Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quarta-feira, outubro 19, 2016

Maximizando nossa premissa da importância do conceito de futebol coletivo (Benê Lima)

Essência do futebol

O mais forte de uma equipe é o coletivo





Não podemos esquecer que o futebol é um jogo coletivo, independente do momento do jogo. Tem-se, por vezes, a equivocada impressão de delegar a individualidade ao momento ofensivo (quando não se faz gol geralmente se culpa a qualidade técnica) e a coletividade ao momento defensivo (quando sofre muitos gols o responsável é a organização (coletivo)). Contudo, a organização defensiva só conseguirá ser verdadeiramente coletiva se as ações tático-técnicas realizadas por cada um dos onze jogadores forem perspectivadas em função de uma ideia comum, respeitando um referencial coletivo, em que as tarefas individuais dos jogadores se relacionam e regulam entre si. Apenas assim o “todo” (a equipe que defende) conseguirá ser maior que a soma das partes que o constituem (comportamentos tático-técnicos de cada atleta).
Quando falamos em “ideia comum” ou “referencial coletivo” é preciso entender que não está se referindo a automatismos fechados, ou algo já estabelecido de forma estanque, mas a princípios que norteiam a ação coletiva da equipe e por consequência as ações individuais dos atletas nela inseridos. O futebol é um jogo inteligente. E não há inteligência mais complexa que a inteligência coletiva. E isso só se ganha com a tomada de consciência da importância dos princípios do jogo. Em cada momento do jogo, ou na máxima percentagem do jogo, temos 7 ou 8 atletas a pensarem a mesma coisa, em conformidade com esse referencial.
Portanto, faz-se necessário construir e definir princípios que balizem os comportamentos coletivos (princípios de jogo), visto que o jogo pelo seu caráter imprevisível não permite ações planejadas em sua plenitude. Pois o jogo vai sendo construído (construção de si mesmo) conforme as respostas que seus jogadores (tanto da equipe como do adversário) vão oferecendo pontualmente naquelas situações. Respostas essas que surgem da interação dos mesmos com sua equipe, com o adversário, com a posição da bola e de um número muito alto de outras variáveis que estão nele inseridos.
Falar nem sempre, ou quase nunca, diz alguma coisa. A simples informação não altera comportamentos e estes demoram muito tempo para serem alterados (requer treinos, muitos treinos). Cabe ao treinador direcionar esses comportamentos para a concepção de jogo (ideias) que pretende adotar, através de exercícios com complexidade crescente, sempre atuando na zona próxima de conhecimento do atleta com um objetivo final muito definido.
O objetivo é que a equipe apresente respostas coletivas para a maior quantidade possível de situações que estejam presentes nos quatro momentos do jogo: com a bola, sem a bola e transições defesa-ataque/ataque-defesa. Nessa proposta uma equipe pode ter a bola, mas, por estar com vantagem no placar, não quer dar profundidade ao jogo e quer defender-se com a posse. Suas movimentações são bem diferentes de quando ela precisa marcar gol. Caso algum(ns) jogador(es) não esteja com os princípios daquele momento assimilados, pode(m) apresentar respostas incongruentes com os objetivos momentâneos da equipe, realizando movimentações para regiões em que a pressão do adversário é mais intensa, aumentando os riscos de perder a bola e não colaborando com a meta coletiva estabelecida para aquela pontual situação, a manutenção da posse de bola simplesmente. E que fique bem claro com esse parágrafo que “estar defendendo” ou “estar atacando” independente de ter ou não a bola, pelo caráter indivisível que o jogo apresenta ao contemplar os quatro momentos anteriormente citados que se manifestam intimamente relacionados.
Os princípios de jogo estão ligados aos hábitos da equipe, que são resultado da interação dos hábitos individuais dos jogadores. Portanto, aí deve estar focada a intervenção do processo de treino. Frade relata que o hábito é um saber-fazer que se adquire na ação, portanto, vivenciar os devidos princípios de uma forma hierarquizada e sistematizada é fundamental para que o objetivo final, ou seja, a implantação da concepção de jogo idealizado pelo treinador baseado no contexto em que se encontra, materialize-se em campo de forma condizente com a proposta inicial.

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Benê Lima