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"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

terça-feira, agosto 16, 2011

Treinador da seleção francesa sinaliza dificuldades em processo de reconstrução e vê “falha coletiva” no Brasil

Para Blanc, que completou um ano à frente da equipe principal de seu país, trabalho em clubes é menos complicado e Bleus estão fora do patamar europeu
Equipe Universidade do Futebol

Treinar um clube e uma seleção são duas situações e funções completamente diferentes. A opinião dada por Laurent Blanc deve ser considerada. Afinal, à frente do Bordeaux, o ex-zagueiro foi eleito o melhor técnico do Campeonato Francês já na sua primeira temporada, em 2007/08, além de ter conquistado a taça no ano seguinte. E recentemente completou um ano à frente da seleção principal de seu país.

Assim como Mano Menezes no Brasil, Blanc vem encontrando dificuldades no processo de reconstrução de um grupo a partir de jovens talentos. O segredo para este período? Superar jogo a jogo com o maior número de vitórias possível e classificar os Bleus para a próxima edição da Eurocopa.

“A vida de um técnico de seleção nunca é muito longa, como a de qualquer técnico, aliás. É claro que existem treinadores de seleção com mais experiência do que eu. Mas não é conhecer o cargo de cor e salteado o que me interessa. O que me interessa é unicamente a classificação para a Euro. E não adianta nada conhecer o trabalho se você não classifica a sua equipe! É só isso o que se pede de um treinador de seleção. A coisa mais importante é trabalhar bem e aplicar aquilo que se deseja implementar”, resumiu o treinador, em entrevista ao site oficial da Fifa.

Para Blanc, quando se assume um clube, o comandante tem os jogadores à disposição diariamente e pode fazer com que os mesmos evoluam. Além disso, há facilidades comunicativas, algo muito restrito em um ambiente de federação. Como exemplo, ele cita a partida amistosa contra o Chile, em que o grupo se apresentou às 13h de uma segunda-feira – o duelo ocorreu às 21h da quarta.

“O que você quer implementar nesse curto intervalo de tempo? Fora fazer com que eles recuperem e incorporem uma certa filosofia de jogo e de vida, não se pode pretender muito mais. É preciso tempo. O cargo de técnico de seleção é mais difícil que o de técnico de clube: tanto um quanto o outro tem a obrigação de ganhar, mas o treinador de um clube tem mais tempo para cumprir a sua missão”, comparou.

Ciente da realidade que se escancara a todos os técnicos de seleção, Blanc entende que é preciso contar também com a sorte de montar uma equipe competitiva o mais rapidamente possível. E este, admite, não é o caso dos franceses.

“Isso leva um pouco de tempo. Nada é fácil. Estamos em um período de construção em que já não fazemos parte das melhores equipes do futebol europeu, talvez nem do futebol mundial. E é complicado”, revelou.

O capitão da França como atleta, na Copa de 1998, recentemente disse que estava surgindo uma base para a atual equipe. Sem fixar uma data-limite para atingir esse ponto, ele reitera que o único prazo importante para todo o grupo, para a federação e para as pessoas que gostam de futebol é a Euro.

“A construção de uma equipe leva muito tempo. Às vezes leva tanto tempo que você não tem tempo para montá-la! (risos) Tentamos avançar por etapas. Estamos criando uma base, sem dúvida, mas o mais importante é ganhar jogos. Porque isso acelera as coisas”, acrescentou.

A base citada por Blanc é formada por cinco, seis jogadores, aqueles que constantemente vêm acumulando convocações desde o ano passado. Fora estes, o treinador crê que é necessário conferir espaço aos jovens e aos atletas que momentaneamente estão em excelente fase – isso é importante para instalar uma concorrência permanente, costuma dizer.

“Em um esporte coletivo, é preciso ter talentos individuais. Mas, acima de tudo, é preciso saber colocar esse talento individual a serviço do coletivo, e não o contrário”. A análise de Blanc, que tem como olhar anterior a atuação dos Bleus na África do Sul, também pode ser encaminhada para a seleção brasileira. Para ele, é preciso principalmente tentar criar um estado de espírito, e somente confiar em jovens talentos, como Lucas, Neymar e Ganso, não é certeza de sucesso.

“São bons jovens atletas, mas podemos perceber que a seleção brasileira tem dificuldades para se impor coletivamente, apesar dos seus talentos individuais. Basta ver a última Copa América. Eis uma mostra de que jogadores com um talento individual fora de série não formam necessariamente uma equipe excepcional”, descreveu Blanc.

“A Argentina e o Brasil são prova disso. Talento não basta, embora seja melhor tê-lo para formar uma grande equipe. Mas quando você tem talento, genialidade, até, não significa que automaticamente terá uma grande equipe. Felizmente, do contrário o Brasil não teria ganhado cinco Copas do Mundo, mas dez! (risos) É preciso que os brasileiros deixem um pouquinho para os outros...”, finalizou.

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Benê Lima