Sinopse
"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
CALOUROS DO AR FC
sábado, junho 21, 2008
EM REFORÇO DE NOSSA OPINIÃO
sexta-feira, junho 20, 2008
O POLÊMICO LUXA ATACA DE PROFESSOR
O futebol brasileiro está regredindo. A opinião incisiva é de alguém que comandou nos últimos anos equipes vencedoras no cenário nacional e hoje dirige o atual campeão paulista e um dos favoritos para levar o troféu da Série A: Vanderlei Luxemburgo.
O comandante-técnico do Palmeiras entende que, no país, há conceitos enraizados que necessitam passar por uma mudança. De preferência, que acompanhe tendência do esporte no resto do mundo, em que pouco se vê esquemas com três zagueiros, algo recorrente tempos atrás.
“Precisamos fazer algo para resgatar o futebol ofensivo do Brasil. Nos últimos anos, os craques do futebol brasileiro foram o Tevez, que é argentino, e o Rogério Ceni, que é goleiro. Neste ano, o Valdivia, que é chileno, foi o melhor jogador do Campeonato Paulista. Existe algo de errado e precisamos rever conceitos para melhorarmos os clubes e a nossa seleção”, afirmou Luxemburgo.
Para que esse plano prospere, o treinador mira transformações a partir de baixo. Luxemburgo demonstrou preocupação ao ver as categorias de base do Palmeiras, em sua maioria, adotando o esquema tático 3-5-2.
“Eu pedi uma reunião com todas as comissões técnicas. Quero que todo mundo acabe com o 3-5-2 e volte ao 4-4-2 ou a um esquema tático mais ofensivo. Não é possível colocarmos tantos zagueiros e volantes em um time. Precisamos descobrir meias e atacantes de alto nível”, cobrou.
Em meio à Eurocopa, Luxemburgo tece elogios ao comportamento mais ousado da maioria dos times que disputam a principal competição entre seleções do Velho Continente, com atenção especial a Portugal, do compatriota Luiz Felipe Scolari –a formação lusitana conta apenas com um volante de origem, além de dois meias e três atacantes.
“O futebol brasileiro está regredindo. Ninguém percebeu que na Europa quase todo mundo joga com três atacantes, que voltam para ajudar na marcação, e dois meias ofensivos, que marcam e atacam com a mesma eficiência. O que fazíamos bem feito está sendo adotado na Europa, enquanto nós preferimos encher as equipes de volantes e zagueiros”, analisou Luxemburgo.
Fonte: Equipe Cidade do Futebol
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A polêmica sobre o misto de trainer e manager (W)Vanderlei(y) Luxemburgo, está sempre presente nos meios esportivos. Afinal, Vanderlei carrega todo o peso de quem tem pose e discurso de 'professor'. Como se não bastasse, ainda revela uma faceta de sua personalidade que o coloca como um neoprogressista de plantão, afeito a declarações que invariavelmente geram controvérsias e discussões que ultrapassam o campo futebolístico, suscitando apreciações de fundo ético (axiológico).
Luxemburgo é o principal representante de um reduzido grupo de treinadores que extrapola suas funções como integrantes do departamento de futebol profissional dos clubes, colocando-se como gestores de todos os processos e atividades típicas deste departamento. Esse modus operandi 'luxemburgoniano' tem criado sérios problemas aos clubes pelos quais Luxemburgo tem passado, pois além do altíssimo custo de manutenção de sua comissão técnica, não se encontram sucedâneos compatíveis para dar operacionalidade às engenhocas criadas por Vanderlei.
Deixando-se de lado os aspectos acima, por uma questão de justiça devemos reconhecer que esse mesmo Luxemburgo ainda consegue dar contribuições para a discussão que permeia e deve permanentemente permear o futebol brasileiro. É o caso do artigo que aqui lhes trouxemos.
Não resta dúvida que o futebol brasileiro, em termos de desenvolvimento tático, passa por um período de estagnação, se não de retrocesso. E apesar de Vanderlei não estar descobrindo o novo, reconhecemos como inteiramente procedente seu questionamento sobre alguns modelos táticos -- em especial o 3-5-2, com dois volantes.
Nada contra esse ou aquele esquema -- é bom que esclareçamos. Porém, o 3-5-2 nos moldes em que vem sendo utilizado por muitos treinadores, ele acaba privilegiando a mediocridade, em detrimento do estímulo à criatividade e ao talento.
