Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quinta-feira, agosto 28, 2008

MOBILIZANDO SEM IMOBILIZAR

Volks deve transportar Grêmio e Inter

GUSTAVO FRANCESCHINI
Da Máquina do Esporte, em São Paulo

Grêmio e Inter devem, em breve, ser transportados por ônibus customizados da Volkswagen, que está próxima de fechar contrato com as duas equipes. Com tudo praticamente acertado, o time do Beira-Rio já fala em um lançamento oficial na sede da montadora em São Paulo.

A idéia é que a parceria, que é realizada em forma de comodato, municie o departamento de futebol profissional a princípio, transportando, posteriormente, as categorias de base do clube. No momento, a direção do Inter trabalha no desenho da carroceria do veículo, que pode trazer alguma surpresa para o torcedor.

O mesmo não pode dizer o Grêmio, que ainda trabalha para fechar com a Volkswagen apesar de ter sido procurado primeiro. Apesar de o contrato ainda não ter sido assinado, o marketing do clube já tem um esboço do layout do ônibus, que conterá um desenho da taça do Mundial de Clubes, conquistado em 1983.

A iniciativa não é inédita no futebol brasileiro. Um projeto do tipo já está em andamento em São Paulo, com o Corinthians como parceiro. Assim como deve acontecer entre os rivais gaúchos, o clube do Parque São Jorge é transportado por um modelo especial da Volkswagen dentro da cidade de São Paulo e em distâncias curtas.

Todo o projeto do ônibus será especial, e uma carroceria exclusiva já está sendo construída na cidade de Caxias do Sul, na fábrica da MarcoPolo, umas das maiores produtoras brasileiras do ramo. O investimento da Volkswagen em cada projeto deve passar de R$ 1 mi.

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sexta-feira, agosto 15, 2008

COLUNA COM PÉ E CABEÇA - ANO IV - Nº128


OPINIÃO
Muito para ser desfeito e refeito

Todo dirigente de futebol deveria saber que ao assumir um cargo em um clube estará sujeito muito mais a críticas que a elogios. Como tal deve ele se encontrar preparado para conviver com as críticas e até mesmo para delas saber tirar proveito. Parece-me estar sendo essa a atitude de Lúcio Bonfim, presidente da executiva do Tricolor do Pici.

Embora Bonfim e seu escudeiro Edílson José - diretor de futebol e vice a um só tempo - tenham feito um esforço para se mostrarem solícitos e lhanos, sabemos que não é fácil manter o equilíbrio diante de tamanha crise e sua conseqüente pressão. Mas, louve-se a ambos pelo esforço empreendido.

Eu mesmo não tenho poupado críticas aos dois, assim como jamais contemporizei com as mazelas do ex-presidente Marcello Desidério. E é importante que eu diga isso, porque a crise de Bonfim é a crise de Desidério e afins. Pois foi pelas mãos do ex-presidente que o Fortaleza foi lançado no que podemos escolher chamar de aventura ou (quem sabe) desventura.

Nem precisamos inventariar o que já foi dito por atletas e ex-atletas ao tempo de Marcello, menos ainda há necessidade de mencionar as desavenças entre esse mesmo Marcello e seu refratário diretor de futebol, Edílson José. Também me pouparei o trabalho de elencar o que da administração Desidério já propalou Lúcio Bonfim. De sorte que, organização, planejamento e projeto, no Fortaleza real, é conto da carochinha. E de mim não se queixem, pois não sou eu quem o diz: os fatos e os próprios tricolores falam por si.

Mas o Fortaleza tem salvação. Mais que isso: o Fortaleza tem solução. Não nos ‘times’ (tempos) de Edílson e de Lúcio, não na balada de Marcello, não na ação mediocrizante de treinadores ‘genéricos’. Edílson precisa reaprender a fazer futebol; Lúcio tem de esquecer a administração pública; e Heriberto precisa aceitar o desafio de reciclar seus conhecimentos e suas atitudes. Sei que é pedir demais, mas a mudança não precisa estar balizada pela absolutização de seus valores. A relativização dos mesmos já produzirá efeitos positivos.

No Fortaleza de hoje, já não basta eficiência; também se faz necessário a eficácia. Portanto, é preciso que as atitudes sejam tomadas com acerto, e que esses acertos produzam resultados satisfatórios. Do contrário, o rebaixamento será inevitável.

A propósito de rebaixamento, após o desastre que foi a gestão de Desidério, Bonfim bem que poderia extinguir a ‘blindagem’ pelas bandas do Pici. Afinal, rebaixar certas figuras a babões sem remuneração seria uma espécie de sacrifício que se exigiria desta corja de puxa-sacos, que tanto mal têm feito ao Fortaleza Esporte Clube.

Aliás, diz um velho adágio: “Amigos e inimigos, amiúde, estão em posições trocadas: uns nos querem bem e fazem-nos o mal; outros nos querem mal e fazem-nos o bem.”

E para quem pensa e fala da causticidade de minha crítica, tenho a dizer que sempre falo menos do que consigo saber, porque só menciono o que acho que pode e deve ser dito.

E também é mediocridade não termos opinião.

Sobre o atual elenco tricolor, compreendemos a dificuldade de avaliação dos que lidam com emoções e interesses. Como não nos envolvemos fundamentalmente com nenhuma destas situações, temos facilidade em promover uma apreciação isenta da performance dos atletas. Ademais, a fundamentação teórica e o empirismo advindo da observação arguta e criteriosa nos qualifica para emitirmos opinião, e o credenciamento formal advém da nossa habilitação profissional.

Portanto, ao colocarmos de lado o passado, como também quaisquer projeções para o futuro, e nos atendo sobretudo ao presente é que identificamos com certa facilidade os pontos contraproducentes da equipe. E neste particular, aceitamos a tese da complexidade dos problemas, já que entre os jogadores de baixa produção existem alguns deles que detêm um bom potencial produtivo. Logo, há algo de putrefeito no reino do Pici.


”O futebol cearense existe, e precisa ser reinventado.” (Benê Lima)
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sábado, agosto 02, 2008

SOBRE TEORIA DOS VALORES

Amor pela camisa, uma prática em desuso

Como a identificação dos jogadores de futebol em relação aos seus clubes e às seleções dos seus países?

Marcelo Iglesias

Desde a popularização do futebol até os dias de hoje, a realidade daqueles que convivem diariamente com o esporte e para os próprios torcedores mudou bastante. Com a criação de leis que facilitaram a transferência de jogadores, com o estabelecimento de elevadas quantias de contrato e de direitos de imagem, o que antes era tratado com um certo grau de amadorismo, atualmente, é um dos negócios que mais movimenta valores no mundo.
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Tanto isso é uma realidade, que a idéia de um jogador atuar única e exclusivamente por amor à camisa do clube ou da seleção é algo que pode ser encarado como ultrapassado. “É muito romântica essa idéia de alguém que foi criado nessa nova geração do futebol ter que jogar por amor a um clube ou a uma seleção. Os atletas têm contratos a cumprir, e eles irão jogar no clube que lhes oferecer as melhores possibilidades de enriquecimento. Essa é a lógica capitalista que também invadiu o futebol”, afirmou Kátia Rubio, psicóloga e presidente da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte (Abrapesp).
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No entanto, contrário a essa tendência de busca pelo dinheiro, falou o ex-jogador argentino Diego Maradona, quando questionado sobre a ida do também argentino Lionel Messi para disputar as Olimpíadas de Pequim, e o conflito com o Barcelona que não quer liberá-lo. “A camisa da Argentina não deve ser traída. Tem que vesti-la e dar a vida por ela. Ele (Messi) precisa saber separar os milhões que recebe para jogar pelo Barcelona da glória que é vestir a camisa da Argentina”, afirmou Maradona.
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“Não existe essa questão de lealdade a um clube ou a um país para os atletas de agora. A lealdade será com aquele que pagar mais”, comentou Kátia. “Um exemplo disso é a quantidade de estrangeiros que se naturalizam em outros países para poderem jogar pelas suas seleções. As fronteiras e o nacionalismo acabaram. Essa é a tragédia do mundo globalizado”, completou a psicóloga.
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Outro aspecto que tem que ser levado em consideração é o fato de que, com o sucesso obtido por campeonatos e por clubes europeus, os organizadores dessas disputas e os dirigentes desses times sentem-se na liberdade de enfrentar instituições como a Fifa, por exemplo. Por conta disso, e para amenizar o clima entre os jogadores, os clubes e as federações e associações responsáveis pelo futebol nos países, a maior instituição da modalidade no mundo determinou recentemente que os clubes deveriam ser indenizados por cada jogo que um dos seus atletas participasse, visto que eles correm riscos de lesão, por exemplo, e diretamente não recebem nada para atuarem por seus respectivos países.
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“É notável que a facilidade que existe para a transferência de um jogador de um clube para outro torna esse sentimento de amor pelo time algo muito difícil de ser firmado. Mesmo porque, como a carreira de um jogador de futebol é muito curta, eles têm que buscar, de qualquer maneira, maximizarem as suas receitas”, afirmou Oliver Seitz, pesquisador pela Universidade de Liverpool, profissional de marketing no Coritiba e colunista da Cidade do Futebol.
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Não é preciso uma análise detalhada do futebol brasileiro, por exemplo, para percebermos que são quase nulos os casos de jogadores que são como símbolos de um clube. Um dos poucos que poderiam ser citados é o goleiro Rogério Ceni, do São Paulo. Nem mesmo nos chamados grandes clubes de massa como o Flamengo e o Corinthians existe um atleta que se encaixe nessas características de ícone da agremiação.
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“O que mudou não foi somente a questão econômica, mas também os sonhos dos jovens que estão começando”, opinou Sérgio Jorge Burihan, professor de Educação Física da Unimódulo. “Agora eles querem sair do país, fazer fortuna fora do Brasil. Isso veio de carona com a massificação e a globalização do esporte”, completou o professor.
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Indo no sentido oposto àquele defendido pelos que têm a visão romântica de que um jogador deve atuar por amor a camisa, seja ela de um clube ou de uma seleção, estão os muitos atletas brasileiros que fizeram parte da história da modalidade, mas que caíram no esquecimento. Exemplos não faltaram quando, neste ano, foram comemorados os 50 anos da conquista da primeira Copa do Mundo pelo Brasil. A penúria de alguns dos membros dessa seleção fez com que fosse encaminhado um projeto de lei para criar-se uma aposentadoria àqueles jogadores que estavam passando por necessidades, e que participaram de times que venceram copas do mundo.
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“Os brasileiros têm a memória muito curta. Do mesmo modo que o país cria bons jogadores em série, os torcedores esquecem de grandes nomes do esporte com a mesma velocidade”, lamentou Burihan. “Atualmente, a única chance de alguém atuar por um clube ou seleção por simples amor a camisa, é se estiver no final da carreira, quando as preocupações financeiras são menores”, ponderou.
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Na verdade, o que existe é uma diferença de visões. Enquanto os atletas têm que pensar no futebol como a sua carreira, em que não há espaço e nem tempo para o lado emocional, os torcedores vêem o esporte como o ponto de vazão das suas emoções, e por se deixarem levar por essa paixão, exigem que os atletas que vestem a camisa do clube ou da seleção para a qual torcem ajam da mesma maneira.
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“O jogar-se por amor é algo romântico, e o futebol também é romântico. No entanto, os jogadores tendem a ser racionais nos seus trabalhos. Por isso ocorrem esses conflitos e questionamentos quanto à postura dos atletas”, disse Seitz. “Mas há de se convir que eles não podem abrir mão de quantias gigantescas de dinheiro por motivos emocionais”, concluiu.
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A VOLTA DO 'MAGÃO' PELA ESCRITA



