Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

segunda-feira, abril 07, 2008

OLHAR ATENTO, ANALÍTICO E CRÍTICO


Breves e semibreves
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Do pior amadorismo - 1
Ceará e Horizonte jogaram outro jogo além do jogo e do outro jogo dentro do jogo. A confusão foi mais ou menos assim mesmo. O Ceará entre em campo saindo do túnel do lado direito das cabines de rádio e televisão, dirigindo-se para o lado oposto, onde costuma ficar. O Horizonte por sua vez entra pelo túnel onde costumeiramente fica o Alvinegro e segue para o lado oposto, ocupado pela torcida do Fortaleza em seus jogos. Todo esse joguinho do "X" (xis) porque as mentes privilegiadas querem pressionar o assistente nº1, que corre próximo ao banco de suplentes ali instalado.
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Do pior amadorismo - 2
Ainda persiste em nosso futebol certas práticas mais que provincianas. O pessoal responsável pelo aquecimento dos goleiros do Ceará leva para o campo um garoto mal saido dos cueiros, que fica a perambular pra lá e pra cá, colocando-se numa situação de risco iminente, senão vexando a quem sabe que ali não é lugar para aquilo. Bola pretíssima pra 'turba do esquenta'.
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Haja lacuna!
Edmilson Maciel começa a resolver o problema de comunicação do Alvinegro de Porangabuçu, mas deixa um vácuo no seu PRORROGAÇÃO, na Verdinha am810. Qualquer programa daquele gênero precisa cumprir um formato mínimo pelo qual possa se guiar e ser guiado. Do contrário, a superexposição de uns acaba causando prejuízo para outros; perde-se no pluralismo do conteúdo e esvazia-se o interesse do ouvinte.
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FIASCO DE PÚBLICO DEVE SER ENTENDIDO


Povão alvinegro faz 16 a 8
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Torcedor alvinegro supera em apoio as torcidas de Fortaleza e Ferroviário juntas
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A discussão sobre qual é a maior entre as torcidas de Ceará e de Fortaleza, a mim me parece inócua para mero efeito de amostragem de supramacia.
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Na verdade, dependendo de qual seja o critério de 'contagem', ele tende -- digamos -- para um empate técnico.
Sabe-se que a medida que um clube consegue saltos de qualidade em determinados contextos, sua torcida tende a se tornar mais exigente. E uma torcida exigente precisa de mais para estar motivada. É o caso do Fortaleza.
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Ao contrário, quando um clube experimenta sucessivas crises, o grau de exigência de seu torcedor passa a ser menor, contentando-se ele com pequenas e pontuais evoluções. Essa é uma situação que estimula o comparecimento do torcedor, por mais parodoxal que pareça. É o caso do Ceará.
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Porém, como o torcedor quer mais é curtir qualquer vantagem, é tempo de do povão alvinegro se deliciar pela liderança que vem obtendo nessa corrida paralela.
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Nossa homenagem e reconhecimento ao torcedor solidário do Vozão.
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sexta-feira, abril 04, 2008

CUSTO X BENEFÍCIO; MAIS UMA FACETA



Camarote corintiano vê requinte, negócios e cerveja com álcool

Alexandre Sinato
Em São Paulo

Nem assento molhado de arquibancada, nem sanduíche de pernil. Cerveja sem álcool? Também não. Muitos torcedores corintianos acostumados a filas, apertos e problemas de segurança talvez nem saibam, mas uma parcela pequena de pessoas assiste a jogos de futebol em um cenário muito diferente do habitual. E no mesmo estádio dos demais.


Dos quase dez mil torcedores que foram ao Morumbi na última quinta-feira e viram o Corinthians vencer o Fortaleza por 2 a 0, cerca de 2% desfrutaram de um requinte típico de seletos eventos: confortáveis poltronas, cardápio recheado e bebidas à vontade.

Convidados da principal patrocinadora do clube (não é possível comprar tal privilégio), aproximadamente 150 pessoas acompanharam o triunfo alvinegro em dois camarotes alugados pela empresa. Há som ambiente, mas não os conhecidos gritos da torcida. Gritos que nascem na arquibancada e sequer são ouvidos do setor vip.

Lá, o que se escuta são alguns comentários sobre futebol, claro, mas o tema fica perdido entre assuntos comerciais, negócios e fofocas típicas entre companheiros de trabalho. Tudo sobre um chão acarpetado e cercado de ventiladores. Um telão mostra a partida disputada no gramado que está a poucos metros. Ótimo para aqueles que não encontram um lugar entre as concorridas 130 poltronas.

Praticamente todos ficam ali, sentados, acompanhando o jogo. Na última quinta, o triunfo do Corinthians pela Copa do Brasil empolgou os torcedores em raros momentos. Os gols de Diogo Rincón e André Santos foram os únicos lances capazes de levantar os mais eufóricos. Defesas de Felipe e a expulsão de Paulo Isidoro também renderam comemorações, menores.

Mas lá, diferentemente do restante do estádio, a bola rolando não é o único atrativo. Para os mais assanhados, há a presença de belas recepcionistas e cerveja gelada, com álcool. Sim, embora seja proibida a comercialização de bebidas alcoólicas nas lanchonetes de estádios em São Paulo, para os camarotes há uma exceção.

Amendoim o torcedor não encontra, mas no espaço vip há "nut" (definição em inglês para nozes). Os saquinhos de "nuts" dividem espaço com petiscos como o mini tartelete de ricota com espinafre ou ainda uma trouxinha de berinjela, abobrinha e tomate seco. O famoso sanduíche de pernil, presente nos arredores de estádios, não tem lugar nessa mesa.

"A diferença aqui é a hospitalidade, o conforto e até o glamour. O público é diferente, vem para falar de negócios. E dá para se relacionar melhor com as pessoas", compara Robson Cristóvão, de 33 anos. Mas, para torcer, esse corintiano prefere a arquibancada mesmo. "Sempre vou aos jogos e de arquibancada, embaixo da bandeira. A emoção lá é diferente.

"Para todos aproveitarem a estrutura, porém, outros não conseguem ver a partida. Garçons, copeiras e responsáveis pela comida também correm, mas para servir os convidados. E alimentam a curiosidade pelo jogo com espiadas no telão.

"As pessoas ficam na frente, então não dá para ver nada do campo, mas consigo acompanhar alguma coisa pelo telão", explica Jéferson Navarro, 19 anos, e um dos quatro responsáveis por distribuir as bebidas. Ele, contudo, vê o suficiente para fazer sua análise. "O Corinthians ganhou e é o que importa, mas poderia ter feito mais gols."

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quinta-feira, abril 03, 2008

EU NÃO SOU; TU ÉS; E OS OUTROS?


