discriminação ainda permeiam as relações entre o deficiente e a sociedade. Só que para surpresa de Gabriel, alguns atos de segregação foram observados, em um primeiro momento, na relação das equipes masculina e feminina que ele dirigia.
“Eventualmente, os homens cegos chegavam mais cedo para rir das mulheres, que estavam treinando. Tivemos de separar essa relação. Após a conquista do campeonato mundial e de algumas reportagens, da divulgação, dos patrocínios, os atletas da nossa equipe passaram a reconhecê-las e hoje são os primeiros a brigar por elas. Uma mostra de que o esporte realmente pode mudar uma realidade social, e fazer parte desse processo é muito legal”, revelou Gabriel, que também foi técnico de Marcos Lima, o primeiro cego brasileiro a esquiar na neve, auxiliar técnico da seleção brasileira de Rugbi em Cadeira de Rodas e atua eventualmente como goleiro de algumas de suas equipes.
Entre outras temáticas, ele apontou a maneira como são traçadas as estratégias de diálogo da Urece com a sociedade civil e a mídia de maneira geral e justificou por que clubes e CBF seriam importantes para o processo de massificação da modalidade.
No gol, Gabriel defende. Fora das quatro linhas, "ataca" em iniciativas para o desenvolvimento dos esportes para cegos: cultura e sociabilização compõem sua carreira profissional
Universidade do Futebol –Como nasceu a Urece e a que se propõe a entidade?
Gabriel Mayr –A Urece é uma associação sem fins lucrativos localizada no Rio de Janeiro, criada em outubro de 2005. Os fundadores são atletas e professores de Educação Física e fisioterapeutas envolvidos com os esportes para cegos.
Trabalhávamos em um instituto que era federal, mas com diversas limitações. Diante das barreiras, resolvemos criar a Urece, uma associação de esporte e cultura para cegos.
Começamos com uma equipe de atletismo composta por sete atletas, e hoje temos 62 pessoas envolvidas. São cinco modalidades trabalhadas regularmente: o atletismo, o goalball, a natação, o remo e o futebol para cegos. Duas são atividades pioneiras: em 2008, um atleta que foi levado por mim daqui para a República Tcheca, se tornou o primeiro brasileiro cego a esquiar na neve; e o outro é o futebol para mulheres cegas, que ainda não é reconhecido no mundo, mas já temos uma equipe que foi campeã mundial e estamos desenvolvendo clínicas para promover o esporte no Brasil.
A grande contribuição é ser uma entidade fundada por atletas e profissionais com algumas ações pioneiras. Ano passado conseguimos o patrocínio da Penalty. Agora estamos preparando uma ação com as vendas que os atletas utilizarão à frente dos olhos. Buscamos parcerias, não doações, e esse é o nosso diferencial.
Universidade do Futebol –De que maneira se deu a sua pesquisa sobre o futebol para cegos na República Tcheca?
Gabriel Mayr –Eu fiz meu mestrado na Bélgica e na República Tcheca. Tinha recebido uma bolsa da União Européia para estudar. Lá na República Tcheca, ainda não existia o futebol para cegos. Pela minha pesquisa, iniciei a modalidade. É difícil comparar o futebol de lá com o daqui. O Brasil foi um dos países que deram início ao esporte, é bicampeão paraolímpico, e lá eles nunca haviam jogado.
O maior especialista em esporte para cegos daquele país, que era meu orientador, falou categoricamente que era uma ideia estúpida aplicar a prática ao futebol, e tive que provar a ele o contrário. Foi algo pioneiro e muito legal, pela aceitação ímpar dos atletas.
Hoje é o único esporte que está em expansão e que a cada dia ganha novos atletas interessados. Para mim foi muito especial e uma experiência muito rica.
As pessoas que são apaixonadas por futebol e nunca viam possibilidade de jogar, hoje estão disputando campeonatos locais, ganharam uma qualidade de vida. Não dá pra mudar o mundo, mas dá pra mudar a situação de muita gente. E participar desse processo é muito interessante, algo que me realiza.