Defender as nossas cores




Sócrates

Basquete

Mais uma vez o nosso basquete deixará de ir a uma Olimpíada. A razão está basicamente na falta de interesse dos nossos melhores jogadores em participar do evento. Sinceramente não entendo como isso é possível. Está certo que eles disputam a maior liga do planeta, ganham milhões de dólares anualmente e, portanto, estão com a vida feita. Mas será que não existe nem um resquício de nacionalismo no sentimento de algum deles?

Afinal, não foi um ou outro que declinou de sua participação no Pré-Olímpico, e sim todos que vão participar. Enquanto atletas de outros países brigam para poder defender suas bandeiras, os nossos inventam mil e uma desculpas para escapar da empreitada.

Quando estávamos fora do Brasil – toda aquela geração que disputou a Copa do Mundo de 82 –, ficávamos ansiosos no momento das convocações para a seleção brasileira, pois em determinado período nasceu em algum meio de comunicação a filosofia de que só os jogadores que atuassem no País deveriam vestir a camisa amarela.

Foi frustrante quando isso realmente aconteceu. Não havia ali nenhuma outra razão para querermos estar presentes, a não ser o prazer de vestir nossas cores e defender o nosso país. Aquilo representava o auge de nossas carreiras e não queríamos de forma nenhuma estar distantes daquelas oportunidades.

É, talvez o mundo tenha mudado, ou os seres humanos, mas mesmo assim esse fato é absolutamente incompreensível, ainda que questões políticas estejam interferindo na relação entre atletas e confederação. Só para variar.

Eterna dança

O campeonato deste ano bate todos os recordes de troca de técnicos na história do Brasileirão por pontos corridos. Uma verdadeira tradição nacional a se intensificar a cada ano.

O mais estranho dessa constatação é o fato de parecer impossível que os gestores dos nossos times não tenham consciência de as mudanças, de modo geral, pouco ou nada contribuírem para a evolução das equipes. Em muitos casos, percebemos o absurdo da especulação sobre a volta de um treinador que deixara o clube poucas semanas antes, como aconteceu com Cuca no Botafogo após a queda de Geninho. Por sinal, o mesmo Geninho que já respondeu pela direção técnica de duas equipes este ano e muito provavelmente dobrará o número de seus contratantes.

A razão para esse entra-e-sai de treinadores se deve principalmente à incapacidade dos nossos dirigentes de enfrentar a opinião pública, quando as coisas não andam bem para seus clubes.

Para desviar a atenção de suas incapacidades administrativas, já que são eles os responsáveis pelas contratações, trocam de técnico para gerar um fato novo e, assim, criar a esperança de transformar o caos em céu de brigadeiro. Como isso nem sempre ocorre, surgem mais e mais mudanças no comando técnico, limitando ainda mais a capacidade de ir a pique de suas naus. Nau sim, pois com esse tipo de comando um transatlântico nem vai ao mar, quanto mais navegar. E, por fim, ficam a torcer pelo imponderável. Simples, não?

Opção pouco convincente

Não sou adepto da idéia de poupar jogadores em algumas partidas, por causa, pura e simplesmente, da disputa de duas competições simultâneas. A saúde física e mental dos atletas, não há dúvida, deve ser absolutamente preservada, inclusive para o rendimento dos atletas atender à expectativa de quem o contrata. Cada caso, no entanto, deve ser analisado isoladamente, sem uma política definitiva.

Ainda que alguns jogadores sintam muito quando exigidos a jogar mais de uma vez por semana, outros até preferem estar sempre em atividade para conservar as melhores condições. Os primeiros devem ser utilizados segundo as exigências de cada torneio e de cada partida. Como, por exemplo, decidir retirá-los de campo quando a vitória está consolidada ou quando a superioridade técnica é claramente imposta em determinado confronto. Com os demais não se deve ter maiores preocupações.

Deixar de utilizar a força máxima disponível é mexer com o imponderável e, eventualmente, deixar de lutar por um título, ainda que a competição seja longa, pois nem sempre é possível recuperar os pontos perdidos no início do campeonato. Acredito que o objetivo máximo deve ser sempre procurado e deixar de lado a pretensão de conquistar todos os torneios possíveis me parece sinal de fraqueza ou falta de ambição.

A conquista de uma competição torna-se mais provável quando todos os esforços são destinados a encontrar uma equipe forte e coesa. E isso é mais difícil quando as competições em disputa são tratadas distintamente.

IMPORTANTE: GESTÃO DO FUTEBOL

Há sinais de mudança no horizonte?


Amigos, blogs dessa natureza são escritos e lidos por pessoas que, em maior ou menor grau, são interessadas nas práticas de gestão do futebol brasileiro.

Vê-se a existência de um bom número de pessoas interessadas no crescimento do futebol brasileiro, no aumento de sua competitividade administrativa e financeira em comparação com o futebol internacional, e em última análise no fortalecimento de seus clubes de coração.

Isso nos leva, com base nas discussões empreendidas, a tentarmos desenhar um panorama muito breve e resumido do que está acontecendo no futebol brasileiro quanto às práticas de gestão, abrindo esse espaço para que nossos leitores opinem, forneçam exemplos e eventuais críticas. Por trás desse panorama, pergunto se há sinais concretos de mudança ou se estamos ainda presos a uma engrenagem que não deve ceder tão cedo.

Vamos a alguns aspectos positivos, para iniciar:

- Com a obrigatoriedade da publicação anual de balanços, que é algo recente, conseguiu-se obter uma maior transparência nos clubes, ao menos para que sejam detectadas suas práticas administrativas, deixando à mostra ineficiências de gestão. As dívidas dos clubes, por exemplo, estão lá para quem quiser ver, assim como a composição das receitas e dos custos. Infelizmente ainda há clubes que insistem em tratar suas finanças como segredo de estado, quando na verdade as informações estão disponíveis para quem se habilitar a procurá-las e entendê-las.

- Os clubes estão sendo obrigados a se estruturar para procurar novas receitas, em razão do grau de endividamento da maioria. Como as receitas mais significativas muitas vezes são comprometidas no médio prazo por causa da tomada de adiantamentos relativos a direitos de TV, de patrocínios e até mesmo da receita de ingressos, o caminho mais comumente adotado tem sido o de criar programas de Sócio-Torcedor, embora muitas vezes esses sejam elaborados de maneira primária, não significando uma concessão de reais vantagens ao torcedor ou não gerando aumento de receitas para o clube. Por outro lado há exemplos de grande sucesso, especialmente nos dois clubes grandes do Rio Grande do Sul.