À medida em que se dá atribuições que exigem maior elaboração de laterais e de volantes, e ao tempo em que se vai excluindo das formações das equipes as figuras dos diferentes meias, tanto se mina quanto se mirra a ofensividade, e, por fim, a criatividade das equipes, burocratizando-as e as emburrecendo.
Desse ponto de vista, temos que admitir certa falta de vocação e de aptidão momentânea do futebolista brasileiro, em atender às demandas de uma esquematização tática que dele requer um pouco mais do que ele pode dar.
O reconhecimento da situação ora descrita, implica em uma busca de solução para o problema, caminho esse que passa pela adoção de um sistema tático que estimule o desabrochar da técnica individual, com todos os desdobramentos positivos que tal situação certamente possa produzir.
Paradoxalmente, assitimos, em certa medida e no melhor sentido, a 'sulamericanização' do futebol europeu, enquanto a 'europeização' do futebol brasileiro -- no pior sentido -- segue seu curso inexorável.
Desrobotizar o futebol brasileiro, pois, é tarefa que se impõe.
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terça-feira, junho 17, 2008
SOBRE A FORMAÇÃO DOS TREINADORES
Há diferentes caminhos para os profissionais interessados em trabalhar no mercado norte-americano
Helio D'Anna
Apesar de a profissão de técnico desportivo nos EUA não ter um sindicato, isso não reflete na sua extrema organização como classe. O técnico de futebol nos EUA tem ótimo respaldo e fontes de reciclagem através de duas instituições distintas: a associação nacional de técnicos (NSCAA - National Soccer Coaches Association of America – www.nscaa.com) e a federação Americana de futebol (USSF - United States Soccer Federation - http://ussoccer.com/).
Ambas as instituições oferecem um sistema de licenças muito compreensível para técnicos. Essas licenças cobrem desde o profissional que trabalha com iniciação ao que trabalha com o futebol profissional. Dependendo do nível de trabalho, as licenças duram de uma semana a um ano e de cursos diurnos a cursos de período integral com direito a morar dentro do local de licenciamento.
Tanto a NSCAA quanto a USSF usam uma progressão de ensino que começam com as licenças para trabalho com crianças, adolescentes, jovens, adultos e profissionais dentro do futebol. Só mudam os nomes das licenças.
Dessa vez vou me prender as licenças oferecidas pela NSCAA. Eles usam nomes como: parent coach diploma (diploma de pai-técnico), state diploma (diploma estadual), regional diploma (diploma regional), youth diploma (diploma de jovens), high school diploma (diploma para colegial), além de outros (veja mais no link: http://www.nscaa.com/nrc.php#nyd).
Há também os diplomas para profissionais mais avançados, que requerem que os alunos morem nos centros por certo período: national e advanced national diploma (o nome já se explica), advanced diploma (diploma avançado) e premier diploma (diploma prêmio). Informações sobre esses cursos podem ser obtidas no link http://www.nscaa.com/rc.php).
Outras licenças interessantes incluem as licenças para treinamento de goleiros: http://www.nscaa.com/subpages/2006033015280118.php, os cursos on-line: http://www.nscaa.com/onlinelearning.php e a licença mais prestigiosa, a de mestre do futebol. Essa ultima leva um ano inteiro para ser completada e numa outra oportunidade falarei sobre ela.
Como não poderia deixar de ser, às vezes a NSCAA oferece seus cursos no Brasil! Ano passado a iniciativa foi sediada no Atlético-PR e há planos de se fazerem cursos na Academia do Oscar.
Todas as licenças são abertas a qualquer um do mundo e eu recomendo ao leitor que tem condições de um dia tentar fazer alguma. É uma experiência bem legal!
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quinta-feira, junho 12, 2008
REFLETIR PARA REPENSAR

O primado do capital intelectual
O futebol cearense necessita passar por um processo em que ele seja repensado, desde seu aspecto mais primário até os de maior complexidade.
Urge, pois, que promovamos um grande evento que tenha por finalidade a busca de propostas que representem verdadeiras alternativas para a crise de idéias e de iniciativas que tomou conta do futebol cearense.
Desarrumação
O estilo de ser
Os porquês da confusão
A ser descoberto
segunda-feira, junho 09, 2008
MENOS BRUCUTUS NO MEIO-CAMPO

Revolução corintiana
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
De qualquer forma, não vejo necessidade de se escalar mais do que dois volantes em nenhuma equipe. Três já é medo disfarçado de futebol moderno, mas ainda vá lá. Quatro é um exagero tão grande como ter quatro fechaduras na porta da sala.