Sobra frouxidão, falta resolução

Uma análise da situação da nossa arbitragem e outras coisas mais

Uma análise da situação da nossa arbitragem nos conduz a caminhos que, se a impressão não nos trai fatalmente nos levarão a dar de cara com problemas de diferentes naturezas.

Primeiro são os problemas intrinsecamente ligados à falta de estrutura da CEAF, que não tem condições para dotar o nosso quadro de árbitros e assistentes de uma preparação condizente com as atuais exigências da profissão.

A seguir vem a falta de uma atitude firme do comando da própria CEAF, que não transfere para seus comandados a confiança indispensável para que eles se sintam prestigiados e seguros.

Segue-se a fragilidade da representação do órgão que congrega a categoria, o SINDARF-CE – Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado do Ceará, que nem consegue unir a categoria para fortalecê-la politicamente, nem mobilizá-la em torno das reivindicações que se fazem necessárias.

Nesta espécie de féretro, compõe o cortejo a LIGAFFI (Liga dos Árbitros de Futebol de Fortaleza e Interior) como adversária política do SINDARF – CE. Isso finda por enfraquecer a categoria, criando espaços para uma retórica acromática como a utilizada por Dacildo Mourão em seu discurso contra Marcos Brasil, proferido em 16/07/2004.

Enquanto isso, a Federação Cearense de Futebol (FCF) age doutrinariamente tal qual o MST (Movimento dos Sem Terra), e segue abocanhando não só as taxas e sobretaxas, mas também a fama, o status e o poder arrevesado. Tanto que, não só a obtusidade do torcedor, mas também a de alguns cronistas faz menção à ‘ceaf da federação’, ao ‘tjd da federação’, e assim por diante.

Mas é preciso que dirijamos algumas palavras também a torcedores por excelência e a radialistas-torcedores, para adverti-los quanto ao aspecto humano e passível a erro de árbitros e assistentes. Matizar os indefectíveis erros de arbitragem com as cores das bandeiras dos clubes é no mínimo leviano. A construção de uma falsa premissa que atribui importância vital ao clube para o qual a pessoa torce, para desqualificá-la ou impedi-la, constitui uma atitude protofascista a que se há de deplorar.

Temos percebido tomando corpo um discurso cínico de quem não tem convicção de que está certo. Ele dá conta de que, quem pertence ao meio futebolístico teve e tem um clube pelo qual torce, como se isso fosse o mais importante. Ora, se o fato de torcer por um clube me idiotiza e me imbeciliza, a ponto de eu não mais conseguir viver sob a égide da razão, estarei diante de um sério dilema, para o qual só há duas saídas: ou deixo de torcer ou largo a minha profissão.

Ninguém é obrigado a acreditar, mas como não sou melhor que ninguém e pude abstrair de minha condição de analista a minha condição antes prevalecente de espectador-torcedor, porque outros tantos não têm capacidade para também fazê-lo? Não creio que suas condições de primeiro torcedores e depois espectadores os faz assim tão diferentes e passionais. É tudo uma questão de autodisciplina.

Ademais, o que eu ganharia defendendo com parcialidade e sectarismo clube A ou clube B? No que me beneficiaria o embotamento da minha mente? Se não sou candidato a dotações corruptas, a integrar ‘esquemas’, a vender minha alma, a ser marionete de cartola, o que quereria eu para mim cultivando e privilegiando uma condição de torcedor?

Avoco-me somente o direito de ter preferências pontuais, porque haverá momento que, para minha condição de analista, será lícito, inteligente e construtivo torcer por A; noutro, mais apropriado será torcer por B; porém, casos haverá que o interesse nem de A, nem de B, nem de C coincidirá com os melhores interesses do cronista.

Desindexar-me da condição de torcedor sectário foi para mim tarefa relativamente fácil. Afinal, o futebol é uma prática ancestralmente recentíssima; já minha relação com ele invoca certo atavismo. Trocando em miúdos: antes de ter sido torcedor, fui e sou espectador. Além disto, represento preferentemente meus interesses, os interesses de minha família, os interesses sociais da sociedade a que pertenço, os mais elevados interesses da comunicação social para só depois –- aí sim – representar os interesses desse ou daquele clube. Como vêem, jamais fui modelo de torcedor. Fui criado indo a jogos como quem vai ao teatro, ao cinema ou a qualquer espetáculo em que a boa educação estivesse presente. Que culpa tenho eu?

Se fizer bem a determinadas figuras da crônica esportiva dividir comigo e com outros mais, aquilo que eles carregam e que os faz sentirem-se incomodados, apequenados e em erro, não tem problema. Afinal, conheço a lógica desse tipo de pensamento, que não é outra senão a de que “o outro não é melhor que eu”. (Ledo engano!)



TÁTICA PARA QUEM DELA APRECIA

Três atacantes é novidade só no Brasil

Eugenio Goussinsky


O técnico Cuca, do Botafogo-RJ, é um dos poucos no Brasil a compreender que o sistema 4-3-3 não necessariamente é arcaico. Contra o Fluminense ele utilizou três atacantes, observando, após a partida, que não fez isso apenas porque enfrentava um rival que não atuava com seus titulares. O time de Cuca venceu por 3 a 1 e o treinador garantiu que utilizará esse esquema sempre que necessário. Sem dogmas.
A Eurocopa de 2008, por exemplo, promete ter no 4-3-3 uma espécie de “revival” das melhores épocas do futebol brasileiro. E justamente no Brasil tal sistema está sendo colocado como “coisa de ingênuo”.

Holanda, Portugal, Itália e Espanha, utilizam como base um tripé de atacantes. Na Holanda isso se tornou marca. Desta vez a equipe laranja deverá iniciar seus jogos com um poderio ofensivo invejável, formado por Van Persie, Van Nistelrooy e Robben. Os volantes que se virem para recuar e marcá-los.

A Itália, que muitas vezes foi injustamente estigmatizada por atuar apenas com o “catennaccio”, sua retranca famosa, também tem como expediente a utilização de três atacantes, no caso Di Natali, Inzaghi e Toni.

Portugal, do antes retranqueiro Felipão, não fica para trás. Com Cristiano Ronaldo, Postiga e Hugo Almeida na frente, pode dar o que falar. O mesmo vale para a Espanha, que desde o Mundial de 2006 vem ousando com seu trio ofensivo, formado por Raúl, Fernando Torres e David Villa.

Enquanto isso, aqui nos campeonatos regionais, alguns técnicos e jornalistas consideram um atentado à razão a utilização de esquema “tão ousado.” Como se tudo na história tivesse como núcleo o nosso país tropical, desde o Iluminismo no pensamento até o Impressionismo nas artes, passando pelo Renascimento, pelo Realismo e pelo Romantismo.

Essa gama de opções, que deveria pautar o futebol, chegou aqui, tempos depois da Europa.