Sempre tenho tentado iniciar novas práticas. Este ano trabalhamos com um projeto para levar a prática do futebol para cegos à África. Esse sonho existe. Faz diferença viajar para um torneio e ser campeão, mas não podemos esquecer que nesse trabalho com o qual lido, as possibilidades de mudança social e de vida são muito relevantes.
Gerente de desenvolvimento da Urece, Gabriel é treinador de equipes masculina e feminina de cegos
Universidade do Futebol –Como são delineados treinamentos, atividades de preparação física diárias, planejamento do grupo e formatação tática de uma equipe de cegos?
Gabriel Mayr –Na questão do treinamento físico, você terá as especificidades do próprio esporte. A parte fisiológica vai ser basicamente igual com a do futebol tradicional, com os treinamentos realizados de acordo com os objetivos. Como no futsal os treinamentos são diferentes do futebol de campo, no futebol para cegos haverá distinções em relação ao futsal.
O que há de adaptação é que, primeiro, as delimitações de espaço são outras. Não adianta usar um cone para uma atividade. Você também não pode preparar tiros de corrida em direção a uma parede, pois aquele atleta não irá frear antes do choque.
Planejamos movimentos em um circuito, por exemplo. Definimos números e um atleta chuta a gol após o outro. Ao efetuar a finalização, este se desloca para o outro lado da quadra. A ideia é diminuir os riscos para eles. Em um momento inicial, apresentamos o espaço, a quadra, e temos algumas dificuldades inerentes à deficiência deles. O cego precisa se adaptar ao ambiente espacial.
É uma especialização. Para mim, é muito mais difícil dar uma aula de hidroginástica do que um treino de futebol para cegos. Há técnicas, e não é simplesmente a inspiração do professor. Não podemos resumir a isso.
No jogo, o técnico tem a função de orientar os jogadores que estão na faixa central da quadra. O goleiro orienta a defesa e o chamador, quem está no ataque.
Universidade do Futebol –Atributos como tomada de decisão e liderança são inatos a alguns atletas cegos mais talentosos, ou você consegue trabalhar essas capacidades, especialmente em atletas recém-chegados?
Gabriel Mayr –Os atletas recém-chegados, geralmente os que sofreram a deficiência, seja por acidente, doença ou qualquer outro motivo, apresentam normalmente a auto-estima muito baixa. Eles estavam acostumados a ter uma vida ativa, e naturalmente se julgam incapazes com a nova condição.
Então, trabalhamos de uma maneira muito simples dentro de quadra, e os próprios companheiros indicam um caminho, sinalizando que aquela deficiência não vai impedi-los de trabalhar, namorar, fazer um esporte ou ser socialmente ativo.
Com esse trabalho, ao ganhar essa confiança e essa qualidade de vida, os reflexos se verão em quadra. Disputar uma jogada, driblar, discutir, etc., promovem uma nova noção a esse cidadão.
Agora, como em todo esporte, há atletas com dom para a liderança, ou não. Não podemos correr o risco de dizer que todo cego é um vencedor na vida e vai ser um bom líder. Ou como é cego, escuta bem, e vai ser um grande músico. Nem todo cego é extraordinário. E nosso grande trabalho é mostrar à sociedade que cada um é um indivíduo único. Dois cegos não são iguais porque não enxergam. Há talentos diferenciados e iremos encontrar vários tipos de personalidades em uma equipe de futebol para cegos.
"O cego precisa se adaptar ao ambiente espacial. Há técnicas, e não é simplesmente a inspiração do professor. Não podemos resumir a isso"
Universidade do Futebol –Para ter êxito na carreira de treinador para cegos, então, é interessante que este profissional tenha uma base científica na área da psicologia esportiva?
Gabriel Mayr –Sim. Seria fundamental que todos tivessem essa formação. O trabalho ainda não é extremamente desenvolvido nessa área, mas já há algumas pessoas interessadas, com estudos particulares.
Você lida no esporte com uma deficiência. De maneira geral, as pessoas que passam a vida pela sociedade sendo tratadas com condescendência, porque a própria sociedade já espera que elas não sejam capazes e que falhem pela deficiência, entram em quadra sem cobrança.