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quarta-feira, junho 04, 2008
UM OLHAR TRANSDISCIPLINAR DO FUTEBOL

Essas valências do saber acerca dos fundamentos biológicos dos comportamentos humanos surgem estreitamente ligadas ao conceito de lateralização hemisférica ou dominância cerebral, isto é, às diferenças de funções entre os dois hemisférios do cérebro.
Na verdade, a organização do cérebro em dois hemisférios, direito e esquerdo, parece ter como corolário que cada uma destas suas partes tem a seu cargo os acontecimentos motores e sensoriais que ocorrem na metade oposta (contralateral) do corpo e do espaço. E esse modelo é utilizado na liderança de equipes, seja em empresas, seja no campo de futebol.
“Acho que no atleta essas características vêm muito em função da habilidade e da característica de fazer o jogo. Na escola, vemos outros tipos de liderança. No esporte, os jogadores com maiores características nesse tipo de habilidade têm maior liderança”, explica Roberto Rocha Costa, bacharel em Treinamento Esportivo pela Faculdade de Educação Física da Unicamp e mestre em Ciências Biológicas pela Univap.
Essa regra geral, apesar do reconhecimento atual da complexidade do cérebro, um super-sistema aberto e que integra em si muitos outros sistemas diferenciados e mais amplos, levou à ideia de que cada indivíduo, dotado de um grande potencial cerebral, utiliza o seu de uma forma particular.
Assim, enquanto alguns se apoiariam mais nas capacidades do seu hemisfério esquerdo, parecendo dar prioridade à análise, ao raciocínio e à lógica, outros, pelo contrário, mais apoiados no seu hemisfério direito, dariam prioridade à síntese, à intuição, à visão global e à imaginação.
“O que é possível dizer é que o Gardner [Howar, autor da Teoria das Inteligências Múltiplas] fala em diferentes tipos de inteligência. A lógico-matemática, outros que vão entender mais relacionamento entre pessoas, uns para entendimento tático, habilidades específicas corporais... Imagino que haja uma relação entre esses tipos de liderança”, completa Costa, que vê alguns empecilhos quando a definição ocorre meramente com base nos critérios técnicos futebolísticos.
“Nem sempre o mais habilidoso é um líder nato, mas acaba sendo colocado para realizar tal função. Às vezes, é um problema”, pondera.
Diretor-sócio da MOT (Mudanças Organizacionais e Treinamento), Alfredo Castro expôs algumas de suas idéias em relação às grandes divisões comportamentais durante palestra realizada no 2º ConviRH (Congresso Virtual de Recursos Humanos).
Para ele, nenhuma dominância é melhor do que a outra, e cabe ao líder identificar a dominância cerebral de cada integrante do grupo, compreender as diferenças entre pessoas e valorizar as particularidades de perfil
“A diversidade de cada ambiente irá determinar a eficiência do grupo”, apontou ao UOL Economia, traçando os quatro grandes grupos de preferências comportamentais:
O relacional, que se define pela capacidade expressiva, apoiada nos mais variados aspectos da comunicação; o organizador, atento aos detalhes, cujo alto grau de responsabilidade o define para tarefas estruturais e de planejamento; o profissional analítico, mais racional e impessoal, que prefere o trabalho individualizado; e, por fim, o experimental, mais impetuoso, especulador e inventivo. Talvez, dentro das quatro linhas, Pelé assumisse todas ao mesmo tempo...
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AMOR, NÃO; DINHEIRO, SIM!
O torcedor tricolor menos aquinhoado, mas histórico, virou ‘filho bastardo’.
Ou porque não possa pagar, ou porque não queira fazê-lo a qualquer pretexto - o que é seu direito.
O torcedor explorado perde o seu outrora inalienável direito de assistir, quando bem lhe convier, o treinamento de seus ídolos. Negam-lhe, despudoradamente, a prerrogativa de estar ao lado do seu time de coração, e de até poder ‘regurgitar’ aqui e ali o seu desabafo.
Tudo em nome de uma tal modernidade.
E o que é pior: com o aprobativo de diretores recém egressos do seio da torcida, como são os casos de Adller Pinheiro e Estevão Romcy.
Não é por acaso que a classe média brasileira representa a pior média de pensamento do capital intelectual da nação. Afinal, ela é a maior vítima do signo do DESVALOR que tomou conta do país. Por isso é difícil para ela a percepção de eqüidade, de respeito, e de valor (no sentido axiológico).