No caso do futebol, ocorre o contrário. Embelezamos o jogo com intuição e ousadia para oferecermos nossos segredos táticos àqueles que nos invejavam. E depois, caímos no conto do vigário, abrindo mão desses esquemas em função deles, que se diziam defensivistas. E por não sairmos desse aprisionamento mental, mantendo - com raras exceções como Cuca - sempre enraizados dogmas preconceituosos, o futebol brasileiro, tão criativo, permanece na Idade Média em termos de idéias.

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terça-feira, abril 01, 2008

ALVÍSSARAS PARA QUEM TEM JUÍZO



O surgimento de uma nova liderança

Addler Pinheiro Gomes

Nada de canal ou kanal; nada de karniça ou bostaleza

Temos feito algumas críticas construtivas ao dirigente Addler Pinheiro. Entre elas, a atitude piegas para com o seu time de coração tem sido a mais cáustica.

Esse processo retórico de vitimização dos nossos clubes por parte de seus torcedores e dirigentes, de maneira alguma condiz com a realidade dos fatos. Que há da parte de alguns um comportamento tendencioso, isso se sabe. Porém, nada que possa tornar tanto Ceará como Fortaleza vítimas de conspirações incontroláveis e extremamente prejudiciais aos dois clubes.

Essa mania de perseguição tem virado paranóia para um grande número de torcedores, incluindo-se aí também um grande número de dirigentes.

Adler parece estar passando por um processo de amadurecimento. Tem deixado um tanto de lado a facilidade do discurso demagógico e populesco, mostrando-se mais cioso de sua responsabilidade como cidadão e para com sua vereada (ou vereança).

Outra atitude de Addler Pinheiro digna de encômio, foi vir a público para sustentar que a campanha do sócio-torcedor, conforme vínhamos advertindo há tempos, causaria sérios problemas para os nossos dois maiores clubes.

Felizmente o Fortaleza já descobriu o óbvio. Ainda falta o Ceará.

Que suas atitudes, Adler, continuem inspirando a muitos, como podemos ver através dessas figuras-recortes (acima) pinçadas da página da web da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), da qual você já fez parte.

Parabéns, Addler Pinheiro!



Duas no cravo; duas na ferradura

"Dirigente omisso é como marido mau amante de mulher mal amada." (Alusão à gestão de Eugênio Rabelo como Presidente do Ceará Sporting Club)


Torcedor-presidente ou Presidente-torcedor?
(Referência ao atual Presidente do Ceará, Evandro Leitão)

Dizíamos que além da condição de neófito, o ex-presidente do Ceará Sporting, Eugênio Rabelo, não tinha visão para a gestão do futebol, por não enxergar e menos ainda compreender e aceitar as peculiaridades do meio. Some-se a esta enorme carga negativa a sua quase completa omissão, deixando o clube a deriva.

Com a ascensão de Evandro Leitão à presidência, o quase mitológico Dimas Filgueiras volta a cena; o Alvinegro começa a ser 'repovoado'; os atletas alvinegros se sentem prestigiados e o rendimento da equipe em campo registra significativa subida de produção. Bingo! Ponto para Evandro; dez para Dimas.

Evandro anuncia novo modelo de gestão, que pode não ser a última palavra em termos de modernidade, mas, sem dúvida, representa um momento diferente para melhor na vida do clube. Mais um ponto para Leitão.

Um 'senão' e uma atitude recidiva tira-lhe um ponto e meio. Saldo positivo de meio ponto.

O senão é a continuidade da ligação do clube com integrantes -- na ativa -- da crônica esportiva. Seguramente, isso não soa bem. Não é ético. Por isso, - 0,5.

A atitude recidiva foi ter ido a uma reunião na sede da FCF, para buscar uma solução para o impasse das semifinais, tendo uma posição definida a priori e não aceitando reconsiderá-la.

Ao ser entrevistado a caminho, mordeu a isca da provocação tipicamente jornalística, declarando o voto, firmando posição de intolerância, e jogando para a platéia.

Melhor para o futebol que o torcedor Evandro tenha sido contido em sua arrogância e vaidade, para que ao dirigente Leitão pudesse ser dada nova oportunidade para repensar sua postura.

Esquecer a parte do passado que o incita a repetir-se em atitudes revanchistas, indubitavelmente constitui postura mais consentânea com a respeitabilidade do cargo de Evandro Leitão.

Que nossos dirigentes sejam mais autênticos.


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Bate-pronto com direito a detalhes



Observem nosso atraso

Enquanto o torcedor fortalezense paga preços relativamente caros -- esse relativamente não é adorno linguístico não -- pelos preços dos ingressos para os jogos em nossas estádios, o torcedor corintiano para se deslocar até o bem cuidado Morumbi, dispõe de nove -- é isso mesmo, nove -- postos para compra de ingressos antecipados.

Além disto, nos setores amarelo e laranja das arquibancadas superiores (veja o mapa acima), ele paga apenas R$10 pela inteira e R$5 pela meia-entrada.

Nos setores de arquibancadas superiores azul ou vermelha em que ele paga R$15, a meia entrada é arredondada para baixo, custando R$7 e não R$7,50.

E pensar que fui aluno da 1ª turma do curso de Promoção de Eventos Culturais, do Instituto Dragão do Mar, e não vejo nossa gente do futebol ter sequer iniciativas audidatas para aprenderem a valorizar o cliente-torcedor.


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segunda-feira, março 31, 2008

Da crítica à sugestão para solucionar o problema



Mais uma polêmica no futebol mais político do planeta

Todos querem levar vantagem; jogar pra galera é uma prática comum em um futebol que vive de aparências e não da realidade

Servir a todos os senhores das mais diferentes crenças parece ter sido a escolha de um futebol que perdeu muito da capacidade de dialogar, discutir de modo inteligente, e de encontrar soluções negociadas para seus problemas e conflitos de interesses.

Com a proximidade da semifinal do 2º turno, outra vez estamos diante de um conflito que não se resolverá sem produzir sequelas. O Fortaleza quer jogar na segunda, 7, condição que o Ferroviário diz não aceitar.

Do ponto de vista alvinegro, o sábado, 5, não é bem recebido porque vai ajudar a resolver um problema que, pela ótica alvinegra, é somente do maior rival.

A possibilidade de uma rodada dupla é ainda mais difícil, já que envolve uma negociação muito mais complexa, em que a Polícia Militar certamente alegará que não tem condição de dar segurança. E a questão das cotas dos clubes, como ficaria? Difícil, não!