- Há uma tendência muito forte para que clubes tenham estádios construídos ou reformados, quase sempre com a criação de parcerias com investidores. Novos estádios são, em nossa opinião, absolutamente fundamentais para que um novo tipo de relacionamento com o público possa ser iniciado, de maneira a tornar as receitas em dias de jogos algo significativo de fato. Observamos que a realização da Copa 2014 no Brasil é um fator de estímulo, mas que não deve ser levado em conta na elaboração de um projeto saudável e sustentável de modernização ou construção de estádios. Dentre outros exemplos, podemos esperar que Inter e Grêmio em Porto Alegre, Figueirense em Florianópolis, Palmeiras e talvez Corinthians em São Paulo, possam dispor de arenas modernas em um prazo relativamente curto. O lado negativo é que estádios para a Copa serão levantados ou modernizados com dinheiro público em algumas praças, o que será um desestímulo para a iniciativa privada e os clubes nesses locais; exemplos disso são os estados de Minas Gerais e Bahia.

- Existe um público ansioso por reformas estruturais no esporte brasileiro, além de haver uma geração de profissionais procurando espaço para atuar em clubes ou empresas patrocinadoras. Vários cursos de graduação, pós-graduação e especialização tem sido introduzidos no mercado brasileiro. A existência de mão-de-obra qualificada é um requisito fundamental para a transformação.

Agora vamos ver um pouco dos aspectos negativos:

- A estrutura administrativa da imensa maioria dos clubes ainda é amadora e passional, já que são organizações eminentemente políticas e que se comportam como tal. Alguns anos atrás ouvimos de um conceituado e esclarecido ex-dirigente de um grande clube paulista (por sinal uma excelente pessoa e um ótimo professor) que o requisito básico para ser contratado como um profissional administrativo era ser torcedor do clube. Refletindo sobre o absurdo dessa afirmação, entendemos que não se tratava necessariamente de um ponto de vista pessoal, mas sim do fato desse ex-dirigente conhecer profundamente a estrutura e a cultura de seu clube. Ou seja, para os profissionais que buscam atuar na gestão de clubes os desafios são imensos, porque não há porta de entrada aberta.

- Atuar em clubes menores, que parece ser uma alternativa, é também muito difícil, já que a cultura administrativa dos dirigentes é ainda mais pobre. Os poucos exemplos de clubes que tentaram se profissionalizar são em muitos casos desanimadores, com interferência constante do poder pessoal dos dirigentes e com o predomínio dos interesses políticos. Para piorar o cenário, algumas dessas experiências poderão ser julgadas por resultados esportivos, e cito como exemplo o Paulista de Jundiaí, clube que venceu a Copa do Brasil em 2005 e disputou a Libertadores da América em 2006, e que ruma agora para a Série D do Campeonato Brasileiro (que será criada em 2009). O Paulista, apesar de tentar se profissionalizar administrativamente, não conseguiu de fato se posicionar como um clube importante no cenário esportivo, a despeito da oportunidade gerada por seu sucesso recente.

- Os departamentos de marketing, em sua maioria, adotam soluções isoladas, com o objetivo de gerar receita imediata; naturalmente, por mais que haja esforços, não conseguem realizar milagres na geração de receitas em curto prazo. Com o desgaste causado por mirabolantes promessas não cumpridas, parte dos dirigentes, torcedores e imprensa tende a reforçar o argumento de que não são possíveis mudanças estruturais no futebol brasileiro, e que este está condenado a ter clubes deficitários, reféns de poucas fontes de receitas e dependentes das transações de atletas para o exterior.

- Há muitos interessados na manutenção do status atual. Citamos como exemplo os dirigentes e empresários que ganham rios de dinheiro com as transações de jogadores para o exterior, e para quem a dependência dos clubes em relação a esse tipo de receita é uma verdadeira galinha dos ovos de ouro. Vemos com preocupação que vários profissionais administrativos que estão tentando ingressar no mercado esportivo estão voltando seus olhos para a carreira de agenciadores de atletas, já que aí está a mais concreta oportunidade. Embora não se possa criticá-los sob a perspectiva pessoal, já que esse é um meio legítimo de ganhar a vida e quem sabe fazer fortuna, vejo aqui um fator muito negativo para nosso esporte.

- As empresas que patrocinam o futebol, em sua maioria, não desenvolveram estruturas específicas para rentabilizar seu investimento, explorando-o mais e com maior eficiência. Em geral, quando há um profissional de marketing esportivo contratado, este está incumbido basicamente da realização de (poucos) eventos e da administração do envio de ingressos para convidados. Há oportunidades muito interessantes que não são exploradas, como a criação e administração de relacionamento com torcedores buscando transformar o patrocínio em vendas, tornando os resultados imediatamente mensuráveis e levando o relacionamento com esses clientes a uma dimensão maior. Mas, infelizmente, as empresas ainda compram, basicamente, o espaço do uniforme com o objetivo de aparecer nas telas de TV. É muito pouco.

Bem, amigos, essas são algumas observações que, de maneira muito breve, deixo nesse espaço. Estamos abertos a seus comentários, exemplos e observações.

Crédito: Maurício Bardella
Revisão: Benê Lima

sábado, julho 26, 2008

FINANÇAS E NEGÓCIOS

PPV e futebol em nova realidade

Na Europa, o grosso do dinheiro da Tv para os clubes vem dos canais por assinatura e, mais especificamente, dos canais PPV. No Brasil, a importância desses canais para o futebol ganha crescente influência a cada nova temporada.

Em post de 13 de dezembro de 2007, este Olhar Crônico Esportivo relatava que o setor atingira a marca há muito perseguida de 5 milhões de assinantes, e que atingiria o número de 5,14 milhões até o final do ano. Na verdade, o ano de 2007 terminou com o número de 5,3 milhões de assinaturas. Naquele mesmo post, baseado em informações e projeções do mercado e algum feeling, fiz a previsão de 2008 fechar com pelo menos 6 milhões de assinantes. Naturalmente, nem todo assinante de tv compra os canais pay-per-view, mas aqui no Brasil, tal como na Europa, é justamente o acesso a esses canais uma das maiores, senão a maior mola propulsora do crescimento dos mesmos.

Com base nesses números e na manutenção de uma realidade econômica sem sobressaltos, e como a receita PPV pode variar para cima em função das vendas dos pacotes, considerava factível que o valor de 90 milhões de reais pago aos clubes por esse segmento em 2007, poderia atingir 115 a 120 milhões ainda durante 2008...

O trecho a seguir foi postado em 11 de março desse ano, já com as negociações entre Globo e Clube dos 13 em andamento:
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“A se confirmarem os números de crescimento previstos para a TV por Assinatura e as previsões feitas para o aumento na venda das assinaturas do futebol, teremos em 2009 valor próximo a 160 milhões de reais a ser pago pelo PPV, talvez até mais. Sabe-se que a possibilidade de ver o futebol sem restrições é hoje o maior impulsionador para o crescimento desse segmento.”
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Quando escrevi esse trecho, lembro que cheguei a pensar que esse número era meio exagerado, otimista demais, mas pensando a respeito cheguei à conclusão que era, sim, um número possível, desde, é claro, que o país se mantivesse com crescimento econômico de razoável para bom, sem sustos, sem sobressaltos, sem “novidades” na política econômica e cambial. Hoje, revendo essas projeções, constato que elas continuam plenamente factíveis e já não devem causar grandes surpresas, como veremos a seguir.
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Novo acordo assinado
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Em reunião realizada há pouco mais de dez dias, os clubes assinaram o contrato referente aos direitos de transmissão do Brasileiro da Série A pelas emissoras de sinal fechado e, principalmente, pelo pay-per-view. O acordo fechado para o período 2009/2011, garante aos clubes os seguintes valores mínimos:
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2009
110 milhões

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2010
125 milhões

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2011
135 milhões

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Esses valores mínimos são interessantes e apresentam bom crescimento sobre os números atuais, mas já nascem defasados, pois a receita desse ano já poderá superar a meta mínima de 2009.
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Duas novidades foram discutidas e aprovadas para esse novo contrato:
- remuneração dos clubes de acordo com seu percentual de participação nas vendas dos pacotes;
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- transferência do valor que exceder ao mínimo para a cota de premiações do Campeonato, ampliada para pagar prêmios do 1º ao 16º colocado.
Pagamento proporcional
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O primeiro ponto, o pagamento de acordo com a participação de cada torcida na venda dos pacotes ppv, já era desejo antigo de muitos dos participantes e enfrentava obstáculos na própria Globosat. Basicamente, a empresa alegava, como ainda alega, dificuldades técnicas para fazer a venda dos pacotes por clubes.

Nesse ano, para contornar esse problema e fornecer os números para a divisão do bolo já em 2009, a Globosat contratará uma empresa especializada que fará uma pesquisa junto aos assinantes para estabelecer o percentual de cada uma das torcidas na base de compradores do pay-per-view. Dessa maneira, a forma de venda não será afetada e, com a pesquisa, os clubes serão atendidos no desejo de receberem de acordo com o que suas torcidas compram. Não foi informado, provavelmente porque ainda não há decisão executiva, como será calculada a participação do Corinthians, por exemplo, que certamente estará na Série A em 2009, mas atualmente disputa a Série B.