Há alguns anos temos colocado na mesa das discussões um REPENSAR do nosso futebol. Porém, é preciso que se entenda o significado disto. Repensar não é apenas refletir. É mais. É também rever, revisar. E por isso exige de nós uma revisão de coisas e de posturas. Significa, pois, mudança. Em última instância, também se traduz por reconstrução.
Nossos times precisam ser pensados como clubes, necessitam antes de mais nada construírem seus perfis e edificarem suas personalidades. Sim! Clubes possuem personalidade – é verdade! E a maneira de delineá-la com legitimidade é a congressual, é pela participação do maior número possível de representantes da torcida num encontro agendado para este fim.
Mas para um clube que produz tanto ruído em sua comunicação com seu público interno, não nos causa estranheza que ele não dê bola para seu público externo. Os seguidos recados têm sido dados ao torcedor, expressando-se o que dele se espera, o que dele se quer tirar.
Que o torcedor não imagine que a ele se queira oferecer algo, além da precariedade do pouco que lhe é oferecido. Na verdade, ao torcedor cearense têm sido concedidos os subprodutos de uma relação típica entre exploradores e explorados:
- quase nenhuma opção de escolha dos produtos;
- preços extorsivos;
- baixa qualidade do que lhe é servido;
- falta de higiene dos serviços;
- falta de limpeza e conservação da praça esportiva;
- falta de segurança;
- falta de iluminação pública condizente no entorno do estádio;
- falta de transporte coletivo;
- falta de uma política de preços de ingressos consentânea com a realidade financeira da nossa população;
- deficiência no atendimento para aquisição de todos os produtos e serviços ligados ao futebol;
- entre outras.
Agora, com a ‘descoberta’ dos programas de sócio-torcedor e congêneres, enxerga-se uma panacéia que inexiste, da mesma forma como são vistos os mirabolantes centros de formação e treinamento, mais conhecidos como ctês.
E para que os sonhos delirantes da visão ‘proto-capitalista’ possam ser guindados ao patamar de realidade, seus executores e seguidores precisam encontrar meios de constranger o torcedor a fazer uma adesão, sem o que ele primeiro se sente aviltado em sua condição de torcedor; depois, sentir-se-á humilhado por finalmente compreender que nada representa para seus dirigentes, a não ser a possibilidade real de ser espoliado.
Pior é saber que o sentimento do qual falam os dirigentes, para convencer o torcedor a colaborar de modo o mais absurdo, é o mesmo que eles – dirigentes – fingem desconhecer para tomarem decisões como o batimento dos portões do clube na cara dos torcedores não-sócios (e/ou não-associados).
A partir de tão estreita visão, como se falar em programas de fidelidade, em meio a uma relação tão vorazmente infiel? Ou ainda não acordaram os dirigentes para as especificidades e peculiaridades do produto futebol? Como se sente um amante traído e ultrajado?
(...)
Benê Lima
terça-feira, junho 03, 2008
CASTELÃO É DESINTERDITADO

quinta-feira, maio 29, 2008
EXEMPLO DE UM 'PENSAR PEQUENO'
segunda-feira, maio 26, 2008
COM PÉ E CABEÇA, A COLUNA DO BENÊ LIMA

BREVES, SEMIBREVES, MÉDIAS E GRAVES
Na coluna do Abidoral
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Benê Lima
benecomentarista@gmail.com
http://blogdobenelima.blogspot.com
[85] 8898.5106
sábado, maio 24, 2008
NOITE INSPIRADA COM DIREITO A CIRCO E PIPOCA
E fez rolar a festaaa...
- como diria Ivete Sangalo
conhecido como Osvaldo, notabilizou-se pelo número de 'sombreros' (chapéus/lençóis/banhos-de-cuia) que distribuiu fartamente para a rapaziada do Gama. De frente, de costado, de lado, de trivela, com e sem efeito adicional, Osvaldo colecionou - certamente estatísticas não há - o maior número desse tipo de jogada em uma partida de futebol entre duas equipes profissionais, pertencentes à mesma divisão. Até nosso conhecidíssimo Zinédine Yazid Zidane foi superado neste quesito, pelo que fez com os integrantes daquela seleção brasileira de 2006. CEARÁ É UM TIME QUE INVOLUIU
Time sisudo; futebol triste
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quarta-feira, maio 21, 2008
SESPORTE RECUPERA GRAMADO DO CASTELÃO
"Solicitamos estudo do DER para prosseguirmos como a medida corretiva em todo o campo", avisa o secretário do Esporte do Estado, Ferruccio Feitosa.