À primeira vista, manda o bom-senso que os jogos sejam realizados no sábado,5, e no domingo, 6, obedecendo-se o intervalo mínimo de 44 horas entre as partidas de um mesmo clube. Logo, a partida entre Fortaleza (4º) x Ferroviário (1º) deveria ser marcada para o domingo em razão do que está previsto no Artigo 35 do Regulamento da Competição, que tem a seguinte redação:

"Art. 35 - O Clube que estiver participando de Campeonato, Copa ou Torneio patrocinado pela CBF, paralelamente à disputa do Campeonato Cearense de Futebol Profissional da 1ª Divisão de 2008, terá direito à antecipação ou ao adiamento de partidas programadas, a fim de compatibilizar sua participação com intervalo não inferior a quarenta e quatro (44) horas entre seus jogos."

Como se vê, se todos cederem um pouco não há porque nos engolfarmos em mais uma polêmica interminável.

Esperamos que a Federação Cearense de Futebol não se omita do papel de administradora do futebol, e que possa convencer os quatro clubes envolvidos do que é melhor para o futebol em nosso estado.


Editoria NAAREA.com

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domingo, março 30, 2008

CBF mostra lucro quando deveria exibir prejuizo

Entidade exibe lucro artificial

Poderíamos postar matéria dos pricipais veículos de comunicação sobre o tema. Preferimos não fazê-lo. A primazia na abordagem da questão decidimos dar ao próprio blog, o que nos parece coincidir com a preferência dos nossos leitores.

De fato, uma entidade como a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não deveria ser deficitária. Contudo, em sendo superavitária deveria reinvestir a maior parte de seu lucro em iniciativas que visassem a desenvolver novas categorias de competições e a dar maior assistência às Séries B e C.

É inconcebível que a entidade mater de administração do futebol brasileiro tenha fechado o exercício de 2006 no vermelho. Pior ainda foi ter que lançar mão de adiantamento de recursos do exercício 2008 para não fechar 2007 novamente no vermelho.

A 'maquiagem' foi conseguida com o aporte de R$14,3 milhões aos cofres daquela entidade, dinheiro esse cuja origem foi Traffic, Nike e Sports Events Company. Além da ajuda dos parceiros, a CBF reduziu em cerca de 50% sua despesa com o futebol profissional.

Está aí o retrato do futebol brasileiro. Nada mais significativo que visualizarmos a entidade que o dirige.


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Falta visão aos dirigentes de clubes


Deve ser melhor o muito de poucos

1.500 pessoas x R$15,00 = R$22.500,00;
2.250 pessoas x R$10,00 = R$22.500,00.

À primeira vista o simplório cálculo acima parece representar igualdade. Mas não, não representa. Colocar 750 pessoas a mais em um estádio como o Alcides Santos representa formar o hábito de ir aos estádios em um número maior de pessoas. Significa agregar novos clientes, mais consumidores.

A promoção de um evento como o futebol deve levar em conta a satisfação do cliente. Isso inclui boas condições de conforto, atendimento, limpeza, higiene, locomoção, estacionamento, segurança, entre outros.

Há muito que não vemos ações de marketing e promoções voltadas para o estímulo da ida do torcedor às praças esportivas. Será que a omissão dos dirigentes se deve à crença de que o ‘produto’ que eles vendem de fato é ruim? Ou, quem sabe, seja pela falta de estrutura destes departamentos.

A verdade é que o foco de toda administração dos clubes de futebol do nosso estado é voltado para o time, para contratações, para o departamento de futebol profissional. Quando se pensa na captação de recursos a primeira imagem que vem à mente dos dirigentes é a da benemerência (esmola, mesmo).

Essa atitude de mendigar formou o mau hábito da acomodação, fazendo com que os clubes deixassem de praticar o exercício da atividade produtiva. De sorte que até suas campanhas de sócio-torcedor estão contaminadas pela premente necessidade da obtenção de fluxo de caixa.

Sem contar que os recursos oriundos dessas promoções equivalem a antecipação de receita, o que lembra muito o velho desconto de duplicatas. Com uma diferença: os juros do desconto de títulos são incomparavelmente menores do que a perda de receita destas malfadadas campanhas.

Já há algum tempo que vimos advertindo para esse equívoco elementar que vem sendo praticado pelos idealizadores dessas promoções. Como podemos considerar aceitável uma campanha que tira dinheiro dos clubes, ao invés de lhes propiciar uma receita adicional?



Sobre a violência de alguns setores da Gaviões


Pode ir de roxo?
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Autor: André Rizek
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Perfil: Jornalista, 32 anos, desconfiado. Repórter especial da revista Placar e comentarista do SPORTV. "Vida pregressa": Ex-editor especial de Playboy (bons tempos...), repórter da Veja, repórter de esporte do Jornal da Tarde e do Lance!, editor de esportes do Último Segundo.
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Corintianos me procuraram nesta sexta-feira perguntando “se pode ir de roxo” ao jogo domingo, no “dia do roxo”, nova campanha de marketing do clube que inclui um novo terceiro uniforme e até um ônibus roxo para levar o time.
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Como se sabe, os muros (roxos) do Parque São Jorge foram pichados em sinal de protesto por alguns torcedores, que não gostaram da cor.
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A Gaviões da Fiel é contra o uso do roxo.
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Natural que tenha muita gente com medo de sofrer represálias caso vá vestindo a nova camisa 3 corintiana ao jogo com o Marília. O inofensivo futebol virou um programa de risco.
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Não quero discutir a iniciativa do clube. É ação de marketing e deixo isso para quem entende da matéria. Mas é sinal dos tempos as pessoas terem medo de apanhar -- para falar o português bem claro -- ou sofrer constrangimentos no estádio caso queiram aderir.
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Conversei com Eduardo Ferreira, que é assessor de imprensa dos Gaviões e sempre foi muito profissional com este repórter. Eduardo diz que, mesmo que a torcida faça protestos contra o roxo, eles não serão endereçados a quem quiser usar a nova camisa.
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É a palavra oficial da Gaviões e está exposta aqui no blog.
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Mas o conselho que dou a quem pergunta “se pode ir de roxo” é triste. “Eu, no seu lugar, evitaria por enquanto”.
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Dói falar isso. É decretar a vitória do medo, a derrota dos bons. Chega a ser ridículo. Como é ridículo aconselhar as pessoas a não usar a camisa de seu time em dia de clássico.
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Infelizmente, o Brasil é um fracasso retumbante no combate à violência. Já que os governos não fazem sua parte, o coitado do pagador de imposto tem de passar por situações patéticas como esta: usar ou não usar uma simples camisa em jogo de futebol.
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É ridículo. Mas é sério. Isso é São Paulo. Isso é Brasil.
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sábado, março 29, 2008

Tática vale para quem a conhece e sabe usá-la

Conceitos táticos, modelos de jogo e Wanderley Luxemburgo...

Rodrigo Azevedo Leitão
Cidade do Futebol

Diversos autores, pesquisadores, especialistas e treinadores (especialmente os europeus) conceituam três tipos de ataques possíveis em uma partida de futebol:

1) O ataque posicional (ou posicionado);
2) O ataque rápido;
3) O contra-ataque.