Recentemente, foram divulgadas algumas informações sobre a base de assinantes da NET, mas essa pesquisa teve caráter bastante limitado e, ao que parece, ficou restrita ao universo de assinantes da operadora NET. Portanto, suas informações não serão levadas em consideração, uma vez que a base de compradores do pay-per-view é bem maior e disseminada por todo o país, em regiões em que a presença NET é reduzida ou mesmo inexiste.
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Premiação “européia”
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Em post de 21 de março, este Olhar Crônico Esportivo mencionava que a premiação prevista para esse ano seria por volta de 11 milhões de reais, valor que, muito provavelmente, será ultrapassado, graças ao maior crescimento da venda dos pacotes de assinaturas.

Na reunião em que foi acertado o acordo para as três próximas temporadas, ficou decidido que o valor excedente ao mínimo garantido por contrato seria destinado à premiação no final do campeonato. Antevendo a possibilidade desse valor crescer muito acima do previsto, o presidente corintiano, Andrés Sanches, propôs o teto de 30 milhões de reais como valor destinado às premiações. O que excedesse esse valor deveria ser incorporado ao total distribuído proporcionalmente entre os clubes, fato que, sem dúvida, favoreceria os donos das duas maiores torcidas do país e, em condições normais, maiores compradoras dos pacotes de assinatura. Na votação dessa proposta, entretanto, Sanches foi derrotado e prevaleceu a decisão anterior: todo o excedente será usado nas premiações.

Um dos atrativos do novo modelo é que os prêmios não estarão limitados ao campeão e vice, e cobrirão do 1º ao 16º colocado. Tal como na Formula 1, o campeão terá uma diferença boa para o vice e deste para o terceiro, diminuindo a diferença gradativamente, à medida que vai avançando rumo ao fim da fila.

Diante da nova realidade de mercado criada pelo crescimento da Tv paga, comenta-se no Clube dos 13 que o BR, talvez já em 2009, estará pagando prêmio “europeu” ao seu campeão.

Ainda é um pouco cedo para pensar em números, mas o valor de 5 milhões de reais (2 milhões de euros, hoje) para o campeão já nesse ano de 2008, não é nenhum exagero. Com esse nível de premiação aumentando em 2009, começa a crescer a impressão que o BR pagará ao seu campeão o mesmo ou até mais do que ganham os campeões de algumas ligas européias de peso. Para comparar: em 2007 o Milan recebeu 7 milhões de euros pela final e pelo título da maior e mais rica competição de clubes do planeta, a UEFA Champions League, cabendo ao Liverpool 4 milhões de euros.
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Bastidores I
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Alvimar Perrela lançou sua candidatura à vice-presidência que era ocupada por Eurico Miranda. Dessa forma, serão três os candidatos à vaga: Roberto Horcades, ainda tido como favorito, Roberto Dinamite e o novo postulante.
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Dinamite, segundo informações colhidas por este blog, contaria hoje somente com os votos de Flamengo, São Paulo e Botafogo, além do seu próprio, é claro. Horcades e Perrella disputariam, portanto, os outros 16 votos.
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A princípio, dava-se como certo o apoio de Sanches a Roberto Dinamite, mas hoje é quase certeza que o presidente corintiano votará em Horcades ou Perrella. No início de sua gestão, Andrés Sanches declarou-se independente dentro do Clube dos 13 e disse que iria lutar por melhores cotas para o Corinthians. Depois desse início, passou a votar com o grupo majoritário, posição que abandonou há alguns meses, quando uniu-se aos dissidentes Flamengo, São Paulo e Botafogo, na negociação dos direitos de transmissão. Como este blog informou, Luiz Paulo Rosemberg, vice de marketing e membro da Comissão de TV, passou a representar nas mesmas a posição do São Paulo e também do Flamengo e Botafogo. Recentemente, contudo, premido pela necessidade de conseguir dinheiro grosso a curto prazo para poder fechar 2008 com o mínimo de drama, Andrés Sanches assinou o acordo com a Globo sem comunicar aos então parceiros de oposição, tal como esse blog previu alguns dias antes. É boa a possibilidade do Vasco, sob nova direção, aliar-se aos dissidentes, o que, nesse momento, entra em choque com a postura corintiana, daí a retirada do apoio que talvez nunca tenha existido.
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Bastidores II
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Na votação da proposta corintiana para que o valor que excedesse 30 milhões de reais fosse repartido entre os clubes de acordo com suas cotas de vendas de pacotes de assinatura, Marcelo Portugal Gouvêa, diretor de planejamento e ex- presidente do São Paulo, votou contra.
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Ao ouvir o voto, Andrés Sanches, em outro ponto da sala, falou um ‘monte’ contra Marcelo e o São Paulo. Entre as frases mais suaves ditas aos companheiros de mesa, estava “Ele que venha agora querer marcar reuniãozinha, almocinho, para discutir isso e aquilo...”.
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O voto são-paulino, aparentemente, foi movido pela crença de que ao clube interessa mais valores maiores na premiação, onde tem chances de ficar melhor colocado e portanto ganhar mais do que se recebesse proporcionalmente à venda dos pacotes.
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Como se diz ou dizia nas colunas sociais, não convidem Andrés e Marcelo para o mesmo almoço. Ou, pelo menos, para a mesma mesa.
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FINANÇAS DOS CLUBES

Mercado brasileiro de clubes superou R$ 1,6 bilhão em 2007

A Casual Auditores Independentes, empresa de auditoria especializada em entidades desportivas, publicou na semana passada seu estudo anual sobre as finanças dos maiores clubes brasileiros em geração de receitas no exercício de 2007. O resultado apresentado pelos 21 clubes presentes no estudo demonstrou que as receitas geradas pelos grandes clubes brasileiros cresceram muito entre 2006 e 2007.

Os clubes analisados ampliaram suas receitas em 36% e atingiram uma receita consolidada de mais de R$ 1,3 bilhão em 2007, o que representou mais de R$ 350 milhões de recursos novos no mercado. Com esse resultado expressivo o mercado brasileiro de clubes de futebol, segundo projeções da Casual Auditores, passou de pouco mais de R$ 1,2 bilhão em 2006 para mais de R$ 1,6 bilhão em 2007. Pela primeira vez desde que a Casual Auditores analisa as finanças dos clubes, 4 clubes apresentaram receita anual superior a R$ 100 milhões.

Entretanto excluindo os recursos gerados com os atletas os clubes cresceram 18% no mesmo período e 40% desse montante foi representado pelas receitas não operacionais geradas pelo Juventude.

Os clubes ampliaram suas receitas graças ao grande acréscimo dos recursos gerados com as transferências de seus atletas, que apresentaram um crescimento de 101% de 2006 para 2007, fazendo com que essa receita voltasse a ser a principal fonte de financiamento da atividade dos clubes, como em 2005, ano até então em que os clubes mais geraram recursos com atletas.

Os clubes que mais recursos novos geraram no mercado em 2007 foram: São Paulo com R$ 67 milhões, Grêmio R$ 59,8 milhões, Juventude com R$ 51,9 milhões, Internacional com R$ 46,9 milhões e Corinthians com R$ 39,7 milhões. Fluminense, Santos, Atlético-PR e São Caetano foram os únicos clubes que apresentaram redução em suas receitas de 2006 para 2007.

O clube que apresentou a maior evolução percentual em suas receitas em 2007 foi o Juventude, com um crescimento de 511% nos recursos gerados, conseqüência direta de suas receitas não operacionais com a venda de seu CT, seguido do Grêmio com evolução de 121% graças a ampliação de suas receitas com a transferência de atletas, receitas com seus sócios e recursos gerados com bilheteria e o Náutico, com uma evolução de 106%, graças ao acesso do clube para a Série A, que acarretou em uma substancial melhora em seus recursos com as cotas de TV, além da melhora em suas receitas com seus sócios, bilheteria, patrocínios e transferências de seus atletas.

Maiores Receitas- Futebol Brasileiro- Exercício de 2007 – Em R$ mil



Fonte: Casual Auditores Independentes

LIÇÕES DE GERENCIAMENTO

Entrevista: José Calil

Ex-jornalista e atual gerente de futebol do Grêmio Barueri analisa as funções e sua empreitada à frente do clube paulista

