Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

terça-feira, maio 18, 2010

Filósofo sugere ‘humanização’ de departamento de futebol e critica postura de parte da imprensa
Em entrevista, Marcelo Pereira Rodrigues enaltece atuação da psicologia esportiva aplicada ao futebol
Equipe Universidade do Futebol

Seria possível a inserção de um filósofo em uma comissão técnica profissional de futebol? A pergunta, uma das razões que motivaram o português Manuel Sérgio, precursor dos estudos de Motricidade Humana, ao lado do professor João Paulo Medina, a publicar o livro “Filosofia do Futebol”, tem uma resposta afirmativa dada pelo próprio autor. É provável que Marcelo Pereira Rodrigues compactue com a ideia.

Também filósofo e com seis obras assinadas (três romances e três livros de crônicas), Marcelo atua no ramo de palestras motivacionais. Apenas no âmbito futebolístico profissional. Seu trabalho com relações interpessoais e dinâmica de grupo foi apresentado em uma entrevista ao jornal Tribuna Livre.

“A fala deve ser dada na língua característica dos ‘boleiros’, falando o que eles entendem. Da forma que eles entendem. Mas por trás de toda essa palestra existe uma fundamentação teórica de pesquisador, mesmo. Sou 'boleiro' no trato com os atletas e filósofo internamente, na preparação destas prováveis interferências”, relatou.

Marcelo prega uma união ideológica entre os profissionais das Ciências Humanas – o processo de integração e interdisciplinaridade realizado por algumas agremiações. Na visão do filósofo, a crítica sem conhecimento de causa sinaliza uma insegurança do profissional.

“Ter espírito de equipe é ser sensato para não tumultuar um ambiente, jogando um contra o outro no trabalho. Ter caráter é fundamental. Imagine um motivador profissional que adentra um clube, faz futrica, que é inseguro e mau caráter? Tem agente mais desmotivador do que esse?”, questionou.

Com o exemplo do Atlético-MG, que tem no comando do departamento de futebol profissional o treinador Vanderlei Luxemburgo, Marcelo defende o investimento na “humanização” da área técnica. No clube mineiro, há o suporte de um supervisor, três preparadores físicos, dois auxiliares técnicos, um cinegrafista, dois fisiologistas, um instrutor de arbitragem, três médicos, três fisioterapeutas, dois nutricionistas, um dentista, dois seguranças, dois massagistas, dois roupeiros, um auxiliar de campo, um assessor de comunicação e um assessor de imprensa.

“Isso além do técnico, lógico. Em alguns clubes existe também o psicólogo. E no Internacional-RS, existe o importante trabalho do Dr. Evandro Motta, motivador profissional”, elencou.

Em seus métodos, Marcelo destaca também o aspecto negativo da torcida e da imprensa. Ao invés de serem o alicerce da prática do futebol, muitas vezes tumultuam o desenvolvimento de ações e projetos.

“Que respeito existe em uma pergunta feita ao professor Mano Menezes, acerca do Ronaldo. Cito: ‘Por que você não tirou o Ronaldo hoje, que estava morto em campo?’. Essas e outras. Depois aparece o professor Muricy Ramalho chutando o balde e os caras reclamam. Muitos nem perguntas fazem, mas apenas adendos apoiados em opiniões levianas e infundadas”, apontou o filósofo.

“Quanto ao aspecto ruim das torcidas, é chato uma delegação sair escoltada de um estádio tendo o ônibus apedrejado. Nem com os políticos que roubam fazemos isso. Puxa vida, são pais de família como qualquer um de nós. Há aquele torcedor que vai para incentivar. Que se delicia quando entra no CT do seu clube de coração pela primeira vez e aqueles jornalistas sérios, que ganham assim o respeito dos atletas e dos profissionais do futebol”, finalizou.

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Benê Lima