Assessoria de Comunicação da secretaria do Esporte
do Esporte, Ferruccio Feitosa, acompanha últimos detalhes.
terça-feira, maio 20, 2008
RESPOSTA DAS PARTES ENVOLVIDAS

Daniel Praciano é Editor do Caderno Jogada
“A propósito da matéria “Castelão receberá 800 metros de nova grama”, publicada no Caderno Jogada, na edição de 19 de maio deste jornal, e escrita pelo repórter Fernando Maia, gostaríamos de fazer alguns esclarecimentos:
1- Fomos dois dos engenheiros responsáveis pela última reforma do Castelão, depois que o estádio foi interditado em 2000, sendo entregue, em março de 2002, à população do nosso Estado com o jogo Brasil x Iugoslávia. Durante aqueles anos, na condição de Superintendente do DERT - Departamento de Edificações, Rodovias e Transportes do Ceará (Lúcio Bomfim), órgão vinculado à Secretaria de Infra-estrutura do Estado do Ceará, e de engenheiro fiscal (Antero Correia Lima), coordenamos uma equipe de técnicos respeitáveis e de serviços públicos prestados;

2- Elaboramos o anteprojeto de arquitetura com os arquitetos do DERT e da Secretaria da Cultura e Desporto do Estado do Ceará, à qual estava vinculada à época a Fundação de Assistência ao Desporto do Estado do Ceará (FADEC), responsável pela administração do estádio. E contamos ainda com a colaboração dos profissionais – pelo menos dos que ainda estavam vivos – responsáveis pelo projeto original da construção do Castelão, na década de 1970;
3- Contratamos um escritório de arquitetura para desenvolver os projetos executivos para a reforma, vencendo a licitação o arquiteto Jose Sales, professor da Universidade Federal do Ceará. Este escritório contratou os profissionais necessários para as diversas áreas de atuação, incluindo a drenagem do campo;
4- A reforma para os melhoramentos do Castelão teve a empresa Varca-Scatena, de São Paulo, como vencedora. Vale ressaltar que esta mesma empresa estava executando a última reforma do Estádio do Maracanã antes da reforma dos últimos jogos Pan Americanos;
5- Com relação ao gramado, a empresa Varca-Scatena contratou a empresa do engenheiro agrônomo Ricardo Marinho, um dos maiores especialistas em gramado no nosso Estado, parceiro e representante do paisagista Burle Max no Ceará, para executar a recuperação do nosso campo de jogo;
6- O antigo gramado tinha vários tipos de grama devido aos inúmeros serviços de recuperação desde a implantação em 1973 até 2001, quando se iniciaram as reformas de melhoramentos. A camada de suporte da grama era de um material ruim (laterita) para drenagem, que era encontrado com facilidade nos arredores do estádio, tendo sido toda ela substituída por uma nova camada de material mais drenante (areia grossa). A grama usada foi a tipo esmeralda, a mesma usada no Maracanã antes da última reforma. O fornecedor foi a Itogress, do Rio de Janeiro, a mesma empresa que forneceu grama para os estádios do Maracanã, Morumbi, Mineirão e Arena da baixada. Os tubos de drenagem antigos de manilha de barro foram substituídos pelos tubos em PVC Kananet com microfuros de diâmetro de 150mm e 200mm e são encontrados a cada 11m de maneira transversal ao campo de jogo com declividade para as laterais e com declividade do terreno no sentido do meio de campo para as balizas, fazendo com que os locais que por último liberariam as águas seriam os quatro cantos das bandeirinhas;
7- Os tubos de drenagem são revestidos por britas e estas por uma manta de bidim fazendo o envelopamento. O bidim funciona como um coador que dificulta carreamento de areia para dentro do tubo, diminuindo a possibilidade do entupimento do tubo;
8- A obra de drenagem do Castelão, portanto, já tem 6 anos de uso, cabendo dizer que, durante quase dois anos, eu, Lucio Bomfim, tive a oportunidade de ser o responsável por sua manutenção quando fui Secretário de Esportes e Juventude, no período de janeiro de 2005 a junho de 2006;