O ataque posicional é um tipo de dinâmica ofensiva em que se busca primeiro melhor posicionamento e distribuição geométrica em campo – onde a posse de bola através dos passes horizontais (para o lado) acaba sendo parte importante da estratégia do jogo – para então, efetivamente construir situações que possibilitem chegar a meta adversária.
O ataque rápido se caracteriza pela progressão rápida no campo de jogo, rumo a meta adversária – onde os passes verticais são predominantes – quando a equipe adversária já atingiu organização defensiva (ou numérica ou geométrica).

O contra-ataque é um tipo de dinâmica ofensiva que se caracteriza pela imediata progressão a meta ofensiva a partir da interrupção do ataque adversário, quando ele não conseguiu ainda estabelecer equilíbrio defensivo.

Cada um desses ataques pode se transformar ao longo do seu percurso. Então um contra-ataque ou um ataque rápido podem se transformar em um ataque posicional, e esse, em um ataque rápido por exemplo.

O fato é que cada uma dessas dinâmicas ocorre em freqüência, de acordo com a lógica do jogo, mas podem, a partir dos treinamentos e do modelo de jogo adotado por uma equipe alterar-se sensivelmente.

Três momentos indissociáveis caracterizam o jogo de futebol; o atacar, o defender e as transições (ataque-defesa e defesa-ataque). Tradicionalmente há um grupo de treinadores que revelam a todo tempo suas preocupações com o defender; alguns outros com o atacar, mas poucos com as transições.

José Mourinho e Arsene Wenger (livro José Mourinho Vencedor Nato; revista Soccer Coaching Dez/Jan 2008) apontam respectivamente que as “transições” são os momentos mais importantes e decisivos dos jogos de futebol, e que está nelas o poder do jogo.

Como é no poder para dominar o adversário e no ganhar o jogo (dentro das regras do jogo) que se estabelecem os objetivos de treinadores e equipes, façamos uma reflexão sobre as tais transições.

Conceitualmente temos dois tipos de transição no jogo de futebol (um grupo de pesquisadores defende a existência de quatro – mas isso é discussão para outro momento): a transição ofensiva e a transição defensiva.A transição ofensiva é o momento (ou conjunto de momentos), a ponte inseparável e não fragmentável entre equilíbrio defensivo e equilíbrio ofensivo (entre o estar a defender e o estar a atacar). A transição defensiva é o momento que caracteriza a mudança do estar a atacar para o defender.

Em geral os gols no futebol ocorrem em grande parte a partir de jogadas estratégicas de bola parada ou de transições ofensivas eficientes.

Existem equipes, especialmente na Inglaterra que jogam com objetivo claro de fazer mais rápidas e funcionais suas transições ofensivas quando confrontadas as transições defensivas adversárias. Quando duas equipes com esse tipo de característica em seus modelos de jogo se enfrentam, a partida torna-se um competitivo confronto entre transições defensivas e ofensivas; e levam vantagem aquelas que as fazem mais rapidamente, em maior velocidade (e menor tempo).
Não se deve confundir tipos de ataque (rápido, posicional ou contra-ataque) com transição ofensiva, pois ela é a estratégia anterior a esses eventos (a tal ponto que alguns especialistas e pesquisadores também defendem que a transições ofensivas e defensivas se confundem, e se convergem em uma coisa só – assunto também para outro momento).

O fato porém que deve ser apreciado e receber grande importância, é o de que independente de quais conceitos se defenda, uma equipe de futebol precisa ter um modelo de jogo bem definido, e isso significa, de alguma forma considerar, respeitar, entender e agir conhecendo a lógica do jogo, os princípios de ação e os princípios do jogo.

Quando uma equipe tem em seu modelo de jogo características que lhe trazem vantagem ao confrontá-las com as do adversário, basta a ela executar com precisão aquilo que já lhe é peculiar. Quando o modelo encontra no adversário uma oposição espelhada, que se encaixe de forma equilibrada e não vantajosa para ambos, ou cria-se um “contra-sistema” para surpreender o oponente, minimizando suas potencialidades e amplificando seus defeitos, ou se aposta que a eficiência do próprio modelo será capaz em algum momento de levar vantagem.

No Brasil, não é coincidência que o treinador Wanderley Luxemburgo tenha obtido (e continue obtendo) êxito, na organização de equipes competitivas e vencedoras. Ainda que pese todo aparato extra campo, que o auxilia na composição de suas equipes, aponto aqui que dentro de campo o treinador tem um modelo de jogo bem definido, com estratégias que deixam suas equipes muito bem preparadas para diferentes circunstâncias do jogo.

Independente de estar mais ou menos direcionado a essa ou aquela variável da lógica do jogo, o treinador brasileiro tem bem estruturado a geometria e as dinâmicas que solidificam seu modelo de jogo.

É muito prazeroso apreciar a forte transição defensiva do Palmeiras (equipe que o treinador dirige no início de 2008). Perda da bola ou ações inimigas pelas laterais; intensa e forte marcação para interromper a progressão adversária. Oponente tentando avançar pelo meio; estrutura que fecha os espaços e induz o adversário a começar o jogo (recuar a bola). Goleiro adversário pronto para iniciar um contra-ataque; atacante que se posiciona para retardar a reposição de bola. O balanço defensivo no escanteio de ataque é uma questão de matemática? Lá vai o modelo de jogo do treinador mostrar que é também uma questão geométrica e não só de números.

Em um jogo do Campeonato Paulista de 2008 tivemos um exemplo interessante e simples sobre a idéia de uma estratégia dentro de um modelo de jogo bem definido que fora colocada à prova. A equipe do Palmeiras trouxe como opção de jogo a formação de um grande losango para seu balanço defensivo nos seus escanteios de ataque. O aparente problema surgiu quando a equipe adversária (o Paulista de Jundiaí) na mesma situação posicionou três jogadores nas linhas de ataque (para conduzir um possível contra-ataque) e um jogador na 2ª bola (na meia-lua).

Se por um lado, para a equipe do Paulista, o modelo sugeria uma possível vantagem em uma situação de contra-ataque, por outro para a equipe do Palmeiras sugeria uma possível vantagem na disputa pela bola dentro da grande área. As duas equipes acreditaram no seu modelo inicial de jogo até o 3º escanteio a favor do Palmeiras. Com uma estratégia melhor definida para seu modelo de jogo o Palmeiras manteve sua proposta inicial; o Paulista recuou um jogador para dentro da grande área.

Poderia talvez o treinador palmeirense recuar mais um jogador para fazer a “sobra” defensiva. E quase como em um jogo de xadrez ele teve a sua “sobra” sem necessitar alterar em nada sua proposta inicial (já que o seu adversário acabara por abrir mão da sua estrutura matriz).