Bruno Camarão

“Que futebol se ganha e se perde nos detalhes eu já sabia. Mas o desenvolvimento de um treinamento adequado para alta performance e de uma logística correta que privilegie a recuperação dos atletas é algo extremamente significativo e influente na obtenção de um bom resultado”. O parágrafo inicial faz parte de uma das últimas colunas de José Calil, jornalista que, em partes, abdicou da carreira que traçou por mais de duas décadas para viver o futebol “de dentro para fora”. Ali, porém, muito simbolismo está embutido.
O principal são os sinais de vivência e conhecimento na nova função assumida desde o primeiro semestre deste ano, na gerência de futebol do Grêmio Barueri. A convite do presidente do clube do Vale Paraíba – e após um preparo técnico-acadêmico, que já vinha sendo realizado –, Calil pôs um ponto final no projeto profissional que teve como base as rádios Gazeta, Transamérica, Guarujá, Tupi, Record e Globo, além das emissoras televisivas RedeTV e Sportv, para tornar-se cartola.
A nova esfera de trabalho, sustentada desde o início pelo bom relacionamento com o grupo de jogadores do Barueri, que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro, porém, não findou a veia cronista de Calil, que, fiel a um público que manteve nessa jornada, ainda contribui com textos para o site Papo de Bola e para o jornal A Tribuna, de Santos.
"Era um jornalista muito crítico, combativo, se você pegar minha colunas antigas. Agora, pretendo passar minha experiência nesse lado. Procuro falar o que se faz, a importância de uma viagem, a recuperação física de um atleta. De maio para cá, o enfoque é bem diferente”, analisa o próprio Calil. Mas não era necessário.
Fisiologia do esforço, período de treinamento, suplementos alimentares, logística de viagens e relevância ou não da concentração, situações explicitadas no novo cotidiano, passaram a ser abordagens temáticas nas escritas de Calil, que sai em defesa de seus antigos colegas.“
Lamentavelmente a grande maioria dos jornalistas só olha o colete que o treinador vai dar para o time e divulga os titulares. E eu não culpo o profissional de imprensa por isso. Hoje ele é muito mal remunerado, sendo obrigado a trabalhar em dois, três veículos. Acompanhar um treinamento, em suas minúcias, é muito complicado”, pondera.
Além disso, nesta entrevista concedida à Cidade do Futebol, Calil comenta sobre a formação de uma comissão técnica, as adversidades reflexivas da “janela européia” aos times da segunda divisão, as críticas particulares ao “artificial” time de cuja direção faz parte e o trabalho social implementado na região.
Cidade do Futebol – Nestes aproximadamente quatro meses em uma nova função em sua carreira, a visão que você tinha da administração de um clube, e a própria visão sobre sua ex-profissão, a de jornalista, foi mudada?
José Calil
– Esse tempo me fez entender que são os jogadores quem fazem as coisas acontecer. Para tudo a gente tem de ter o apoio dos jogadores. E foi isso que busquei no começo. Foi complicado enfrentar a barreira por não ser muito conhecido no meio, mas os atletas gostaram de mim, nos damos bem, assim como com toda a estrutura do clube. Sei que tenho muito a aprender. Hoje, subi mais um degrauzinho, minha vida está só começando.
Cidade do Futebol – As suas colunas no site Papo de Bola e no jornal A Tribuna foram mantidas. Crê que possa haver algum tipo de interferência, ou suspeita em seus textos, ou são duas situações completamente distintas?
José Calil
– Eu deixei os meios de comunicação – a RedeTV e a Rádio Transamérica – porque eu era remunerado. Já naqueles dois veículos, eu não tenho remuneração e me mantive lá com a anuência dos editores. Tanto no Papo quanto na Tribuna eu decidi continuar para exercitar meu lado ético.
Era um jornalista muito crítico, combativo, se você pegar minha colunas antigas. Agora, pretendo passar minha experiência nesse lado. Procuro falar o que se faz, a importância de uma viagem, a recuperação física de um atleta...
Eu evito críticas. Não comento mais o que se faz nos clubes, no Palmeiras, no Santos. Eu estou do outro lado, mas há ainda uma relação com um público cativo que eu tenho, do qual eu não quero perder a confiança construída. Mas, de maio para cá, o enfoque é bem diferente.
Cidade do Futebol – Um de seus últimos textos publicados, por sinal, abordou “Treinamento e logística”. Nesse período à frente do comando do futebol do Barueri, o que você aprendeu nesses dois sentidos?
José Calil
– Aprendi muito. Sobre o treinamento como um todo, com nosso diretor de treinamento e alta performance, o Marcelo Lima, que veio da base do São Paulo. É uma pessoa que sabe tudo de Fisiologia. Não tinha conhecimento nenhum sobre suplemento, o que tem naqueles complementos dados aos atletas durante o período de treinos e nos jogos. Nessa parte, tudo eu aprendi com esse profissional.
Em relação à logística, é algo que eu já tinha na minha vida. Sempre viajei muito e sei como é cansativo. O que aprendi foi essa questão baseada na fisiologia do esforço. Os benefícios de se evitar viagens de madrugada, dormindo na própria cidade onde foi realizada a partida, com um treinamento regenerativo pela manhã e o retorno só no dia seguinte...
Compreendi que, dormindo no local, o jogador vai aproveitar melhor o treinamento. Por outro lado, se der a folga sem o treinamento, é um período muito longo sem movimentação nenhuma.
Cidade do Futebol – Você fez algumas referências sobre carga de trabalho, recuperação física, planejamento de viagem, enfim, sobre quesitos mais estruturais e técnicos que envolvem a comissão de um time de futebol nessa coluna citada. Você vê a imprensa, de uma forma geral, preparada para analisar e discutir o esporte dessa maneira mais global?
José Calil
– Sinceramente, não. Pois lamentavelmente a grande maioria dos jornalistas só olha o colete que o treinador vai dar para o time e divulga os titulares. E eu não culpo o profissional de imprensa por isso. Hoje ele é muito mal remunerado, sendo obrigado a trabalhar em dois, três veículos. O Muricy [Ramalho, técnico do São Paulo] fala bem isso. “Jornalista quer saber o time e vai embora”. Ele tem razão nisso, mas não em culpar o jornalista, que ganha pouco e tem de sair do treino de lá e partir para fazer outro trabalho. Se esse profissional ganhasse 20, 30 mil reais por mês, seria uma outra situação.A imprensa não está preparada. Não acredito que exista “a imprensa”, uma coisa monolítica, e sim setores, “em geral”, como foi colocado.Acompanhar um treinamento, em suas minúcias, é muito complicado. Às vezes, ele é dividido em duas, três partes. Um trabalho específico de zagueiro de um lado, com atacantes do outro, em um campo reduzido, outro para quem não atuou na última partida.
Cidade do Futebol – Qual é o perfil da torcida do Barueri? Como é a interferência dela em relação ao time, tal qual ocorre em muitos grandes clubes?
José Calil
– Ela é pequena, mas é maravilhosa. Nunca vai no centro de treinamento cobrar resultado de jogadores, enfim, ela festeja, é muito boa para o time e faz a parte dela enquanto torcida. A cobrança que temos aqui é dos nossos patrões.
Nesse sentido, temos muita cobrança aqui, mas interna, dos investidores, dos nossos superiores, e que tem que existir, mesmo, sobre treinador, gerente, e diretor de futebol.
Cidade do Futebol – Na edição do ano passado da Série B do Nacional, o Barueri teve a sexta maior média de público, à frente de muitas equipes tradicionais da Série A – Santos e Botafogo, por exemplo. Isso é uma ocorrência excepcional, ou acha que há possibilidade de cativar e criar torcedores próprios do Barueri com o tempo? Algum trabalho em termos de marketing é projetado?
José Calil
– Na minha visão, a formação de um grupo de torcedor depende de resultado. Eu comecei a freqüentar estádios na década de 70. A Portuguesa, por exemplo, tinha mais torcedor que o São Paulo em muitos jogos. Hoje, você vê como isso mudou e é inimaginável pensar em uma situação dessas.
Porque, de lá para cá, o São Paulo foi tricampeão da Libertadores, tri do Mundial, campeão paulista, e a Portuguesa não ganhou praticamente nada. O clube se faz com conquistas e, com os seis acessos nos últimos anos, o torcedor do Barueri, que é ainda um público pequeno, se firmou, independentemente de ele ser simpático ao Corinthians, ao Palmeiras ou ao Santos também.
Temos um departamento de marketing bastante atuante, são feitas algumas ações antes dos jogos e durante eles, seja no telão do estádio, ou no próprio site oficial, diariamente, buscando fidelizar o torcedor.
Eu respeito bastante isso. Agora, para criar um torcedor fiel, uma massa, é fundamental que haja conquistas.
Cidade do Futebol – Como é feito o trabalho com os atletas, tendo-se consciência que o Barueri é um clube emergente, e muitos deles almejam agremiações maiores, ou mesmo atuar fora do país?
José Calil
– Eu não posso falar pela cabeça dos atletas, mas qualquer gestor de futebol tem de estar sempre preparado para perder o elenco. Não é porque o cara está aqui e quer ir para o Corinthians, e sim uma ciranda sem fim. Trabalhar com um elenco que pode ser mudado a qualquer momento é uma realidade do futebol brasileiro, é porque os jogadores dos times grandes também querem sair, e não algo exclusivo do Barueri.
Não há como não conviver com isso no futebol brasileiro. O Barueri tem por filosofia manter sua base. Do Campeonato Paulista do Interior do ano passado, mudou muito pouco, sempre queremos manter a base. E isso porque o clube erra muito pouco em contratações.
O Walter Sanches [presidente do clube] conhece muito futebol. Aqui, as contratações são feitas mediante critérios técnico e tático. Não tem porque mudar muito se você acerta, mas sempre atualizamos nosso banco de dados sobre jogadores.
Cidade do Futebol – Os reflexos da “janela” do futebol europeu preocupam muitas agremiações que disputam a elite do Campeonato Brasileiro, produzindo desde já algumas perdas nos departamentos de futebol. Esse tema também aflige os times da Série B, como o Barueri?
José Calil
– Os clubes europeus buscam na primeira, e os da primeira na segunda divisão, é inevitável. O jogador só sai do Barueri por uma coisa muito boa. Aqui, ele tem estrutura, condições de treinamento. Hoje, ele tem uma consciência profissional de que tem que ser bem treinado, alimentado e remunerado para poder render.
Temos um CT que será inaugurado. Não gosto de falar que é “melhor que o de tal clube”, mas garanto que é algo de primeiríssimo mundo. Para ele não sair, buscamos seduzir o jogador exatamente com essa estrutura. Houve um, que não vou citar o nome, que no começo do campeonato esteve entre Barueri e Ipatinga.
Hoje, sei que ele está arrependido. Ele não recebe, disputa a parte de baixo da tabela na Série A, agüentando pressão. Aqui, mesmo ganhando menos, estaria jogando, disputando as primeiras posições... Hoje, até podemos competir com alguns times da Série A. Mas temos de ter a consciência e o preparo diante da possibilidade de perder um atleta.
Cidade do Futebol – O que pensa sobre uma remodelação do calendário nacional, ocorrendo paralelamente ao do mercado principal da Europa?
José Calil
– Eu considero hoje o calendário brasileiro muito bom. Não sou favorável à temporada 2007/8, só acho que deveria haver algumas situações diferentes. Por exemplo: um Estadual com números de clubes reduzidos, porque aí, quem participa da Libertadores, pode disputar também da Copa do Brasil, o que é impossível hoje por causa do estrangulamento do calendário.
Com o regional se transformando em um torneio de pré-temporada, se ganharia mais tempo para as outras competições. De uma forma geral, acho que ele é correto do jeito que se apresenta. Fora a questão climática, que promove uma condição diferente aos atletas, especialmente em seu período de férias. O torcedor não tem a cultura para falar “o campeão da temporada 2007/8”. O que se precisa é um ou outro ajuste.
Cidade do Futebol – Qual o perfil ideal da comissão técnica na montagem de uma estrutura de futebol profissional?
José Calil
– Eu tenho limites, respondo a uma diretoria. Quando você contrata um treinador, há muitas mudanças nos clubes em meio ao contrato vigente porque eles erram na hora de contratar. Quem contrata certo, com critério, não precisa mudar toda hora.
Em um clube de Série B, você tem de estar sempre preparado para substituir seu treinador, porque ele pode substituir alguém na A.
O Muricy, por exemplo, está há três anos no São Paulo. Ele só sai de lá para a Europa. O treinador do Barueri, seja quem for, pode sair para Corinthians, Flamengo, Santos. O que precisa ter em mente para a contratação de um treinador da Série B, que eu consideraria obrigação, é honestidade e conhecimento da competição.
O Heriberto da Cunha, por exemplo, que está conosco. Ele não pediu uma contratação e trabalha com quem está aqui, sem esquema. Ele esteve na Série B em todas as últimas edições, subiu com o América-RN e tem um histórico de conquista de campeonatos estaduais e nas categorias de base.
O treinador tem que ser bem aceito e se fazer aceitar pelo grupo, que é o caso do Heriberto. Os jogadores respeitam as decisões dele, pois sabem que, eventualmente, não estão fora por sacanagem, mas porque não têm como jogar neste momento.
Ele dá muita atenção a quem não esta jogando, e aí está um ponto importante: o jogador que não está atuando tem um tendência a se sentir abandonado, é uma coisa que aprendi neste período. Você vai precisar daquele jogador em um momento. Sempre há a necessidade de se ter jogadores bons. Quando você tem 30, 35 jogadores bons, sempre vai ficar gente de qualidade fora.
Cidade do Futebol – Como funciona a relação entre a administração do futebol profissional do Barueri e os Núcleos de Formação esportiva?
José Calil
– O Barueri não é só futebol. Ele faz um trabalho social muito grande na região. Sempre sai uma notícia falando de vitórias de atletas do clube em várias modalidades, jogos regionais. Existe essa preocupação aqui.
O que aparece para o público é um time de futebol, que joga toda semana, mas há um trabalho social da maior importância por trás disso. Antes de imaginar formar atletas que vão dar mídia, o objetivo é colaborar com o esporte do nosso país.
O Brasil vai ter menos medalhas nas Olimpíadas do que vários países menores que ele, porque não há uma política olímpica implementada aqui. Nossa prioridade é para formar homens, mas também contribuir com a política esportiva nacional.
O próprio ministro Orlando Silva, com quem estive em um vôo de Brasília, recentemente, se mostrou interessado em conhecer esse trabalho de base. Queremos continuar fazendo o trabalho social de formar atletas cidadãos, dando também nossa contribuição.
Cidade do Futebol –Especialmente no momento da construção da Arena e dos acessos do time às divisões principais do futebol – tanto em termos estaduais, quanto nacionais –, questionou-se muito a “artificialidade” do Grêmio Barueri. Como você avalia esse tipo de crítica?
José Calil
– Quem fala que o Barueri é time de prefeitura, é artificial, que vai morrer a qualquer momento, não conhece o Barueri em suas intimidades. Eu não deixaria 25 anos de profissão, uma carreira inteira, para trás, para ganhar menos – ganho bem, mas um pouco menos do que quando estava na TV e no rádio – e trabalhar em um projeto furado.Aqui tem um projeto muito sério de futebol. A arena é parte desse projeto, um equipamento esportivo multiuso importante que certamente vai ser palco de muitos shows e eventos quando estiver concluída.
Talvez minha primeira impressão até tenha sido essa. A partir do momento que conheci o clube, seus dirigentes, a filosofia de trabalho, comecei a sentir o que era de fato o Barueri. É um projeto muito sério de futebol que, se Deus quiser, vai durar por muito tempo. E quem acha que o prefeito manda no Barueri e larga a prefeitura na cidade, precisa conhecer o que é feito por aqui.
Ele investe no social, sim. Há uma qualidade de vida muito boa em Barueri e aconselho a essas pessoas que conhecessem o clube e a cidade, duas coisas que são bem separadas.
O GRB [Grêmio Recreativo Barueri] paga aluguel à prefeitura. Se o prefeito, por exemplo, emprestar a Arena para o GRB e não cobrar nada, o Ministério Público vai no pé dele. Ele é um entusiasta, mas não pode tirar milhões de lá e colocar no clube. É feito um trabalho integrado, mas a prefeitura não é mantenedora e apenas ajuda o Barueri.