9- A atual drenagem, como todo e qualquer equipamento, sistema, imóvel, veículo etc., tem que ter manutenção diária. O gramado do Castelão, por exemplo, exige corte quando a grama atinge 3cm, o que leva a necessidade de cortá-la, em média, a cada três dias. Além disso, tem que ser aguado diariamente, tem que ser usado fertilizante (cloreto de potássio e uréia) e ainda usar veneno para matar o cachorro d’água, praga que destrói a raiz da grama. Após o uso do fertilizante e do veneno não se pode usar o campo para jogo de futebol. Os tubos de drenagem, quando estão entupidos, exigem limpeza, precisando-se retirar a grama que fica sobre o tubo, desobstruindo-o e replantando a grama;
10- Durante os 6 anos de uso da drenagem do Castelão pós-reforma, tivemos que fazer o desentupimento de três pontos. Cada serviço de desobstrução necessitava de apenas 10 dias para o gramado voltar ao normal e durante o período da interdição não se liberava o campo para jogo oficial ou treino dos nossos principais times de futebol. Não liberávamos o estádio para jogos que não fossem de competições oficiais para evitarmos custos adicionais de manutenção;
11- Parece-nos oportuno observar que o índice pluviométrico na área onde encontra-se o Castelão teve os seguintes registros: 2003 (1.376mm), 2004 (1.447mm), 2005 (878mm), 2006 (1.449mm), 2007 (1.016mm) e 2008 (1.155). Como é possível verificar, nos anos 2003, 2004 e 2006 choveu mais do que em 2008. Por que o gramado não ficou prejudicado em 2003, um ano após a reforma? Por que a drenagem funcionou bem em 2004 e 2006? Está claro que não se pode dizer que foi a quantidade de chuva que prejudicou o gramado e muito menos ainda dizer que houve erro na obra de drenagem. Não terá sido a falta de manutenção?
12- Na matéria do repórter Fernando Maia, na qual cita os responsáveis pela reforma de “irresponsáveis”, não há sequer um esclarecimento dos profissionais envolvidos em todo o processo da reforma sobre as possíveis causas do problema. Nenhum de nós teve a oportunidade de se manifestar. Cremos que faltou ao repórter ouvir o outro lado, como mandam os manuais de jornalismo, daí porque esperamos que este conceituado jornal faça os esclarecimentos devidos no mesmo espaço editorial;
13- Em nossa opinião, o que está ocorrendo no gramado do Castelão é resultado de um longo processo que se iniciou nos últimos dois anos, quando não se priorizou a manutenção do estádio. A atual administração do estádio orientou os funcionários que mantêm o gramado há trinta anos a não usarem água da Cagece por causa do preço, limitando suas tarefas ao uso da água dos poços, sabidamente insuficientes para a manutenção do gramado;
14- Ora, como o período chuvoso foi fraco em 2007, o lençol freático estava baixo e não havia água suficiente. O gramado, então, começou a ser mal tratado. Havia recursos somente para usar o fertilizante e não tinha recursos para o veneno, o que veio a enfraquecer a raiz da grama, tornando o gramado mais frágil. Quando a equipe de manutenção do estádio tinha que usar o fertilizante, era impedida, pois o estádio tinha sido liberado para rachas noturnos dos amigos da Secretaria ou do Governo do Estado.
15- Tem mais: a máquina de cortar grama não era mais usada porque estava quebrada por falta de dinheiro para o conserto. Passou-se a usar a máquina manual, que tem qualidade de corte inferior e demanda mais tempo. A área atingida em que se necessitou colocar areia para diminuir o atoleiro anterior decorre, na verdade, de um entupimento no tubo de drenagem que está represando a água, facilitando a formação do atoleiro;
16- Muito provavelmente, os críticos apressados não atentaram para o fato de que, caso o material usado na reforma fosse de péssima qualidade, todo o gramado deveria estar na mesma situação e não somente uma área, que por sinal representa quase0% dos 9.200m2;
17. Não custar lembrar que o Castelão foi, recentemente, palco de dois eventos de grande porte - um de moto, no qual foi utilizada 254 carradas de argila, durante 10 dias; e outro de show musicais, quando se cobriu o gramado, já encharcado, com uma lona.
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Lucio de Castro Bomfim Jr - CREA 7474/D
Antero Correia Lima - CREA 1679/D”
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SAIBA MAIS SOBRE O 'IMBRÓGLIO CASTELÃO'

A atual e a ex-administração da Secretaria do Esporte divergem sobre o estado do gramado do Castelão
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