Muitos “especialistas” acreditam que modelo de jogo, ataque, defesa, transições e outros tantos conceitos e variáveis presentes em um jogo de futebol são “perfumaria”, “enfeites”; são bonitos mas não marcam gol, nem ganham jogo. Outros, se afundam em sua ignorância e nem fazem idéia do sem número de conteúdos que podem estruturar um jogo.

Tanto um quanto o outro acabam por colaborar pouco para o desenvolvimento crítico de torcedores, dirigentes e novos “especialistas”.

Porém, é claro, muitas vezes é mais fácil elucubrar no mundo das coincidências e dos achismos do que conhecer a fundo aquilo se fala.

Então, como cantaria Zeca Baleiro, “quando o homem inventou a roda logo Deus inventou o freio, um dia, um feio inventou a moda, e toda roda amou o feio”...





Os desafios dos novos gestores do Ceará Sporting

Ceará anuncia novo modelo de gestão


O desafio que os dirigentes alvinegros têm pela frente é imenso. Como se não bastasse terem que gerir uma situação que beira o caos, eles ainda terão que criar as pré-condições para que dentro do campo a equipe possa corresponder aos anseios dos torcedores.
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Entedemos que esse primeiro momento é de fato de pensar e trabalhar para prover o clube de uma estrutura mínima em seus mais elementares departamentos.
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Embora em regra o torcedor não valorize o investimento em estrutura e logística, isso não deve de maneira alguma arrefecer o ânimo e menos ainda a convicção desta nova classe dirigente.
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O outro desafio que Evandro Leitão tem pela frente, é o de se portar como um lídimo representante do capital intelectual. E, neste sentido, nós que temos o entendimento lógico de que as idéias são antecessoras do capital financeiro, sempre acreditamos no poder do capital intelectual, enxergando-o como o principal elemento possibilitador da captação de recursos de toda ordem.
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Logo, não há como torcermos pelo fracasso de Evandro, pois isso representaria, até certo ponto, o malogro de uma experiência que tem tudo para dar certo.
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Queremos ver malograda - aí sim - é a idéia de nos ver a todos reféns de uma situação que só era boa para alguns babões que costumam vender-se.
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E o pior é que essa canalha costuma posar de alvinegros.
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Viajando com as sugestões

Boa idéia 'made in' Uruguai



Enquanto por aqui (em Fortaleza-CE) o preço mínimo para espetáculos de baixo nível técnico é de R$15, em Montevidéu, no Estádio Centenário, para ficar em dependências incomparavelmente melhores que as do PV e Castelão - isso pra falarmos dos nossos melhores - o desembolso equivale a tão-somente R$8,50.

Não é por acaso que o Cearense/2008 vai registrando uma das mais baixas presenças de público da história. E se fizermos essa análise de maneira apropriada - não considerando a média geral que nos leva a equívoco - aí sim é que os números assustam e preocupam.

O Brasileirão vem aí, e o pior é que se nada for feito para que o torcedor cearense vá ao Castelão, certamente estaremos diante de novo fiasco.



terça-feira, março 25, 2008

"Com Pé e Cabeça 118", a coluna do Benê Lima

”O futebol cearense existe, e precisa ser reinventado!” (Benê Lima)

Opinião
A DESAVERGONHADA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


O gestor público, em sua maioria, já nem ruboriza diante de certos descalabros promovidos por uma gestão pública indiferente aos desafios e praticada por verdadeiros amoucos

A administração pública, através de seus representantes, vem progressivamente incorporando as lições do que há de pior no maquiavelismo. Não que esses representantes dêem-se ao trabalho de estudar os pensadores, os filósofos. Na verdade, eles apenas reproduzem o comportamento de suas lideranças políticas, mediante a disposição para assumirem um mimetismo idiota e aviltante.

Despersuadidos e ‘despersonalizados’, os apaniguados do poder conformam-se com o desprestígio de cargos esvaziados pela desídia e pela devassidão que vem acompanhando os governos – se bem que em graus variados.

Sob o domínio do contexto descrito, vemos um segundo escalão que pede a bênção dos superiores hierárquicos e um terceiro nível que se põe genuflexo ao segundo. Portanto, como podemos nutrir uma expectativa reivindicatória por parte de secretarias e ouvidorias que só sabem dizer ‘amém’?

Para quem não sabe, a situação da administração do Estádio Governador Plácido Aderaldo Castelo é caótica. Só não vamos descer a minudências para preservar quem menos tem culpa: seu administrador. E por quê? Porque administrar o Castelão é administrar o caos. Fazer o quê, sem recursos, sem autonomia suficiente? Nada, a não ser dar a cara pra bater.

O gigante que virou elefante branco pelo descaso das sucessivas administrações públicas, é um exemplo flagrante e dos mais eloqüentes da miopia governamental. Ou não é aquela praça esportiva um dos cartões postais da cidade de Fortaleza? Por que, então, não tratá-la pelo que representa?

Um outro aspecto digno de repúdio e reprovação – esse umbilicalmente ligado a nossa (in)cultura -, diz respeito à verdadeira segregação que vem sendo praticada no Castelão contra a crônica esportiva, justo uma categoria que precisaria ser respeitada para aprender a respeitar-se. Os membros da crônica, em regra, principalmente os menos aquinhoados, são tratados como cidadãos de terceira categoria. A cada evento ali realizado se instituem novas regras, novos impedimentos. Melhorias, nenhuma! Facilidades, para quê?

Secretário que não tem tempo para aprender e que não é animado pela vontade política do fazer abundantemente e adequadamente, definitivamente está em posição equivocada. A visão do titular de uma secretaria de estado ou de município deve ter a mesma grandeza, analogamente falando, da extensão geográfica da área representada. Que se deixe de lado, pois, a visão estreita do paroxismo, as ações sub-reptícias – se forem o caso -, e outras práticas inspiradas pela deturpação dos valores.

De outra parte, as pessoas precisam entender que não há discurso - por mais encomiástico e retórico – que sustente a incompetência, a omissão, a ausência de vontade política e a falta de autêntico compromisso.

Que as pessoas readquiram a capacidade de envergonharem-se do que fazem de errado e do que não fazem por absoluta desídia, Assim, ganharemos todos.

* * *



EFEMÉRIDES

Vale controvérsia
Até que ponto podemos considerar ético a um radialista que emite opinião na área esportiva, no exercício de sua profissão assumir um cargo em um clube sobre o qual deverá opinar? Sinceramente, não vejo como podem ser conciliados os interesses do veículo de comunicação e os da entidade de prática desportiva. A não ser através da existência de uma relação promíscua e incestuosa. Em todo caso, como o ambiente do futebol cearense tem sido indutor de criações quasimodescas, nenhuma surpresa nos causa mais essa.

