Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quinta-feira, agosto 26, 2010

Remuneração no mundo esportivo – um assunto crítico de ser abordado, mas necessário ser discutido

Os tipos de benefícios que o novo modelo de remuneração no mundo corporativo renderia ao ser aplicado no âmbito esportivo

Ayres de Sá e Nilson de Lima Barboza

Após a crise financeira mundial, vários paradigmas foram quebrados e uma nova forma de planejar, administrar e gerenciar está sendo criada. Vimos praticamente todos os países (ricos ou pobres), as mais diversas empresas (multinacionais, nacionais, públicas, abertas, familiares, etc.), de todos os setores de atuação (financeiro, industrial, comercial, educacional, esportivo, etc.) sucumbirem-se ou serem drasticamente afetadas em decorrência dos estragos causados pela crise financeira internacional.

Nesse contexto, e nos atendo ao setor esportivo, temos presenciado vários clubes europeus propondo a venda de seus “negócios”; clubes americanos de basketball reduzindo seu orçamento; controle de custo e redução dos investimentos na Fórmula 1; clubes tradicionais argentinos sofrendo uma forte crise financeira após a retirada de subsídios governamentais que suportavam financeiramente os clubes; além dos infindáveis exemplos que temos visto no setor esportivo brasileiro, passando pelo futebol, volleyball, basketball e tantas outras modalidades.

Em meio a todas estas mudanças, temos acompanhado um movimento nos principais órgãos de Governança Mundial, como destaque para aqueles apresentados em Londres pelos líderes do G-20, os quais assumiram o compromisso de implementar boas práticas relacionadas a políticas de remuneração. Tal compromisso foi reafirmado em Pittsburgh, quando os líderes destacaram a necessidade de implementar padrões internacionais robustos para a política de remuneração, visando desencorajar práticas que levem à assunção de riscos excessivos, como forma de fortalecer a estabilidade do sistema e alinhar práticas de remuneração com a criação de valor a longo prazo.

Busca-se, assim, discutir, promover e desenvolver políticas de remuneração compatíveis com a estratégia global de gestão de riscos, formuladas de modo a não incentivar comportamentos capazes de elevar a exposição aos riscos acima dos níveis considerados prudentes no curto, médio e longo prazo.

Assim sendo, propomos uma reflexão, nos atendo novamente à questão vivenciada atualmente pelos clubes de futebol: os clubes em geral, e em particular os de futebol, serão influenciados de alguma forma por mecanismos como estes? Considerando que, de forma geral, os clubes foram afetados pelos efeitos danosos da crise financeira mundial, até que ponto estas iniciativas que estão sendo discutidas no âmbito das empresas e instituições financeiras ao redor do mundo podem afetar a forma pela qual os clubes tratam a questão de remuneração de seus profissionais?

De forma proposital, fizemos estas indagações por entendermos que assim como estas iniciativas são extremamente importantes no âmbito das empresas e instituições financeiras, são também factíveis aos clubes. À medida que os clubes passarem a ser vistos e administrados como empresas, o que está sendo proposto em relação à remuneração dos principais executivos e gestores das grandes corporações, é aplicável à comissão técnica e jogadores. Vamos exercitar um exemplo que motivou a adoção das novas práticas de remuneração nas grandes corporações e compará-las com as práticas adotadas nos clubes.

Práticas adotadas atualmente nas grandes corporações
• Os executivos e gestores são remunerados basicamente de duas formas: (a) pagamento fixo mensal e (b) pagamento de bônus e comissões relacionados ao cumprimento de metas, especialmente, financeiras;

• Normalmente o período de medição destas metas é anual;

• Não há, nos modelos atuais, uma correlação forte entre os resultados financeiros obtidos versus o risco residual remanescente nas empresas;

• O principal driver de medição é o resultado financeiro (lucro) da corporação ou de sua unidade de atuação.

O que está sendo proposto e discutido atualmente para as grandes corporações
• O que está sendo proposto é uma política de remuneração compatível com a política de gestão de riscos e endividamento das companhias de modo a não incentivar comportamentos que elevem a exposição ao risco ou de seu endividamento acima dos níveis considerados prudentes nas estratégias de curto, médio e longo prazos adotadas pelas corporações;

• O que se propõem, em linhas gerais, é atrelar o pagamento da parcela variável (bônus) dos executivos e gestores à concretização de fato das metas planejadas não mais no horizonte de 12 meses mais de três anos. O que se busca é não mais remunerar os executivos por resultados parciais ou pontuais, que não tragam de fato, valor as companhias.

Práticas adotadas atualmente nos clubes de futebol e de outras modalidades
• A comissão técnica e os jogadores são remunerados basicamente de duas formas: (a) pagamento fixo mensal de altos valores e (b) pagamento de eventuais gratificações por títulos conquistados;

• Normalmente a remuneração substancial e efetiva da comissão técnica e dos jogadores é fixa e independem da conquista de títulos ou de classificação para participação em torneios, considerados como metas para os clubes;

• Não há, nos modelos atuais, uma correlação forte entre os resultados, conquistas, número de partidas jogadas; número de cartões recebidos, número de gols marcados e o pagamento da remuneração destes profissionais;

• O que se vê, muitas vezes, é que a remuneração paga a estes profissionais não são condizentes com os resultados gerados;

Diante do exposto, o que queremos colocar em discussão é se esse novo modelo de remuneração que temos discutido no mundo corporativo não seria aplicável e desejável no mundo esportivo. Entendemos que a adoção também, no mudo esportivo, destas novas práticas de remuneração poderia trazer os seguintes benefícios aos clubes:

• Criaria uma relação justa entre a remuneração paga e os resultados alcançados;

• Condicionaria parcela substancial da remuneração dos jogadores e comissão técnica à obtenção das metas traçadas;

• Evitaria a descapitalização dos clubes, com pagamentos de altíssimos salários sem o recebimento da contrapartida de seus profissionais;

• Traria maior comprometimento dos profissionais na conquista dos resultados almejados e planejados pelos clubes;

• Buscaria transferir para o setor privado, ou através de outras campanhas de marketing, o risco decorrente do pagamento de altas cifras aos jogadores;

• Seria uma forma de sanear as finanças do clube e manter todos os profissionais empenhados na busca dos objetivos traçados;

Para encerrarmos, entendemos, todavia, ser essa uma prática muito difícil ser implementada repentinamente, porém acreditamos que o próprio tempo, as dificuldades e a profissionalização dos clubes podem levá-los a adotar práticas de remuneração semelhantes às comentadas neste artigo, sob pena de perecerem ao longo do tempo, como infelizmente temos visto com muitas organizações e clubes importantíssimos ao longo da história.

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Um comentário:

  1. Olá muito bem estruturado post , adorei muito, talvez poderiamos tornar-nos amigos de blog :) lol!
    Aparte de piadas sou o Fábio, e assim como tu publico blogues se bem que o tema principal domeu blogue é bastante diferente de este....
    Eu faço blogs de poker sobre bónus sem depósito sem arriscares o teu dinheiro......
    Gostei imenso aquilo vi escrito!

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Benê Lima