O time adversário não terá o mesmo comportamento e provavelmente vencerá. Por isso que temos de definir funções e cobrar objetivos, e esse fato de lidar com as cobranças requer uma adaptação. A pessoa geralmente vem de um seio familiar estruturado, e em pouco tempo irá se ver no meio de oito, nove pessoas com deficiência.
É necessário que os profissionais interessados busquem mais informações e uma formação específica na área para desenvolver o trabalho.
Universidade do Futebol –A Uefa possui um grupo de estudos que se propõe ao debate, entre outros temas, do desenvolvimento do futebol para pessoas com necessidades especiais. Há medidas semelhantes a esta em território sul-americano? A CBF, por exemplo, contribui de alguma forma com a modalidade?
Gabriel Mayr –Não, a realidade é distinta no Brasil. A Uefa, particularmente com o futebol para cegos, vem realizando um trabalho muito interessante, com o patrocínio de clínicas pela Europa. Depois de um ano quando iniciei a modalidade na República Tcheca, eles desenvolveram um curso lá com outra pessoa, indo para países vizinhos.
Naquele continente, há essa preocupação de que o futebol seja para todos, homens, mulheres, pessoas com deficiência, e é bem mais avançado do que aqui.
A CBF não apóia de maneira alguma, e aConfederação Brasileira de Desportos para Deficientes Visuais (CBDV)é autônoma e não tem nenhuma ingerência daquela entidade. Temos iniciativas isoladas, como uma parceria com o América-RJ, mas apenas para cessão de espaço para treinamentos.
É uma pena. Com a CBF e os clubes sendo mais atuantes, poderíamos massificar o futebol para cegos, pensado como esporte. Não estou falando de “como o ceguinho é um vencedor na vida por jogar futebol”, como muitas matérias costumam se referir. Eles são atletas.
Muitas vezes ficamos nesse chavão, como o da Keila Costa, exímia saltadora, que começou treinando em uma pista de terra, tomando isso como símbolo da carreira dela. O mesmo vale para os atletas cegos, mas cada um tem sua particularidade. Nem todos tiveram dificuldades financeiras, por exemplo.
Temos experiência fora no Brasil de lugares em que aconteceram parcerias, como durante edições da Eurocopa: em uma delas, houve uma apresentação do futebol para cegos antes de uma semifinal; em outra ocasião, de um jogo de futebol para paralisia cerebral. Isso ajuda a divulgar a outra realidade existente.
Melhor jogadora do mundo da modalidade tradicional, Marta foi convocada para ser madrinha do projeto especial: título na Alemanha, respeito e aquisição de patrocínios
Universidade do Futebol – Você também atua à frente de uma equipe feminina de cegas. Quais são as peculiaridades do trabalho com elas em relação ao desenvolvido com os homens?
Gabriel Mayr –É bem similar com as especificidades da relação futebol masculino x futebol feminino tradicional. E similar até mesmo onde não esperávamos.
Durante meu mestrado, fiz uma clínica de futebol para mulheres cegas na Alemanha, e foi organizado um campeonato internacional europeu. Fui convidado para dar uma palestra e comentei sobre a possibilidade de levar um time – sequer tinha um, mas juntei algumas jogadoras, e acabamos faturando até o troféu mundial.
A Marta foi a madrinha do projeto, e a partir dela conseguimos viabilizar um patrocínio, algo muito legal. Mas o que mais me surpreendeu nesta história, mesmo, por um erro de avaliação, talvez, é que as meninas cegas sofreriam nenhum preconceito além daqueles que os meninos sofrem: “cego não pode jogar futebol, cego não sabe jogar bola, etc.”.
Além dessa questão inerente, havia a discriminação por serem mulheres. E curiosamente os próprios atletas cegos mantinham um preconceito com as companheiras.
Eventualmente, os homens cegos chegavam mais cedo para rir das mulheres, que estavam treinando. Tivemos de separar essa relação. Após a conquista do campeonato mundial e de algumas reportagens, da divulgação, dos patrocínios, os atletas da nossa equipe passaram a reconhecê-las e hoje são os primeiros a brigar por elas. Uma mostra de que o esporte realmente pode mudar uma realidade social, e fazer parte desse processo é muito legal.