Coisa mais feia
Os microfones das emissoras de rádio são de uma flexibilidade que beira o dantesco. Em vez do debate de idéias, o que mais se coloca é a baixaria dos insultos injustificáveis, de acusações levianas, irresponsáveis e no mais das vezes injuriosas. Apesar de estar incomodado tão-somente pelos companheiros vitimados, quero lembrar aos detratodores - que também parecem ser gente de bem – que rebater uma crítica através de argumentos sem nenhuma qualificação é demonstração plausível de preconceito e de deformação do caráter. Outra: que os ouvidos dos ouvintes não são repositório de excrementos. Lamentamos ter ouvido tais impropérios de dois grandes nomes da nossa crônica. Que reflitam um pouco mais sobre o papel da comunicação social, e, acima de tudo, quanto ao que ambos representam. Tomem tento, gente!


Kramer vs Kramer
Estive fora por mais de uma década. Se não lembro Carlos Kramer não dá para passar despercebida a ótima performance de Kramer Filho. É verdade que Kramer e o saudoso Paulo César Carioca são estilos distintos. Mas, enquanto este ajudou a fundar uma das escolas da radiofonia cearense, aquele vai descobrindo uma vocação itinerante e um estilo próprio, fruto de uma meritória busca pessoal. A verdade é que enxergamos Kramer Filho muito mais adaptado ao estilo ‘cbneano’ da O Povo/CBN, onde, aliás, se faz bom jornalismo esportivo.

Karam vs Karam
O estilo Karam, marcante, às vezes até meio viperino, outras causticante, e no mais das vezes crítico, é imprescindível como um dos elementos indutores de um processo reflexivo sobre o nosso futebol. Felizmente Karam volta ao exercício do rádio, comandando, ao lado do irmão, o seu Karam versus Karam na Cidade AM860, de segunda a sexta, das 17 às 18h.

Defesa do errado
A falta de argumentos dos que fazem a defesa do atleta Erandir só serve para o acirramento da discussão. Assistimos a uma verdadeira inversão de valores. Há os que o defendem acusando os árbitros de perseguirem-no, o que não condiz com a realidade. Na verdade, Erandir construiu para si uma imagem de atleta desleal, algumas vezes violento. Pelo visto faltou-lhe melhor formação até mesmo como atleta, coisa que Heriberto parece estar tentando corrigir. No entanto, é preciso que Erandir encontre resistências, tanto nele quanto nos outros, para que ele possa contribuir para a reorientação de sua formação como futebolista. Lamentavelmente, tanto o presidente Marcello Desidério quanto o diretor de futebol Edílson José insistem num discurso que parece referendar os erros do atleta. O que temos visto é que Erandir e Preto têm sido beneficiados pela miopia e/ou falta de coragem de alguns árbitros e assistentes. O mais não passa de retórica para se desviar o foco do problema. Mas que é visível o esforço de Erandir para jogar um pouco mais, isso tem saltado aos olhos sim.



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sexta-feira, março 21, 2008

Clarimundo chuta o pau da barraca

Entrevista com Clarimundo D’Oitiva, personagem de caráter inquieto, crítico, irônico e sarcástico que permeia o futebol cearense

BB- Clarimundo, qual a sua visão do episódio que marcou a cessão do Castelão para o treinamento do Corinthians?
CD-
Olha, o futebol tem uma lógica própria, porque envolve paixão. Ceder o Castelão para um time de fora e negar para o daqui, representa a quebra dessa lógica e por isso tal atitude representa uma afronta, tanto para Fortaleza quanto para Ceará. É o mesmo que abaixar a calça e ficar com a bunda de fora em disponibilidade.

BB- Mas não seria deselegante não permitir ao visitante um treino de reconhecimento do gramado, das condições do campo de jogo enfim?
CD-
Não, não! No futebol o acirramento da disputa vai além do que se passa dentro de campo. Uma negação acompanhada de um bom argumento e com o oferecimento de um outro campo – o PV, por exemplo – seria demonstração de boa educação.

BB- A que você atribui, então, a atitude desigual da administração do Castelão?
CD-
Eu penso que começa na nossa ancestralidade, passa pelo nosso subdesenvolvimento e se sedimenta no nosso complexo de vira-lata. Isso acaba nos tornando subservientes e provincianos. Mas o pior mesmo é imaginar que essa situação vem de quem deveria ajudar a formar nossa personalidade como cidadão e como povo.

BB- Ao episódio do qual já falamos, se seguiu um outro ligado à administração do Castelão e Polícia Militar, envolvendo a localização dos torcedores do Corinthians. Como você viu esse problema?
CD-
Ele me faz lembrar aquela velha analogia que representa o País como o corpo humano e elege um certo estado da federação como o (...) ânus. Nós, que na analogia também circundamos aquela região, estamos tentando ser o esfíncter anal, aquele que regula o tráfego intestinal. Como se não bastasse, é só ver a baixeza dos apaniguados da secretaria de esportes, que só faltaram despir a delegação corintiana.

BB- O Fortaleza é uma vítima nesses episódios?
CD-
O Fortaleza é vítima da falta de profissionalismo de sua dedicada corriola. Não basta gostar do clube para fazer ele caminhar balizado pelo profissionalismo. Para agir profissionalmente é preciso ser do ramo, estar no ramo e aprender como se colocar e como agir dentro dele ‘full time’. Da administração do Castelão, todos nós temos sido vítimas. Primeiro se faz necessário definir os termos de um contrato de aluguel do estádio, onde fique claro o que é de responsabilidade do poder público, dos clubes e da federação. Isso deve sempre levar em conta o interesse dos clubes que são o fato gerador de qualquer receita. Depois é preciso definir claramente o papel da segurança pública (entenda-se PM) e de representantes de órgãos como AMC, bem como o limite da segurança privada dos clubes. Se deve buscar uma sintonia dessas instâncias.

BB- Como você analisa a atuação da Polícia Militar.
CD-
No futebol ele (o trabalho) deixa muito a desejar. São incontáveis os incidentes que os nossos PMs demonstram despreparo. A própria corporação, através de muitos dos seus oficiais, reconhecem a situação de penúria e o descompasso entre as necessidades da população e aquilo que o aparelho policial pode oferecer. Não há verba para o básico em se tratando de policiamento em praças esportivas. A verba mal dá para o custeio. E o que é pior é que o viés político tem estado muito presente na corporação, a ponto de os mais preparados serem preteridos, se dando chance para alguns menos preparados.