domingo, julho 20, 2008

CÓDIGO RECLAMA POR MUDANÇAS

CBJD será reformulado
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Presidente, Vice e Auditores se reunirão em setembro para discutirem mudanças no Código

TAYNÁ JORDÃO

Depois de muita discussão sobre uma possível reformulação do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), uma reunião foi marcada para que os membros do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) discutam sobre as mudanças desejadas e sobre a possível criação de novos artigos. Esse encontro será realizado nos dias 11 e 12 de setembro, em São Paulo.

Dr. Rubens Approbato Machado, que foi reeleito Presidente do STJD por aclamação na última quinta-feira, dia 17 de julho, antes de encerrar os julgamentos da pauta do Pleno, falou sobre os temas que serão discutidos além de afirmar ser possível, na mesma ocasião, fazer uma sessão extraordinária na capital paulista.

“Ainda estamos preparando todos os temas, mas, basicamente, é fundado em dois: o primeiro é a apreciação do atual CBJD, que é de todos os esportes, não só do futebol. Ele necessita de alguns reparos, no que se refere à adequação da norma punitiva com a pena que será imposta. Algumas são brandas demais, outras são pesadas demais. Isso acaba complicando a vida do julgador. Devemos acrescentar algumas infrações e eliminar outras, que não se caracterizam realmente como infrações”, disse o Presidente.

Essa medida marca uma nova fase para a Justiça Desportiva no Brasil, razão por que acompanharemos de perto todas as mudanças que serão feitas no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) buscando a melhoria tanto do futebol quanto do restante dos esportes.

INTERESSES CONFLITANTES?

O futebol dos novos tempos

De tempos em tempos a imprensa questiona o futebol de hoje, onde os interesses financeiros prevalecem. Enaltecem os jogadores do passado dizendo que antigamente tinham amor à camisa, diferentemente dos craques da atualidade, mais preocupados em fazer o pé-de-meia do que criar vínculos afetivos com o clube e com a torcida.

Creio até que este é um fato que não dá para contestar (salvo as honrosas exceções). Não quero criticar os atletas atuais, até porque eles estão seguindo a regra do jogo, em que o dinheiro fala mais alto. Jogadores como Idário, a quem citei em uma das minhas colunas, de fato não existem mais.

Mas, se o futebol virou um grande negócio, em que milhões de dólares, euros, ienes ou reais giram entre empresas, emissoras de televisão, agências de publicidade, patrocinadores em vários outros segmentos comerciais, não é justo que os artistas do espetáculo recebam o seu quinhão?

Lembro que nem todos os atletas que participam dos campeonatos espalhados pelos quatro cantos do planeta recebem fortunas, mas apenas uma pequena parcela que é quem verdadeiramente faz do futebol um espetáculo capaz de atrair público e companhias que desejam associar sua marca aos momentos de emoções que apenas a música e o esporte são capazes de oferecer.

O que me deixa mais, digamos, chateado (para usar um termo condizente com o nível deste site) são as revoltas hipócritas contra aqueles que conseguiram enriquecer jogando futebol. Tenho muitas dúvidas se essas pessoas também não tirariam uma casquinha do dinheiro que gira no esporte mais popular do planeta, se tivessem oportunidade. Aliás, deixa pra lá...

