Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Quando o planejamento dá errado

Por Felipe Demarqui

O São Paulo Futebol Clube foi muito elogiado no meio de 2008 ao não vender um de seus principais jogadores, o volante Hernanes, para o mercado europeu, durante a janela de transferências. Foram recusadas propostas do CSKA e do Barcelona.

Risco calculado? SPFC segurou Hernanes e faturou tri do Brasileiro

Além do fato das propostas terem sido muito distantes da multa rescisória do jogador (especula-se que as ofertas giraram em torno dos €15 milhões, enquanto a multa era de € 25 milhões), os dirigentes são paulinos tinham outro argumento: a manutenção do jogador na equipe seria fundamental para que o time conquistasse seu tricampeonato brasileiro consecutivo e, consequentemente, a vaga na Copa Libertadores, torneio adorado pelos torcedores e muito rentável para os dirigentes.

A diretoria afirmava que a conquista do título geraria efeitos positivos (leia-se, maior faturamento) para o clube, fazendo com que o “buraco” deixado pela não venda do jogador fosse tapado. Além de fatores intrínsecos ao campeonato (premiação, maior arrecadação em jogos devido à disputa do título), a grande visibilidade obtida através dos meios de comunicação (TV, internet, jornais, blogs) faria com que o clube tivesse sua marca fortalecida, podendo explorar novos produtos de marketing em torno do feito inédito. Além disso, todos os jogadores do elenco (inclusive Hernanes) seriam valorizados para possíveis futuras negociações.

Eis que chega o final do campeonato, o São Paulo é campeão, lança as tradicionais camisas comemorativas e também o DVD Tri-Hexa, um dvd duplo, com imagens de bastidores do título de 2008 e todos os gols dos três campeonatos brasileiros consecutivos. A conquista não trouxe o aumento substancial de patrocínio esperado pelo clube, mas ajudou a aumentar o interesse de patrocinadores/parceiros na reforma do Morumbi para a Copa 2014. Em termos gerais, analisando o balancete de 2008 do São Paulo e comparando com o ano anterior, podemos destacar os seguintes números:

Futebol Profissional e de Base20082007% 2008/2007
Licenciamento e Franquias6.0015.17415,98%
Arrecadação de Jogos16.76012.46434,47%
Premiações em Campeonatos1.9661.65019,15%

Números como esses fizeram a receita do clube (excluindo repasses de direitos federativos) aumentar 12,5% em 2008 (de R$70.320 mil para R$79.093 mil). Obviamente, seria ingenuidade creditar todo esse aumento apenas ao fato da conquista do campeonato brasileiro; ingenuidade também seria acreditar que todo o aumento da demanda por artigos do clube, resultante do título, cessou ao final de 2008 (não sendo assim computado nos números acima).

Sendo assim, é possível afirmar que o São Paulo foi bem sucedido na sua estratégia de manutenção de um dos principais jogadores da equipe. Mas, e quando a estratégia não sai exatamente de acordo com o esperado?

Manter Diego Souza não garantiu nem a Libertadores ao Palmeiras

É exatamente isso que o Palmeiras está vivenciando no momento. O clube e seu principal investidor, a Traffic, chegaram a um acordo, antes da janela de transferências, no qual os principais jogadores (principalmente Diego Souza, Cleiton Xavier e Pierre) não seriam vendidos para clubes estrangeiros, visando a manutenção do time (até então líder do campeonato e com grandes chances de título) em busca da conquista do Brasileiro 2009. Da mesma forma que o São Paulo em 2008, o clube alvi-verde apostava no título e na vaga para a Libertadores como formas de aumentar a visibilidade de sua marca e suas receitas.

Apesar de diversas propostas, o acordo foi mantido, e o time não sofreu nenhuma baixa considerável. Porém, por infortúnios do futebol, o Palmeiras começou a apresentar uma queda de rendimento tremenda, o time não se encontrava dentro de campo, o que acabou culminando na derrocada na tabela, na perda do título e, também, da vaga da Libertadores na última rodada. Diego Souza, apesar de um belo gol do meio de campo e de ter recebido o prêmio de “Craque do Campeonato”, apresentou na reta final do torneio um futebol bem abaixo do que vinha jogando; Cleiton Xavier e Pierre tiveram contusões e ficaram de fora de boa parte do final do Brasileiro. Assim, possivelmente, os olhos dos clubes europeus começam a desviar desses jogadores.

Da mesma forma que a conquista de um campeonato valoriza todos os jogadores do elenco, a derrota traz o efeito contrário. Ficam assim as perguntas:

  • Qual o impacto da não liberação dos atletas na receita do clube para 2009?
  • Será possível contornar a falta de visibilidade e dinheiro da Libertadores, jogando a Copa do Brasil?
  • Futuras negociações dos atletas citados serão tão volumosas como as apresentadas no meio do campeonato?

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Benê Lima