BB- Dentro desse contexto de carência na PM, ainda há algo que possa ser feito?
CD-
Não tenho a menor dúvida que a operacionalização do trabalho da PM pode ser melhorado sim. Nós temos percebido que cada vez mais seus representantes – não sei se seguindo orientação do comando – se rendem à lei do menor esforço, chegando ao ponto de, numa atitude extemporânea e sem paralelo, terem causado prejuízo ao já combalido cofre do Fortaleza Esporte Clube. E não há como aceitarmos o argumento utilizado como justificativa para a ingerência praticada pela PM contra os promotores do espetáculo entre Fortaleza e Corinthians. A determinação de cima para baixo de dar destinação diversa às dependências do estádio soou como se vivêssemos um estado de sítio ou equivalente. Lastimável! Em um regime democrático a PM deve ter outro tipo de postura. Constitui um engessamento despropositado uma orientação e uma ação tão conservadora quanto a que a PM vem adotado, contribuindo para desfigurar (enfear) o espetáculo futebol. Não pode bandeiras com mastros, não pode isso, não pode aquilo... E os bandidos dentro dos estádios assaltando o torcedor, impondo marcas e praticando sob a proteção do Estado a ilegalidade da ‘cartelização’ e de preços abusivos.

BB- A ideologia política tem atrapalhado o desempenho das administrações também no futebol?
CD-
Com certeza. Quando você se define politicamente, isso provoca uma espécie de reação em cadeia. É como contar uma mentira e depois ter que inventar outras sete (que é a conta do mentiroso) pra criar relações de coerência entre elas. A visão neoliberal tem revelado ao longo do tempo que a diminuição irresponsável das atribuições do Estado tem gerado uma ‘desumanização’ dos gestores públicos, que transportam os valores da iniciativa privada sem adaptá-los às peculiaridades inerentes ao setor público. Isso tem gerado sérias frustrações a até conflitos entre as expectativas da sociedade e o desempenho governamental. No caso específico do Castelão, a administração só quer atuar nas questões que lhe dê visibilidade midiática imediata. E quanto a essa estória do administrador torcer por clube A ou B, essa é uma prerrogativa inerente a cada pessoa, mas não à pessoa do administrador no exercício de sua administração. Me dá nojo, repulsa esse tipo de conduta parcial, tendenciosa. Entendo que o mais valioso diferencial do ser humano é a boa formação de seu caráter. Dá pra desculpar um monte coisa; o mau-caratismo não dá porque não tem remédio pra ele.




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terça-feira, março 18, 2008

Com Pé e Cabeça 117, a coluna do Benê Lima

”O futebol cearense existe, e precisa ser reinventado.”

Opinião
QUEREMOS O MELHOR PARA O FUTEBOL CEARENSE

A incapacidade da maioria das pessoas de lidarem com suas paixões e/ou simpatias e preferências clubísticas, faz com que elas não consigam entender e menos ainda aceitar que exista uma minoria – mas existe - de pessoas que, por razões até mesmo inatas e também pelas adquiridas, através da educação, do treinamento e do exercício da autodisciplina, elas introjetaram – inscreveram mais que escreveram – em suas mentes os preceitos de um comportamento equânime, sustentando por um mais construtivo padrão de moralidade e de ética.

Se isso incomoda algumas pessoas, é por elas se sentirem inferiorizadas em sua conduta e por não encontrarem respaldo na unanimidade, sentindo-se, portanto, inseguras e por isso buscando criar um mimetismo que as tranqüilizem. Na verdade, se as suas condições as incomodam, não é o exercício de um discurso fascista e preconceituoso que as aliviará. A única saída honroso para elas está na aceitação dos pressupostos democráticos, aprendendo a conviver com o contraditório, com as divergências, com os diferentes, com as minorias enfim.

A explicação mais plausível para quem reluta em aceitar a ‘teoria do não-torcedor’, é a de que a natureza de nossa relação com o futebol se dá não só pela paixão exacerbada por um time, mas, antes, por nossa afinidade com tal esporte enquanto espetáculo. Não fosse assim, como justificar o comportamento de uma minoria que se comporta tipicamente como espectador e não propriamente como torcedor?

São essas personalidades mais maleáveis e adaptáveis as que melhor se coadunam com os objetivos do desporto. Entre elas também deveriam estar os cronistas esportivos, sobre os quais repousa mais do que a expectativa, o dever ético de proporcionarem bons exemplos de equanimidade, equilíbrio e justiça.

No sentido mais lato (lato sensun) todos torcem; já no sentido estrito (stricto sensu), nem todos! Isto é que precisa ser entendido. Se esta premissa não puder ser compreendida, que ao menos seja respeitada. Vale explicar ainda que, o torcer nesse sentido mais geral, significa fazê-lo de forma pontual e migratória, objetivando exatamente que os fatos corroborem nossas teses, teorias, conceitos, juízos e interesses legítimos – e tão-somente os legítimos.

Outro fator de influência sobre o pensamento maldizente dos detratores do politicamente correto, é a ‘lei da similitude’ pela qual se deixam amparar. Ou seja, se eles não são capazes de manterem um comportamento condizente com os melhores valores, tentam arrazoar no sentido de emprestarem caráter adúltero às ações de quem age de maneira diversa em relação ao consenso que pretendem implantar.

Somos sim, avessos ao modo ora subserviente ora encomiástico que tomou conta do rádio e da televisão cearense, na área esportiva – nem tanto do meio jornalístico que consegue ter maior grau de independência. Nossa repulsa se deve, principalmente, por termos a consciência de que em nada estaremos contribuindo para o desenvolvimento do nosso futebol, sem que adotemos uma atitude crítico-analítica conseqüente, responsável, madura, tempestiva, reflexiva e conclusiva. Fora disto, nosso futebol estará sempre resvalando nas areias movediças das crises gerenciais – além das existenciais, motivadas pelo culto às idiossincrasias dos nossos cartolas.

Querer o melhor para o futebol cearense representa, portanto, não sermos coniventes com os erros aqui existentes; significa não priorizarmos as amizades e o corporativismo sob nenhum pretexto em detrimento dos interesses dos nossos clubes; significa não vendermos nossa opinião; significa pensarmos os nossos clubes não pelo viés pessoal, não pelo viés de adestramento que nos queiram impor, não por interesses político-partidários, menos ainda por interesses escusos.

Aquele repensar do qual tanto temos falado é necessidade cada vez mais premente, sob pena de em não o promovendo, estarmos sempre distantes da fundação de um modelo de gestão que verdadeiramente traga progresso para o nosso futebol. Evidentemente que tal injunção passa não só pelas entidades de prática desportiva aqui existentes – notadamente nossos dois maiores clubes -, mas deve alcançar também a entidade de administração do desporto do nosso estado, a Federação Cearense de Futebol (FCF).

Já que o futebol cearense existe, pois, é preciso que cuidemos em reinventá-lo. Desde a constituição de um novo perfil para essas entidades, até a implemento de políticas, estratégias, planejamento e organização para que elas possam funcionar melhor do que o fazem.


* * *


Benê Lima
benecomentarista@yahoo.com.br
85 8898-5106, o telefone da comunicação


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