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"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Mudança de filosofia no futebol de base

Clubes brasileiros devem primeiro colocar dirigentes capacitados que não pressionem jogadores e técnicos por resultados esportivos
Fabio Aires da Cunha

O exemplo do Barcelona pode nos ensinar uma lição. Quando Guardiola, técnico da equipe catalã, disse em entrevista coletiva após a final do Mundial Interclubes: “... o que tentamos é passar a bola a um companheiro o quanto antes possível, o que o Brasil fazia, segundo o que contam meus pais e meus avós, desde sempre”, nos transmite um misto de orgulho e vergonha.

Se os espanhóis, que unanimemente jogam o melhor e o mais bonito futebol apresentado por uma equipe no mundo, mostram um jogo de toque de bola, passes rápidos e jogadas bonitas, por que nenhuma equipe brasileira ou a seleção consegue repetir essa forma de jogar?

A desculpa de que o Barcelona é um clube rico e, assim, contrata grandes jogadores, aqui não serve, pois oito ou nove jogadores do time titular foram formados em sua categoria de base.

Alguns usarão como desculpa que a equipe catalã joga há muitos anos junto e então os jogadores têm um bom entrosamento. Isso é um aspecto que ajuda, com certeza, mas que sozinho não justifica esse resultado.

A grande explicação é a formação de base.

O clube espanhol possui uma filosofia clara e bem definida para a formação dos seus atletas. No lado técnico, a preocupação é formar um atleta com qualidade técnica, com os fundamentos bem desenvolvidos e afirmados. 

No aspecto tático, o objetivo é montar equipes coesas que mantêm a posse de bola, que troquem passes em velocidade e, principalmente, jogadores solidários e comprometidos com o coletivo.

Não quero aqui valorizar o Barcelona, mas sim a filosofia adotada, uma filosofia que se preocupa com a formação completa do jovem atleta e não com o resultado imediato.

O mais incrível é que o trabalho bem feito, bem planejado, que respeita o desenvolvimento maturacional, que respeita as características de cada faixa etária, acaba trazendo, também, resultados esportivos em curto e médio prazo.

Devemos mudar a filosofia da formação de base no Brasil. Os clubes devem primeiro colocar dirigentes capacitados que não pressionem jogadores e técnicos por resultados esportivos. 

Em segundo lugar, devem contratar técnicos e demais membros da comissão técnica com qualificação profissional, que entendam de crescimento, maturação e desenvolvimento motor e que trabalhem os garotos pensando no futuro como atletas e cidadãos. 

Em terceiro lugar, o clube deve investir na infraestrutura e nas condições para que os treinamentos ocorram de forma científica e profissional, pois a estrutura é fundamental.

Destaco que desses pontos o principal é a qualificação dos profissionais que atuam no dia a dia com os jovens atletas. Necessitamos de técnicos mais qualificados nas categorias de base.

Quando o futebol brasileiro se atentar para esses pontos e para essa realidade, voltaremos a revelar craques em quantidade. Não podemos mais viver de um ou outro grande jogador que surja mais por sorte do que por trabalho bem feito.

Com isso, ganham os clubes, a seleção, os torcedores, os atletas e o futebol brasileiro. Poderemos assim ver não apenas um Barcelona, mas sim inúmeros times apresentando um futebol vistoso e competitivo como vimos na manhã daquele 18 de dezembro de 2011 durante a final do Mundial Interclubes.

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