Universidade do Futebol –Em termos técnicos práticos, encontra mais dificuldade para trabalhar com as mulheres? E como é esse trabalho no campo da psicologia com elas?
Gabriel Mayr –Na equipe feminina, até pela falta de experiência, tivemos muitos problemas de conflitos entre elas, entre elas e nós, e não encontrávamos isso no futebol masculino. Este ano, iniciamos um trabalho com aRede Esporte pela Mudança Social, com diversas ONGs e associações, e lá conhecemos oFundo Social Elas, que é uma fundação que apóia projetos para mulheres. E trabalharemos na formação das meninas em resolução de conflitos, com o auxilio deles, que possuem essa expertise.
Eles têm diversas dinâmicas para trabalhar e que, acredito, poderão nos causar muitos benefícios, tanto em termos de profissionais que saibam lidar com esse tipo de situações, quanto para as atletas, em suas vidas, com família e trabalho. Como trabalhar a resolução de problemas dentro do grupo, como fofocas, picuinhas, pequenas arestas, mostrando como isso pode ser nocivo para a equipe, é um dos pontos.
Urece atua no diálogo comunicativo, com uma equipe que se desdobra em várias frentes; apoio do América-RJ, de Romário
Universidade do Futebol –Você falou um pouco sobre a construção de pautas pelos veículos de comunicação, que geralmente não compreendem a complexidade do trabalho de vocês. Qual é a importância da comunicação na construção de uma sociedade inclusiva, especificamente em se tratando da esfera esportiva?
Gabriel Mayr –A missão da Urece é difundir o real potencial da pessoa com deficiência visual. Mais do que fazer atividade, é mostrar para sociedade o que o cego é capaz de fazer. Para nós, é importante divulgar algo que um cego fez para que a sociedade possa mudar. A comunicação está intrinsecamente ligada ao nosso modo de pensar.
Os projetos pioneiros, como esqui e futebol feminino, são ligados à comunicação e têm maior viabilidade de entrada na mídia, promovendo maior visibilidade à nossa causa.
Acho que além da formação acadêmica para formar profissionais que vejam o mundo de uma maneira diferente, a mídia talvez seja a melhor maneira de contribuir com o processo transformativo.
É natural que os reportes da maioria dos veículos, como parte de nossa sociedade, não tenham uma formação adequada e reproduzam visões que não as mais corretas, ou demonstrando pena excessiva da pessoa com deficiência, ou, então, passado este momento, realizando uma “idolatria” desse deficiente. Acredito que possamos melhorar essa relação.
A Urece tem a intenção neste ano de realizar um seminário para estudantes de Educação Física, de Jornalismo e jornalistas para passar um dia e entender com mais propriedade como funcionam os esportes para cegos. Não com a intenção de vender pautas, mas para promover uma elucidação dos nossos projetos e das variações das modalidades.
Universidade do Futebol –Recentemente, o Diário Oficial publicou a aprovação pelo Ministério dos Esportes do projeto "Porque não Enxergarmos Obstáculos", iniciativa da Urece Esporte e Cultura. O que isso representa em termos gerais?
Gabriel Mayr –Temos uma dificuldade muito grande na captação de patrocínios e na remuneração de profissionais, assim como para adquirir os materiais esportivos. Esse projeto engloba as equipes masculina e feminina de futebol, alem da comissão técnica. E a empresa que apoiar a Lei de Incentivo terá a dedução fiscal.
Teremos uma reunião em são Paulo no fim deste mês com um dos patrocinadores para transformar o incentivo que não é incentivado em incentivado, mas há muitas dificuldades, pois muitas empresas não sabem do que se trata essa nova legislação.
Sem uma estrutura, um lobby bacana, é difícil vencer essas barreiras. E estamos sentados na isenção de 260 mil reais de imposto de renda: em vez de dar para o governo, a empresa pode investir em nós e trabalhar depois com mídia em responsabilidade social. Mas ainda não tivemos ninguém interessado, o que não é uma exclusividade nossa. Os projetos vêm sendo aprovados aos poucos, e ficamos no aguardo, trabalhando.