Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

domingo, julho 22, 2012

Chelsea em Battersea

Edifício é muito grande e com história importante e peculiar; clube deveria realizar muitas intervenções
Lilian de Oliveira / Universidade do Futebol

Há cerca de dois meses, o Chelsea publicou que poderia mudar sua casa para a antiga usina termoelétrica de Bettersea. Trata-se da maior construção de tijolos da Europa e, para que possa ser um novo estádio para o clube inglês, deverá ter uma grande gama de especialistas para o projeto. 



A ideia é difícil de sair, pois alguns torcedores têm direitos financeiros sobre o Stamford Bridge, além disso, a construção é complicada. No entanto, deixando a viabilidade de lado, explicarei, baseado na minha experiência com restauro, como seria o processo de projeto desse novo estádio com capacidade de 60.000 torcedores (contra 40.000 do atual). 



Acima, Stamford Bridge, casa atual do Chelsea



Para a concretização deste projeto, a equipe deve ser formada por dois grupos: o de projeto de estádios (especializado) e o grupo de restauro (composto por arquitetos especializados em restauro, historiadores, restauradores para fazer prospecções e topógrafos).

Para início, deve ser feito o levantamento detalhado, do que existe hoje, suas patologias e também prospecções para descobrir materiais e cores originais. Junto à equipe de projeto, decide-se o que deve ser preservado, então. Independente do quê, tudo deve ser registrado em desenhos e em fotografias.

A partir daí, cada equipe desenvolve o seu projeto, conversando entre si para compatibilização das ideias e interferências estruturais. A parte de restauro vai identificar todos os serviços a serem feitos (limpezas, lavagens, trocas de materiais, consertos, impermeabilizações, restauro de elementos, etc.) e definir as novas intervenções, com especificações de materiais e cores que se destaquem na construção salientando a nova intervenção.
 

“Restaurar um edifício não é mantê-lo, repará-lo ou refazê-lo, é restabelecê-lo em um estado completo que pode não ter existido nunca em um dado momento.”

Viollet LeDuc, restaurador renomado
 

A intenção para o novo estádio do Chelsea seria usar a imagem icônica da construção para marcar o estádio. Para isso, as torres seriam mantidas e lavadas. No entanto, o perigo é se tornar o antigo Wembley, com uma arquitetura pesada e que foi perdida na renovação mais recente. Pode funcionar como ícone, mas não necessariamente de beleza.

A descaracterização da construção é necessária para a construção do estádio e, eu, como profissional da área, acredito que não seja um benefício nem para o Chelsea, nem para a história da Usina de Battersea.



Para quem não conhece, a usina já foi capa do álbum do Pink Floyd, “Animals”, e também de gravação de vídeo dos Beatles (Help!). É um edifício muito grande, muito famoso, com história importante e com suas peculiaridades.


É também protegida em Londres, o que dificulta ainda mais a intervenção drástica que uma arena exigiria. Teria que ser muito modificado para conseguir ser transformado em estádio.

Vale mais a pena se manter em casa, Chelsea!
 

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Benê Lima