A imprensa esportiva, por sua vez, tenta tratar o esporte como jornalismo, mas se analisarmos cuidadosamente os programas de TV e rádio encontraremos de tudo um pouco (e de informação isenta, imparcial, menos ainda). Algumas das famosas mesas-redondas chegam a provocar risos. Compreendo que a preocupação com a audiência não pode ser totalmente ignorada, mas creio que deveria haver um limite, pois existem profissionais que um dia já foram muito respeitados e hoje se prestam a fazer papéis caricatos, o que é lamentável.

Com os recursos tecnológicos que estão aí para quem quiser, o futebol poderia ser melhor explorado, tanto no que diz respeito à sua organização (clubes, federações), quanto pela mídia especializada. As entidades esportivas, por exemplo, poderiam ter um InfoCenter, que não seria apenas um mero colhedor de dados para estatísticas, mas para contribuir bastante com o trabalho dos técnicos (que também teriam de se preparar para estudar as informações disponíveis).

A mídia poderia fornecer informações mais técnicas ao seu público, além da tradicional estatística. Poderiam comparar as diversas informações de cada jogo do Campeonato Brasileiro e, ainda, fazer uma análise com as competições européias. Tenho certeza que descobriríamos muitas coisas das demais escolas de futebol de diversos países.

Creio que desta forma, seríamos brindados com informações mais úteis e interessantes, para sairmos um pouco da surrada crítica dor-de-cotovelo de que "Fulano ganha muito e produz pouco".

Autor: Antonio Afif

NOVAS ATRIBUIÇÕES DOS VOLANTES

Em alta, volantes compreendem e apreendem novos conceitos nas equipes de futebol

Espanha triunfou na última Eurocopa com meio-campistas de baixa estatura e técnica apurada Brasil encara diferenças na posição por conta da cultura dos laterais-atacantes

Bruno Camarão

No duelo diante da tradicional e copeira Alemanha, na final da edição deste ano da Eurocopa, principal competição entre seleções do Velho Continente, a Espanha não alterou sua postura e seu estilo que o caracterizaram durante toda a trajetória até então. Mesmo ciente das intempéries que seriam ocasionadas pelas jogadas aéreas dos altos e fortes atletas alemães, o treinador Luis Aragonés manteve a aposta em seus “baixinhos” do meio-campo.

O resultado é conhecido. Os espanhóis pouco foram pressionados durante todo o jogo, cadenciaram a partida com um toque de bola preciso, motivado pelos seus volantes (?), e, ainda no fim da etapa inicial, após lançamento de Xavi, o atacante Fernando Torres ganhou a disputa de Lahm e, na saída do goleiro Lehmann, marcou o gol triunfal.

Diante de todo esse panorama, um ponto de discussão: o novo perfil desses jogadores que atuam efetivamente na faixa central do gramado, são marcadores de ofício, mas têm, cada vez mais, uma importância na transição da defesa para o ataque, aparecendo invariavelmente nesse setor para decidir partidas. E o tema não poderia ficar fixo ao Primeiro Mundo.

“Não gosto de brucutu. Ninguém quer mais o volante, o primeiro brucutu que pega, passa de lado ou só marca, isso nenhum treinador quer mais. A gente quer que jogue. Nós temos aqui três que saem, se eu acrescentar o Marquinhos, o Henrique, o Elicarlos, o Luis Alberto, todo mundo tem uma dinâmica e uma qualidade para sair”.

A análise acima, ao UOL Esporte, é do ex-zagueiro e hoje técnico do Cruzeiro, Adílson Baptista, em referência ao estilo de meio-campista mais defensivo que tanto ele, quanto a própria direção do seu clube dão preferência.

Na rodada deste fim de semana do Campeonato Brasileiro, por exemplo, um de seus pupilos, o volante Ramires encontrou espaço na defesa do Atlético-MG já nos acréscimos do tempo regulamentar e marcou o gol da vitória celeste no clássico mineiro. Quem o acompanha, são os versáteis Fabrício e Charles.

“É um ponto fundamental para a equipe ali no meio de campo, porque fazemos o balanceamento entre a zaga e o ataque. Considero, sim, a espinha. Nossa equipe tem um ponto muito forte que é o meio-campo”, apontou Charles, que, entretanto, assim como Ramires, foi preterido por Dunga na lista da seleção brasileira que disputará os Jogos Olímpicos de Pequim – ambos são sub-23.

Em se falando de time nacional, o principal, também dirigido pelo ex-volante, é colocado em xeque por conta do excessivo número de jogadores com características mais defensivas, em detrimento de meias-amadores mais produtivos. Em dois duelos ímpares contra a Argentina – final da Copa América (vitória por 3 a 0) e Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa-2010 (empate sem gols) –, Dunga escalou de início praticamente três volantes, com apenas Julio Baptista, em ambas as ocasiões, sendo o “cabeça” do meio.

“Toda equipe precisa de, pelo menos, um volante mais recuado. Desde 2002, o melhor e único excelente volante com essas características foi Gilberto Silva, que caiu muito de produção. Os jovens convocados para a seleção olímpica, Anderson, Hernanes e Lucas, além de Ramires, são armadores ofensivos e ainda promessas para a seleção principal. O único jovem e bom volante que atua mais recuado, Charles, do Cruzeiro, não foi chamado”, expôs Tostão, em coluna do último dia 9 na Folha de S. Paulo.

Já para o técnico do Corinthians, Mano Menezes, aspectos culturais distintos de leitura de jogo condicionam, muitas vezes, um “freio” nesses meio-campistas de ofício mais defensivo.

“Nossa composição de meio-campo tem de ser diferente da da Europa, se quisermos ver os laterais apoiando toda hora. Como lá há uma linha de quatro, em que os laterais geralmente ficam postados atrás, muitas vezes sendo até zagueiros, e os dois meias jogam bem abertos, cabe aos volantes iniciar as jogadas e chegar à frente por essa faixa do campo”, argumentou o comandante alvinegro, em entrevista recente ao programa Arena Sportv.

“A Espanha, sem dúvidas, é um exemplo disso, com Sérgio Ramos, zagueiro, na lateral direita, e o Marcos Senna sempre avançando, com grande destaque no time”, completou.

SOBRE RECEITAS DOS CLUBES

Pesquisa indica inflação de receita nos clubes brasileiros por venda de novatos
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Em 2007, negociação de jovens estrelas rendeu valor superior ao das cotas de televisão
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Equipe Cidade do Futebol
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Breno, Alexandre Pato, Lucas e William. A semelhança entre eles é a pouca idade e uma precoce negociação com o futebol estrangeiro após brilho em seus respectivos clubes. O resultado: a potencialização dos cofres do futebol brasileiro em cerca de US$ 71 (R$ 113 milhões).

No ano passado, em levantamento da Casual Auditores Independentes, a venda das jovens estrelas representou 34% da receita total dos clubes do Brasil, contra 22% ganho em cotas de TV – em 2006, os times haviam acumulado mais com os direitos de transmissão (29%) do que com as transferências de atletas (23%).

De acordo com os dados Casual, que pesquisou as contas de 21 clubes brasileiros, no último ano a receita total dos times foi de R$ 1,34 bilhão, o maior valor já registrado pelo futebol brasileiro.

Isso representa 0,052% do PIB do Brasil em 2007, uma melhora de mais de 23 pontos percentuais em relação a 2006. Traçando-se um paralelo com 2005, esse valor representa uma evolução de 25%.

“O que faz diferença são algumas negociações isoladas com altos valores. Em 2007, as vendas dos jogadores proporcionaram um aumento de receita de 519% no Grêmio, 246% no Corinthians e 249% no São Paulo”, afirmou, em entrevista ao UOL Esporte, Amir Somoggi, especialista em marketing e gestão de clubes de futebol da Casual.

A análise aponta o São Paulo como a agremiação que teve a maior receita bruta em 2007, com R$ 190,081 milhões. O time do Morumbi ficou no topo também em 2006 e ainda teve um crescimento de 54,5%. Internacional (R$ 155,881 milhões), Corinthians (R$ 134,627 milhões), Grêmio (R$ 109,031 milhões) e Flamengo (R$ 89,499 milhões) completam o top 5.
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A IMPORTÂNCIA DA TÁTICA

Tática de jogo e tática no jogo


No futebol ainda há a velha máxima de que “jogo é jogo e treino é treino”. Ainda que já tenhamos discutido isso em outros momentos, trago à tona agora uma reflexão sobre outro ponto dessa perspectiva.

Em 90 minutos de jogo gerir gama tão grande e ímpar de variáveis (cada jogador, equipe, adversário, estratégias de defesa-ataque e transição, árbitros, torcida, ritmo de jogo, desempenho, egos...) é de fazer inveja a grandes executivos de grandes empresas multinacionais.

A pressão do tempo e resultado é inigualável. 90 minutos para acertar ou errar. 90 minutos para transformar o rumo de uma equipe e de um clube.

Pois bem. Como jogo é treino e treino é jogo (e não como a velha máxima), a perspectiva dos treinamentos de uma equipe deveria preconizar a evolução processual de um jogar/treinar cada vez mais rico em alternativas e soluções; desenvolvidos e especializados no treinar/jogar.

Muitas vezes (muitas mesmo!) a intervenção dos treinadores durante as partidas de futebol acabam por não surtir o efeito desejado.

Isso pode ocorrer, basicamente por três motivos:

1) pela incapacidade de sua equipe em cumprir uma estratégia determinada (diferente daquela previamente combinada e treinada),

2) pela capacidade da equipe adversária em neutralizar rapidamente a estratégia proposta (através de uma contra-estratégia),

3) ou por fim, pela má avaliação do treinador a respeito da melhor alternativa para dar solução a um problema do jogo.

Os motivos 1 e 3 dizem respeito às atribuições do treinador. O motivo1, porque a incapacidade de uma equipe em cumprir determinada tarefa tem relação direta com o treinar/jogar; ou seja, a execução bem feita de algo que seja determinado durante o jogo tem grande dependência do “saber fazer” por parte da equipe. E por sua vez o saber fazer, grande relação com o bem treinar.

O motivo 3, tem relação com a atribuição do treinador pelo fato de estar nele o centro gestor da equipe durante o jogo (para indagar, propor, solucionar). Como é dele que comumente parte o comando para novas estratégias de jogo, é dele também comumente a responsabilidade do acerto ou do erro (partindo ou não dele a estratégia).

O motivo 2 não tem relação direta com a ação do treinador durante o jogo, mas a tem com o motivo 1 e 3. Isso que dizer que há uma dependência indireta entre a ação do gestor da equipe e o motivo 2.

É claro que no futebol, diferente do basquete, vôlei e outros esportes, o treinador tem sua ação limitada a comandos breves (muitas vezes aos berros) na beira do gramado. Não há a possibilidade de parar o jogo para uma conversa informacional com os jogadores. A gestão da situação deve superar a dificuldade de comunicação.

Uma das grandes atribuições do treinador em um jogo de futebol é a de “mudar tendências”.

Se o jogo está desfavorável alguma coisa deve ser feita. E é no jogo muitas vezes que as decisões corretas acabam por não obter êxitos, pelo simples e grande motivo de que muitas vezes a equipe não está preparada para essa ou aquela nova dinâmica. E isso simplesmente quer dizer que o trabalho semanal, o planejamento e o processo têm grande importância na ação do treinador durante o jogo; e que o êxito de suas decisões de jogo está intimamente ligado ao seu trabalho nos treinos.

Ora, mas há quem diga que uma boa conversa no intervalo de um jogo pode transformar a forma de uma equipe jogar (treinar por quê?)!
E realmente pode, principalmente se a transformação pender para uma nova forma já conhecida da equipe.

Óbvio que existem decisões que exigem mais, ou menos elaboração na forma do jogar e que portanto, ao se necessitar de uma mudança estratégica e tática, deve levar-se em conta qual é a solução “ideal” e qual é a “melhor” solução para o problema do jogo.

Quando a melhor solução é também a ideal, não há dúvidas de que aumentam potencialmente as chances de êxito. Quando a ideal está muito distante da melhor (sendo a melhor aquela que a equipe é capaz de fazer bem, mas que pode não resolver), é nela (na melhor) que a maior parte da energia deve ser concentrada.

Óbvio também que quando a melhor solução possível não resolve, ainda há uma tendência a ser mudada, e que mais vale o risco de se tentar mudá-la através do “ideal” mal feito, do que aceitar passivamente a tendência aflorada no jogo.

A tática de jogo, trabalhada então ao longo do processo de treinos do treinador (construída desde o primeiro dia de trabalho, e colocada à prova por vezes três dias depois) terá sempre relação direta com a tática alterada no jogo. Quanto mais a tática de jogo contemplar as táticas no jogo, maiores as chances das intervenções do gestor de campo (o treinador) surtirem o efeito desejado.

Se houvesse no futebol o tempo técnico (como há em outros esportes), não tenho dúvidas senhores, cada vez mais o joio estaria separado do trigo.
Por isso, termino hoje com uma citação que me faz refletir no porque muitas vezes as pessoas parecem não querer separar o joio do trigo:

“A complexidade refere-se à condição do universo que é inerente mas que, no entanto, é demasiado rica e diversificada para compreendermos a partir das perspectivas mecanicistas ou lineares comuns. A complexidade trata da natureza da emergência, inovação, aprendizagem e adaptação”. (Santa Fé Group, 1996)

Crédito: Rodrigo Azevedo Leitão

FERRÃO BOTA A BOCA NO TROMBONE

Ferroviário cobra Federação Cearense em busca de mudança no calendário
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Fora da Série C do Nacional, tradicional clube da capital vai ao MP e pretende disputar alguma competição oficial
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Equipe Cidade do Futebol

Restrita a apenas 20 clubes, a Série A do Campeonato Brasileiro é considerada a elite do futebol nacional. Outrora vista como “inferno”, a segunda divisão, ou Série B, este ano está ainda mais fortalecida com a presença do Corinthians. Já a C, no formato atual, é vista como deficitária por muitos. Fora desse contexto todo, um clube busca fazer valer seus direitos.

Sentindo-se prejudicado por ter mantido seu time em atividade no máximo quatro meses de 2008, o Ferroviário resolveu se mobilizar e entrou com um pedido no Ministério Público, para que este fizesse à Federação Cearense de Futebol (FCF), cumprir o Estatuto do Torcedor.

A iniciativa tem por objetivo a realização de uma competição ainda no segundo semestre deste ano, a qual incluiria as agremiações que não participam das disputas realizadas pela CBF.

A idéia da direção do Ferroviário foi encampada pelo Ministério Público e, na última sexta, a procuradora Roberta Coelho se reuniu com dirigentes da FCF em busca de uma solução.

O artigo 8º do Estatuto do Torcedor diz: “as competições de atletas profissionais de que participem entidades integrantes da organização desportiva do País deverão ser promovidas de acordo com calendário anual de eventos oficiais que: I - Garanta às entidades de prática desportiva participação em competições durante pelo menos dez meses do ano”. E é nisso que se apóia o clube nordestino.

segunda-feira, julho 14, 2008

BOAS PERSPECTIVAS

Começo avassalador

Erich Beting
Editor executivo do site Máquina do Esporte e apresentador e comentarista do canal de TV BandSport


O mês de julho começou avassalador para a história do futebol brasileiro. Principalmente naquilo que diz respeito à organização do futebol como negócio.

Na terça-feira, dia 1º, Roberto Dinamite teve seu primeiro dia de trabalho como presidente do Vasco. Talvez seja um dos primeiros ex-jogadores que tenha sido um dos maiores ídolos do passado a ser elevado ao posto de presidente do clube. Após anos a fio de disputa com Eurico Miranda, finalmente Dinamite pôde assumir o posto tão desejado.

Ainda é cedo para dizer no que resultará a gestão de Dinamite. Falhas sempre ocorrem, acertos também. O fato é que a alternância de poder já indica um novo e belo caminho para o Vasco, time que tem a quinta maior torcida do país e que ficou, na última década, praticamente parado no tempo, sem conseguir transformar grandeza em dinheiro.

Sim, é verdade que no último ano a coisa melhorou, com a estruturação de um departamento de marketing e a celebração de acordos inéditos com Reebok, Habib’s e, mais recentemente, MRV, voltando a estampar uma marca na camisa vascaína após seis anos.

Mas agora, com Roberto e sem Eurico, a chance de uma guinada nos negócios do Vasco é uma realidade. O primeiro passo bem dado foi a manutenção da estrutura de marketing já montada. Afinal, por mais que deva existir alternância de poder na alta cúpula de um clube, o dia-a-dia da instituição só sofre com mudanças constantes.

Outra prova de que os tempos são outros foram as presenças de flamenguistas ilustres, como Márcio Braga, presidente rubro-negro, e Junior, ex-lateral do time rival, que deram seu apoio para o novo comandante da nau vascaína. Nomes de peso, figuras que mostram novos ares em São Januário.

Em meio à euforia da vitória de Dinamite seguia-se outra comemoração tão valiosa quanto e que pode significar a entrada do futebol brasileiro numa nova era de gerenciamento e geração de receitas. Em São Paulo, o conselho do Palmeiras deu o aval e, no dia 1º, foi assinado o contrato entre clube e a WTorre para a construção da Arena Palestra Itália.

O novo estádio palmeirense, a primeira moderna arena esportiva com capacidade para mais de 40 mil pessoas, deve ficar pronta em dezembro de 2010. A partir daí, a WTorre vai gerenciar o espaço, e o clube ficará com parte da receita.

A idéia é ter no estádio o centro de ampliação das receitas do clube, tal e qual aconteceram com as novas praças esportivas na Inglaterra e Alemanha na última década. O custo de quase R$ 300 milhões será coberto pela empresa de engenharia. O Palmeiras “deixará” de ter propriedade sobre o estádio durante 30 anos. Mas terá receita proporcional.

Não é o melhor dos mundos, já que a maior bolada com a gestão ficará com a empresa. Mas também é um tremendo avanço na gestão do esporte no país, já que haverá naturalmente uma qualificação no público presente aos eventos e, possivelmente, a geração de mais dinheiro para a manutenção de melhores equipes dentro de campo.

É o início do processo de bola de neve que fez o futebol inglês se tornar o mais rico e estrelado do mundo. Pode ser o começo de uma nova era no futebol brasileiro, com estádios que fazem do torcedor um consumidor em potencial, gerando para os clubes receita suficiente para crescer.

Julho começou avassalador. E que o rolo compressor de transformações continue para os próximos meses e anos. Quem ganha é a indústria do esporte.